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domingo, fevereiro 10, 2008

Chamar os bois pelo nomes

 Miguel Sousa Tavares

Como infelizmente a crónica semanal do Miguel Sousa Tavares no Jornal Expresso ainda só está disponível On-line para os assinantes, e me parecer que diz tudo o que há para dizer, aqui reproduzo o texto publicado e que roubei no blog o “Jumento”, sem mais comentários.

«O general Garcia Leandro publicou aqui no Expresso, no sábado passado, uma espécie de protopronunciamento militar deveras interessante. Em substância, o general diz que o país está minado pela corrupção e pelo mau governo dos políticos e que só não avança para encabeçar um 'movimento de indignação', conforme muito solicitado, porque vivemos hoje na União Europeia - onde estas aventuras 'venezuelanas' deixaram há muito de ter viabilidade. Mas essa não é, em boa verdade, a única razão que trava o general nas suas generosas intenções, se é que ele não o sabe: a outra razão é porque o país acolheria hoje com uma gargalhada devastadora qualquer ridícula tentativa de pronunciamento militar. Com a extinção do Conselho da Revolução, algures na década de 80, livrámo-nos de vez da tutela militar e já ninguém, nem a novíssima geração, leva a sério um militar que queira salvar a pátria. Aliás, o próprio texto do general Garcia Leandro - confirmando que os textos de justificação dos pronunciamentos militares jamais ficarão para a história da literatura universal - é, em si mesmo, incapaz de arregimentar até um quartel de bombeiros, tão frouxas e tão confusas são as razões aduzidas.
A corrupção é, de facto, um problema - aqui e em muitos outros lugares. Infelizmente, como o general deve saber, entre nós, nem os militares lhe escapam. Temos um alto oficial da Armada, durante anos responsável técnico pelas compras do material de guerra do ramo, preso sob suspeita de corrupção. E, da compra dos aviões A-7 até à dos submarinos, não há razão alguma para acreditar que, se corrupção houve, os militares envolvidos nos negócios não molharam também a mão na massa. No que toca a gastos de dinheiros públicos injustificados, os militares têm muitas contas a prestar ao país. Todavia, o que diz o general Garcia Leandro é aquilo que muitos pensam, e não apenas 'a rua'. O facto de ser general não o torna mais qualificado do que qualquer outro nos seus julgamentos nem lhe dá o direito a querer encabeçar um 'movimento de indignação', seja isso o que for. Restam as causas de indignação, que, essas sim, são reais e poderosas.
Recentemente, também o novo bastonário dos advogados veio agitar as águas turvas do regime denunciando alto e bom som coisas que todos sabemos serem rigorosamente verdadeiras: que há advogados que fazem política no Parlamento e negócios com coisa pública cá fora; que há ex-governantes que saltam do Estado directamente para empresas com que antes negociaram em nome do interesse público; que há uma justiça para ricos e outra para pobres e por isso é que não há um único poderoso atrás das grades, embora não faltem motivos para tal. Caíram todos em cima do dr. Marinho e Pinto, chamando-lhe demagogo, vendedor de feira e acusando-o de denunciar a corrupção sem apresentar 'provas'. Num gesto inédito de insubordinação estatutária, o presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados veio ameaçar o próprio bastonário com um processo disciplinar se não se calasse.
Todos fingiram entender que ele falava da corrupção - um mal universal, que não afecta apenas Portugal. Piedosa mentira. O que o dr. Marinho e Pinto denunciou foi o descarado tráfico de influências entre o político e o económico, o público e o privado, que, essa sim, é uma imagem de marca nossa. Meia dúzia de ministros de qualquer Governo, de empresários privados, de gestores públicos e de poderosos escritórios de advocacia decidem entre si como é que o Estado vai gastar os milhões que gasta em obras públicas, como é que vai pagar os seus fornecimentos, como é que vai privatizar as suas empresas, em que termos vai negociar contratos de concessão, que excepções vai abrir para conceder direitos de construção em zonas de paisagem protegida.
Desde a gestão privada de hospitais públicos à concessão da exploração de pontes, passando pela construção do que quer que seja ou pela compra de armamento militar, não há orçamento que não derrape largamente, não há negócio que não termine com lucros muito além dos previstos para os privados e total impunidade para os gestores públicos que lhes deram causa. Contratar com o Estado português é sinónimo de lucro disparatado e risco nulo. E isso não significa necessariamente que, algures no circuito, tenha havido alguém a deixar-se corromper para que a factura subisse. Esse tipo de corrupção existe, mas a um nível menor, ao nível autárquico, por exemplo. Aqui, do que se trata é da troca de favores e influências entre uma casta que controla os grandes negócios com o Estado. Hoje, A faz um favor a B - entrega-lhe uma empreitada que vale milhões - e amanhã é a vez de B retribuir, contratando A para os seus quadros ou entregando-lhe por sua vez uma empreitada em que ele esteja interessado. E no meio estão C e D, que funcionam como advogados e jurisconsultos de ambos os lados: tão depressa negoceiam em nome do Estado como em nome de clientes privados com o Estado, tão depressa dão pareceres a um como a outro e, não raras vezes, estão dos dois lados simultaneamente, em processos diferentes. Necessidade obrigando, chegam a produzir doutos pareceres de sentido oposto em casos rigorosamente idênticos, em que só mudou o cliente que servem. Não me admira nada que o dr. Marinho e Pinto tenha vindo desinquietar toda esta gente - ainda por cima se não se esquece de denunciar uma justiça que, pela inércia e pelo facilitismo, pactua com aqueles que têm a possibilidade material de fazer arrastar os processos em tribunal até que eles morram de podridão e esquecimento.
O mal causado não consiste apenas no desperdício de dinheiros públicos ou na instalação de uma cultura de impunidade e batota, que desmoraliza o país são. Uma das maiores causas para o atraso endémico de Portugal é esta chamada iniciativa privada que domina os negócios de milhões mas que não sabe sobreviver sem os seus três factores de êxito: salários baixos, "offshores" para tratar do Fisco e negócios garantidos com o Estado. Temo só de pensar que vem aí o TGV e um novo aeroporto, onde um país pobre e economicamente estagnado, um país a quem tantos sacrifícios têm sido pedidos em nome do combate ao défice vai atirar pela janela milhões e milhões em trabalhos extra, comissões a intermediários, honorários de consultadoria externa e de pareceres e todas as demais alcavalas que sempre acompanham cada empreitada pública. Foi assim com o CCB, a Ponte Vasco da Gama, o Túnel do Marquês, o Hospital Amadora-Sintra, o Casino de Lisboa oferecido ao sr. Stanley Ho (edifício incluído!) e tudo o mais, tudo rigorosamente, a que o Estado deitou mãos.
Farto de assistir a este espectáculo decadente e impune, legitimado pelo exemplo que vem de cima, grande parte do país já percebeu que a regra é exigir do Estado privilégios e dinheiro fácil. A outra parte, se não acredita nem deseja militares salvadores, só lhe resta isto: indignar-se e chamar os bois pelos nomes.»

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

segunda-feira, outubro 24, 2011

Está a chegar a hora de escolher o lado da trincheira


O capitão de Abril Vasco Lourenço que o poder foi tomado por um «bando de mentirosos» e apela aos militares para estarem ao lado da população caso se verifique repressão policial nas ruas. O coronel, actualmente na reserva, acredita que as medidas de austeridade vão gerar convulsão social com repressão da polícia. A confirmar-se esse cenário, Vasco Lourenço espera que os militares estejam do lado da população.
«A população certamente não vai aceitar de bom grado essas medidas e eles vão tentar fazer pressão. Vamos ver como vão reagir as forças de segurança quando tentarem utilizá-las para fazer a repressão, depois espero que os militares tenham a vontade e a força suficiente para, como se passou no Egipto, dizer 'não' à repressão», afirmou.

Disseste que não ias admitir tumultos, coelhinho. O pior é se aqueles que esperas que te venham defender virem as armas para o teu lado. Está a chegar a hora de escolher o lado da trincheira em que cada um quer estar. Não te ponhas a pau Coelhinho que ainda vais corrido a pontapé. Já faltou mais.


segunda-feira, outubro 04, 2010

Andam a brincar à guerrinhas

Os moradores da zona da Encarnação, em Lisboa, entraram em pânico e viveram momentos de terror ao ouvirem, na madrugada de terça para quarta-feira, dezenas de tiros na rua. Quando espreitaram à janela, o que viram não os sossegou: um grupo de militares encapuzados, de camuflado, armados até aos dentes, tentavam entrar de assalto numas instalações do Exército. Era um simulacro a meio da noite, Militares do Exército realizavam um exercício militar com fogo real, sem terem avisado ninguém. Nem a polícia, que, chamada por residentes aterrorizados, por pouco não atirou nos militares encapuzados.

Não sei se é por se ir realizar a Cimeira da NATO, ou se já se preparam para 0s disturbios sociais que o capitalismo global vai certamente criar quando a falta de emprego, a fome e miséria se alastrarem ainda mais. Anda tudo louco.

segunda-feira, maio 14, 2007

Com ordem para matar

Sobre a nova missão dos soldados portugueses em Kandahar no Afeganistão, a Sócretina, comentou:
- Não mudou a sua natureza, nada mudou.
Espero que nenhuma mãe ou mulher lhe venha a cuspir na cara, não porque ele não mereça, mas porque não desejo a morte de nenhum filho ou marido portugueses.

Jack . said...

Caro Cretino:

Permita-me que o trate desta forma, mais familiar. Bem sei que todos o tratam por Sócretino, mas eu, devido ao stresse pós-traumático do combate, como hoje se diz, sinto um enorme desejo de o tratar desta forma, sinto-me assim uma pessoa mais próxima do seu restrito círculo de amigos. Cretino, deve estar aflito para descobrir porque é que estou a escrever. Não, escusa de ficar descansado, não é um novo golpe de estado. Os golpes, geralmente são feitos pelos militares de secretaria (funcionários públicos) e não pelos militares combatentes. A razão desta missiva é para lhe dizer que é um político com sorte. Se estivesse na oposição, nem quero pensar nas consequências, era um Regimento (inimigo) de comentadores a abrir fogo sobre o Governo eleito, no qual não faltariam o Vital Moreira, Manuel Alegre e o Francisco Louçã, entre outros, a dizer, nem mais um soldado para o Afeganistão. Como agora está V. Ex.ª à frente dos desígnios desta fraca gente, toda essa trouxa de formadores de opinião está do seu lado, tal como o Graça Moura estava ao lado do Cavaco nos tempos áureos desse trauliteiro. Pois bem, caro Cretino, nós, os militares, somos uns felizardos com a esquerda no poder. A seguir à implantação da república, lá fomos nós para França, levar cacetada que até fervia, mal treinados, mal equipados e sem perceber patavina do que ali andávamos a fazer. Pelo menos, ficámos a saber que havia uma terra em França que se chamava La Lys. Mais tarde, houve um seu ex-colega, de Santa Comba Dão, que nos mandou rapidamente para África e em força. Mais uma vez, sem equipamento militar digno desse nome, levámos no cabedal, de todos os lados e, também aí andámos sem perceber de que lado estava o inimigo, até que alguém disse e bem, … nem mais um soldado p’rás colónias…, tendo terminado assim o forrobodó. Houve alguns que fugiram, antes que se fizesse tarde, não cumpriram o serviço militar, não por medo, claro, Ah Heróis, fugiram porque eram contra aquela guerra, coisa que eu, idealista dos quatro costados, aprovei. Mas hoje, esta guerra, já não tem opositores no regime, esta é uma guerra boa. Sendo assim, Cretino, se os vir, isto é se não foram ainda para Argel, Paris França, ou Genebra, diga-lhes por favor, que estamos à espera deles, que venham também, e já agora que tragam um amigo. Segundo dizem os talibãs, nas montanhas, há lugar para todos. Para terminar, resta-me dizer que, mais uma vez, os equipamentos para o combate, ficámos sem eles, foram comprados mas, para uso exclusivo da GNR no Iraque e da PSP, em Timor. E ainda bem Cretino, manda-os colocar no jardim do teu palacete, pode ser que ainda um dia te venham a fazer falta para te levar ao aeroporto.
O teu soldado, Funcionário Público n.º 1

Contributo para o Echelon: spies, IWO, eavesdropping

terça-feira, agosto 16, 2011

Um bom Ministro para mandar à ....guerra


"O anterior Governo deve um pedido de desculpas às Forças Armadas", afirmou hoje, domingo, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco quando discursou esta manhã na Escola Prática de Infantaria, numa cerimónia comemorativa do Dia da Infantaria, onde passou revista às tropas e inaugurou uma exposição.. Em causa está o facto de o anterior Executivo ter 'metido na gaveta' os dados sobre o custo das progressões dos militares".
O Exército terá incorporado este ano mais de mil jovens, na categoria de praças, sem a autorização do Governo. O Ministro da Defesa, instado a comentar a contratação de militares, disse não confirmar ou desmentir a situação, mas admitiu que irá analisar o caso. O Exército diz que "não comete ilegalidades".

Nunca tinha visto um Ministro da Defesa fazer um discurso a criticar outro partido quando fala para os soldados durante uma cerimónia militar, mas também nunca tinha imaginado o Aguiar Branco como Ministro da Defesa.

domingo, fevereiro 27, 2011

Brincar às guerras


Um telegrama divulgado pela WikiLeaks e enviado para Washington pelo então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Thomas Stephenson, arrasa os negócios do Ministério da Defesa português.
“No que diz respeito a contratos de compras militares, as vontades e acções do Ministério da Defesa parecem ser guiadas pela pressão dos seus pares e pelo desejo de ter brinquedos caros. O ministério compra armamento por uma questão de orgulho, não importa se é útil ou não. Os exemplos mais óbvios são os seus dois submarinos (actualmente atrasados) e 39 caças de combate (apenas 12 em condições de voar)”,
Nas mensagens enviadas a Washington, o embaixador passa a imagem de um país de “generais sentados”, dizendo que o Ministério da Defesa não é capaz de tomar decisões e que “os militares têm uma cultura de status quo, em que as posições-chave são ocupadas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias”. O embaixador sublinha ainda que o dinheiro na Defesa é gasto de forma imprudente e que Portugal tem mais almirantes e generais por soldado do que quase todas as outras forças armadas.

Assim se mostra a utilidade das nossas forças armadas sem força para fazer frente a qualquer armada. Assim se mostra que, como não temos nem o dinheiro, nem razões que justifiquem os muitos milhares de milhões que se gastam na sua manutenção, mais um pasto para generais que uma necessidade efectiva. A cada vez maior "policiatização" das forças armadas representa mais a necessidade de o poder as utilizar mais para se defender dos seus próprios cidadãos que de uma qualquer ameaça estrangeira. As revoltas nos países do Magrebe, com a Líbia à cabeça, são disso um bom exemplo.

segunda-feira, junho 28, 2010

Os obedientes cães da guerra

caes de guerra

Portugal vai enviar mais meios militares para o Afeganistão no Outono. O ministro da Defesa Augusto Santos Silva confirmou que já foram feitos estudos para fundamentar a decisão que o Governo irá apresentar em breve ao Conselho Superior de Defesa Nacional e à Assembleia da República. Segundo o ministro da Defesa o dinheiro gasto com os militares portugueses destacados no exterior «é bem gasto». O governante afirmou que as forças portuguesas no estrangeiro representam «aumento de prestígio e melhora a imagem de Portugal no mundo».

Dinheiro gasto para ajudar os portugueses mais pobres são gastos que o país não pode sustentar, mas gastar milhões numa guerra sem justificação é dinheiro “bem gasto”. Ir para o “cu de Judas” matar gente que não nos fez mal nenhum, só porque há interesses económicos dos Senhores do Mundo, aumenta o prestígio de Portugal. Muitos ficarão imensamente satisfeitos quando amanhã comerem um bom prato de “prestígio” ao almoço.

sexta-feira, junho 25, 2010

Militares! São filhos do povo...ou do poder?

policias militares

O antigo ministro da Administração Interna de Durão Barroso, Figueiredo Lopes, defende uma revisão constitucional no sentido de que as Forças Armadas poderem ser chamadas a intervir no país sem a declaração do estado de sítio ou de emergência. O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna também defende um reforço da acção das Forças Armadas em casos de extrema gravidade. Para Mário Mendes não é necessário alterar a Constituição para que avance o envolvimento das Forças Armadas nas operações de segurança interna. A questão foi levantada porque hoje começa em Lisboa o Primeiro Congresso Nacional de Segurança e Defesa. Actualmente a Constituição só permite a intervenção das forças armas em caso de estado de sítio ou emergência nacional.

Posso ser eu que sou paranóico, mas ouvir isto em Portugal sabendo que em Espanha existe a intenção de legalizar a vigilância de “extremistas” pelas Policias do estado, só me faz acreditar, ainda mais, que a nossa liberdade e os nossos direitos estão cada dia mais ameaçados por gente que só fala de democracia enquanto esta lhes garante o poder e que estão dispostos a tudo para nunca o perder. (Começaram por ser os Terroristas e agora já falam de extremistas sem se saber muito bem a quem se aplica esse adjectivo. É quem contesta o sistema? Quem contesta o governo? Quem simplesmente questiona as leis que nos impõem?). Esta falsa democracia de alterne nos países e esta mentira que já é hoje a democracia Europeia, em que os povos são excluídos da escolha de regime e dos dirigentes, mostra que quem nos governa, a nível nacional e europeu, nada mais faz que manter a fachada da liberdade e dos direitos enquanto isso lhes garantir a prossecução dos seus objectivos. Quando isso falhar, não se inibem de utilizar o exército para fazerem a guerra contra os seus próprios povos se isso lhes for vantajoso. Quando vai acordar este povo?

domingo, maio 10, 2009

Danos colaterais

Paquistão

Um ataque aéreo das forças dos EUA no oeste do Afeganistão causou a morte a dezenas de pessoas, entre as quais mulheres e crianças. Segundo a polícia afegã, mais de 100 pessoas - incluindo 70 civis - morreram no ataque na madrugada de segunda-feira para terça-feira.
Os EUA já 'lamentaram' a morte de civis no bombardeamento e anunciaram que irão participar na investigação ao incidente. Considerando que 'qualquer perda de vidas inocentes é trágica', as forças norte-americanas anunciaram que vão oferecer assistência humanitária às populações afectadas para se retractarem do incidente. "As vítimas civis são sempre uma possibilidade quando se executa uma actividade contra insurgente". Estamos aqui para proteger a população civil e levamos isto muito a sério”.
O ataque foi conhecido no dia em que o presidente dos EUA, Barack Obama, se reúne em Washington com os seus homólogos do Paquistão Asif Ali Zardari, e do Afeganistão, Hamid Karzai.

No Paquistão, as forças militares estão a intensificar as operações contra a guerrilha taliban na Província da Fronteira Noroeste, multiplicando os bombardeamentos sobre posições dos rebeldes. Milhares de civis abandonaram a principal cidade no bastião tribal do Vale de Swat. Outros 500 mil permanecem encurralados na malha urbana de Mingora. Entre as dezenas de milhares de habitantes que fugiram e se refugiaram em campos de deslocados, aumentam os relatos que acusam tanto os militares como os talibans de matar civis, especialmente em bombardeamentos indiscriminados.

Afinal, para o “Anjo” que diziam ter descido sobre a América, as mortes de civis inocentes continuam a ser danos colaterais, na sua visão politica do mundo. Parece que há coisas que nunca mudam.

domingo, fevereiro 03, 2008

Professores , Confiança, Poder, Politicos

 Ritmos do poder

Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF).
Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos.
Relativamente à questão de quais as profissões a que dariam mais poder no seu país, os portugueses privilegiaram os professores (32 por cento), os intelectuais (28 por cento), os dirigentes militares e policiais (21 por cento) e políticos (7 por cento), surgindo em último lugar, com seis por cento, as estrelas desportivas ou de cinema.

Afinal os portugueses até sabem pensar e aquilo que desejam, pena é que no fim não tenham coragem para o assumir claramente nas eleições e nas ruas deste país. Aceitam ver aqueles em quem mais confiam, os professores, ser desprezados por aqueles em que confiam menos, os políticos, (estrelas de cinema e desportistas não contam pois são estupidificados diariamente por uma comunicação social que gosta de vender a mediocridade e a futilidade). Se aqueles a quem dariam menos poder são os políticos porque aceitam ser governados por eles? Não entendo muito bem porque não saem para a rua a impor a sua vontade, mas pelo menos nas eleições deviam mostrar a sua vontade. Numa democracia, Sermos governados por gente que já demonstrou ser mentirosa, aldrabona, falsa e estar ao serviço de outros interesses que não o de servir o seu país e os seus cidadãos é uma coisa que não faz sentido. Só mesmo através de campanhas de marketing, lavagens cerebrais feitas por televisões e o comodismo de um povo o pode justificar. Não estará na hora de mudarmos este país, e este mundo? Eu digo que sim.

Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO

sexta-feira, setembro 15, 2006

Em nome do "amigo" americano

"O secretário de Estado da Defesa Nacional admitiu hoje que a transferência de 120 militares portugueses no Afeganistão para Kandahar, no sul do país, já estava planeada "há muito tempo" e que envolve riscos. João Mira Gomes disse que "a missão não é nada de anormal" e que o governo está consciente dos riscos.Também o Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Mendes Cabeçadas, garantiu hoje que a missão dos militares em Kandahar, não é "mais arriscada" para as forças portuguesas. "
in"DianaFM"
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Pelos vistos Portugal continua a pôr-se em bicos dos pés para ganhar alguma visibilidade a nível internacional. Pena é que para isso usem os nossos soldados e o nosso dinheiro em guerras criadas pela cabeça do Bush. Com as forças mais intervencionistas a recusarem mandar mais forças para o atoleiro em que se transformou o Afeganistão, lá vai o Zé soldado Português meter-se ao barulho. Com o aumento da actividade Talibã, uma produção de ópio que não para de aumentar, uma vez mais se parece poder concluir que estas ocupações de países acabam sempre por rebentar nas mãos dos invasores.
Quero ver os discursos de dor e os elogios patrióticos que se vão ouvir quando os primeiros soldados voltarem dentro de sacos de plástico.
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Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO

sexta-feira, maio 19, 2006

A queda do Império Americano

O presidente do Equador, Alfredo Palacio, enviou militares para ocupar as instalações da companhia de petróleo norte-americana, Occidental Petroleum (Oxy).O ministro da Defesa, Oswaldo Jarrin, afirmou que os soldados iriam garantir a segurança das instalações enquanto elas são transferidas para o controle estatal
Em represália, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, suspendeu as negociações para um tratado de livre comércio com o Equador. Neena Moorjani, porta-voz da Casa Branca, disse que o governo americano estava "decepcionado"

A dança continua na América Latina. Cuba, Venezuela, Bolívia e agora o Equador, sem falar de outros tantos países onde os candidatos da esquerda têm vindo a ganhar eleições. A cada dia que passa, os EUA olham para baixo e vêm mais gente para colocarem no “eixo-do-mal”. Pela primeira vez na história começam a ver o “inimigo” mesmo ali ao lado das suas fronteiras, resultado da política que sempre adoptaram para aquela região.
Durante muitos anos, ai promoveram golpes de estado, apoiaram ditadores e apadrinharam a existência de uma cultura de miséria para aqueles povos enquanto exploravam os seus recursos naturais.
George Bush está cada vez mais apertado na sua politica, com as guerras do Afeganistão e Iraque a consumirem-lhe recursos militares e popularidade interna, o Irão e a Coreia do Norte a baterem o pé e a avançarem no Nuclear, a Rússia e a China a vetarem-lhe as resoluções na ONU e agora com o crescendo da animosidade na América Latina. Estaremos a chegar ao fim do sonho do Império Americano?
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Contribuição para o Echelon: psyops, infiltration

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O que o mundo deve saber


O Governo dos EUA negou hoje dois pedidos da ONU e do Parlamento Europeu, para que feche a prisão da base naval americana de Cuba e julgue os presos mantidos ali ou os liberte, com o argumento de que ali estão detidos "terroristas perigosos".
Uma resolução do Parlamento Europeu em favor do encerramento do centro de detenção foi anexada ao relatório da ONU. Segundo o documento da UE, os EUA detêm centenas de suspeitos de terrorismo de forma indefinida e, na maioria dos casos, sem acusações ou direito a um advogado. Além disso, o documento pede que a Washington evite condutas que "equivalem à tortura".
Em declarações à imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou que ali estão terroristas perigosos. "Acho que já falamos antes deste assunto, e nosso ponto de vista não mudou". Segundo McClellan, o relatório elaborado por cinco analistas da ONU, "Parece ser uma adaptação de algumas das alegações apresentadas pelos advogados de alguns dos detidos, e sabemos que os presos da (rede terrorista) Al Qaeda são treinados para tentar disseminar falsas alegações". Disse ainda que os militares encarregados dos prisioneiros os tratam de maneira humana. Além disso, mencionam as alegações sobre o "uso excessivo de violência", que em algumas circunstâncias foi registrado em fotos e vídeos.
Um dos argumentos que utilizados pelo Governo dos EUA para minimizar a importância do relatório é que os cinco analistas não visitaram a prisão, apesar de terem sido convidados. Os autores do documento recusaram o convite quando as autoridades militares deixaram claro que não poderiam falar livremente com os presos.
Os EUA mantêm em Guantánamo, desde a abertura do campo de detenção, em 2001, cerca de 500 homens, que qualifica como "combatentes inimigos". Esta é um termo aplicado para os que enfrentam tropas americanas sem pertencer a um Exército regular, o que, segundo a interpretação dos EUA, os exclui dos direitos que a Convenção de Genebra concede aos prisioneiros de guerra.

Andamos para aqui nós a querer dar lições de Liberdade quando temos no seio da nossa Ocidental civilização exemplos da maior barbárie. Assim, será difícil explicar, seja lá a quem for, que os nossos valores são diferentes e melhores que os deles. Talvez fosse altura, de também nós europeus, fazermos uma lista dos países pertencentes a um novo eixo do mal em que teríamos certamente de incluir o Tio Sam. Será que com tantos séculos de história e agora com as milhares de imagens de morte, miséria, sofrimento e dor que nos entram diariamente pela casa dentro não encontramos um espaço para o humanismo? Será que o poder enlouquece assim tanto que nos torna insensíveis à realidade que nos cerca? Será assim tão impossível?

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Telhados de vidro


O relatório do Pentágono, divulgado na passada sexta-feira e publicado a cada quatro anos, manifesta a preocupação dos Estados Unidos pelo aumento da despesa estatal em defesa por parte da China que aponta como uma potencial ameaça militar para os Estados Unidos
«Das grandes potências e das potências emergentes, a China tem o maior potencial para competir militarmente com os Estados Unidos e introduzir tecnologias militares novas que, com o tempo, poderão contrabalançar as vantagens militares tradicionais dos Estados Unidos. O ritmo e extensão do poderio militar da China está já a pôr o equilíbrio militar da região em risco», lê-se no relatório. Sublinha ainda, «o investimento da China em novas tecnologias de defesa, como equipamento de guerra electrónica e cibernética, operações contra-espaciais, mísseis balísticos e de cruzeiro, sistemas avançados integrados de defesa aérea, torpedos de nova geração, mísseis nucleares estratégicos e veículos aéreos não tripulados».
O governo chinês rejeitou hoje o relatório do Pentágono e anunciou ter apresentado uma queixa formal a Washington. «São acusações sem fundamento algum, feitas sobre o normal desenvolvimento da China em termos de defesa, interferem com questões internas da China e tentam dar validade a uma teoria errada da China como ameaça militar», disse em Pequim Kong Quan, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Um relatório do Pentágono do ano passado, negado pela China, apontava para uma despesa entre 50 e 70 mil milhões de dólares americanos. As forças armadas chinesas, o Exército Popular de Libertação, são as maiores do mundo, com 2,3 milhões de efectivos.


Realmente é preocupante que um qualquer país gaste tanto dinheiro em armamento. O desenvolvimento de novas armas, convencionais e nucleares, deve preocupar todo o mundo. Vivemos tempos atribulados, com dezenas de conflitos regionais, cada vez mais violentos e globalizantes. O terrorismo é uma das suas facetas mais graves e atentados podem acontecer em qualquer lugar em qualquer momento. A imposição forçada de culturas e políticas acaba por violentar povos, ainda arreigados aos seus modos de vida e, que reagem violentamente a essa intromissão. A corrida ao armamento é, por isso, um perigo real e permite que divergências entre países possam degenerar em conflitos graves e desencadear guerras em que quem acaba por mais sofrer são as populações.
A questão que se pode pôr aqui é que direito têm os Estados Unidos para fazerem as criticas e colocarem países em listas de potenciais ameaças. Não nos podemos esquecer que, no orçamento proposto pelo presidente americano, também é aumentada a despesa militar, mantendo-a como a maior de todo o mundo. Desde 2001 o orçamento militar Norte-Americano aumentou 48%.
O mesmo se passa com a questão nuclear com o Irão. Quer-se proibir aos outros aquilo que não se abdica de ter. No lugar de acabar definitivamente com as armas de destruição maciça e com as tecnologias de guerra, cada vez mais se investe nelas e se tenta proibir os outros de também o fazerem. É preciso ter muita lata para criticar os outros por fazerem aquilo que nós também fazemos. Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedras.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Hitlerzinhos de merda

A CIA pode ter contratado elementos ou organizações para raptar e transportar pessoas para países europeus. Existem provas de que «indivíduos foram raptados, privados da liberdade, e transportados para diferentes locais para depois serem enviados para países onde sofreram tratamentos degradantes e tortura».
in "TVI"
Uma revisão nas regras militares norte-americanas irá permitir ao exército, com a devida autorização do Presidente dos EUA, George W. Bush, a aplicação da pena de morte em bases militares. A regulamentação abrangerá a base de Guantanamo, em Cuba.
Os novos procedimentos que entram em vigor no próximo dia 17 de Fevereiro, tornam possível a pena de morte pelos tribunais de excepção instalados na base norte-americana de Guantanamo, se os prisioneiros aí forem condenados à morte.
In “Correio da manhã”

Escutas sem autorização, prisões secretas, tortura e agora morte. A tudo os EUA, paladinos da liberdade e dos direitos humanos, liderados pelo imbecil do George W. Bush, se acham no direito de fazer. Indiferentes ao direito internacional e a todas as convenções que assinaram, invadem, bombardeiam e assassinam impunemente. Senhores do mundo, sem respeito por nada nem ninguém. Animais, carniceiros sem escrúpulos, moralistas de merda sempre com a bíblia numa mão e a morte na outra. Puta que os pariu.

segunda-feira, abril 22, 2013

Fast-food judicial


Justiça Militares e cozinheiros são os novos oficiais de justiça que vão tratar de processos judiciais. «Funcionários públicos transferidos para os tribunais fazem em três meses formação que durava três anos. Sem a formação exigida de três anos, vão aprender em apenas três meses a desempenhar funções como redigir inquéritos de arguidos, despachar processos em final de prazo ou marcar julgamentos. Paula Teixeira da Cruz responde em «modo-relâmpago» à falta de oficiais de justiça contratando funcionários públicos de outros ramos de actividade mas sem formação adequada para lidar com processos. Processos esses que têm agora uma meta temporal muito mais curta. Todos os casos de crimes em flagrante delito têm de ser despachados até seis meses.

Ainda me lembro quando esta Senhora defendia a avaliação dos funcionários públicos em nome da qualidade e da excelência dos serviços. A justiça devia ser alto tratado com seriedade porque mexe com a vida das pessoas. Já sabíamos que havia duas justiças, a para quem pode pagar aos grandes escritórios de advogados, gente rica, gente famosa e grande corrupção em geral e a outra para o cidadãos comum que pelos vistos se vai transformar numa imensa sopa dos pobres. Basta ver como os grandes processos de corrupção se perdem no tempo, com requerimentos, anulações e prescrições. mesmo os pouco condenados continuam em liberdade e a ocupar os cargos públicos onde praticaram a corrupção que os condenou. Já quem roube um pacote de arroz ou umas bolachas é julgado com rapidez e condenado na hora. E, num país onde não há uma justiça isenta, acessível a todos e sobretudo justa a democracia e a liberdade são meras palavras sem aplicação prática. Infelizmente vivemos num desses países e a cada dia que passa a injustiça aumenta e a justiça torna-se a coutada de alguns.

sexta-feira, abril 13, 2012

As novas ditaduras na Europa do Sec.XXI


José Durão Barroso, antigo primeiro-ministro de Portugal e actual presidente da Comissão Europeia alertou os sindicatos e movimentos populares na Europa que, se não aceitarem os pacotes de austeridade, se podem instalar ditaduras militares em Espanha, Grécia e Portugal.

Quero acreditar que o "Cherne" nos está a avisar e não a ameaçar. Quero mas tenho dificuldade porque o que nos pede é que aceitemos abdicar dos nossos direitos e da nossa liberdade para evitarmos que nos tirem esses direitos e essas liberdades e a razão para termos de fazer esta escolha vem da politica económica e neo-liberal que ele próprio defende. O que nos está a dizer é que aceitemos bovinamente a pobreza, o fim dos direitos laborais e sociais ou então nos põem a bota cardada em cima. Se isto não é uma declaração de guerra e o desrespeito total pela já minimalista democracia que temos então não sei o que será. Sinais não faltam, desde a nova lei que em Espanha pretende criminalizar e até associar ao terrorismo quem faça desobediência civil pacifica ou em Portugal quando se procura diabolizar e provocar os movimentos sociais que se recusam empacotar-se na "contestação bem comportada" e inócua dos partidos mais è esquerda da nossa Democracia Par(a)lamentar. Já vivi no tempo de uma bota, a salazarenta, e não tenho vontade nenhuma de viver debaixo de outra pelo que não me vou calar nem deixar de lutar por todos os meios à minha disposição pelo fim deste sistema e destas politicas.
De tudo isto há pelo menos uma coisa positiva, é a demonstração de que os movimentos sociais, pacíficos, apartidários e que defendem uma nova forma de democracia mais verdadeira os começa a assustar. Como sempre o poder ameaçado responde com violência, mas não há força bruta que alguma vez vença a força da razão. Pode oprimi-la, mas um dia, mais cedo ou mais tarde, vence sempre.


terça-feira, março 20, 2012

As Presidências abertas aos olhos do "Arrebenta"


Chegado a Lisboa mas sem tempo para fazer novos bonecos aqui deixo um que me foi pedido pelo meu amigo "Arrebenta", há muitos anos o autor dos melhores textos da blogosfera.

Cavaco Silva: Das presidências abertas às presidências completamente fechadas

Quando Garibaldi teve aquelas pretensões de unificar a Itália, para que Berlusconi, quase século e meio depois, já a encontrasse unificada, embrutecida e putificada, Sua Santidade Pio IX, um dos papas mais estúpidos, ignorantes e reaccionários, de toda a longa história de crimes da ICAR (hoje declarado "Santo" (!) pelo pedófilo nazi, Ratzinger), declarou-se "prisioneiro" do Vaticano, situação de que, para aqueles que gostam de História, só o Tratado de Latrão, assinado entre a Santa Sé e os Papas-Reis dos Estados Pontifícios, os libertou, entregando, doravante, na situação de monarca absoluto, o Vaticano, S. Pedro, uns jardins e sanitários anexos, onde a Guarda Suíça, durante dia e noite, se entrega a atos contra a natureza, e Castel Gandolfo, uma quinta destinada a repousos e retiros pedófilos, como a Casa de Elvas, onde Carlos Cruz nunca esteve, mas só costumava ir.

Toda a gente sabe que os abismos que separam Itália de Portugal, para lá dos milénios de Civilização, e de Neanderthal nunca ter escolhido o ninho de Leonardo, Rafael e Dante, para a sua postura fora de época, são flagrantes, ao ponto de toda a Europa culta sentir alguma vez, a necessidade de fazer a "Viagem a Itália", e, só com o cinto já muito apertado, a viagem a Portugal, excepto em caso de absoluta necessidade, ou para ajustes de contas familiares, como os McCann, que não sabiam onde livrar-se da sua Maddie.

Portugal, curiosamente, tornou-se agora muito Italiano, ou, melhor, mesmo muito pontifício, com um "Presidente" que se encontra tecnicamente prisioneiro dos Jardins do Palácio de Belém, com algumas escapadelas para a Quinta da Coelha, ou idas à campa do Cavaco pai, a Boliqueime, terra que até produziu duas aberrações, uma, na política, e outra, na Língua, a Lídia Jorge, que chegou ao estrelato por não saber escrever, mas levar porrada do Capitão de Abril que lhe pacobandeirava a boca da servidão, mas é melhor eu não me esticar muito sobre isso, não vá a Escandinávia nobélizá-la, para mais uma vergonha nossa.

Voltando ao tema, o Sr. Aníbal, cuja senilidade é uma verdadeira preocupação para os notáveis conselheiros que o cercam, e, sobretudo, a equipa clínica do Doutor Lobo Antunes, que já lhe introduziu um chip no cóccix, para saber, por GPS, com uma aproximação de 1 metro, se Sua Excelência está a conseguir circular regularmente, de sala em sala, sem se borrar pelas pernas (abaixo), apesar daquela casa de banho intermédia, que já teve de ser incrustada no Palácio, não tenha ele uma daquelas aflições que o poderiam levar ao estádio do fraldário presidenciado avançado.

Ora, dado o estado de penúria da Nação, e o avançado estado de degradação do seu Supremo Magistrado, é sabido que o orçamento da Casa Presidencial dificilmente suportaria a construção de retretes de metro a metro, não fosse o Palácio de Belém começar, penosamente, a assemelhar-se à Fundação Amélia das Marmitas.

Decidiram, então, os Doutores que era melhor, mal por mal, pôr a carcaça do Sr. Aníbal a arejar de vez em quando, com o pretexto de a sua Maria, de Centro Esquerda ir inaugurando presépios, ao logo do Portugal dos Pequeninos, sob a tutela do Anísio, ou Anaísio, ou lá como é que o gajo se chama, que, quando não está nisto, anda a apanhar no cu com um ar de compungido, mas isso seria um mero escólio deste texto, e não é para hoje, que o tempo é grave.

O Sr. Cavaco Silva, prisioneiro da sua senilidade, das insustentáveis intervenções públicas, que puseram em causa a magistratura que exerce, ao ponto de os Militares, enquanto garantia da Soberania Nacional, estarem à beira de ter de intervir, e substituir a III pela IV República, pela obscena repetição de um Américo Thomaz, mas incapaz de despertar qualquer humor ou anedota.

Matematicamente, o fenómeno Cavaco Silva, se alguma coisa essas criaturas pardas, que nós pagamos para manterem de pé um cadáver, percebessem de Matemática, já entrou na fase irredutível da Catástrofe da Cúspide, de René Thom, ou, para os apreciadores de Engenharia dos Materiais, de acordo com a Lei de Hook, o Aleijão de Boliqueime já passou da fase elástica para a fase plástica, ou seja, já não é preciso mais nenhum esforço de tensão, para que se deforme e afunde, por si mesmo: basta, agora, sociologicamente falando, que apareça, ou tente aparecer, em público, para imediatamente se desencadearem imprevistas reacções sociais, como iremos assistir, nos tempos breves que nos separam do fim da coisa.

Em Democracia é insustentável que exista um Presidente que está impedido de sair à rua, pelo que o colapso da situação, que, a mim, indefectível inimigo da criatura que gangrenou o Regime e destruiu económica e financeiramente Portugal, já tem uma ampulheta a correr, variando as apostas sobre o tempo, mas sendo todas coincidentes na sua iminência, está a dar particular prazer.

Para os que são de memória curta, o gasolineiro filho foi o único primeiro ministro de Portugal que se enfiou dentro de uma viatura blindada, ato de pavor e cobardia, a quem nem Salazar, que muito mais teria, pelas evidências, a temer. A Maria, pelo seu lado, mal o aborto conjugal se tornou primeiro ministro de Portugal, mandou pôr vidro à prova de bala, nas miseráveis salas de aulas que frequentava na Católica, nas raras vezes que lá, nos intervalos das faltas, como se alguém se desse ao trabalho de desperdiçar uma bala, que fosse, com tão patética figura...

Acontece que os tempos mudaram radicalmente. O Portugal do respeitinho ao Sr. Doutor, ao Sr. Engenheiro e ao Sr. Arquitecto, colossalmente estrangulado por um Sistema, que dia após dia, se revela impiedoso com os fracos, e cada vez mais submisso com os fortes; o Portugal da Senhora de Fátima, cobarde por essência, e que prefere violar crianças, espancar mulheres, e esquartejar avós, em vez de se voltar para os carrascos, que estão acima, tem assistido aos sucessivos trambolhões do Sr. Aníbal, um cúmplice de uma das maiores fraudes e assaltos de há memória no Regime, o BPN; que foge de adolescentes, em idade escolar; incapaz de viver com 20 000 € de reforma, e que se dessolidarizou dos problemas reais, de uma população envelhecida e de faca escolaridade, que era a sua base eleitoral de apoio, como o fora, durante décadas, do Vacão de Santa Comba Dão, que nunca se atreveria a humilhar o seu povo, dizendo-lhe que, ao contrário da outra, roesse côdeas, já que o Sr. Aníbal mal tinha dinheiro para meio brioche, desse Senhor Aníbal, cujos poderes constitucionais teriam atempadamente permitido que demitisse o "Engenheiro" Sócrates, quando a sua cáfila estava a dar cabo do que restava da má saúde do país, mas prefere, cobardemente, aparecer a lamentar-se, num prefácio de um livro que nunca ninguém lerá, e que dificilmente ele terá escrito, mas que já lhe serve de epitáfio, pelo grotesco da forma e a prova de insanidade de quem subscreve tal conteúdo, sem, mais grave ainda, se retractar. Cavaco Silva vive imerso num delírio de neurocompensadores, para a sua degenerescência neurológica, coisa que já vem de muito atrás, como refere a raposa Soares, que revela que, o então primeiro ministro, Cavaco Silva "tinha visões (!)" (procurem a entrevista, que hoje não me apetece...), e ainda não percebeu que já resvalou para aquele limiar perigoso, onde o povo português, turvo, sonso, e falso, já não o vê como uma figura "acima", mas alguém que rasteja no patamar dos seres fracos sobre os quais costuma exercer os seus atos de vingança sádica.

Cavaco Silva caiu naquela zona crepuscular dos que incendeiam os gatos, apedrejam os vidros dos comboios, e queimam os caixotes do lixo. É natural que, de um povo turvo, se esperem, pois, perigosas reacções turvas, mas os dados já estão irremediavelmente lançados: aparentemente, os conselheiros querem agora fazer um derradeiro esforço, e levar, no seu "Cavacamóvel", o cadáver político a inaugurar, este sábado, mais um presépio..., perdão, um passeio a Mirandela. Com as instabilidades barométricas em curso, pode ser que as secretas, ou um comissário da polícia, mais avisado, se lembre de o fazer recuar, à última hora, como aquando da António Arroio. De qualquer maneira, está irremediavelmente condenado.

É dramático, e pungente, quando um povo perde o respeito pelos seus governantes, mas é totalmente lícito, quando os seus governantes também deixaram de os respeitar.

Sinceramente, não tenho pena nenhuma do Sr. Aníbal, mas, por favor, se se decidirem livrar dele hoje, por favor, evitem imagens chocantes: no estado em que ele está, basta que puxem, silenciosa, e piedosamente, o autoclismo.

Sim, até pode ser em Mirandela, pois pode, aliás, neste momento, qualquer sítio serve, desde que seja eficaz...

sábado, novembro 12, 2011

Otelo, os militares e os seus limites


Otelo Saraiva de Carvalho defende que "se forem ultrapassados os limites" a resposta deve ser um "golpe militar para derrubar o governo" e não em manifestações como a que está marcada para sábado próximo. Esse golpe, acrescenta Otelo que até seria "mais fácil" de levar a cabo actualmente do que o de 1974.
O presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS) manifestou-se hoje contra as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho, considerando que as revoluções "não se anunciam na comunicação social".

Tem razão o Presidente da ANS quando diz que as revoluções não se anunciam, elas fazem-se. Já o Otelo, não anunciou nada, o que fez foi dizer de sua justiça com a experiência de quem já uma vez participou no derrube de um governo anti-democrático. Agora é legal fazerem o desfile faltando saber se o que procuram é ajudar os cidadãos deste país ou só procuram ajudar-se a si mesmos. Quanto ao mentiroso do Passos Coelho e a sua camarilha talvez ainda venham a descobrir que mais valia uns tumultos. Como diz o Otelo há limites para tudo.

quinta-feira, novembro 03, 2011

A Europa e o cadáver Grego


O primeiro-ministro grego George Papandreou anunciou hoje a realização de um referendo sobre o novo pacote de ajuda à Grécia. "A vontade do povo grego vai comprometer-nos". "Eles querem adotar o novo acordo ou rejeitá-lo? Se os gregos não o quiserem, não será adotado", acrescentou Papandreou, que na passada semana, enfrentou uma nova vaga de protestos contra medidas de austeridade adicionais decididas pelo governo.

Os lideres europeus caíram de cu, os mercados caíram por aí abaixo. Isto de se perguntar ao povo o que deseja é coisa que nesta democracia não é bem vista. Também lá dentro, na Grécia, a coisa não parece correr muito bem. Há já deputados que levantam a voz contra, outros pedem a cabeça do Papandreou e as chefias militares já foram demitidas com medo de um golpe de estado. A ideia do Primeiro-ministro até lhe pode ter parecido boa. Tentava que o Sim ganhasse com uma campanha forte e assustando com a bancarrota e a falta de financiamento, o que legitimaria as novas medidas de austeridade. Se o Não saísse vencedor limpava as mãos, qual Pilatos, e poderia sempre "chutar" para cima dos Gregos as responsabilidades do não pagamento da dívida e da inevitável saída do euro. A intenção até pode ter sido hipócrita, ao só dar a voz aos gregos quando a escolha já só é entre dois males, mas pelo menos é mais democrática.
A Europa chegou finalmente ao beco sem saída que todos previam mas ninguém evitou. Podem fazer as Cimeiras que desejarem mas o Euro, que já tinha morte anunciada, entrou em coma profundo. Mais um prego no caixão desta Desunião Europeia que tem lideres tão fracos que nem para dirigirem a colectividade aqui da rua serviam.