quarta-feira, dezembro 01, 2010

Que se complete o circulo da história


Foi no dia 1 de Dezembro de 1640 que os portugueses, fartos dos vendilhões da nação, entraram no Paço da Ribeira e defenestraram os "Vasconcelos" deste país que se foram esborrachar no Terreiro do Paço. Foi também num outro 1 de Dezembro que entrou em vigor o Tratado de Lisboa defendido e aprovado pelos novos vendilhões da nação. O Terreiro do Paço ainda lá está e, para que a história cumpra o seu ciclico destino, só falta defenestrá-los.

2 comentários:

  1. tenho a ideia de que os tipos que em 1640 correram com os "Vasconcelos" não eram assim tão mansos como os que existem hoje em dia...
    Ainda faltam alguns ingredientes para o prato se entornar...

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  2. Os argentinos também eram mansos, mas quando a comida começou a faltar em casa, foram para a porta da Casa Rosada, bater em tachos e panelas (manifs que ficaram conhecidas como "tachadas" ou "paneladas"). Desse movimento emergiu um político, Nestor Kershner, que inspirado em ideias de esquerda deu início a uma nova política económica que respondeu aos anseios (e à fome) do povo.

    Os telegramas de Buenos Aires, publicados no wikileaks, são muito interessantes. É visível o ódio dos EUA pelo presidente Kirshner. No entanto, o seu único "pecado" foi mandar embora o FMI e os bancos credores estrangeiros que sugavam a economia argentina. Há muitas referências aos "titulares de obrigações". Esses vigaristas, que na sua larga maioria nem são os bancos que originalmente compraram os títulos mas sim aventureiros que compraram essas obrigações ao preço da chuva, durante os piores dias da crise argentina, e esperando mais tarde ganhar bom dinheiro com elas -- talvez, quem sabe, usando o governo dos EUA para pôr no poder, em Buenos Aires, um político "pró-ocidental". Mas o governo da Argentina já se defendeu disso; este ano regularizou a maior parte dessas obrigações através de um credit-swap que negociou seriamente, ao contrário dos nossos dirigentes "pró-ocidentais" que se oferecem logo para vender Portugal à finança internacional desde que, em troca, lhes untem bem a vaidade (e a conta, nas ilhas Caimão).

    Vê-se, nessas mensagens de Buenos Aires, quem realmente manda e estabelece a política do governo dos Estados Unidos. Falo nisto pela sua relevância para Portugal, porque o nosso país (em conjunto com os outros PIGS) enfrenta um ataque da finança internacional do mesmo tipo que a Argentina enfrentou em 1999-2002. A situação só foi resolvida quando o presidente Kirshner, em 2003, suspendeu o pagamento da dívida. Isso (em conjunto com a desvalorização da moeda) permitiu à economia argentina voltar ao crescimento.

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