sábado, fevereiro 25, 2006

A Ditadura da Democracia


O líder do PSD, Marques Mendes, quer que os militantes que se candidatem em listas adversárias às do partido sejam expulsos automaticamente. O objectivo é evitar que casos como os de Isaltino Morais e Valentim Loureiro - que se candidataram em listas independentes nas últimas autárquicas - se arrastem durante meses no Conselho de Jurisdição Nacional.
Ao que o Expresso apurou, esta é uma das propostas de alteração aos estatutos que a direcção do PSD vai levar ao Congresso de 17 e 18 de Março. De acordo com o semanário, na sua edição de hoje, a proposta da Comissão Política do PSD, que ainda está a ser finalizada, prevê que militantes do partido nessas circunstâncias sejam imediatamente expulsos.
Actualmente os estatutos admitem a cessação de militância ou a expulsão do partido.

Que o PSD expulse um ou mil militantes a mim não me aquece nem me arrefece. O que me custa ver é partidos ditos democráticos a utilizar tácticas totalitárias no seu interior. Faz pensar qual seria a sua atitude se um dia tivessem a possibilidade de alterar a constituição ao seu gosto e medida. A consciência das pessoas não se compra nem se pode filiar num partido. Numa sociedade realmente livre também a nossa consciência o tem de ser. Não é possível exigir o seguidismo como regra.
Se observarmos bem os partidos, quando atingem o poder ou a ele concorrem, aceitam a ideia de usar independentes nas suas listas. A esses, inevitavelmente, têm de conceder espaço de opinião e aceitar o seu desacordo sempre que ele acontecer. Porque não o poderão fazer os militantes? Qual é, então, a vantagem de se ser militante de um partido se não se pode fazer nada para alterar o que se passa lá dentro?
As respostas a estas perguntas só poderão ser dadas pelos próprios militantes de partidos, (que eu não sou), mas das duas uma; ou desejam alcançar cargos políticos importantes ou simplesmente inscrevem-se nos partidos como o fazem nos clubes de futebol. No futebol, pelo menos, podem contestar as opções do treinador ou das direcções enquanto nos partidos só o “Ámen” é aceite.
Se numa eleição autárquica, ou presidencial, eu discordar da decisão do meu partido quanto à escolha de um candidato isso deveria ser aceite normalmente e não como um acto de indisciplina sujeito à expulsão imediata. Haverá casos em que isso se justificará mas o que me choca é que a ideia de tornar a expulsão automática sem se tentar sequer compreender as razões da escolha feita. O direito à defesa deveria ser sempre permitido. O PS, com todos os seus defeitos, foi capaz de engolir a candidatura do Manuel Alegre, e com maior ou menor dificuldade está a aceitar esse facto. Que viria, Marques Mendes, dizer se o PS tivesse expulso Manuel Alegre?

1 comentário:

  1. Faz bem enm expulsar os Valentins e os Isaltinos. Devia era expulsar também os Jardins e companhia.
    Só está mal em não lhes dar direito a defenderem-se perante os orgãos do partido. (Se forem à medida das do chefe não são grande coisa).

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