sexta-feira, dezembro 24, 2010

O Buraco Negro da Saúde

A ministra da Saúde, Ana Jorge, disse que «não há nenhum buraco no orçamento do Ministério da Saúde».

Se ela o diz devo acreditar? Se calhar é melhor não!

Misturados davam um Fernando Alegre ou um Manuel Nobre?

Vi o debate onde o Alegre D. Quichote e o Nobre Sancho a chocaram um com o outro. Já na história original a "poética" Dolcineia "cegava" o Quichotesco candidato a herói enquanto o Sancho sempre me pareceu mais a consciência do "Grilo Falante" que um Nobre escudeiro.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Vergonha máxima em salário mínimo

A Ministra, Helena André afirmou que da reunião de concertação social resultou o objetivo de atingir os 500 euros de salário mínimo, conforme previsto no acordo de 2006 (esqueceu que estava acordado que o valor seria pago logo a partir de Janeiro).
A subida será faseada em 2011 ( 10 euros em Janeiro, depois mais dois aumentos em Junho e Outubro), foi bem recebida pela UGT (que fala numa conquista da greve geral), e contou com a "compreensão" da CIP (que foi quem o exigiu o faseamento) , enquanto a CGTP garantiu que "não dará cobertura a um simulacro de discussão" (deverá fazer uma manifestação lá para os fins de Março).
O Presidente da CIP, António Saraiva, entrou para a reunião afirmando que o salário mínimo já não era tão mínimo como isso. Só lhe digo que o gostava de ver viver com esse dinheiro. Afirmar que 500 euros é muito dinheiro para sustentar uma familia não é gente de bem e considerar que as empresas não conseguiam suportar um aumento de 25 euros uma vergonha para os nossos empresários.
Da ministra pouco ou nada mais há a acrescentar a não ser que já aprendeu com o Engenheiro da independente a dar a volta à verdade para fingir que não faltou a mais uma promessa feita.
Os sindicatos portaram-se uma vez como sempre têm feito, com a UGT a fazer a vontade ao patronato enquanto a CGTP voltou a fazer, como sempre, o papel do sindicato que diz não mas sem iniciar uma luta que o possa impedir.

Sheee...não falem alto, Não aborreçam os mercados

Ontem vi o debate entre o Sr. Silva de Boliqueime e o Chico do PCP. Esteve bem o Chico embora sempre com o estigma de quem está na corrida, não para ganhar mas só para participar. Aliás, como me parece que tem sido a postura do PCP nos últimos anos, bem instalado no sistema, sempre interessado em participar, sempre bem comportado e sempre "orgulhosamente" só. Mas, como disse, o Chico esteve bem porque fez o Sr. Silva mostrar a sua subserviência ao grande capital, àquela coisa etérea que sãos mercados. Esteve bem porque fez o Sr. Silva mostrar que nem a principal função de um Presidente da República tem desempenhado convenientemente, não cumprido com a Constituição ao permitir que a independência do país esteja a ser perdida de dia para dia. Esteve bem porque mostrou que, ao defender o Orçamento de estado, contráriamente ao seu discurso, o Sr. Silva está a contribuir para o aumento do desemprego e para o agravamento das condições de vida de todos nós. Esteve bem porque mostrou que o Sr, Silva ser reeleito é mesmo o pior que pode acontecer a este país.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Um Alegre Pai Natal


Neste Natal muitos há que já sabem a prenda que lhes vai cair no sapatinho, mais desemprego, maiores impostos e menores salários, mas há outros que ainda pedalam na esperança que seja uma improvável segunda volta nas Presidenciais. Com uns gnomos destes vai ser difícil.

O insaciável "Porquinho" BPN

Depois de falhada a privatização, o Ministério das Finanças admitiu que está a estudar um pedido da administração do Banco Português de Negócios (BPN) para um reforço de capital "no montante máximo de cerca de 500 milhões de euros".

Já lhe perdi as contas, tantos são os milhares de milhões já "enterrados" no PBN. Agora são mais quinhentos milhões e daqui a uns tempos mais um corte nos salários ou uma subida de impostos para acertar o défice. Entretanto, há dois anos que 20 antigos administradores do BPN continuam a receber os seus salários em casa sem nada fazerem. (Será que também receberão prémios de produtividade? Já acredito em tudo).
Vamos é buscar todos os culpados, os que estão cá, em Cabo Verde, no Brasil ou seja lá onde for e pôr esta gente toda a pagar tudo o que roubaram. Já chega de roubalheira.

terça-feira, dezembro 21, 2010

A ficção do Natal

Para que não me acusem de machismo resolvi fazer este boneco para as senhoras, (e todos aqueles que gostarem de um Pai Natal mais "musculado"), que visitam este blog. Tenho no entanto de lembrar que este, como todos os Pais Natal não existem, são personagens de ficção e se estão à espera que lhes coloque no sapatinho alguma prenda boa, mais vale esquecerem.

"Mary" Chistmans 2010

segunda-feira, dezembro 20, 2010

As prendas deste Natal

Vem aí o Natal e este ano, se pudéssemos todos fecharíamos bem as chaminés, para não receber a prenda que esta gente nos vai colocar no sapatinho. Vão-nos dar mais impostos, desemprego, miséria, pobreza, aumento do custo de vida e diminuição de salários e de esperança. Dificilmente, se todos continuarmos nesta resignação, algo poderá ser diferente.

A pobresa ...de espírito

O Engenheiro da Independente veio criticar o Silva de Boliqueime por este utilizar a pobreza como tema de propaganda eleitoral. Realmente não fica bem a quem nunca se preocupou com isso em 10 anos de Primeiro-ministro e 5 de presidente para vir agora chorar lágrimas de crocodilo, mas também não fica bem a quem tanto tem feito por a aumentar que a venha querer colocar fora do debate político e muito menos da realidade do dia-a-dia. Nem um é uma Madre Teresa nem um outro uma vitima da má sorte. São ambos responsáveis.

domingo, dezembro 19, 2010

As sereias de ontem, de hoje...e amanhã?

O debate do Cavaco com o Nobre foi isso mesmo, um debate entre um crustáceo (Ceyllarides Latus) e alguém mais honesto nos seus pensamentos e nas suas convicções. Um não conseguiu deixar de tentar sacudir a água do capote com as competências do presidente e o outro de criticar o sistema sem nunca mostrar como o combateria. O Cavaco mostrou não estar à altura do lugar que ocupa, ou outro não mostrou como nesse lugar combateria o sistema. Um falta-lhe poder dizer que fez, o outro como faria. Mesmo assim, entre um e outro, antes o que diz que quer fazer que o que sabemos que nada fez.

Tratado de Psiquiatria

Alberto João Jardim, no encerramento da discussão do Orçamento da Madeira para 2011 - ontem aprovados pelo PSD e com votos contra de toda a oposição -, desafiou a República a fazer um referendo para verificar "se os madeirenses aceitam este estatuto colonial" que "o Estado está a impor a este território".
Sem responder às questões da oposição sobre os números recorde de desemprego, endividamento público, insucesso escolar, pobreza e exclusão social na região, Jardim acusou os deputados do PS de serem "sopeiras de Lisboa, ao serviço do colonialismo", com "mentalidade de escravos, descendentes dos marroquinos e aliados dos ingleses", "um problema cavalar" e "um tratado de Psiquiatria".

Ouvir o João jardim é sempre um momentos capaz de nos fazer soltar uma sonora gargalhada. Já ninguém realmente o leva a sério neste o seu papel de Rei colonizado em luta pela liberdade do seu povo. Um verdadeiro tratado de Psiquiatria.

sábado, dezembro 18, 2010

Belém é por aqui. Eu diria ainda mais, Belém é por aqui

Acabei o segundo debate das eleições presidenciais a pensar que tinha sido entre o Dupond e Dupont. A cada opinião de um o outro repetia a mesma coisa. Nenhum dos dois me convenceu por ambos representarem, também eles, o sistema, mas gostei de ver que em vez de se atacarem, ambos aproveitaram para mostrar que o grande alvo a abater é mesmo o Sr. Silva, esse sim um cancro que há décadas corroer o país.

Sempre a limpar a casa do patrão


João Proença, secretário-geral da UGT, admite que o aumento do salário mínimo não se aplique todo em Janeiro, mas seja feito o mais rapidamente possível para que termine o ano de 2011 em 500 euros.

Mas porque raio tem ele de admitir seja lá o que for? Se há um acordo assinado por sindicatos, governo e patronato e se sabemos que 2011 vai ser um ano terrivel, não só para aqueles que não têm emprego, como também para aqueles que o têm, porque aceitar que os que ganham o mínimo não possam receber um pouco mais. Nem é muito, 25 euros por mês, 80 cêntimos por dia e as Confederações Sindicais dizem que não podem pagar logo em Janeiro? A quem faz mais falta esse dinheiro? Certamente não é ao Sr. João Proença.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Nacional carteirismo

O Governo quer as empresas criem um fundo para financiar os despedimentos que será alimentado através de um desconto na massa salarial, anunciou ontem a ministra do Trabalho.

Ora aí está a forma que o governo escolheu para cumprir com as "ordens" vindas de Bruxelas e do FMI para tornar os despedimentos mais baratos para os patrões. Baixa-se o custo, reduzindo o montante mínimo a que os trabalhadores tinham direito e corta-se-lhes na massa salarial para criar um fundo que mais tarde poderá ser utilizado para os despedir. Isto é, são os trabalhadores que vão juntar o dinheiro que vai possibilitar que os patrões que os possam por na rua. Os mesmos patrões que afirmam não ser possivel aumentar o salário mínimo para 500 euros já em Janeiro. Como se já não bastasse o que aí vem com a redução de salários e o aumento de impostos. Como se o desemprego já não fosse a causa de tanta miséria neste país.

Quando a mentira perde a força


Telegramas disponibilizados pelo site WikiLeaks, dizem que o primeiro-ministro, José Sócrates e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, autorizaram a utilização do espaço aéreo português por aviões norte-americanos com prisioneiros de Guantánamo.

Terem-no feito à revelia dos direitos humanos e do conhecimento dos cidadãos portugueses é grave, mas persistirem na mentira e na negação daquilo que todos já sabem ser verdade ainda é mais, principalmente porque mostra o conluio entre o poder político e o poder judicial que lhe tem dado cobertura. Pelos vistos não faltam Pinóquios por aí.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Quem é o dono da pobreza...e pouco mais.

Começaram os debates entre os candidatos à Presidência da República a que não me foi possivel assistir em directo. Procurei, mais tarde, uma repetição mas que acabou por ser cortada a meio por "problemas técnicos". Assim, pouco ou nada pude entender das propostas dos candidatos pois tudo a que assisti foi a uma luta em que cada um procurou mostrar qual estava mais próximo da pobreza. Fernando Nobre falou de ter visto crianças com fome a correr atrás de galinhas para lhes retirar o pão do bico enquanto o Francisco Lopes foi às suas memórias de criança na sua aldeia natal, onde se ia para a escola de pé descalço.
Que o candidato do PCP tenha utilizado o debate para dizer mal do seu opositor parece-me normal, já que todos sabem que não tem nada de novo para dizer que já não esteja em qualquer comunicado do Comité Central, já do Fernando Nobre esperava que aproveitasse mais o tempo para explicar o que realmente pensa e que propostas tem. É que para além do bom trabalho que fez para a "familiar" AMI pouco se sabe daquilo que realmente pensa.

Oh tempo volta pra trás...


O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, revelou que o Estado português irá rejeitar os blindados que sejam entregues fora de prazo e vai accionar as cláusulas penais (as indemnizações) em caso de incumprimento do contrato.
Dos contrato de aquisição das seis viaturas blindadas para garantir a segurança durante cimeira da NATO, que decorreu a 19 e 20 de Novembro, em Lisboa, só duas foram já recebidas. Quanto à escolha de adquirir o material através de ajuste directo (por consulta e não por concurso público) foi justificada com a natureza do equipamento, com a necessidade de trabalhar com empresas certificadas e com a "urgência" da aquisição.

Alguém devia oferecer um calendário ao Sr. Ministro, porque se as viaturas blindadas tinham sido compradas para a cimeira da NATO e a primeira só chegou no dia 21 de Novembro e ainda faltam chegar mais quatro, então nenhuma chegou dentro do prazo. Ou o Ministro tem o relógio a andar para trás, tem uma máquina do tempo no seu gabinete ou então a história do material ser para a cimeira da NATO está muito mal contada.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

O Sr.Silva na Casa Branca


Num telegrama divulgado pela Wikileaks, Cavaco Silva é considerado pelos diplomatas norte-americanos como uma personagem vingativa. A causa para a redução de tropas no Afeganistão e com a situação no Kosovo seriam devidas a "sérias vinganças políticas pelo simples facto de não ter sido convidado à Sala Oval na Casa Branca" pelo Presidente Bush.

Já estou a imaginar o Sr. Silva a espreitar pelas janelas da Casa Branca e a dizer, "olha Maria, anda ver, têm um cãozinho de loiça tão lindo ali ao lado da lareira. Temos de comprar um igual para pôr ao lado do galo de Barcelos lá em Belém". O Bush, esse deve ter dito, "fechem as portas depressa e escondam-se sem fazer barulho. Se ele pensar que não está cá ninguém vai-se embora".
Mais grave será se realmente as decisões politicas estão sujeitas às "birras" de um Presidente da Republica e não aos interesses do país, mas desta gente já espero tudo.

Uma Wikileak à portuguesa


Carlos Santos Ferreira reforça que a notícia do El País é "falsa, é falaciosa, é mentira". Santos Ferreira diz que nestas alturas “é preciso mais coragem para ficar do que para ir embora”.
As informações são reveladas pelo "El País", citando a correspondência diplomática entre a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa e a secretaria de Estado norte-americana, divulgada pela Wikileaks.
No âmbito da estratégia de entrada no mercado iranianiano, o presidente do BCP, Carlos Santos Ferreira, é citado várias vezes. "Tentou conciliar interesses tão contraditórios como fazer negócio com o Irão sem que isso afectasse a excelente relação de Portugal com os Estados Unidos. Para isso, propôs fazer trabalhos de espionagem para os Estados Unidos: a troco de entrar no Irão, o BCP ofereceria a Washington informação sobre as actividades financeiras da República Islâmica". Santos Ferreira estaria na disposição de ceder "ao governo dos estados Unidos o controlo sobre as contas iranianas no millennium BCP".
A noticia também informa que "a operação seria do conhecimento do primeiro-ministro, José Sócrates, e de membros do seu governo".

Vejam lá os sacanas do Wikileaks que logo se foram lembrar de inventar um telegrama em que é tudo mentira e logo sobre Portugal, a banca, o governo e ainda por cima com o Irãio, inimigo público nº2, entre a Coreia do Norte e a Venezuela, metido na história. Mesmo assim, se tivesse conta no BCP ia lá tirá-la, que pelos vistos não são muito impremiaveis a "vender" informações sobre contas. Depois, se é preciso mais coragem para ficar que para se ir embora, e não me parece que o que andamos a fazer seja um concurso para saber quem é o mais bravo dos bravos, não se esteja a sacrificar. Nós entendemos.
Quem também parece não saber nada sobre isto é o governo, mas daí também não se esperava uma resposta diferente. Já tem muita prática como se vê pelos voos de aviões da CIA.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Integradissimo salazarismo

Em 1967, o general Martiniano Homem de Figueiredo mostrou interesse na investigação de Cavaco Silva, na altura com 28 anos e já casado com a actual primeira-dama. Este pedido veio com a possibilidade de Cavaco poder ser autorizado a manusear documentação restrita na Comissão Coordenadora da Investigação para a NATO.
Cavaco Silva foi então chamado à sede da PIDE para preencher o "formulário pessoal pormenorizado". À alínea "Sua posição e actividades políticas", Cavaco Silva respondeu "Integrado no actual regime político", acrescentando um reparo: "Não exerço qualquer actividade política". Os documentos estão assinados pelo actual presidente da República.

Realmente este é o tipo de noticias que não têm um grande interesse nem se compreende porque terá o Sr. Silva omitido o facto na sua auto-biografia. Vendo bem ele é do tipo de pessoa que tanto teria feito carreira politica na falsa democracia em que vivemos como na bafienta ditadura do Salazar. Estava integrado na altura como está agora. Não presta agora como teria fedido então.

China, Xangai, Cheque, ... Xeque mate!

O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos está de novo na China, desta vez para tentar vender um pouco mais do nosso país e da nossa divida pública. Não sei quantas mais "Lojas do Chinês" teremos de ver abrir em cada aldeia do nosso país, nem quantas mais mercadorias de baixa qualidade, fabricadas por trabalhadores sem direitos nem qualquer lei laboral, (algumas até por trabalho infantil), estarão a concorrer com aquilo que ainda produzimos no país. Não sei que mais teremos de aceitar, nem se algum outro dissidente chinês ou Tibetano voltar a ganhar um Prémio Nobel da Paz, Portugal ainda poderá estar presente. Não sei quanto mais teremos de nos baixar nem que condições nos vão impor. Só sei que cada vez menos somos senhores dos nossos destinos, num país cada vez mais endividado e vendido. Até quando?

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Temos sindicatos tão bem educados


Desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar sempre fui sindicalizado e continuo a considerar que todos o devemos continuar a ser, mesmo que os sindicatos que temos sejam tão bem comportados que não sirvam os interesses dos que a eles pertencem. Da UGT pouco ou nada há para dizer a não ser que na prática é mais um instrumento do poder capitalista para garantir que esse poder possa dizer que tem o apoio dos sindicatos quando toma decisões que "lixam" os trabalhadores na chamada concertação social. Já a CGTP, a maior confederação social, é o "policia mau", que nunca assina os acordos, faz lindos discursos a criticar o poder por atacar os direitos dos trabalhadores, uma ou outra greve sem resultados e uns passeios a descer a avenida de quando em quando. Na prática nada muda nem há uma luta em que possa reclamar vitória. Mesmo quando, como aconteceu com os professores, a mobilização ultrapassa o esperado, são logo os primeiros a por um ponto final nessa luta indo assinar memorandos de entendimento que na prática só desmobilizam a luta. É também ele uma parte do sistema, servindo-o e alimentado-se dele.
Quando olhamos para a história do movimento sindical mundial, para as grandes alterações sociais e vitórias dos trabalhadores, vemos que as lutas foram sempre feitas contra o sistema e em desobediência às leis burgueses feitas para os controlar. Uma luta nunca é simples, nunca é fácil e nunca se faz sem "baixas". As lutas não podem ser tão "bem educadas", tão legalistas nem feitas sentados em poltronas à frente de uma televisão. É na união de todos os trabalhadores, na sua decisão firme de não parar até conseguirem vencer que está a sua força. O que temos não passa de uma palhaçada sem resultados práticos, uma luta acorrentada por leis feitas para lhe retirarem toda a efectividade. Assumir o controlo dos sindicatos, unir todos os trabalhadores numa mesma luta para mudar as leis burguesas é fundamental se não queremos ver os nossos direitos serem espoliados todos os dias e as nossas vidas cada vez mais precárias e miseráveis.

O fim do sistema...ou talvez não

Alberto João Jardim sustentou ser necessário o PSD-M "ajudar a mudar Portugal, independentemente daquilo que faça o PSD nacional","E não pode haver medo. O sistema politico tem que cair", disse.
Para Jardim, "a luta começa já nas próximas eleições presidenciais e Cavaco Silva é a escolha certa, ele pode ser o primeiro passo para a grande mudança".

Até apanhei um susto quando vi o Bicho da Madeira a defender o mesmo que eu defendo, a queda do sistema. Perguntei-me logo se andaria eu enganado, mas fiquei logo mais descansado quando o vi afirmar que a eleição do Cavaco como o primeiro grande passo dessa mudança. Afinal ele quer que tudo fique como está, se possivel com um governo nacional mais aberto a abrir os cordões à bolsa para pagar os seus desmandos na Madeira. Este só sai mesmo de lá quando uma enxurrada o levar.

domingo, dezembro 12, 2010

Tristes palhaços


Ouvi recentemente pedaços de entrevistas dadas por estas duas personagens. Primeiro Francisco Assis, líder parlamentar do PS, a reafirmar a sua autoridade, garantindo que não permitirá que os deputados do PS se tornem diletantes e não cumpram com as ordens do governo. Depois foi o Sócrates a cantar em louvor do seu governo, mostrando-se como um predestinado a conduzir este país à grandeza e ao saber. Um usa a força, outro o engano para passarem os seus recados e mensagens. Hoje, na minha opinião, ambos já não passam de tristes palhaços sem honra. Ambos não passam de servos do poder económico e dos Senhores do Mundo. Ambos não prestam.

As vergonhas do Sr. Silva


O Presidente da República considerou que os portugueses têm de se sentir "envergonhados" por existirem em Portugal pessoas com fome, um "flagelo" que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma "envergonhada e silenciosa".

Se há alguém se se deva sentir envergonhado por haver quem passe fome em Portugal não são os portugueses, mas sim aqueles que nos últimos anos tiveram a responsabilidade de estar à frente do estado e nada fizeram para o evitar. Pior, impuseram politicas e soluções económicas que não só não evitaram a fome e a pobreza como contribuíram para o seu aumento. Quem lutou por menos direitos, menores salários e maior precariedade no emprego é que se deve sentir envergonhado pelas culpas que tem no cartório. Eu, não é vergonha que sinto por haver quem passe fome, mas uma vontade enorme de contribuir para o fim das acusas que a criaram, ou seja correr com a corja que se tem alimentado e engordado à custo do que devia ser distribuído por todos. Certamente que o Sr. Silva não se lembra dos que passam fome quando oferece os grandes banquetes com copos de cristal e talheres de prata, nem quando mostra satisfação pela realização de grandes cimeiras, como a da NATO que custou muitos milhões a Portugal. Certamente não era no problema dos que passam fome que pensa quando abraça os Dias Loureiros deste país. Vergonha devia ter quando recebe as confederações patronais e lhes sorri quando estes afirmam que as empresas não podem pagar mais 80 cêntimos por dia a quem recebe o ordenado mínimo.
Mas, realmente há uma coisa de que nós portugueses podemos e devemos ter vergonha, é a de termos como Presidente da Republica uma pessoa como o Sr. Silva. Disso tenho vergonha, muita vergonha.

sábado, dezembro 11, 2010

Um casamento de conveniência...para eles


O Sócrates veio informar que a sua solução para tornar o despedimento mais barato para as empresas passa por uma redução dos valores das indemnizações a pagar pelas empresas, mas também pela criação de um fundo público para financiar os despedimentos.
Depois de, ainda recentemente, para poupar dinheiro ter reduzido o tempo e o valor do subsídio de desemprego para as centenas de milhares de portugueses, vem agora gastar esse dinheiro para facilitar a criação de mais desemprego. Neste casamento por conveniência com os "patrões"uma vez mais seremos nós a pagar a desgraça que nos impõem. Nós pagamos tudo, as aldrabices do BPP e do BPN, as mordomias dos nossos políticos, os prémios vergonhosos dos grandes gestores e agora até os despedimentos. Vamos uma vez mais dar o nosso dinheiro a quem afirma não ser possivel aumentar o ordenado mínimo para 500 euros, (80 centimos por dia). Vamos uma vez mais pagar para ver os lucros e os prémios das grandes empresas aumentarem, para vermos o dinheiro "fugir" para as off-shores sem pagar impostos, para vermos ex-governantes e os seus "boys" nos conselhos de administração de empresas a quem ofereceram lucros de milhões. Vamos pagar por mais submarinos e blindados para guerras que só servem os interesses dos grandes senhores do mundo.
Um governo devia servir para trabalhar para o bem dos cidadãos de um país e não somente para servir os interesses de alguns patrões que só pensam na ganância do lucro sem olhar a meios. Mas isto é o que temos e, se nada fizermos, é aquilo que vamos continuar a ter.

O exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

O Allied Irish Bank, um dos bancos resgatados pelo Governo irlandês, está a preparar o pagamento de 40 milhões de euros em prémios e bónus.

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa

Quando deixados, se afundam

Se banham em ouro, chafurdam

Em suas contas

Quando falidos não choram

Se reúnem, pedem, imploram

Mais alguns milhões

Ladrões

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa

Quando outros enviam, soldados

Eles negoceiam blindados

Milhares de mortos

E quando se sentem sedentos

Querem roubar violentos

Mais alguns milhões

Ladrões

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa

Quando eles se entopem de lucro

Costumam buscar o usufruto

De outras empresas

Mas no fim da noite, consolados

Quase sempre voltam mais anafados

Mais alguns milhões

Ladrões

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa

Elas não têm moral ou decência

Nem honestidade nem consciência

Têm ganância apenas

Não têm vergonha, só têm investimentos

O seus lucros, relatórios, aumentos

Mais alguns milhões

Ladrões

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa

Dos países pobres, lixados

E dos seus povos abandonados

Não fazem caso

Vestem-se de gala, se reúnem

Se apadrinham e se servem

Mais alguns milhões

Ladrões

Mirem-se no exemplo daqueles Banqueiros da Irlanda

Roubam prós seus capitalistas, orgulho e raça da Europa


adaptado da música do Chico Buarque, "As mulheres de Atenas"

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Política de ratos


Quem não se lembra da entrada intempestiva do Passos Coelho à liderança do PSD com uma revisão constitucional em riste para acabar com o Serviço de Saúde gratuito para todos e o fim da necessidade de justa causa para o despedimento.
Agora parece que aprendeu com o Sr. Silva a nada dizer sobre coisa nenhuma importante e, quem o queira ouvir, só em discursos em convívios de militantes a apregoar a hora em que chegará ao poder. Com o governo a tomar as medidas que ele gostaria de estar a tomar, com o Engenheiro a governar o mais à direita possivel e as eleições Presidenciais aí à porta, pouco mais espaço lhe resta. É que falar do país, da crise e das idéias que tem para a resolver só lhe podem tirar votos e ele quer tanto ser Primeiro-ministro.

O pensador da economia...capitalista


Daniel Bessa: "A economia está a ser aniquilada pelo Estado social"

Há sempre duas ou mais maneiras de olhar para os problemas e cada um escolhe a que mais lhe convém. Há gente que pode ser muito competente na sua área e até ser um pensador muito conceituado, mas se condicionar todo o seu pensamento numa única direcção acaba por ser mais cego que aquele que realmente o é.
Está a economia a ser aniquilada pelo Estado Social ou é o Estado social que está a ser destruído pela economia? A opinião é certamente oposta consoante se pense nas pessoas como simples números e percentagens ou como gente, como seres humanos com sentimentos e necessidades. Esta é a minha visão e basta pensar que se durante tanto tempo a existência de um estado social foi possivel e viável o mais importante é procurar o que mudou nas políticas económicas, defendidas por estes "brilhantes" pensadores, e que o tem vindo a destruir. Quem apareceu a defender a globalização capitalista, quem defende o liberalismo, quem nos garantiu ser este o caminho para uma maior riqueza de todos? São os mesmos que agora, para garantirem a sua viabilidade atacam o estado social como se fosse dele a culpa da políticas seguidas. Ladrões, mentirosos ou simplesmente incompetentes, cada um que enfie a carapuça que melhor lhe sirva.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

A urgência e a emergência dos vendidos


O Governo considera imperioso mudar as regras relativas às indemnizações em caso de despedimento, uma «questão que está em cima da mesa». «Este plano tem a ver com a urgência, nalguns casos mesmo a emergência da situação que vivemos. Trata-se de um conjunto de iniciativas concretas, muito objectivas que irão ser tomadas nas próximas semanas e que irão vigorar já em pleno em 2011», afirmou o Ministro da Economia, Vieira da Silva.
Bastou os patrões pedirem e a Europa exigir para que o discurso do governo passasse do "Não haver necessidade de mexer na lei laboral" para a urgência, até emergência. Estes vendidos ao poder económico e serviçais dos Senhores da Europa não têm nem vergonha na cara, nem palavra, nem sequer uma coluna vertebral. Num país miserável em que o que mais importa é aumentar a produção e em que o desemprego oficial já vai nos 11%, as regras que impõem são as de facilitar ainda mais os despedimentos. A UGT, como tem sido habitual, já se disponibilizou para se vender mais uma vez e a CGTP já disse, na sua voz de trovão, que não aceita de maneira nenhuma mais esta mexida na Lei do Trabalho. Acredito que já esteja até a pensar em convocar mais um passeio na Avenida lá mais para a Primavera, que agora ó tempo está de chuva.

Se não vejo, não está na agenda política

O Presidente da República recusou ontem pronunciar-se sobre uma reforma laboral por ser algo ainda fora "da agenda política", mas defendeu que o essencial é "encontrar um rumo que valorize o aumento da produtividade" e "a competitividade da economia".

Já por várias vezes aqui defendi que o Sr. Silva é um, senão o, principal responsável por a nossa democracia se ter transformado neste triste, miserável e corrupto sistema em que vivemos e por isso não o vou repetir. Também já afirmei várias vezes que ele não tem a coragem de assumir as suas posições com franqueza, fugindo sempre às perguntas e, quando a coisa era mais complicada até do país. Desde o primeiro dia deste seu mandato sempre regeu mais pela preocupação de vir a ser reeleito que pela frontalidade e honestidade, preferindo fazer discursos com grandes tiradas que nunca passaram de banalidades e de opiniões que podiam ser dadas por qualquer um que assista a telejornais. Aumentar as exportações, melhorar a produtividade, aumentar a competitividade e coisas do género sem nunca dizer como o fazer.
Nem agora que é candidato à sua própria reeleição consegue assumir uma posição clara sobre um assunto que preocupa tanta gente, a alteração da lei laboral e a possibilidade de despedimento poder passar a ser mais fácil. Escuda-se atrás da mentira de dizer que é ainda fora "da agenda política" quando é um assunto falado pelo governo, partidos da oposição, sindicatos e discutido na consertação social. Talvez esteja fora da sua própria agenda política com medo que a sua posição lhe faça perder alguns votos, mas aquilo que ele realmente merecia é que os portugueses o tirassem a ele da agenda política deste país para sempre.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sua Exª manda


A União Europeia, já afirmou e reafirmou a necessidade de Portugal flexibilizar ainda mais as leis laborais, nomeadamente em tornar mais barato o despedimento.
A Ministra do Trabalho e Segurança Social, Helena André, afirmou que “Temos de ter alguma capacidade de análise em relação a algumas das propostas que nos chegam de Bruxelas e que são completamente desajustadas daquilo que é a realidade nacional” . "Penso que, em muitos casos, resultam de alguma falta de informação de Bruxelas daquilo que foram as reformas feitas em Portugal. E menciono só uma: o desajustamento completo daquilo que foi proposto, recentemente, em Bruxelas, em relação à alteração do conceito de justa causa, que, como todos sabemos no nosso país, é um conceito que está plasmado na nossa Constituição".
Ontem o Primeiro Ministro, José Sócrates, questionado sobre se pensava fazer alterações ao código de trabalh respondeu que «Já disse que iríamos fazer uma agenda para o crescimento, [teremos] reuniões com os parceiros sociais. Portanto, a resposta é sim e esperarão pelos próximos dias para saberem mais pormenores».

Será o poder assim tão viciante que a Ministra aceita continuar a trabalhar para um governo em que o Primeiro Ministro, que parece apostado em aceitar as desajustadas propostas de Bruxelas? Não é todo este governo que está desajustado em relação à realidade de quem trabalha? Não é esta Europa que está desajustada em relação às realidades nacionais? Não é este capitalismo que está desajustado em relação ao mundo em que vivemos?
Se Portugal está endividado e necessita de produzir mais, compreende-se que em vez de se investir no emprego se facilite ainda mais o despedimento? É natural num país que necessita de produzir haja mãos desempregadas? Não nada tudo isto desajustado demais?

O Amado e acariciado Ministro


O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje no Parlamento que nenhum avião com detidos suspeitos de terrorismo sobrevoou o espaço português ou aterrou na Base das Lajes.

Ele lá dizer continua a dizer, o que falta é que haver alguém que acredite nele.

PS: Estranhamente o Procurador Geral da Républica ainda não veio dizer, desta vez como sempre tem acontecido quando este assunto é falado, que o inquérito está quase pronto e vai ser divulgado para a próxima semana.

terça-feira, dezembro 07, 2010

16º melhor ou 4º pior. Acabamos sempre lixados


Vi em vários jornais uma notícia que tinha como título "Teixeira dos Santos é o 16º melhor ministro das finanças da Europa". Lendo a nóticia fica-se a saber que esse é o lugar em que ficou colocado numa análise feita a 19 ministros do Euro pelo jornal "Financial Times". Só me questiono sobre se ele é o 16º melhor ou o 4º pior. Assim como se poderia dizer que o ministro Alemão é o melhor ou o 19º pior ou o Irlandês é pior de todos mas ao mesmo tempo é o 19º melhor. Cada um que escolha a carapuça que mais lhe agrada.

O novo livro do Chefe Silva

Um amigo deste blog chamou-me a atenção para a notícia que fala de um livro lançado pela campanha do Sr. Silva "Fiel aos compromissos".
Quem se lembra da última campanha sabe bem que dos compromissos pouco ficou para não dizer nada, tal foi a verborreia que vomitou na altura. Já a palavra "fiel" acredito ter sido escolhida mais pela parecença do personagem a um "bacalhau seco", que a uma qualquer virtude canina que só se revelou quando os negócios do seu amigo e conselheiro Dias Loureiro andaram pelas bocas do mundo.
Será por isso um livro só com receitas mais que conhecidas e de qualidade muito duvidosa. Houvesse uma ASAE da política e ele ainda acabava por ter de encerrar a campanha tal o perigo para a saúde pública do país que representa.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Wedding fantasy

Ainda não passa de umas trocas de olhos, de uns sorrisos mas para muitos o namoro já existe e tanto o nosso Ken como a nossa Barbie já admitem a possibilidade de poderem vir a juntar os trapinhos para formarem um governo no próximo ano. Com o Engenheiro da Independente estamos mal, com estes não vamos ficar melhor.

Nota blogosférica

Devido a uma irritante constipação que me tem presenteado com alguma má disposição, dores no corpo e mais alguns daqueles sintomas que nos tiram qualquer vontade de nos mexermos não sei se poderei manter o ritmo de postagem deste blog (também a qualidade das imagens pode sofrer que, confesso, só me apetece despachar-me para ir dormir. E, é o que vou fazer já de seguida.

O Santinho dos Açores

Carlos César anunciou que nos Açores o corte de 5% sobre os salários entre os funcionários que ganham entre 1500 e os 2000 euros não vai ser sentido pela criação de um fundo compensatório que o anulará. Preocupação com aqueles a quem governa, dizem uns, eleitoralismo dizem outros ou ainda uma espécie de candidatura ao lugar do Engenheiro dizem ainda outros.
pessoalmente custa-me criticar quem contrarie estas medidas vergonhosas de austeridade que atingem mais os que menos ganham e poupam os grandes galifões da alta-finança, sobretudo sabenso que nada resolverá e que não passa de mais um patamar da pobreza a que estãoa conduzir este país. O que estranho é ver aqueles que sempre aplaudiram o João "Bicho da Madeira" Jardim virem agora criticar. Custa a entender que o Cavaco venha colocar a possibilidade de a medida ser incontitucional quando nunca fez qualquer referência a todas as atrocidades ditas e feitas na Madeira. Dois pesos e duas medidas ou é só a influência do João Jardim dentro do PSD que faz a diferênça?

domingo, dezembro 05, 2010

Um tango à moda de um Lula brasileiro


Cavaco Silva e José Sócrates de mãos dadas com Lula da Silva, no meio, a agarrar num mesmo aperto de mãos os dois políticos portugueses, será uma das fotografias que ficará, seguramente, para a história da XX Cimeira Ibero Americana, que terminou ontem em Mar del Plata, na Argentina.

Que lindo momento este com o Lula a fazer de casamenteiro entre o Sr.Silva e o Engenheiro da Independente na terra do Tango. Bom mesmo, era que os Controladores de tráfego Aéreo portugueses imitassem os seus "irmãos" espanhois e fechassem o espaço aéreo e os aeroportos impedindo que os dois pudessem voltar ao país. Eram menos dois problemas em tantos que Portugal tem.

A vergonha da pobreza infantil

De 24 países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) analisados pela UNICEF, Portugal é o que apresenta maior taxa de pobreza das crianças, mesmo após a atribuição de subsídios. Significa isto que os apoios sociais são demasiado pequenos ou o esforço do Estado não será transversal à família dos menores.

Gastam-se milhões em Cimeiras da NATO, em submarinos, aviões de guerra e em carros de combate. Gastam-se ainda mais milhões para alimentar a gula dos especuladores e dos grandes grupos económicos sem falar nas mordomias de outros. Para isso não param de nos pedir sacrificios, mesmo sabendo que não nos está a resolver os problemas porque não se atacam as razões capitalistas globais que os criaram, é algo que muitos já parecem ter bovinamente aceite.
Se tudo isto pode custar a entender e mais ainda a aceitar, que dizer quando isso implica a pobreza dos que menos culpas têm e mais indefesos estão; as crianças. Num país decente podia não haver dinheiro para carros novos ou grandes banquetes em Belém, mas certamente devia haver para acabar com a pobreza entre as crianças. O PIB português é de muitos milhares de milhões de euros e é inaceitavel que não se encontre aí a forma de terminar com ela. Essa devia ser a primeira de todas a prioridades e o encher a pança aos grandes senhores do capital a última. Tenho vergonha desta gente que nos governa.

sábado, dezembro 04, 2010

Alguém é coxo?

Um telegrama publicado pela Wikileaks, assinado pelo embaixador da altura, Alfred Hoffman, começa por lembrar as pressões a que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, estava sujeito, devido à alegada passagem por Portugal dos voos ilegais da CIA. Hoffman refere que o "normalmente inabalável Amado perdeu a calma", num debate no Parlamento, e "ameaçou demitir-se se a oposição provasse a cumplicidade do governo", concluindo que seria vantajoso para os interesses dos EUA "acarinhar" Amado.
A eurodeputada socialista Ana Gomes também não poupou o MNE, dizendo que "mais depressa se apanha um acariciado que um coxo".

Se se fala dos voos da CIA, não tarda nada vai aparecer o Procurador Geral da Republica dizer, uma vez mais, que o inquérito sobre o assunto vai sair na semana seguinte e o Luis Amado a afirmar, "eu fique coxo se estou a metir" sem que Deus lhe parte logo ali uma perna.
Porra, esta gente faz-me lembrar aquelas crianças que, com a boca e a cara toda suja de chocolate, teimam em dizer que não foram eles que "assaltaram" o bolo.

O regresso do Sá Carneiro

Há já algum tempo que venho assistindo a um sem número de livros, artigos e opiniões sobre o Sá Carneiro. (Para os mais novos e que não saibam quem ele é, posso dizer que era um politico, que foi líder do PSD, que chegou a ser primeiro-ministro de um governo com o CDS e morreu num desastre de aviação quando tentava eleger para a Presidência da Republica um assustador General Soares Carneiro). Mas, voltando ao assunto do post, a quantidade enorme de elogios, vindos de todo o lado, sobre a grandeza do pequeno Sá Carneiro que quase parece uma campanha para a sua beatificação. Até o Carvalho da Silva lhe canta odes de louvor num artido da Visão e o BE se mostra disponivel para criar mais uma comossão para avaliar se a queda do avião em Camarate foi crime ou acidente.
Que raio se passa? Porque temos nós a mania de endeusar e criar mitos sebastionicos que nunca passam disso? Porquê agora? Será que é para nos impingirem a ideia que, em tempos idos houve um politico honesto em Portugal e por isso podemos ter esperança que um dia possa aparecer outro? Será que ter mudado o nome de Areeiro para Praça Sá Carneiro a uma Praça a que todos continuam a chamar de Areeiro não é suficiente para preservar a sua memória? Será que andamos com falta de Santos novos para colocar nos altares? Alguém me explica que raio se passa?

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Oportunidade perdida


Na reunião da bancada parlamentar do PS, Francisco Assis, o seu líder parlamentar, ameaçou demitir se a maioria do grupo parlamentar do PS decidisse votar a favor da proposta do PCP que pretendia taxar os dividendos distribuídos por grandes grupos económicos e financeiros ainda este ano. "Não somos a favor da aprovação de normas avulsas que tenham por efeito a antecipação da entrada em vigor do próprio Orçamento do Estado. Cremos que isso ofende alguns princípios essenciais de estabilidade da própria ordem jurídica".

A primeira ideia que me veio à cabeça quando ouvi esta notícia é a de que o PS e o país perderam uma boa ocasião para se livrarem deste senhor, ou pelo menos de não termos de o ouvir quase diáriamente nas televisões.
Já a segunda ideia é a de que se o Francisco Assis, o Santo, pregou o abandono dos bens materiais para ajudar os pobres, já este Francisco Assis, o Deputado, prega mais a pobreza do estado para ajudar os ricos. É que nunca o vi tão preocupado com princípios essenciais de estabilidade da própria ordem jurídica, quando os impostos ou as normas foram votadas para taxar, impôr obrigações ou retirar direitos a quem trabalha por conta de outrém. Aí, os interesses do país, a crise e a sustentabilidade do estado sempre foram argumentos suficiêntes.
Aliás, sabe-se bem o que pensa esta gente sobre os lucros do grande capital, como prova o aumento de impostos sobre os juros das poupanças bancárias e a não aplicação desse mesmo aumento sobre os lucros da especulação bolsista. Dois pesos e duas medidas.

Sumo à moda europeia


O Governo nega as intenções de efectuar uma nova reforma estrutural no mercado laboral, mas o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Trichet, não deixa margem para dúvidas: se não está a pensar fazê-lo, devia.
Também o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, veio fazer declarações nesse sentido: «As medidas que temos recomendado estão relacionadas com a necessidade de aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho e evitar a dualidade entre trabalhadores permanentes, que têm excessiva protecção, e contratados a prazo, que não têm protecção». Na prática, «isto inclui a revisão da definição de despedimento por justa causa e a redução substancial dos custos de despedimento, que são muito altos».

Realmente com esta Europa não podemos ter grandes esperanças para o futuro. Não há "besta" europeia que não nos pressione para alterar as leis laborais e dali só vêm más noticias e medidas ultra-liberais para nos lixarmos. Para esta Europa alguns trabalhadores têm protecção a mais e outros são precários sem protecção e a solução para resolver esta injustiça é facilitar o despedimento para que todos passem a ser precários.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Por maus caminhos

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, garante que no PS o momento é de unidade e que a questão da liderança não está em cima da mesa. “Percebo que queiram lançar essa discussão “. ”Há sempre gente mais afoita [dentro do partido], que às vezes se precipita, um bocado ansiosa, mas são maus caminhos”.

E ainda há bons caminhos dentro do PS? Ou já está transformado num enorme pantano onde o Monstro Sócrates engole todos o que lá entram?

O rei vai louco


Duarte de Bragança considera que Portugal "encontra-se numa situação humilhante perante a comunidade internacional e perante nós" e uma possível intervenção do FMI "põe em causa a soberania" A actual crise que Portugal enfrenta é “comparável à vivida nos tempos da Primeira República”, e defende que a solução seria o país regressar à monarquia.

A solução deste país passa então por removermos o Cavaco de Belém e colocar lá o Duarte Pio. Se tirarmos de lá o Sr. Silva seria bom, já o mesmo não posso dizer da alternativa. Só em mudança de bandeiras ia ser um dinheirão e não sei o que seria mais doloroso, ter de ouvir os discursos do Cavaco ou do Pio. Venha o diabo e escolha.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Que se complete o circulo da história


Foi no dia 1 de Dezembro de 1640 que os portugueses, fartos dos vendilhões da nação, entraram no Paço da Ribeira e defenestraram os "Vasconcelos" deste país que se foram esborrachar no Terreiro do Paço. Foi também num outro 1 de Dezembro que entrou em vigor o Tratado de Lisboa defendido e aprovado pelos novos vendilhões da nação. O Terreiro do Paço ainda lá está e, para que a história cumpra o seu ciclico destino, só falta defenestrá-los.

A nódoa no fatinho


O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, assegurou que o vazamento da página de internet Wikileaks afirmou "Que fique claro, tais revelações fazem correr riscos os nossos diplomatas, os membros dos serviços secretos e as pessoas de todo o mundo que apelam aos Estados Unidos para que as ajudem a promover a democracia e um Governo transparente".
Os "Estados Unidos condenam firmemente a publicação ilegal de informação, que coloca a vida de pessoas em perigo, ameaça nossa segurança nacional e prejudica nossos esforços para trabalhar com outros países", disse a secretária de Estado Hillary Clinton.

Pode a democracia e a liberdade coexistir com a mentira como forma de governo? Pode um governo afirmar-se como paladino dos direitos-humanos e ao mesmo tempo sentir-se ameaçado pelo conhecimento da verdade? Quem são essas pessoas de todo o mundo que apelam aos Estados Unidos para que as ajudem a promover a democracia e um Governo transparente? Se é transparente porque não se pode saber? Pessoas em perigo, segurança nacional, afinal que coisas tão graves andam a esconder? Nem se está a falar do que pensam fazer, mas daquilo que fizeram e está feito. Não podem os cidadãos de um país, numa democracia, saber o que os seus governantes fizeram? Têm medo que se suje o fatinho de super-heróis do mundo?