domingo, junho 20, 2010

As sagradas férias do Sr. Presidente

prada

O Presidente Cavaco está a fazer umas curtas férias nos Açores. Faz bem, é uma terra bonita e com muitas belezas naturais. Para além disso tem a vantagem de lhe evitar o embaraço de ter de fazer declarações sobre a morte do segundo português a ser considerado merecedor de um prémio Nobel. Nem ele gosta do Saramago, de quem duvido ter capacidade para ler e compreender um livro, nem o Saramago gostava dele.

Claro que, a não interrupção das férias e a não presença no funeral de alguém a quem o estado português reconheceu a importância ao ponto de declarar luto nacional só mostra a sua ignorância e incapacidade para o cargo, mas isso já nós sabíamos. Fica ao registo do facto para memória futura.

19 comentários:

  1. Bem me pareceu ver o Kaos à porta do cemitério...

    E o senhor,leu algum livro de Saramago?HUMMMM...esse seu armar em doutor das letras...não...não convence...

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  2. ...e o presidente da AR também.

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  3. Nem todos os que estiveram 'ausentes' são medíocres, mas todos os medíocres estiveram ausentes.

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  4. É muito triste a posição do presidente...

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  5. Caro
    Kaos, neste caso, não me leve a mal, mas não concordo nada consigo.
    Saramago e Cavaco não se gramavam, essa é a palavra apropriada, o escritos porque entendeu que Portugal não se deitava a seus pés decidiu abandonar o seu país Natal e emigrar para a vizinha Espanha. muitos o fazem para procurar melhor vida, mas poucos o fazem por despeito para com a sua Pátria, também as suas simpatias pela União Ibérica não me parecem lá muito patrióticas, não sei se por causa do seu "internacionalismo comunista" ou por qualquer outro motivo, o facto, é que há muita gente que não gosta da pessoa que foi Saramago.
    Por isso entender que a figura em questão não exigia a presença física do PR que enviou a sua mensagem à família e se fez representar por pessoas afectas à sua casa presidencial
    Aliás, o mesmo fez Jaime Gama, igualmente de férias e não dei que tivesse havido assim um ruído tão grande.
    Vergonhosa, foi a atitude da RTP, que, ao invés de uma Televisão do Estado perfeitamente neutral, restringindo-se à notícia e acompanhamento do evento, passou o tempo a perguntar a toda a gente se achavam bem que o PR não tivesse marcado presença pessoal, e se não deveria ter interrompido as suas férias para vir às cerimónias, numa clara e visível campanha de propaganda anti-Cavaco Silva.
    Não estou aqui a defender o PR, que é pessoa que já muitas vez declarei não competente (no meu ponto de vista), para o cargo que exerce, mais a mais, com a actual situação presente, mas, a verdade tem de ser dita e este perguntar constante sobre a atitude de Cavaco Silva, não passa duma manobra política (pelo menos assim vejo), para desprestigiar o PR, de quem partiu a iniciativa não sei, mas que me parece uma acção concertada, lá isso parece.
    Um abraço.

    LUSITANO

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  6. Lucrécia
    Estive efectivamente no cemitério.
    Se li ou não li algum livro do Saramago é algo que só a mim diz respeito e não é por isso que me armo em Dr. de nada nem quero convencer ninguém. Felizmente

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  7. Lusitano:
    Há quem goste e há quem não goste daquilo que o Saramago escreveu, há quem goste da obra e não goste da pessoa, mas isso em nada altera que se tratou de um funeral de estado. Era obrigação do Presidente interromper o passeio pelos Açores para estar presente. Não o fez, fica o facto e as atitudes de quem as tomou
    abraço

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  8. Caro
    Kaos,
    Mais me ajuda, se era um funeral de Estado, também Jaime Gama deveria estar presente, uma vez que é a 2ª figura do Estado, e não vi nenhum comentário por aí além sobre essa ausência.
    O facto, é que se aproveitou a não presença de Cavaco silva para tirar proveitos políticos, quanto a quem cabe a responsabilidade de considerar se o funeral duma personalidade é de Estado ou não, não sei a quem compete essa decisão, mas acho no mínimo estranho se couber à 3ª figura, ou seja, ao 1º Ministro, obrigando a isso as duas 1ªs figuras do Estado o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República.
    Um abraço

    LUSITANO

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  9. Para que não se perca a memória convém ter presente que foi em 1975, com Saramago a Director, que no Diário de Notícias foram compulsivamente postos na rua todos aqueles que trabalhavam no jornal e não eram do PCP. Era um bom assunto para questionar os "democratas" Jerónimo de Sousa e sus muchachos!

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  10. Quer dizer, se bem percebi e segundo o Kaos, Cavaco não terá capacidade para ler e compreender o que vem nos livros de Saramago. Já o Kaos não nega que tenha lido algum ou alguns dos referidos livros. Sou levado a deduzir que já leu (e compreendeu)e até que terá capacidade para tal! Querem ver que temos aqui mais alguma sumidade a quem este País ainda não deu o devido reconhecimento?

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  11. Lusitano:
    Isto de ir ou não a funerais é assunto de somenos importancia. O que fica são as atitudes a quem as toma. O que é significativo é que morreu o único prémio Nobel da literatura Portuguêsa.
    abraço

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  12. Anónimo 22:27
    Nunca me viram aqui defender prepotências vindo elas de onde tenham vindo. Agora, bom seria saber se as coisas realmente se passaram como dizes ou haverá outra história por detrás. É que já vi reescreverem-se muitos livros de história com histórias bem mais fantásticas que essa

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  13. Anónimo 22:55
    Não, para ler Saramago não é necessário ser-se génio, qualquer QI médio o consegue fazer. Li foi em tempos que o Cavaco não é muito de leituras de livros que não sejam de economia e que é a Maria que lhe conta as histórias dos livros que não lê. Seja isto verdade ou não, não é por falta de inteleigencia, mas de imaginação e sonho que o considero impreparado para ler grandes filosofias se não existirem lá percentagens e défices

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  14. Quando Saramago exigia "violência revolucionária"
    por
    Pedro Correia 26 Agosto 2005 - Diário de Notícias
    Foi como "jornalista revolucionário" que José Saramago se apresentou aos leitores do Diário de Notícias pouco após assumir funções de director adjunto do jornal, em Abril de 1975. E foi fiel a esta legenda que se manteve em funções durante sete meses, fazendo aqui publicar alguns dos mais incendiários textos que vieram a lume no "Verão Quente" de há 30 anos. Textos que culminaram com um apelo à insurreição militar em nome da defesa do socialismo. Ao alto da primeira página do jornal e numa data emblemática 24 de Novembro de 1975. Nessa noite, de facto, os militares "revolucionários" saíram dos quartéis. Mas, 24 horas depois, dissipava-se o sonho do futuro Nobel da Literatura: a ala "inconsequente" das Forças Armadas", aliada aos "partidos da burguesia", levou a melhor. O socialismo de matriz soviética não vingou em Portugal.

    nas mãos do povo. Ninguém o pode acusar de falta de clareza. Ao tomar posse como director adjunto, a 9 de Abril, o escritor não deixou lugar a dúvidas "O DN vai ser o instrumento, nas mãos do povo português, para a construção do socialismo." Saramago, então com 52 anos, colaborara na revista Seara Nova e dirigira o suplemento literário do Diário de Lisboa, jornal de que também foi editorialista no biénio 1972/73. Já publicara alguns livros - Os Poemas Possíveis, Provavelmente Alegria, A Bagagem do Viajante -, mas o essencial da sua obra ainda estava por escrever.

    A nacionalização do DN, na sequência do 11 de Março de 1975, trouxe uma nova administração a este matutino, composta pelo coronel Marcelino Marques, o arquitecto Francisco Solano de Almeida e o crítico Correia da Fonseca. Luís de Barros, (ex-jornalista do Expresso e hoje editor-geral do Diário Económico) foi então designado director, tendo Saramago como adjunto.

    Na prática, as posições invertiam-se os textos que marcavam a posição editorial do jornal eram os do futuro autor de Levantado do Chão. Sempre na primeira página, sob o título genérico "Apontamentos". Entre Abril e Novembro, foram publicados 95 destes textos, que funcionavam como verdadeiros editoriais do DN.
    (continua)

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  15. Eram textos onde já se detectava o estilo inconfundível que o celebrizou como prosador, repletos de juízos morais sobre as figuras públicas. Alternando críticas demolidoras a Mário Soares, Freitas do Amaral e Melo Antunes com os mais rasgados elogios a "revolucionários consequentes", como o primeiro-ministro Vasco Gonçalves.

    Eram também textos que usavam e abusavam da terminologia bélica, ao jeito da vulgata leninista. Termos como "inimigos", "traição" e "rendição" surgem com muita frequência nestes "apontamentos", que funcionaram como imagem de marca desse DN.

    "Não tenhamos ilusões é mesmo de guerra que se trata", escrevia na edição de 1 de Agosto, retratando a situação da época.

    sem assinatura. Os "apontamentos" não eram assinados - talvez para acentuar o estilo "colectivista" do jornal, então muito em voga. Por uma só vez a assinatura de José Saramago - junto com a de Luís de Barros - surge nas páginas do DN num texto intitulado "Uma Direcção Nova" e publicado a 11 de Abril. "O DN é importante de mais para que os seus trabalhadores aceitem vê-lo transformar-se em feudo de alguém. Esta Casa precisa de todos e será obra de todos", asseguram os novos responsáveis. Contrariando estas palavras, 22 jornalistas serão despedidos a 27 de Agosto por delito de opinião. "Informação revolucionária não se faz com jornalistas contra-revolucionários. Por isso, os que o eram foram afastados", explicará o DN, a 4 de Setembro, em prosa não assinada (presumivelmente também de Saramago).

    Segundo o novo estatuto editorial, divulgado a 26 de Junho, o DN passava a ser "um jornal ao serviço do povo, das classes trabalhadoras e, especialmente, das mais desfavorecidas". Apostava na "construção e defesa da sociedade socialista". E jurava apoiar "as justas lutas dos povos ainda oprimidos, numa linha antifascista e anti-imperialista inquebrantável".

    O primeiro "apontamento" do futuro Nobel da Literatura, com data de 14 de Abril, antecedeu em 11 dias a vitória do PS na eleição da Assembleia Constituinte. Mas já então ele avisava "Não perderemos por via eleitoral as conquistas da Revolução." Estava dado o mote para o conjunto das intervenções de Saramago no DN. (continua)

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  16. peças militantes. Eram peças militantes, na acepção mais lata do termo. O próprio director adjunto não o escondia. "Não somos independentes nem neutros nem objectivos, isto é, não publicamos em Andorra", escreveu a 5 de Maio, em resposta aos que acusavam o DN de ser um "jornal oficioso", em sintonia com o Executivo de Vasco Gonçalves e os desígnios do PCP.
    O "companheiro Vasco", como lhe chamava a esquerda pró-comunista, foi brindado com muitos louvores de Saramago. Um dos maiores ditirambos ao primeiro-ministro - uma "figura histórica" - veio na edição de 21 de Agosto "Bem o ouvimos daqui, bem o vemos, bem lhe queremos." E dois dias depois: "De todo o pessoal político-militar da primeira linha, Vasco Gonçalves foi o único capaz de compreender o que em Portugal se passou a seguir ao 25 de Abril: a súbita aceleração da luta de classes e sua extrema agudização, e também a evidência da inviabilidade da solução social-democrata." Estava já o Executivo de Vasco à beira do fim...

    contra Soares. Um dos seus alvos de estimação, pelo contrário, era o PS de Mário Soares, que "faz da calúnia a sua grande especialização" (1 de Setembro). Sobre o CDS, Saramago escreveu "O partido do sr. Freitas do Amaral é o rosto da extrema-direita legal" (13 de Junho). Sá Carneiro era o "tipo acabado de anticomunista delirante" e o PPD um "veículo da reacção". Nem o MRPP escapava: o director adjunto denunciou "as provocações, violências e torturas desses aprendizes de feiticeiro que se dizem movimento reorganizativo do partido do proletariado" (18 de Maio).

    Ao tomar posse o VI Governo Provisório, liderado por Pinheiro de Azevedo e com vários ministros do PS e do PPD, o DN vira baterias contra o novo Executivo, a que chama "grupo desconexo de governantes". Com uma energia simétrica aos elogios antes dispensados a Vasco. "O Governo é já um anacronismo desta Revolução", escreveu a 14 de Novembro. Almeida Santos, com a pasta da Comunicação Social, foi particularmente visado. Por ser um "ministro repressivo" (20 de Outubro).

    O líder comunista, Álvaro Cunhal, nunca foi mencionado nestes "apontamentos". Mas o PCP chegou a ser alvo de uma crítica por recusar entender-se com forças de extrema-esquerda (ver caixa ao lado).

    Por essa altura, ia o DN publicando títulos como estes "O Sul paralisará se não se concretizar imediatamente o apoio à Reforma Agrária" (13 de Outubro); "Grande manifestação pelo avanço imediato das organizações populares" (23 de Outubro); "Oficiais revolucionários defendem poder popular armado" (22 de Novembro).

    A linguagem de Saramago tornava-se ainda mais sombria. "Ou esta Revolução se suicida (...) ou se recupera pela única via que lhe deixam aqueles que a querem liquidar", assinalava a 1 de Agosto. Na sua opinião, "a violência revolucionária é uma legítima defesa quando está em causa a vida e o futuro de um povo inteiro".

    Tudo culminou no editorial de 24 de Novembro. "O regresso aos quartéis, que alguns teimam em preconizar, nada resolveria as Forças Armadas, tendo sido MFA no seu sector progressista, não podem recuperar neutralidades utópicas: mais vale, portanto, que, mesmo em conflito, continuem no primeiro plano da acção política. Mas cuidado, o tempo não espera", referia o "apontamento" desse dia. Parecia um apelo implícito ao golpe militar. O problema é que este golpe mergulharia o País na guerra civil.

    De facto, no dia seguinte, a esquerda fardada saiu dos quartéis - mas perdeu a parada. No DN, caía o pano para José Saramago.
    FIM

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  17. Para o Kaos das 11:17
    Parece que a história tem pouco de fictício e muito de real. O teu ídolo tem um passado revolucionário feito de ódios e do "quem não é por nós é contra nós". Do poeta não falo. Nunca li nenhum livro dele nem faço questão de o fazer e não lhe retiro o mérito. Mas Saramago foi também um revolucionário ressabiado e de mal com a vida. E que se identificou com valores inqualificáveis da época. E não hesitou, quando teve o poder, em o usar de uma maneira vergonhosa despedindo os funcionários do DN que não tinham a sua ideologia. Num período negro da nossa história fica mais esta. E Saramago fica muito mal na fotografia. Na altura e...trinta e cinco anos depois.

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  18. Desculpem, mas não é necessária tanta basófia para "desculpar" a ausência de Cavaco no funeral do Homem, afinal Saramago nem tinha grande importância assim, ele se calhar nem quereria os dois dias de luto nacional, nem sequer a "visita" de Cavaco, Saramago era Grande demais para certa gente. A ausência de Cavaco deve-se a pressões da igreja católica, nomeadamente da Opus-Dei, que ainda não esqueceram a traição da promulgação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, vai daí, a sua ausência sempre soma mais uns votos. O aparecimento de um novo candidato apoiado pela igreja, pelo CDS e por alguns sectores do PSD, não é também alheia à ausência.

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  19. Caro Kaos,
    Meu Amigo, nós temos semelhanças nos nossos valores, ambos defendemos a Justiça, ambos somos contra este capilaismo selvagem que nos destrói como pessoas e como Nação, ambos somos pela defesa dos mais fracos, ambos defendemos a democracia, mas, para que possamos continuar a defender esses direitos e princípios, temos de continuar a ter o nosso próprio país, entregar o território nacional a quem quer que seja, é nunca mais termos hipóteses de realizarmos esses princípios.
    Se não nos defendermos nós, não podemos esperar que os de fora nos venham defender.
    Assim, quem advoga a entrega ou inclusão do nosso país noutro, está não só a cometer uma traição para com a sua Pátria, mas acima de tudo, está atraiçoar o seu povo.
    Com esses eu não pactuo, nem que fossem as maiores figuras do Mundo.
    Esta, é a minha humilde opinião, há quem não goste, paciência.
    Um abraço.

    LUSITANO

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