terça-feira, janeiro 29, 2008

Relatórios, Mentiras e Voos

Luís Amado

A Reprieve, organização não-governamental criada por advogados, em 1999, para prestar representação legal a presos que enfrentam a pena de morte, divulgou hoje um relatório em que afirma ficar «claramente demonstrado» que o governo português teve «um papel de apoio de relevo» no transporte ilegal de 728 dos 774 suspeitos de terrorismo para o campo de detenção da base norte-americana de Guantanamo.
O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, numa primeira reacção oficial mostrou-se muito indignado e afirmou: «Queremos dizer, de forma muito clara para que ninguém tenha dúvidas, que não aceitamos as conclusões deste relatório».

Bem podem berrar os governantes portugueses que felizmente há por esse mundo quem não deixe a culpa e a mentira passarem incólumes. Desde o momento que este problema dos voos da CIA foi levantado que se notou o incomodo e a tentativa de esconder aquilo que realmente se passou. Em nenhum momento as afirmações dos governantes foram credíveis. A maneira como tratavam quem queria esclarecer a situação, nomeadamente a Ana Gomes, não deixava dúvidas que desejavam que o assunto fosse esquecido sem mais investigações. Tudo isto se passou durante os governos do Cherne Barroso pelo que este mal-estar do PS sobre o assunto só demonstra que tinham conhecimento sobre o assunto e tinham dado o seu ámen a esta clara violação dos direitos humanos. Na altura o Procurador mandou abrir um inquérito, mas como todos os inquéritos em que o poder pode ser comprometido, parece ter entrado no nevoeiro do esquecimento.
Este é um caso em que a verdade devia ser posta a nu e, a comprovar-se a mentira de quem negou conhecer a verdade, exigir a sua demissão.

Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO

2 comentários:

  1. KAOS:
    Estás a esquecer-te do ministro da Defesa na altura: o Paulinho das feiras!!! Deve ter uma palavra a dizer sobre o assunto, ou melhor, deve explicações ao País!

    1 Abraço!

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  2. Kaos, se puderem, daqui a uns anos até vão questionar a existência de Guantanamo

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