segunda-feira, abril 29, 2013

Gangster, vaidoso, cagão, mentiroso e esperto


Gangster, vaidoso, cagão, mentiroso e esperto, são os adjectivos de que me lembrei assim de repente e aquilo que mais parece gostar é do poder. Agora parece que deu um murros na mesa durante a conselho de ministros para exigir mais algum. E claro que não o quer abandonar e tudo isto não passa de estar a preparar já o discurso futuro quando for necessário dizer que nunca concordou com muitas das opções do governo mas aceitou prosseguir em nome dos interesses do país e de um desígnio patriótico. Assim, pode chantagear um pouco o governo e enganar papalvos que ainda vão no seu teatro. E o futuro não lhe deve parecer muito sombrio, pois nunca poderá ser corrido deste governo e pode aspirar a uma futura aliança com o PS quando o Passos Coelho ruir. Sabe que não é previsível que o Seguro se venha a coligar à esquerda e só sobra ele, o que quer dizer que a raposa vai poder continuar a viver no galinheiro.
É por estas e por outras que o simples apelo a eleições parece ser um desejo pífio pois no fundo, podem mudar as caras mas tudo ficará como está. Mudam as moscas mas a merda é a mesma. Dizem os partidos mais à esquerda que não tem de ser assim, que também eles representam uma alternativa, mas a realidade continua a demonstrar que para a maioria dos eleitores não o são. Então a culpa é do povo que é burro, como já me disseram, Efectivamente é, mas porque custa tanto a esses partidos conseguir passar a sua  mensagem para que tudo não se repita e tudo fique na mesma? Porque não confiam neles as pessoas para os deixar governar? Esta é a resposta que seria necessário encontrar para corrigir o discurso e a prática politica. O medo é uma das respostas possíveis, mas será a única? Não haverá também muita culpa dessa esquerda em hesitar em exigir mais? Será que as pessoas não precisam  de sentir que com esses partidos no poder tudo mudaria, não só nas politicas económicas mas sobretudo na prática democrática permitindo-lhes uma maior participação na tomada de decisões? Talvez a questão acabe mesmo por se saber se essa é a vontade desses partidos. Para o Paulo Portas isso não é problema porque todos sabem que ele fala em nome dos mercados, mas para quem diz querer ser a voz do povo talvez necessite de mostrar que lhe quer dar a voz, que o quer escutar e que está decidido a acatar a sua vontade. Não é só lutar contra este governo que é necessário, lutar contra a forma como este sistema está montado que garante que o poder será sempre partilhado pelos mesmo parece ser imprescindível. Mas a nossa esquerda é tão bem comportada que até irrita.

3 comentários:

  1. Aí vão eles para o pic-nic do 1º de maio... Concordo, mais uma vez, com o texto que resume mto bem a nossa triste sina.
    Acho, contudo, que os media são a grande causa para o não crescimento do Bloco e PC...
    Chamados constantemente de partidos da ingovernabilidade e como estando fora do arco de governação, isto leva inevitavelmente as pessoas a afastarem-se (ainda que sem se aperceberem) com o tal medo. Infundado na minha opinião. Há até um certo humor nisto quando assistimos às governações que ps/ psd e cds têm tido

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    1. Claro que sim, essa linguagem ,a forma como o mundo é mostrado nos mass media, o tom que usam comentadores e jornalistas quando se referem por ex aos partidos do arco da governabilidade, como se as coisas fossem matemáticamente assim,e nesse tom de certeza que usam, é usada com o objectivo obvio de condicionar, manipular e gerir o que pensam as massas moldando as de acordo com a vontade do capital.

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  2. Anónimo1/5/13 01:33

    Eu não quero nem esquerda, nem direita no poder. Nunca votarei em pessoas, só em assuntos.

    Acho que o actual sistema político está obsoleto, queria algo como o que o 5 estrelas defende:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/MoVimento_5_Estrelas

    "... colocar cidadãos comuns no poder e estabelecer uma democracia direta através do uso da Internet"

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