sábado, dezembro 06, 2008

Até à derrota final

Vassoura Partida

A ministra da Educação admite substituir o modelo de avaliação dos professores, mas só no próximo ano lectivo.

Substituir por o quê? Por um igual depois das eleições?
Deu pena ver o ar derrotado da Sinistra Ministra no Parlamento a apanhar tareia de todos os lados. Depois de já ter pedido uma vez desculpas aos professores, hoje veio dizer, pronto dou tudo, mas fazem-me a minha avaliação de estimação este ano. Até poderia parecer uma saída airosa para todos, os professores acabavam com este modelo de avaliação, os sindicatos podiam clamar vitória e a Ministra dizer que aplicou o seu modelo contra tudo e contra todos. O pior é que a aceitação duma tal proposta era a aceitação dos professores do Estatuto da Carreira Docente, das quotas, dos titulares e do sistema de gestão escolar.
Não há que ter pena do bicho, a sinistra parece morta mas ainda destila veneno. Mas, já está sem forças e falta pouco para cair de vez. A exigência deve ser a da demissão da Ministra e uma mudança radical de políticas que garantam a existência de uma escola pública de qualidade, voltada para o saber e para a cidadania e não uma fábrica de mão-de-obra barata. E, essa não é uma luta que seja só dos professores, é uma luta de todos nós.

9 comentários:

  1. Que se inscreva num CNO para aprender a andar de mota. As pessoas são descartáveis a todo o momento. Maldita política.

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  2. Desempregado6/12/08 10:28

    Vale a pena ler, para pensar, a opinião de Paquete de Oliveira no Jornal de Notícias sobre a avaliação. Porque, em última análise, já nem é contra o sistema de ensino. É contra o sistema do Governo.

    Afinal, a avaliação é outra
    2008-12-04

    Era fácil adivinhar o sucesso desta greve dos professores. Mais difícil é conjecturar os efeitos desta greve. De uma greve que, neste momento, já não é contra o processo de avaliação proposto pelo Ministério, já não é contra o Ministério ou contra a própria ministra, contra o Governo. E, em última análise, já nem é contra o sistema de ensino. É contra o sistema de governo.

    Era fácil de adivinhar o sucesso da greve, pois os agentes dominadores do sistema de ensino, os professores, já haviam demonstrado por inequívocas formas, muito especialmente pelas grandiosas manifestações de rua, que estavam envolvidos numa luta sem cedências.

    No estado geral das características desta luta, o móbil vital já nem é o modelo de avaliação. É tudo o que este modelo traz por arrasto. Não conheço nenhum modelo de avaliação de actividade profissional em ordem a concluir resultados sobre a sua produtividade que não tenha discordâncias daqueles sujeitos a esse processo. E isto nas repartições de Estado ou nas empresas privadas. Conheço grande parte da contestação que o sistema de avaliação para os funcionários públicos recebeu. Medir resultados da produtividade de trabalho intelectual torna ainda qualquer modelo de avaliação mais difícil. Avaliar comporta classificar, estabelecer hierarquias, definir valorações com correspondentes méritos e gratificações motivacionais e materiais.

    Em relação à avaliação dos professores, o modelo confronta-se com outras situações específicas. Primeiro, a consistência geral em conhecimentos e formação profissional que confere aos professores especial capacidade argumentativa, na defesa dos seus direitos, sejam eles devidos ou adquiridos, e lhes aumenta uma qualidade de resistência superior à de outros grupos socioprofissionais. Depois, os professores são no esquema do sistema de ensino uma parte principal e sem a qual o sistema não funciona. Têm na mão «a faca e o queijo».

    Por outro lado, o sistema geral de ensino tem sofrido reformas sobre reformas, mas os professores não têm sido intrometidos como «parte principal» dessas reformas e não têm merecido a atenção prioritária que deveriam ter. Os professores sentem-se como uma «classe» não tida na devida conta, socialmente desvalorizada. Basta ouvir os seus discursos e verificar como a sua grande maioria se sente «magoada». É visível a emotividade que domina as suas declarações numa luta que já perdeu alguma racionalidade e gera-se já por sentimentos muito misturados de várias razões.

    O modelo de avaliação intrínseco ao desempenho de cada um, e não apenas às condições externas de trabalho, espoletou o «grande motivo» e a ocasião não perdida para desencadear a luta há anos silenciada pelos professores. Uma liderança forte de revolta por oposição política aglutinou este descontentamento que ultrapassa a cor dos próprios sindicatos ou forças partidárias.

    Numa visão puramente política, é difícil admitir que o Governo recue na totalidade das condições requeridas, ainda que tenha de desfigurar todo o modelo proposto. Por isso, pôr como condição para conversações de possível entendimento a retirada do modelo é desafiar o próprio sistema da governabilidade democrática. Fica aberto um caminho sem retorno. O modelo agora em jogo é o da avaliação do sistema.

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  3. KAOS!
    Faço um pedido!
    Porque você na colocação do formulário de comentários não os coloca em página inteira, em vez de janela de pop-up?
    É melhor e mais fácil para todos, para quem lê e também para quem escreve.
    Um muito obrigado se o meu pedido tiver recepção!

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  4. O que é que esta gente está a fazer pela qualidade do ensino público? A fabricar diplomas (para quase-analfabetos) em série e em massa?
    Como é que avaliaram os professores para os dividir em titulares e simplesmente professores (onde é que entrou o peso da componente lectiva, dos aspectos didáctico-pedagógicos, enfim, da QUALIDADE dos serviços prestados enquanto professores)?
    A resposta a estas questões não será suficiente para verificarmos o que este governo tem feito pela Escola Pública?
    Concluo que, a manter-se este estado lastimável em que se encontra a Escola Pública, e com uma forte tendência a agudizar-se por pressões do governo, os professores EXCELENTES seriam os que viessem a produzir uma maior quantidade de porcaria. Sim, é de porcaria que falamos quando se faz o que o ME manda.

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  5. Tadinha da buxinha, perdeu o se meio de transporte. É pena não ter dado um bate-cu de todo o tamanho!

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  6. Zé Leitão6/12/08 22:31

    É muito mais importante uma política que faça sentido para a educação em Portugal do que a demissão da ministra.Qual é a vantagem de uma demissão da Milú se a política continuar a mesma com um/uma outro ministro/ministra?

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  7. É mais uma vendida. Talvez tenha pensado que ultrapassaria os seus traumas de infância e adolescência exercendo um cargo de alta responsabilidade, mas o que fez foi vender a alma ao Diabo.
    Vais pagar, Lurdes, ai vais (tu e todos os que andam a sacanear o povo em troca de uns anos de egolatria e mordomia), a tua consciência, muito embora reduzida e reprimida, não te dará tréguas quando chegar a hora.

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  8. Não conhecia o seu blog mas, ao receber um mail com diversas montagens excelentes visando principalmente a ministra da deseducação não resisti a vir espreitar. Os meus sinceros parabéns, é dono de uma criatividade fantástica e de um enorme sentido crítico!
    Cumprimentos

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  9. Muitos Parabéns pelos seus trabalhos. São simplesmente fabulosos. Vou divulgar junto do meu blog.
    Cumprimentos,
    Gonçalo

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