quarta-feira, maio 24, 2006

DIETAS DE VERÃO

A exigência de emagrecer o Estado, corresponde à lógica de investimento e de negócio dos nossos empresários - o lucro fácil, mais comércio e mais serviços. Eles são incapazes de produzir um alfinete de forma competitiva, mas têm um insaciável apetite pela entrada no comércio dos bens que ainda permanecem nas mãos do Estado. Não investem na produção de um penso, mas desejam o negócio da gestão da saúde. Não se interessam pela produção de uma caneta, mas desejam a privatização e o comércio da educação. Pagam os piores salários da Europa, mas afirmam gerir melhor as reformas. Emagrecer o Estado é colocá-lo ao seu dispor e esta é a única oportunidade de negócio que são capazes de encarar.
Não seria mau que os beneficiários do poder económico, eles sim, perdessem alguma gordura e contribuíssem para o desenvolvimento da actividade industrial do país, para o aumento da riqueza disponível e para a superação de uma economia dependente, quase só, do comércio e dos serviços.
A ideia de que a superação do atraso se resolve com o emagrecimento do Estado faz-me lembrar a ideia de felicidade que subjaz aos anúncios das dietas de verão e à sua vacuidade científica.
Jorge Matos
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Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

10 comentários:

  1. simplesmente fabuloso!
    parabens!

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  2. "...contribuíssem para o desenvolvimento da actividade industrial do país, para o aumento da riqueza disponível e para a superação de uma economia dependente, quase só, do comércio e dos serviços."

    Ora, aqui está o problema!E ainda gostava de saber onde está o considerável aumento das exportações, anunciado pelo Manuel Binho ( sim, "binho"! que o vinho deve-lhe dar a volta à moina ). Bem, até sei, como revelei nas "rapidinhas" de hoje...

    abraço

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  3. "incapazes de produzir um alfinete de forma competitiva" Genial! Estamos inspirados, Kaos!

    Como resumir melhor a crónica incapacidade gestora da maioria dos nossos gestores? (que entretanto se aumentam mais do que os congéneres espanhós e a um espantoso ritmo anual médio de 8% nos últimos anos)

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  4. Sa morais:
    Já tinha referido anteriormente este problema. Ninguem investe na produção.
    Ainda não tive tempo para te ir visitar (isto de estar de férias a tratar de tudo quanto fomos adiando ao longo do anao dá nisto. Ando a tratar de papeladas popr repartições publicas. Odeio)
    Um abraço

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  5. Rui:
    Este texto, como alguns outros que tenho publicado, é da autoria de um amigo meu Jorge Matos. Também eu gostei bastante do texto que me enviou.
    Em portugal não temos gestores, temos chulos que querem acabar com o estado, mas nada fazem sem ele. Tristes
    uma barço

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  6. Meu amigo Kaos
    Estou solidária contigo nesta hora. Andar pelas repartições públicas, dói!
    Enfim...dava uma boa conversa sobre o funcionalismo público.
    O problema é qeu os gestores que sabem gerir estão registados nos centros de emprego. E estamos a ser geridos pelos novos ricos que só se querem encher a si e aos seus comparsas, sem perspectivas, sem desenvolvimento, sem...tanta coisa que é sem!
    Continuação de boas férias e boas repartições (risos)
    Beijinhos

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  7. tb:
    obrigado pela solidariedade. É horrivel, falta sempre alguma coisa e o que era verdade ontem hoje já não é bem assim. Felizmente alguns dos papeis foram tratados em Alcacer-do-Sal onde as pessoas ainda são um pouco mais humanas. Mesmo assim ainda esbarrei na Conservatória. Vou ter de lá voltar.
    bjs

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  8. pois é...até já tive uma ideia pra criar um serviço de apoio ao utente público. A ideia era ir a um lugar e saber tudo, tratar tudo pois que esta coisa da informática não deveria ser para "europeu ver"... tanta coisa útil que faríamos ao tempo que perdemos, não é? País de desperdício de energias e sinergias, digo eu!
    Bjs

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  9. tb:
    Era optimo. Entravamos num serviço, e ai tratavamos de todos os problemas. Com a informática e o cruzamento de dados parece tão simplex.
    bjs

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