quarta-feira, novembro 02, 2011

Portugal, Zona de conforto

Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto», disse no sábado o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre. «Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras».

Parece que como não temos nem batatas, nem chicharros, nem parafusos para exportar, este governo resolveu exportar os jovens deste país. Ouvi, durante anos e anos, gente dizer que o mal do país, o que fazia com que ele não se desenvolvesse era a baixa qualificação dos nossos trabalhadores. Parecia ter lógica e por isso se aplaudia as medidas que levavam os nossos jovens para a escola, oferecer-lhes melhores condições e ganharem conhecimentos que os transformassem em trabalhadores altamente qualificados. Uma politica consensual onde se gastaram milhares e milhares de milhões para a sua consumação.
Agora, que temos esses trabalhadores descobrimos que não temos trabalho para tanta qualificação. Aliás já chegámos ao ponto em que não temos trabalho para ninguém, seja ele qualificado ou desqualificado. Engenheiros, arquitectos, licenciados de todas as áreas trabalham hoje em call centers ou nas caixas dos supermercados dos hiper-Merceeiros em troca de um salário mínimo e de toda uma vida de precariedade. A isto chama o Secretário de Estado "zona de conforto". A solução é a exportação, não de produtos porque não os produzimos, mas de jovens licenciados. O Salazar exportou os seus trabalhadores desqualificados para os "bidonvilles" desse mundo e estes enviam os seus trabalhadores qualificados para um qualquer bairro dos subúrbios desse mesmo mundo. O Passos coelho veio dizer que nos vai fazer ficar a todos e mais o país mais pobres e agora este que desistiram. Primeiro atiramos tudo o que tínhamos fora, o Cavaco encarregou-se disso, agora atiramos também os jovens e as suas qualificações. O que resta? Nada.

13 comentários:

  1. Mas que inteligência rara, a desse figurão! Não admira, chama-se "Mestre"...Bof!
    Todos enfiados numa linha é que ficavam bem!
    Kaos, aqui está um novo blogue para massacrar estas indigências que nos têm desgovernado!
    É visitar, comentar, "seguir"...
    Obrigada!
    E obrigada por nunca desistires destes teus fabulosos cartazes, de antologia! (por exemplo, aquele do "Feiticeiro de Oz" é uma verdadeira maravilha que tira o retrato a estes novos "Mestres" da miséria que calharam agora na rifa!).
    Obrigada também, por nos últimos tempos teres voltado a acrescentar os teus textos certeiros às imagens. Ambos são precisos.
    Beijinhos!

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  2. Ups! O novo blogue está aqui:
    http://margarida-alegria.blogspot.com/

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  3. Olá Margarida
    Vou já acrescentar o link. Obrigado
    bjs

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  4. Cambada de Parasitas proxenetas,Que grnade lata.Emigrem eles e os seus descendentes , que assim o país ficava melhor!!

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  5. boa imagem e é pena que este selvagem não seja deportado...

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  6. Pelas barbaridades que dizem e fazem não os deportava, embarcava-os todos um a um num batelão e largava-nos no meio do Atlântico
    sem hipótese de fuga!

    Zé de Aveiro

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  7. Kaos, mas Salazar fomentava a emigração dos jovens portugueses? Eu pensava que Salazar a combatia, que precisava desses jovens para a guerra de África e que alguns deles emigravam "a salto", porque não o podiam fazer de outro modo! Kaos, parece-me que não é ignorância, parece-me mais má fé!

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  8. Anónimo das 23:15
    Estamos a falar de duas fazes do reinado do botas. Antes de começar a guerra colonial e depois. A diferença era a idade com que os exportava nunca o principio de recitas dos emigrantes como forma de equilibrar as contas públicas. Mas, dizer mal do botas nunca é má fé, é justiça.

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  9. Faz lembrar aquela Musica do Adriano Correia Oliveira, mas em vez de ser a Galiza é a Patria

    Este parte, aquele parte
    e todos, todos se vão
    Ó Patria ficas sem homens
    que possam cortar teu pão

    Tens em troca
    órfãos e órfãs
    tens campos de solidão
    tens mães que não têm filhos
    filhos que não têm pai

    Coração
    que tens e sofre
    longas ausências mortais
    viúvas de vivos mortos
    que ninguém consolará

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  10. Não disse mentira nenhuma. É a triste verdade. Portugal ficou refém de uma geração gulosa, egoísta, exigente e muito ciente dos seus direitos aquiridos mas muito esquecida dos seus devers. Uma geração que estourou o que os pais deixaram, conseguindo empenhar os filhos e netos...

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  11. Infelizmente somos um país de diásporas,mas também de governantes rançosos, nunca mais a História se livra disto.

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  12. A questão é que, pela primeira vez, uma geração não tem perspectivas de ter um futuro, não vê maneira de subir os primeiros degraus da escala de Maslow... A mobilidade social foi para o brejo e hoje os jovens já só podem aspirar a ser oq ue lhes deixam ser.
    A geração anterior gastou e endividou´, ou seja, direitos adquiridos, carreiras certas e sem sobresaltos, compraram casas com ajuda do Estado. Hoje dizem que isso já não é possível (para os mais novo, claro, que os direitos adquiridos no sofá são uma conquista de abril e dão muitos votos), chamam-nos de calões, mandam-nos cavar as terras que abandonaram, etc.
    A verdade é mesmo essa. Emigrar pois Portugal trata-nos pior do que os emigrantes que cá chegam...

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  13. Anónimo 12:22
    Há aqui um logro que há muito é repetido e que envenena o discurso normalmente aceite. A geração de trabalhadores anteriores não gastou nem se endividou por ter direitos adquiridos ou carreiras certas. Os direitos que eles tinham deviam ser os mesmos que hoje ainda teriam todos os trabalhadores Até já se deveria ter avançado mais nesse sentido pois as sociedades devem avançar e não retroceder. O que se passou foi o incremento do capitalismo selvagem e global que destruiu o sistema produtivo e criou a situação. A culpa não é das pessoas mas do sistema criado por quem realmente, escondido na sombra, controla a politica mundial. Só o reforço desses direitos pode alterar o sistema e promover a justiça social. Não se deixem enganar por mentiras.

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