
Fábrica em Palmela equaciona despedimentos
A fábrica Visteon, em Palmela, pretende rescindir os contratos de trabalho com uma centena de trabalhadores, alegadamente para "melhorar a eficiência da empresa". A confirmação desta intenção foi avançada à Agência Lusa por Dolores Muniz, do Departamento de Relações Públicas da Visteon, produtora de componentes electrónicos para a indústria automóvel.
A proposta avançada aos trabalhadores convidados a rescindir passa por indemnizações de mês e meio de salário por cada ano ao serviço da empresa, havendo agora que esperar pela resposta dos trabalhadores. Dolores Muniz negou no entanto qualquer relação da proposta de rescisão de contrato com eventuais problemas de saúde dos trabalhadores agora convidados a deixar a empresa.
Segundo os sidicatos que representam os trabalhadores da Visteon, muitos dos trabalhadores que estão a ser convidados a rescindir os contratos de trabalho com a empresa porque contraíram doenças profissionais, nomeadamente tendinites, ou porque estão a usufruir de regimes laborais mais favoráveis por se tratarem de trabalhadores-estudantes, ou de trabalhadoras que foram mães há pouco tempo e estão a beneficiar do regime horário de amamentação.
Em Junho de 2003, a Visteon Corporation assinou um contrato de investimento com o Governo português, no montante de 49 milhões de euros, dos quais 18 milhões de euros para projectos de inovação. Como contrapartida, a empresa recebeu um incentivo de 2,7 milhões de euros ao abrigo do Programa de Incentivos à Modernização da Economia (Prime) e um crédito fiscal de 13 por cento do investimento.
A fábrica, que produz auto-rádios e outros componentes para automóveis, em Palmela, onde laboram actualmente cerca de 1700 trabalhadores, é uma das muitas unidades da multinacional Visteon, presente em 23 países em todo o mundo. O grupo tem sede no estado de Michigan, nos Estados Unidos, e está cotada na Bolsa de Nova Iorque. (in Lusomotores.com, 08/03/2006)
O Presidente da República, Cavaco Silva, apontou hoje cinco desafios cruciais para abrir caminho ao progresso de Portugal, que passam pelo crescimento da economia e pela qualificação dos recursos humanos.
O primeiro desafio que apontou prende-se com a criação de condições para um crescimento mais forte da economia portuguesa, que considera essencial para o combate ao desemprego e recuperação dos atrasos face à União Europeia. (in Diário Digital, 09/03/2006)
A greve (Lasar Segall, 1956)
Cá está mais uma empresa a criar as tais condições para um crescimento mais forte da economia portuguesa a que se referiu a empossada Múmia de Boliqueime no seu primeiro de cinco desafios aos portugueses no seu dizKurso de tomada de posse. Agora como é que a sumidade em estratégia económica equaciona estes golpes baixos que as entidades empregadoras na mira dos lucros desenfreados com o combate ao desemprego é que nós gostávamos de saber, e ele não explica (ninguém explica, nenhum desses economistas jamais nos explicou o que vai o país fazer ao número crescente de desempregados). É que estas estratégias para melhorar a eficiência das empresas são incompatíveis com o combate ao desemprego, que no dizkurso do dito cujo surge como pura demagogia. No meio disto tudo o nosso governo não se coíbe de fazer o papel de palhaço, dando incentivos e benefícios a empresas que estão bem e se recomendam e que assim que podem lhe tiram o tapete e criam mais problemas de desemprego ao nosso país. Claro que o governo não sofre muito com isso, para já! Esse é um objectivo que não faz mal não estar a ser cumprido porque há-de chegar o momento em que os índices do desemprego hão-de baixar qualquer coisita dado à necessidade de mão-de-obra que obras públicas megalómanas como o TGV trará ao país. Depois, quando as obras estiverem concluídas se verá o que fazer a todos esses desgraçados que todos os dias ficam sem salário para comer. Além disso, tempos vêm em que o desemprego será a fórmula que os ilustres economistas usarão para que os trabalhadores no desemprego passem a trabalhar em troca do… subsídio de desemprego. Algum desses economistas iluminados já deve ter soprado está fórmula mágica no ouvido ávido de Marques Mendes, quando no outro dia veio propor que se pusessem os professores no desemprego a render (ver artigo neste blog). Saberão os senhores economistas que é essa bomba que estão a criar a mesma que acabará por lhes estoirar nas fuças? É porque não devem ter consciência que a situação de desemprego é uma situação desesperada, insustentável, o rastilho que já se começa a acender e que dará lugar à próxima revolução a que vamos assistir. E esta não será certamente uma revolução de cravos, porque nessa altura não serão as patentes e as carreiras dos militares que estarão em causa mas sim a situação desperada de precaridade de uma grande faixa de povo. Essa será a verdadeira revolução do povo e trará sangue, suor e lágrimas. E as brilhantes cabeças dos economistas e dos políticos que seguem as suas obscenas teorias vão rolar!

















