quarta-feira, outubro 03, 2012

Censura, cada um tem a sua


A desunião da esquerda é uma história longa de mais de 38 anos, para não ir mais longe. Tivesse havido uma base de entendimento entre todas as esquerdas e esquerdinhas que surgiram no pós-25 de Abril e talvez nunca tivesse sido possível um 25 de Novembro. Desgastaram-se mais a lutar uns contra os outros que a derrotar aqueles que, de então até hoje, têm vindo a destruir o país.
Eu que tenho andado em muitos movimentos sociais e plataformas sempre senti da parte do PCP uma relutância a qualquer união, tendo sempre para contrapor uma qualquer organização interna mesmo que para isso a tenham de ressuscitar de uma longa inactividade. Lembro-me do caso da Pagan em que foram recordar uma qualquer estrutura cuja página na Internet não tinha nenhuma noticia há vários anos ou agora com os desempregados em que aconteceu exactamente o mesmo. Quem se desejar juntar e submeter a eles é bem vindo, quem desejar ter voz própria é para derrubar. Mas o Bloco não se fica muito melhor pois tem sido visível a sua tentativa de por um lado criar as suas próprias organizações satélites por outro tentar infiltrar-se e controlar as que se criam fora da sua esfera partidária.
Mas, este post nem era para falar disto mas sim do acordo alcançado entre Bloco e PCP para a apresentação de, não uma como deveria ser, mas duas moções de censura. É bom que tenham falado e que haja um acordo mínimo que pelos vistos passa só pela data da apresentação, porque dai para a frente é cada um com a sua porque a minha é sempre melhor que a tua. Mas é bom que tenham falado uns com os outros mesmo que o PCP se mantenha na sua de "nós, nós nós", (para não dizer orgulhosamente sós o que seria demasiado ofensivo pelo peso que esta frase tem e por ter sido proferida por quem foi), e o bloco continue a tentar juntar os cacos de alguns anos de desnorte e de disparates. É bom que tenham falado porque enquanto falarem não se andam a combater o que já é uma avanço quando há um inimigo comum para derrubar. Bom seria que uma das moções fosse mais soft e não recusasse o memorando da Troika (o que me custa estar a escrever isto), para não dar ao PS a possibilidade de se desculpar por não votar contra com os compromissos que assumiu.
Estas moções estão derrotadas à partida pois existe uma maioria na Assembleia que as vai chumbar e um PS que não as vai aprovar, mas na verdade se há um governo que merece ser severamente censurado e apeado do poder é este. Saúde-se o dialogo entre o PCP e o Bloco pois juntos serão sempre mais fortes.

11 comentários:

  1. Pois é de facto como aqui é dito. Mas quem conhece as origens e trajecto do PCP tem de aceitar que só assim este PC ainda sobrevive com os seus 5 a 8% nas votações nacionais, coisa rara ou inexistente nos outros Pc´s desta Europa. O BE, por ser também de esquerda, tem na sua génese e adn a dificuldade que sempre todas as esquerdas europeias, senão mundiais, tiveram para seguirem caminhos juntando forças em acções concretas. É dos livros que enquanto as esquerdas sérias pugnam pela intelectualidade e valores morais da humanidade, o que só por si dá pano para mangas, as direitas não têm qualquer dificuldade em unir forças quando tal lhes é oportuno, pois apenas um elemento do seu adn é comum e suficiente para aglutinar esforços no objectivo comum: o dólar, o euro, o money, o pilim, o deus capital. Assim, temos de viver, aceitar e tentar encontrar saídas para que estas esquerdas se tornem novas no género mas sem perderem a vitalidade que as designa como tal.

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  2. a direita controla bem o povo alimentado-o com novelas futebois fatimas e fados, facilmente com duas ou tres cantigas ou umas voltas em feiras e mercados os levam no bico em tempo de eleições. é só dar uma volta por este portugal e descobre-se um povo tapadinho sem cultura onde a igreja tem um papel fundamental, e também, no atraso de portugal.

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  3. ouviram dizer uma vez que as árvores morrem de pé e devem estar á espera de cair de alguma cadeira? dêem lugar aos mais novos que têm lá muitos e com muito boa 'bagagem'

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  4. não podemos estar mal ou bem com deus e com o diabo ao mesmo tempo,amigo kaos.

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  5. anonimo da 1:07

    e quando a esquerda está no poder, como é que controla o povo?

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  6. Sendo o bem a capacidade de formular uma finalidade (para o Bom, o Belo, o Justo, etc) e ir negociando um caminho para essa finalidade, o pecado da direita é nem sequer ser capaz de formular uma finalidade. Uma finalidade é tentar atingir o Bem em estado puro; e isso a direita recusa logo no início, embora perca depois muito tempo a justificar o injustificável.

    Mas só se pode caminhar para uma finalidade na medida do possível. Este inevitável "na medida do possível" é o introdutor do mal, na esquerda.

    Porém, não sejamos ingénuos. Para se conseguir algum tipo de acção no mundo real é preciso estruturas materiais, acção comum, organização. Se isto é inevitável que introduza problemas, é também a única forma de negociar um caminho para a finalidade. Pois não se consegue persuadir a realidade sem acção material.

    Parafraseando uma alegoria de Platão, a luta por uma sociedade melhor é uma carruagem puxada por dois cavalos alados: um bom e o outro mau. Para se poder elevar nos céus, aproximando-se da finalidade, a carruagem precisa de ambos. No entanto -- e isto sabe-o bem quem passou pela experiência! -- dirigir uma carruagem com um cavalo bom e outro mau não é tarefa fácil. Mas é bem melhor do que aquilo que faz a direita: desistir de voar.

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  7. anonimo das 0834

    Como sou ateu não necessito de estar nem bem nem mal nem com Deuses nem demónios. Mais a sério acredito numa sociedade mais justa, solidária e equalitária o que me faz dizer que sou de esquerda mas não posso aceitar de bom grado apoiar alguém só porque se diz ser de esquerda também. Há valores que se sobrepôem aos do simples poder pelo poder e são esses que defendo. Não gosto de jogos politicos nem de estratégias complicadas pois é na honestidade e na verdade das ideias e das convicções que de deve basear a politica e a democracia. Quem não o faça acaba por se tornar igual a todos os outros.

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  8. O BE é um partido inútil que faz parte do sistema e que beneficia dele. Tal como o PC, é um partido de protesto e a sua agenda é capitalizar qualquer descontentamento da população. Não tem a ambição de ser Poder e prefere manter-se tal como está pois receber dos contribuintes 2.000.000 de € por ano a título de subvenção é suficiente para garantir o "emprego" aos seus apaniguados. Mas para manter isso tem de vez em quando de dar provas de vida. As moções de censura são um exemplo, tal como os sempre fáceis discursos demagógicos. É um partido que põe os seus interesses à frente dos do País pois faz com que o YouTube censure vídeos de que são autores só porque existem outros a difundi-los. A autoria importa-lhes mais que a mensagem. NO SHAME!

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  9. Kaos,
    Exemplos de sociedades mais justas e equalitárias: Cuba, China e Coreia do Norte?

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  10. Faltou-me acrescentar: Irão, Egipto...

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  11. ... e quando a esquerda está no poder, como é que controla o povo?

    3/10/12 10:28

    quando é isso quando foi isso ?????

    ou você é daqueles que diz que o PS(D) é de esquerda ???

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