terça-feira, julho 13, 2010

Concerto para Violino e parvoices

violino

Há uns dias, o Augusto Santos Silva, imitou tocar um violino quando falava do Pedro Passos Coelho, coisa que não me pareceu muito importante, só parva, mas foram tantas as vozes do PSD que se levantaram, indignadas, em protesto que até resolvi fazer-lhe um boneco. Mais engraçado, tinha-me parecido, foi a mesma quantidade de neo-liberalistas do PSD se indignarem por ele lhes ter chamado de neo-liberais, quando no máximo o PSD só consegue ser liberal. Um pouco como se chamarmos parvo a alguém e ele nos disser que no máximo só é parvinho. Cconseguem fazer um raciocínio fantástico, aceitam que a crise mundial foi criada pelo neo-liberalismo, mas ela só existiu porque o neo-liberalismo ainda não é tão neo-liberal como deveria ser. O mal não foi se terem aproveitado da falta de regulação e controlo para fazerem todas as trafulhices e crimes possíveis, terem colocado o lucro acima dos interesses de pessoas e estados, o mal foi ainda haver alguma regulação. É aquela ideia de que só há um crime porque existe uma lei que o consagra, pelo que não existindo a lei, não existe crime. O problema está pois, como se isso fizesse alguma diferença, chamarem-lhes liberais ou neo-liberais. Sim, porque isso do capitalismo já ninguém parece colocar em questão. A Europa é Capitalista, a globalização é capitalista pelo que quem nos governa e quem participa nesta fantochada acaba também por ser capitalista. Curiosamente, num daqueles frente-a-frente televisivos entre o Octávio Teixeira e alguém do PSD o confrontou com a afirmação de que o "capitalismo tinha sido o responsável pelos melhores níveis de vida da história no mundo Ocidental", ele afirmou que o mal não era o capitalismo, mas sim o neo-liberalismo. Até reconheceu ser um pouco keyneziano.
Para mim o mal está nesta politicas e políticos que criam as crises e as dificuldades, para depois nos virem apontar o dedo, culpando-nos a nós pela porcaria que fizeram e fazendo-nos, ainda por cima, pagá-la.

2 comentários:

  1. Passamos da terceira via para a via verde. Enterra-se o estado providência e reanima-se a regulação do mercado e a gula especulativa.
    Os meus filhos vão ser espectadores do neoliberalismo, os meus netos, do kaosliberalismo e bisnetos ... acho que não vai haver, os progenitores vão andar demasiado stressados para pensar em sexo.

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