quarta-feira, janeiro 28, 2009

Os presos de Guantanamo

Guantanamo

«Falta consenso para receber prisioneiros de Guantánamo
União Europeia trabalha para criar enquadramento europeu, político e jurídico, do problema
Reunidos em Bruxelas a pedido de Portugal, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia concordam na necessidade de traçar uma posição comum quanto aos presos de Guantánamo, mas nem todos querem recebê-los.
Vai levar "muito tempo" para a União Europeia (UE) definir uma "posição comum" sobre a recepção de detidos provenientes de Guantánamo e o apoio que pretende dar aos Estados Unidos na decisão de encerrar a o centro de detenção em Cuba. Em causa estão cerca de 60 prisioneiros de um grupo de 245 que ainda estão em Guantánamo e que os EUA já ilibaram, mas que não podem regressar aos países de origem, porque correm o risco de enfrentar represálias, incluindo a pena de morte. A Áustria disse abertamente que não quer participar no processo e que não pretende receber detidos de Guantánamo. Justifica que este é um problema de índole interna dos EUA, cabendo aos próprios a resolução.»

Obama disse que dentro de um ano pretende fechar Guantanamo. Esperemos que sim. Cá por este lado do Oceano discute-se se devemos ou não receber alguns dos presos a quem ninguém parece saber o que fazer. Como diz na notícia, são 60 presos, inocentados mas que continuam presos. São gente que foi ilegalmente raptada dos seus países, ilegalmente transportada para Guantanamo, torturada, humilhada, mal tratada, que se provou serem inocentes mas que continuam presos. Por lá Obama fala de um ano e por cá decidimos avançar com calma, sem pressa que há problemas processuais a resolver.
E essa gente que continua presa e a sofrer?
Não mereciam que houvesse alguma urgência em terminar com a injustiça e a ilegalidade. São gente que ficou sem nada, sem país para voltar, sem casa, sem família, sem nada. São vítimas de um louco chamado Bush e do compadrio e apoio de Blairs, Aznars, Barrosos e outros paspalhos do mesmo género assim como do silêncio cúmplice de muitos mais. Está na hora de restituir a liberdade aos que estão presos e julgar e prender os que cometeram tanta ilegalidade e continuam calmamente a dormir nas suas camas.


15 comentários:

  1. Eles criaram o problema,que o resolvam.
    Não percebo por que razão os prisioneiros inocentes não podem regressar aos seus países.E já.

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  2. A questão do regresso seria consensualmente encarada como ideal se não houvesse o perigo de represálias. É preciso lembrar que os sequazes de Bush fizeram questão de mostrar às populações locais que estas pessoas faziam parte dos sistemas dos Taliban ou de Saddam Hussein. Por muito que agora se negue, as populações podem nem ter acesso às ilibações e fazer (falsa) justiça pelas próprias mãos.

    A minha sugestão seria a de os pôr a morar no rancho de Bush, enquanto endireitavam as suas vidas. E, já agora, que fosse o Bush a suportar a despesa e a servir à mesa.

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  3. Não pretendendo minimizar a seriedade do problema, não pude deixar de sorrir com o humor de Maria Rueff nos "Cromos TSF" de ontem. Sugeria a personagem D.Rosete que, em troca dos prisioneiros que vamos receber, enviássemos alguns "famosos" para troca, referia ela no registo do "nonsense" habitual, que até se lhes fazia o favor de ficarem geograficamente próximos das offshores.
    Quanto a instalá-los no rancho de Bush, como referido no comentário anterior, só se o próprio fosse morar para um T2 nos subúrbios, é que encarar com a figura não seria certamente uma forma de, dentro do possível, os ex-prirsioneiros conseguirem relegar para o esquecimento uma página tão obscura.

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  4. Nem de propósito, escrevi ontem mesmo um post no meu blog sobre Guantánamo...

    Uma das promessas do recém eleito Presidente dos E.U.A., Barack Obama, era o fecho da prisão militar, parte integrante de uma base naval da Baía de Guantánamo, no território ocupado pelos norte-americanos em Cuba.
    Sem muita surpresa da minha parte, esse fecho, prometido como célere, foi adiado.
    Mais do que o simbólico fecho da dita prisão, acho que é mais importante lembrar o que esta significa.
    Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos, sob a administração do nada saudoso George W. Bush, fizeram aprovar leis (supostamente anti-terroristas) que permitem o direito a declarar pessoas como suspeitas de terrorismo e detê-las, sem culpa formada, impedindo-as de ter acesso quer a um advogado, quer à própria família. Mais do que isso, existe a possibilidade de serem feitas vigilâncias sem mandatos do tribunais e detenções secretas, às quais virtualmente qualquer pessoa pode estar sujeita.
    Não é preciso muito para se perceber que tais leis, diminuem os direitos constitucionais, não só de cidadãos dos E.U.A., como de todos os cidadãos do mundo, violando o Direito Internacional, as Convenções de Genebra e toda e qualquer noção de bom senso.
    Mais ainda é fundamental lembrar que os Estados Unidos, a maior potência imperial da história, são também a maior nação terrorista de sempre. Apesar da "imprensa doutrinária", como escreve Chomsky repetidamente, nos desviar a atenção da verdade, devemos ter em conta que os auto-proclamados, "polícias do mundo", financiaram terrorismo em todos os continentes. Vejam-se os exemplos na América(onde promoveram atentados e guerras na Nicarágua, Costa Rica e Cuba, etc.), em África (tendo actuado, inclusivamente, contra o imperalismo ultramarino português) e na Ásia (onde apoiaram o general Suharto, no nosso conhecido Timor-Leste, Saddam Hussein no Iraque, etc.).
    É obviamente importante fechar a prisão mas a questão que coloco é: Quem são na verdade os terroristas?

    Cumprimentos

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  5. Obviamente, concordo plenamente com as suas afirmações. Não podia ser mais incisivo na sua análise.

    Há apenas um pormenor que começa a ser repetitivo e penso ser ligeiramente faccioso senão mesmo de muito mau gosto. Referiu, com razão, que era uma promessa, do então candidato Barack Obama, o fecho da prisão de Guantanamo. E mais refere que, sem surpresa, viu a decisão ser adiada?!!
    Agora fiquei eu surpreso. O decreto está assinado, meu caro, a decisão está tomada. Obama fez em duas horas (o decreto foi assinado às duas da manhã do dia seguinte ao da posse) que Bush ou qualquer activista de direitos humanos fez em sete anos de vergonha! A menos que pense que toda a situação se pode resolver numa acção tipo "fechar a porta da tasca à meia-noite", não vejo onde ele possa ter adiado seja o que for.

    Esta má vontade contra Obama começa a ser irritante. Também não gosto dos americanos, mas isso não faz de mim um velho do Restelo só porque sim, ou só porque sou de esquerda! Um pouco à imagem de certas forças de esquerda, que pregam contra o homem recém-eleito e depois apresentam cartazes na rua a apregoar "Yes, we can!". Deixem ver o que o homem pode fazer, há-de haver espaço para as críticas de toda a gente, se Deus quiser. Se não houver, não as inventem.

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  6. Eu para mim é fácil, sendo eles os responsaveis pelas prisões que fizeram, indemnizem as pessoas, atribuam-lhe a nacionalidade americana e aguentem-se à bomboca com eles lá ou não foram eles que arranjaram o problema.

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  7. Esta última solução - do fortifeio - é uma solução que os americanos deviam considerar, para todos levarmos a sério, que algo mudou na terra do tio Sam com a eleição do Obama, e particularmente para dar consistência aos discursos em que ele falou de direitos humanos (e já são vários).

    Mas como disse o primeiro anónimo era interessante perceber porque razão não podem voltar aos países de origem. E é interessante, porque está na altura de acabar com o tabu que nos impede de ver, e criticar, o que se passa nesses paises.

    Caro Cirrus os talibam e o fundamentalismo islâmico, estão no poder, ou têm o poder de facto, nesses países. O seu argumento não tem fundamento. Veja lá se se recorda como foi - e é - tratado pelos locais (e vizinhança) o jornalista que atirou os sapatos ao Bush...

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  8. Com certeza, entreguem-nos aos curdos, por exemplo. Dariam excelentes centros de mesa...

    Infelizmente, nem tudo é tão simples como parece. Além do mais, acha que, por um jornalista ter atirado os sapatos ao Bush, isso faz dele e da sociedade à sua volta fundamentalista islâmica? Essa boa, então eu também devo ser fundamentalista islâmico. E os talibãs, estão no poder? Desde quando? Houve outra guerra da qual eu não tenha conhecimento? Existem, sim, não o nego, mas não estão no poder nem têm poder a nível nacional, mas sim em bolsas de resistência, normalmente fora e longe das cidades.
    É óbvio que algumas destas pessoas temem pela vida. Sem razão, talvez, acredito, mas todos sabemos como a justiça popular pode ser injusta e difícil de segurar.

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  9. Caro Cirrus,

    A ideia com que fiquei, corrija-me se estiver enganado, é que o encerramento seria célere. Em vez disso foi adiado, julgo que 100 dias. Talvez não me tenha exprimido bem ao dizer que a decisão tinha sido adiada. O encerramento foi adiado, provavelmente seria mais adequado.
    No entanto, nestas coisas, vou um pouco na Filosofia do "ver para crer". E, nessa medida, talvez seja mesmo um velho do Restelo. E enquanto a prisão não for mesmo encerrada e as políticas que ela significa alteradas, continuarei não surpreendido.

    Cumprimentos

    P.S. Não sei se vai ler a minha resposta, dado o ritmo de posts do Kaos.

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  10. Leio com certeza, já entrei no ritmo do homem!

    Concordo no "ver para crer". Somos como Tomé.

    Não concordo é com o "bota abaixo" que se tem verificado em relação ao Obama. Não há qualquer razão para isso. Angariou muito dinheiro? É verdade que sim, e se não tivesse angariado, seria presidente? É preciso dar tempo ao homem, pelo menos isso.

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  11. Caro Cirrus,
    Aos Curdos? Agora é que fiquei baralhado... Os enjaulados de Guantanamo não vieram - a fazer fé no que se sabe - exclusivamente do Curdistão.
    Por outro lado devo entender que não considera que o povo Curdo tenha direito a um Estado e à sua autodeterminação? Já para não falar das fronteiras do futuro Estado Curdo...

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  12. Não, não, entendeu mal, meu caro. O problema é precisamente o contrário: nenhum deles veio do Curdistão. Há muitos anos que o povo curdo luta pela autodeterminação através do terrorismo, principalmente na Turquia. O seu braço armado, o PKK, é considerada pela ONU, UE e EUA uma organização terrorista. O que não impediu que fosse ajuda vital para os EUA na invasão do Iraque.

    Quanto ao direito que têm de se estabelecerem como uma nação independente, não duvido. Esperem até todos os povos nómadas e invasores de terras se estabelecerem como nações independentes. Vão ver, quando os ciganos resolverem fazer isso, até Portugal desaparece ante o direito inalienável que os ciganos têm à sua nação! Já tivemos o exemplo máximo do Kosovo, onde imigrantes albaneses na Sérvia conseguiram sonegar uma parte considerável daquele país. Ainda por cima, a parte onde nasceu, historicamente, a Sérvia!
    Toda a gente tem direito a um país para si. Amanhã vou proclamar a independência da Cirrulândia, o meu país privado...

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  13. Tadinhos. Até chateia de tão inocentes que são!

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  14. Caro Cirrus,
    Você é um malandro!
    Quer ver-se livre do enginhêiro respectiva pandilha (ou diria melhor: bando) e deixava-o do lado de cá da fronteira...
    Ná. Não pode ser! É um fardo pesado demais, tem de ser a dividir por todos.

    ;-))))

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  15. Eu já sugeri que enviássemos aos espanhóis o Sócrates em troca do País Basco, mas penso que eles não devem ir em tangas e preferem estar tranquilos... A Cirrulândia seria uma solução desesperada.

    Muito boa, essa observação... ;))

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