domingo, dezembro 14, 2008

Batoteiros Internacionais

Batoteiros

Já decidiram, vão repetir o Referendo na Irlanda, duas, dez vezes as que forem necessárias para poderem colocar em vigor o Tratado dos Bilderberg. Estão dispostos a tudo e a todas as batotas para isso. Só espero que os Irlandeses se indignem com este tratamento e voltem a votar, Não.

11 comentários:

  1. Cá por mim, bem podiam fazer 100 referendos na Irlanda, não gosto particularmente de irlandeses ou de qualquer outro povo excepto o meu. Mas há aqui qualquer coisa que me escapa... Não foram estes gajos, os irlandeses, que aqui há largos anos, rastejaram para Bruxelas, pediam por amor de Deus para entrarem, para lhes darem uns milhõezinhos de libras, para recomporem uma economia que estava de rastos??? Não foram estes gajos o país que mais subsídios receberam da União??? Não foram estes os apelidados de "Milagre Irlandês"???
    Não foram estes que começaram a agredir todos os dias os nossos compatriotas e outros imigrantes no seu belo e verde país???

    Por muito má que seja a União, o saber estar é muito bonito. E estes não deviam estar agradecidos à União, deviam estar era comprometidos com tudo o que lhes foi dado.

    Poder-se-à colocar a questão de se fazer refém um país inteiro à política da União. Claro que pode, mas ninguém os obrigou a aceitar os triliões de euros que fizeram deles um dos países com melhor nível de vida da União. Na altura, disseram sim, estavam a passar fome. Agora, que até já têm forças para agredir imigrantes nas ruas, dizem que não. Graças a Deus pela fartura!

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  2. Cirrus, os milhões que foram "dados" a Portugal, além de mal aplicados tiveram como contrapartidas a inundação do mercado com produtos não nacionais. A diferença é que por cá temos um povo imbecilizado, e os irlandeses pensam pela própria cabeça. Outra diferença é que eles puderam escolher enquanto nós (portugueses) temos de aceitar o que por nós decidiram, porque os nossos iluminados governantes acham que governam uma população de asnos (aqui até terão alguma razão). Bela democracia... ou será que a diferença para a ditadura é menos de um cabelo ?

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  3. Não, não é menos de um cabelo. A diferença é muita, ainda que tendendo a diminuir, caso contrário, não estaríamos aqui, correcto? Na China, por exemplo, seria impossível frequentar um blog destes - porque é uma ditadura. Não confundamos as coisas apenas porque elas não são o que queremos.
    Quanto ao povo imbecilizado, desculpe-me o amigo, mas chamar imbecis aos outros é fácil, mas deverá sempre lembrar-se que provavelmente alguém o poderá chamar imbecil a si também, com a mesma facilidade. Nem todo o povo português tem de partilhar das minhas opiniões ou convicções, nem decerto por isso o apelidarei de imbecil.

    Agora, falar de escolhas? O caminho foi escolhido há muitos anos, por nós, pelos irlandeses e por todos os outros europeus. A democracia tem destas coisas, e a maioria nem sempre escolhe o que é mais acertado, na nossa opinião, mas foi o que foi escolhido pelos povos europeus, através das eleições nos diferentes países. Não concordar é legítimo, claro, mas a maioria escolheu e temos de respeitar a escolha ou arriscamo-nos a, ironicamente, tornarmo-nos anti-democratas, uma vez que pensamos que apenas nós sabemos o caminho certo, apesar de não ser o escolhido pela maioria. E por aí não vou. Por aí vai o PC, infelizmente, que se julga sempre a reserva moral do país, mas cujos deputados também não dizem que não à acumulação de pensões com ordenados... Mas isso é outra conversa.

    Os irlandeses escolheram o "não" porque a campanha pelo "não" usou o ódio aos imigrantes como bandeira. E eles escolheram, não por não concordarem com a Europa, mas sim por puro racismo. Isso não é democracia. Isso é racismo e demagogia. E os nossos compatriotas e outros imigrantes sofreram na pele -literalmente- para que alguns se regozijassem com o falhanço europeu.

    Quanto à inundação de produtos não nacionais: opõe-se a que Portugal exporte para o estrangeiro? Ou então, se calhar, exportar é bom, mas importar é proibido? Olhe que já foi tentado, com os resultados que conhecemos, na antiga URSS. A liberdade dos mercados só é prejudicial a quem tem medo de exportar. O vinho do Porto vende-se por todo o Mundo. Segundo a sua filosofia, só nós devíamos bebê-lo, já que estaríamos a invadir mercados que são dos outros. Ou então, devíamos mandar selar o país, para que nenhum turista o pudesse visitar, ser apenas para nós?
    Isto, no fundo, acaba por ser como a temática da imigração, uma vez que o português até tem orgulho que Portugal tenha uma diáspora tão grande, com emigrantes espalhados por todo o Mundo, mas se algum imigrante vem trabalhar para Portugal, vem tirar trabalho aos portugueses. Nós não tiramos nada a ninguém nos outros países...

    Este é o problema de sermos pequenos, pequeninos, e querermos sempre ser cada vez mais pequeninos. Não pensamos a nível global, apenas a dois níveis: para cá de Espanha e dentro do meu bolso. O mundo está lá fora, e continuará a sobreviver connosco ou sem nós. Podemos progredir ou, como o amigo anónimo sugere, permanecer "orgulhosamente sós", como no tempo da outra senhora...

    Volta, D.João II, estás perdoado!

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  4. contestatária14/12/08 14:26

    Fala-se em "Milagre Irlandês", mas não podemos dizer que houve um "Milagre Português" e Portugal, tal como a Irlanda, também recebeu muitas ajudas comunitárias. Ambos beneficiaram do Fundo de Coesão, por exemplo. O que está em causa é a forma como cada país aplicou essas ajudas.
    Portugal continua a assentar a sua economia no tecido produtivo tradicional e ocupa sempre os últimos lugares da UE, por muitos países que a integrem.
    A ilação que podemos tirar é que Portugal tem sido muito bem desgovernado.

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  5. E que continua a apostar precisamente no tecido produtivo tradicional, não?? Parece-me que muito passa por aí. As nossas PME apenas pensam no nosso mercado, que é muito, muito pequeno. Assim ninguém sobrevive. De qualquer das formas, há que pensar bem no que desembocou o "milagre Irlandês", já que a Irlanda é o país UE com mais sérias repercussões da actual crise. Tudo foi feito em redor dos factores voláteis: fácil acesso ao crédito e custo energético muito baixo, com escasso investimento em infraestruturas. Por muito que queiramos, vale mais servir de ponto de passagem do que produzir para não vender. Temos é de fazer valer o que temos de bom, e nesse aspecto, ninguém encara a Irlanda como porta de acesso a nada. Já nós podemos aproveitar algumas infraestruturas que temos, como o porto de Sines, tão desaproveitado ao longo dos anos, como o único porto de águas profundas da Europa Ocidental, como porta para Espanha, se não para o resto da Europa. Temos de rentabilizar o máximo que pudermos.

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  6. Recomendo a leitura:

    http://www.europa-america.pt/product_info.php?products_id=5600

    Data de Edição: Dezembro 2008

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  7. contestatária14/12/08 23:04

    Cirrus,
    Perdoe a minha curiosidade, mas tem algum interesse particular no porto de Sines? Já defendeu esta obra, de forma incisiva, por duas vezes. Já agora, pelo facto de ser o único porto de águas profundas da Europa Ocidental, teria outra(s) utilidade(s) sem ser um ponto de carga e de descarga? Que causas estão subjacentes ao fraco impacto da área de Sines como pólo de desenvolvimento?

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  8. Por isso mesmo, minha cara amiga. Por acaso, até nem sou da área de Sines, estou bem mais a norte. Mas isso não interessa. De qualquer forma a empresa para a qual desenvolvo trabalho labora bastante naquela área, inclusivamente instaurou recentemente um megaprojecto de ampliação, pelo que a conheço relativamente bem.

    Apenas considero uma verdadeira pena que uma jóia daquelas não sirva para nada, pois pouco de lá pode sair, acrescendo ao que já sai. Ou seja, o porto está a 5% da capacidade e as estradas não servem para escoar a mercadoria.

    A minha perspectiva é, apenas, a da carga e descarga, exactamente. Sabia que a maior parte das matérias primas pesadas paga mais de direitos de alfândega e de operação internacional do que de produção? E estamos, com uma infraestrutura extraordinária para o efeito, a deixar fugir biliões de euros em taxas e operações para Marselha ou Roterdão. Isso é que me rói por dentro. O que produz a Holanda? Flores! Onde ganham o estilo de vida? No porto de Roterdão!! Nós também temos o Vinho do Porto, mas Sines está ao abandono, por não haver como de lá tirar as coisas rapidamente para chegarem a Madrid ou mesmo França. Podíamos ser parte da cadeia que abastece a Europa Ocidental. Ao invés, as coisas passam nas nossas barbas, levam os carimbos em Roterdão ou Marselha e regressam, três vezes mais caras! Três vezes que podiam ficar no nosso bolso!

    Apenas um exemplo: o único porto que podia albergar o superpetroleiro que se avariou ao largo da costa espanhola (felizmente sem consequências) foi Sines. Barcelona, Marselha e outros grandes portos não o puderam atracar.

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  9. contestatária15/12/08 22:41

    Tem razão quanto ao deficiente aproveitamento que se dá ao tão, outrora, propalado projecto da área de Sines. A falta de estudos de planeamento e uma deficiente análise de projectos têm dado origem aos denominados “elefantes brancos”, projectos megalómanos que não são devidamente apoiados pelas infra-estruturas imprescindíveis à sua rendibilidade máxima.
    Contudo, como sabe, isto é próprio de qualquer país subdesenvolvido onde os interesses particulares se sobrepõem aos do Estado (em sentido lato). Assim tem sido em Portugal que, apesar de estar quase todo “cultivado” por grandes troços de asfalto, viu dispensado um estudo aturado e integral sobre uma maior rendibilização desse investimento e, ao invés de escoarmos mais produto, fazemos escorrer o nosso magro rendimento para as contas de empresas estrangeiras (carros, gasolina e gasóleo). No entanto, surgiram alguns bons negócios ligados à “cultura” do asfalto, nomeadamente, oficinas, rebocadoras, instituições ligadas à saúde e, até, agências funerárias.

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  10. Senti a ironia e devo dizer que não podia estar mais de acordo. Gastar milhões numa nova ligação Porto-Lisboa, em certos pontos, a dois Kms da A1, é um insulto para outras áreas do país.

    O que fizeram à IP5, desaparecida sob a A25, é outra coisa que não compreendo. As autoestradas não são factores de desenvolvimento para localidades de passagem, vejam-se os casos de Pombal ou Condeixa, muito mais vivos com a antiga N1 do que com a A1. A IP5 tinha o condão de ser uma estrada com saídas, a A25 é uma autoestrada que só isola localidades por onde passa. Receio que o mesmo vá acontecer à IP4, com a A24 a sobrepor-se a uma estrada que dava algum desenvolvimento a localidades menores que Bragança ou Mirandela. O túnel sob o Marão é uma obra essencial para o desenvolvimento de Trás-os-Montes, mas a A4 apenas poderá ser factor de desenvolvimento para as maiores cidades: Vila Real, Bragança e Mirandela.

    Estes são alguns exemplos de erros que saem caro. Mas a A4 é essencial para a área, bem como a ligação por AE Viseu - Coimbra - Estrela, para a zona do Pinhal Interior, tão esquecida por todos.

    A nova AE Sines - Beja só será uma mais valia se ligar à A6, como escoamento do porto.

    Obras são necessárias, se calhar até já gastamos dinheiro em obras desnecessárias, como a A17, a AE Vila do Conde - Famalicão, a AE Esposende - Braga e a A28 até Caminha. Melhorar o existente seria mais que suficiente. O distrito de Braga, que até nem é muito grande, é atravessado por mais autoestradas do que linhas de alta tensão!

    Mas isso não invalida que as empresas do betão, como lhes chamam depreciativamente por aqui, empregam mais gente do que todas as escolas do país, ou hospitais ou universidades. E essas pessoas têm o direito ao trabalho como todos nós. Mas já vi que um pedreiro ou um trolha tem menos direitos que um professor por aqui. Já para não falar dos engenheiros, pois esses, então, parece que são o anti-Cristo deste blogue. E isso entristece-me sobremaneira. Pensar que uma determinada classe social é mais importante para o progresso do país do que qualquer outra demonstra falta de realismo e muita, muita falta de espírito de equipa, para não dizer corporativismo doentio. Mas isso é outra conversa.

    Não sou um maluco do betão, até porque sou engenheiro mas não civil, mas entendo que têm de haver investimentos em infraestruturas. Também é importante para este e qualquer outro país. E já me alonguei demais...

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  11. contestatária16/12/08 00:25

    Vê-se que o Cirrus está bem informado sobre os eixos viários da nossa terra. Penso que ninguém está contra quem trabalha para as “empresas do betão”, mas contra o poderoso lóbi que elas encerram. Como confirma, há obras absolutamente inúteis e, até, prejudiciais ao desenvolvimento de certas regiões, mas elas aí estão por terem sido do interesse de alguns (poucos).
    Devemos olhar para o tecido social de uma forma holística, cada peça é importante para a harmonia (ou desarmonia) do todo. Veja-se, por exemplo, uma belíssima tapeçaria, que jamais poderia existir sem a presença da ignorada (por que oculta) tela, a sua sumptuosidade fica a dever-se aos elementos que a compõem, mas sem o conhecimento, a criatividade e a dedicação da(o) tecelã(o), jamais seria uma obra de arte, seria um simples amontoado de elementos sem sentido ou, quando muito, uma autêntica fealdade.
    Quanto à importância do número de trabalhadores, resta-me salientar que toda e qualquer área que crie emprego é benquista, mas, por certo, as grandes obras públicas não poderão sustentar esse número por anos a fio, digo eu. Mas, quanto a mim, o maior pecado da humanidade é a avidez e esta leva sempre a uma péssima distribuição da riqueza criada, ou seja, penso que muitos trabalhadores não receberão o justo salário pela energia que despendem e, deste modo, poderemos ver perpetuado, nesse processo de obras megalómanas, o espírito do Império Romano.

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