sábado, agosto 19, 2006

Tomar posição

Uma coisa que me tem espantado (e inquietado) é o abstencionismo da maior parte dos intelectuais e dos artistas em relação aos conflitos mundiais. Guerras, injustiças, violações dos direitos humanos, poderes corruptos, o planeta posto em risco e nem um rumor, nem uma reacção forte por parte dessas ilustres figuras públicas. Como se hoje em dia tomar partido contra fosse um crime a evitar, nesta nossa época das meias tintas. Ninguém tem a ousadia e a coragem de aproveitar a mediatização de que usufrui enquanto figura pública, ninguém aparece a dar a sua opinião frontal sobre seja o que for. As aparições destas figuras de renome limitam-se, salvo raras excepções, a aparecer para serem fotografadas ou, noutros casos para dar uma banal entrevista de circunstância. Em Portugal, um país tradicionalmente acobardado, este facto é ainda mais evidente. Apenas me lembro neste momento de um artista que dá a cara a favor de uma causa – a Guerra do Iraque – à qual se tem dedicado de corpo e alma. É ele José Mário Branco, “do Porto. Muito mais vivo que morto.”
Hoje, porém, descobri que há mais gente do que eu pensava empenhada em rebelar-se contra factos seus contemporâneos que consideram importantes e dignos de uma intervenção. Veja-se esta carta aberta. Para que serve, a um artista ou a uma outra personalidade de influência, receber um prémio pelo seu valor humano se depois se cala perante os mais graves conflitos mundiais que atingem proporções cada vez mais hediondas.
Como pode, por exemplo, passar impune aos olhos do mundo o desolador espectáculo do desastre ecológico provocado pela guerra entre Israel e o Líbano, que contaminou o Mediterrâneo e que em breve chegará às praias de outros países que nem sequer estão implicados no conflito? Resumir tudo isso a uma notícia passageira? No mínimo haveria que apurar as causas e os danos e fazer com que os estados responsáveis fossem globalmente obrigados a apagar o rasto de destruição deixado pelas suas acções ofensivas e desrespeitadoras de toda a Humanidade.

Uma boa noticia para Oeiras

Três juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa antevêem que Isaltino Morais, a sua irmã Floripes Almeida e o ex-jornalista Fernando Trigo serão condenados pelos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e abuso de poder. "Os elementos factuais constantes dos autos, fortemente sustentados em termos de prova indiciária, colocam-nos perante condutas delituosas de elevados graus de ilicitude e de culpa, fazendo antever como muito prováveis futuras condenações".
No acórdão, os desembargadores fizeram questão de dizer que, estando Isaltino Morais indiciado por "vários crimes no exercício da gestão autárquica", o facto de continuar como presidente da Câmara de Oeiras é uma situação que "ultrapassa a capacidade de compreensão do normal mas honrado cidadão".
Retirado de uma notícia do
Diário de Notícias

Sem querer apontar já o dedo da culpa a Isaltino de Morais, já que todos somos inocentes até prova em contrário, a verdade é que parece que o cerco se aperta. Uma vez mais vou tentar confiar na justiça para esclarecer este caso, ilibando os inocentes e castigando os culpados. Esperemos é que as teias da lei não se mostrem muito esburacadas, como já tem acontecido noutros processos envolvendo figuras públicas, e o peixe não fuja todo por ai. De uma vez por todas há que tentar dar confiança aos cidadãos relativamente à justiça em Portugal e mostrar que o crime não fica impune.
Politicamente e a nível da gestão autárquica não concordo com o Isaltino. Oeiras merece mais e melhor do que aquilo que tem sido feito. Estou farto de obras inúteis para “encher o olho” aos cidadãos, enquanto aquilo que realmente era necessário ser feito fica adiado de mandato em mandato, talvez porque não é grandioso e espalhafatoso. Chega de construção caótica e desenfreada, como tem acontecido, sem haver qualquer cuidado com as acessibilidades e o estacionamento. Chega de promessas mentirosas que depois nunca se concretizam. Chega da falta de respeito que tem mostrado para com os cidadãos, nas Assembleias a que tenho assistido, ora faltando ora chegando atrasado e sempre sem uma única palavra de desculpas. Chega de Isaltino na Câmara de Oeiras.

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sexta-feira, agosto 18, 2006

Desempregados de todos os países: UNI-VOS!

Nos últimos dias o governo tem veiculado a informação de que o desemprego está a descer no nosso país, baseando os números optimistas nos dois últimos trimestres e comparando-os com os do ano passado. Toda a gente sabe que nos meses que antecedem o Verão e durante a época de maior turismo, esse fenómeno é normal ocorrer, assim como é sabido que nos trimestres posteriores o desemprego volta a disparar. Trata-se de trabalho sazonal, precário e de curta duração. Uma vez terminada a época alta, as pessoas, na maior parte dos casos jovens que aceitam durante o período das férias trabalho ocasional, retomam as suas vidas. É por isso inaceitável que esse decréscimo fictício no número de desempregados seja usado para fazer propaganda do governo. Mas pior do que isto são outros métodos pouco honestos que estão a ser usados para falsear os números. Sei de quem tenha recebido um envelope do Centro de Emprego em plena época de férias, com um destacável para devolver ao respectivo centro caso a pessoa continuasse interessada em se manter inscrita como desempregada. No caso de o destacável não ser devolvido nos dez dias seguintes, a pessoa seria automaticamente retirada do Centro de Emprego. Este procedimento é absurdo por vários motivos: primeiro o desempregado inscrito no Centro de Emprego tem como dever participar ao centro que arranjou emprego e, se não o fez, deve continuar a ser considerado desempregado; segundo, porque não é durante o período de Verão, quando as pessoas se ausentam das suas residências que devem ser contactadas pelo correio. Em muitos destes casos, é provável que os sobrescritos tivessem ficado os dez dias numa caixa de correio que ninguém viu e que por esta via obscura muitas pessoas tenham ficado fora dos Centros de Emprego onde antes haviam perdido uma manhã inteira à espera da sua vez para se inscreverem, saindo de lá sem grandes expectativas de emprego. Tanto trabalho para se inscreverem; tanta facilidade para serem excluídas… é desta forma que as estatísticas animadoras com que hoje nos acenam foram conseguidas? Alguém aí acredita que de há um ano para cá foram criados em Portugal mais 48 000 novos postos de trabalho? Tudo mentira!

Considero hoje os desempregados a classe não-trabalhadora mais importante para a contestação das políticas neo-liberais. Os desempregados são hoje o novo calcanhar de Aquiles do capitalismo. Para eles não há soluções concretas, apenas deploráveis truques de prestidigitação como estes que hoje se propagandeiam. Os desempregados são cada vez mais e tendem a aumentar; os desempregados já não podem ser vistos como uns vadios que não querem trabalhar: todas as classes trabalhadoras correm hoje o risco de verem os seus postos de trabalho extintos de um dia para o outro devido a uma mera reestruturação com vistas a tornar a sua empresa mais competitiva e mais lucrativa; os desempregados hoje em dia não são só as pessoas de pouca instrução ou de deficiente formação profissional. Muitos são licenciados, com experiência profissional, com conhecimentos de línguas e informáticos. Pessoas válidas que se encontram marginalizadas por não serem boys, ou por não terem padrinhos ou por não serem eternamente jovens. Na verdade, as novas oportunidades que o governo apregoa que visam empregar licenciados nas empresas em regime de estagiários destinam-se apenas a jovens cujo prazo de validade não ultrapassa os 35 anos. Os outros, mesmo obedecendo a todos os requisitos ficam excluídos, mesmo tendo concluído a licenciatura há menos de um ano e apresentando uma considerável experiência profissional.

É por isso que considero que os desempregados são a nova força de contestação para fazer frente às políticas neo-liberais. São muitos, são aptos, estão disponíveis a participar em todas as formas de luta, não têm nada a perder. Só precisam de se organizar. O ideal seria a criação de uma organização que contactasse e congregasse a crescente massa de desempregados, que se revelasse capaz de os mobilizar para todas as formas de luta possíveis e imaginárias, já que os trabalhadores estão demasiado comprometidos para o poder fazer. Os trabalhadores temem hoje a greve, o abaixo-assinado, a contestação. Temem perder os seus empregos já tão instáveis e encontram-se cheios de dívidas, comprometidos pelos empréstimos que contraíram. De mãos e pés atados, não é com eles que se pode contar para reivindicar ou contestar seja o que for. Os desempregados, pelo contrário, estão livres, disponíveis e desesperados, nada mais têm a perder.

Desempregados de todos os países: UNI-VOS!

As férias dos políticos

Uma questão que sempre estranhei é este facto de, chegado o verão, todos os nossos políticos fecharem as portas e ala que vou apanhar sol. Compreendo que, como a maioria dos portugueses, gostem de “ir para o Algarve” em busca de um espacito para estender a toalha. Claro que eles podem esticar uma toalha bem maior que o comum dos mortais, mas no final querem o mesmo que todos os outros. Também compreendo que a oposição resolva descansar nesta altura embora não entenda muito bem de quê. Coitados andam para ali de um lado para o outro, a ler jornais em busca de algo que possam atirar ao governo e mais uma coisa ou outra. Uma entrevista, para os mais mediáticos, uns levantares de braços na Assembleia nos “trabalhosos dias de plenário” e pouco mais. Mas, se querem ir de férias, podem e ninguém notará a sua falta.
Já quanto ao governo me parece que as coisas não deviam ser tanto assim. Isto de deixar um Ministro para tratar de tudo e todos os outros irem a banhos é mais estranho. Por exemplo não sei, nem procurei saber, se a Ministra da Educação se está a queimar dentro ou fora do ministério. Será que, preocupada com todos os problemas que um novo ano lectivo traz, ficou a trabalhar antes do seu início, ou também pensou, “é Agosto tenho tanto direito como os outros de ir nadar”.
Aqui certamente que as opiniões se dividem. Para os mais liberais, políticos e comentadores, faz muito bem em estar de férias como eles. Disseram mal dela, é verdade, por causa daquela coisa dos exames e de mais uma ou outra coisita, porque tem de ser, mas lá no fundo gostam dela. “Está a fazer um bom trabalho e a fazer as reformas que se impunham”. Se perguntarem aos pais, desesperados com horários de trabalho cada vez mais “liberais”, sem hora de chegarem a casa e sem terem quem fique com os filhos após a escola, qualquer aumento de tempo lectivo é visto como uma bênção. Para os alunos, esta ministra ou outra qualquer é igual, mas, também, para os professores é bom que ela esteja de férias. Lá, não está a “lixá-los” com novas ideias e há sempre a possibilidade de se afogar. Já agora, para mim, tanto faz uma coisa como outra, se considero que aquilo que está a fazer não é mais do que o executar da politica que qualquer outro politico de direita faria. Parece-me, no entanto, que a poucos dias do início das aulas devia estar a verificar se tudo está tratado e a correr bem, mas provavelmente só iria fazer mais confusão. Realmente lá no fundo, é bom que vá de férias, fique lá no seu cantinho e aproveite para meditar naquilo que tem feito. Se ficar chateada com isso também não faz mal, ela merece.
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Em férias do Pontal

Marques Mendes ausente de festa laranja do Pontal que nos últimos anos, tem marcado a rentrée política do PSD.
"É a primeira vez em 31 anos que um presidente do partido não participa no evento", diz Mendes Bota.
Quando pensamos no Marques Mendes, descobrimos que existem aqueles que gostam dele, segundo consta parece que é só o porteiro e fala-se da senhora da barraca de jornais lá do bairro, aqueles que não gostam, que parecem ser todos os militantes do PSD, e depois aqueles que, como eu, o olham com alguma indiferença por haver alguma dificuldade em o vermos, de tão escondido que anda.
Considero no entanto que faz bem em não comparecer na festa de Pontal. Interromper as férias para se ir meter num ninho de víboras, onde ninguém gosta dele (nem o porteiro nem a Senhora dos jornais vão estar presentes), e correndo ainda o risco de lhe espetarem uma faca nas costas é demasiado. Por lá vai andar o Menezes, o Sarmento e desejado o Borges. Deixe-se estar deitado ao sol que ninguém vai dar pela sua falta.
Também Cavaco Silva não vai marcar presença, e embora haja quem diga que é pelo facto de ocupar ao cargo que ocupa, outros já falam que ele teria muito mais vontade de estar presente na festa da rentrée do Partido Socialista, mas a Maria o terá proibido de ir. “Oh Aníbal, tem vergonha, o que as pessoas não iriam pensar”, terá dito já com uma lágrima ao canto do olho.
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quinta-feira, agosto 17, 2006

A ESTRATÉGIA DA ARANHA

Os escândalos na Câmara Municipal de Lisboa parecem não ter fim. Só por si, os casos Infante Santo e assessores por via de clientelas políticas, parecem constituir matéria para questionar judicialmente a manutenção do mandato. Mas, o favorecimento e compadrio parecem não acabar na CML. A Câmara Municipal de Lisboa, apesar de parecer contrário do Tribunal de Contas, decide um conjunto de adjudicações directas, de dezenas de milhões, ao grupo Alves Ribeiro. Sucede que Carlos Miguel Fontão de Carvalho é Vice-Presidente da CML e, casado com Rita Maria Alves Ribeiro Fontão de Carvalho, presidente do seu Conselho Fiscal do grupo e filha do patrão.
Os indícios de conluio são claros, e urdidos a partir de uma verdadeira estratégia de aranha, numa lógica que se tem revelado impune, mas que mina a democracia política.

Jorge Matos
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Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI

Porque hoje é quinta-feira

Porque hoje é quinta-feira, dia da reunião semanal entre eles, e hoje mais que noutra qualquer quinta-feira, é também uma reunião com todo o sentido do reencontro, da reaproximação, de um perdoo-te, sem saber muito bem o quê ou o porquê. Afinal só se passaram quinze dias desde o ultimo momento em que estiveram juntos e nada mais tinha acontecido que viagem em serviço. Que aconteceu de concreto por lá que possa configurar uma traição. Uma mão dada a outro numa fotografia, um sorriso noutra, nada que realmente seja motivo para preocupação. Afinal, está ali, voltou, assim como a felicidade para partilhar nesta e noutras quintas-feiras até que o destino os separe. E hoje é quinta-feira.
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O descanso dos Malvados

Ai está um ser que bem necessita de alguma paz e descanso. Não que o mereça, já que aquilo que defende e diz não passa de verborreia ao nível do pior que a direita têm. Deste ano, ficam na memória as suas afirmações de que o terrorismo é uma invenção da esquerda e a sua preocupação quanto aos jovens utilizarem camisolas com a figura de Che Guevara, a quem considera como “o maior assassino do século XX”.
Se é verdade que a alternativa no seu partido não prime por ser em nada melhor, com o Paulinho das Feiras a preparar o seu regresso, esta figura é demasiadamente patética para ter tempo de antena nas nossas televisões e jornais.
O melhor mesmo é aproveitar estes dias de férias que não vai ter muitos dias calmos na “rentré” que se aproxima, embora se saiba que, mais dia menos dia, nada mais restará dele no Largo do Caldas que uma fotografia na galeria dos ex-lideres do CDS.

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quarta-feira, agosto 16, 2006

SOCRATINA TOUR

Com base num desafio de Diana F., a propósito da citação "Sócrates é o Mick Jagger da classe média portuguesa: fá-la acreditar que o consumo, como a juventude, ainda é possível como há anos atrás" de Fernando Sobral, no "Jornal de Negócios", de 16-08-2006. A fotografia foi gentilmente “cedida” pelo Mick Jagger.
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As expectativas em relação à Socratina eram parcas. Mas não desiste, numa perfomance muitas vezes caquéctica, mas sempre “on the road”, como os Rolling Stones. Mas, até nos mistérios mais simples da natureza encontramos a explicação para este desempenho. O nome de família da Socratina (planta) é Loranthaceae, planta angiospérmica, logo com flor, e por acaso pertencente à ordem Santalales. A natureza não só é perfeita (contemplação vitalista), como prediz muita coisa!
Mas, mais perfeita ainda do que parece! A ordem a que pertence esta família desenvolve embriões com dois cotilédones (ou até mais). Assim, a explicação política e científica (digo eu) para a ligação embrionária com a Múmia de Boliqueime não é só um facto de conjuntura política, mas uma invariante da ciência (botânica. Claro!)

A análise política quotidiana parece estar na botânica (flores!). Antes fosse um revivalismo hippie!

P.S. O grupo inclui mais de 940 espécies, classificadas em 70 géneros e espalhadas por um largo espectro político.

A natureza é perfeitíssima!

Jorge Matos

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O descanso dos Malvados

Aqui está o "descanso de um malvado" que acaba por não o ser tanto como isso. Afinal, quando está de férias vê-se tanto como quando não está, ou seja não se vê. Este Marques Mendes, pela sua dimensão como homem e como político acaba por ser invisível aos olhos dos portugueses. Numa ânsia de aparecer, lê muitos jornais, em busca de factos para atacar o governo, tendo o “azar” tremendo de escolher sempre os errados para o fazer. Com um bando, silencioso mas corrosivo, a morder-lhe os calcanhares, dentro do seu próprio partido, lá vai andando aos saltinhos qual bobo da corte, fazendo as suas momice. Um homem só, que até para um piquenique a única companhia que consegue é a das formigas, tão trabalhadoras e irritantes como ele consegue ser. Grand’a noia.
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Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI

O descanso dos Malvados

Até a Maria, parece ter-nos abandonado à nossa sorte, neste vazio verão português. Talvez por influência daqueles que vai vendo desfilar pelos corredores de Belém, também a Maria resolveu tirar as suas férias neste mês de Agosto. Atirou o pano de pó para um canto, pousou o balde e a esfregona e deitou-se calmamente num saudoso repouso dos dias em que o Silva só tinha olhos para ela, e em que o Sócrates nada mais era que um mero militante da Juventude Social-democrata. “Mesmo quando foi Ministro do ambiente, o Aníbal nunca lhe prestou qualquer atenção, e agora... como eram bons aqueles tempos”.

Quem passe pelo Palácio, ficará certamente admirado com o pó e o desleixo que lá encontrará. Não reconhecerá aquela residência, sempre tão limpa, tão brilhante e imaculada. O pó cobre os “naperons”, as estatuetas em estilo grego e o Galo de Barcelos que está sobre aquela fonte que colocaram na nova marquise que fizeram, em alumínio, na primavera passada. Quando terminar este período de repouso muito vai a Maria ter de trabalhar para lhe restaurar o esplendor e lhe dar aquele ar asséptico tão a seu gosto.
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terça-feira, agosto 15, 2006

O descanso dos Malvados

O inquilino de Belém também anda a Alentejanar pelos Algarves dormindo sob as sombras das arribas da praia dos Coelhos. Descansando de um mandato em que pouco ou nada de importante tem feito, a não ser dizer lugares comuns e a armar-se em Madre Teresa falando do Roteiros dos pobrezinhos, o Sr. Silva continua a permitir os tristes espectáculos de um Souto Moura calado e de um João Jardim desbocado. Fazendo olhinhos a Sócrates lá vai tramando a sua teia com a "tarântulas" Ferreira Leite, o abutre António Borges e o bando de ratazanas que o os rodeiam. Com o que sonha, muito se tem especulado, mas coisa boa, sendo ele quem é, não é certamente.
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O descanso dos Malvados


Também o Paulinho das feiras nos abandonou neste verão. Nem mesmo o seu patético "Estado da Arte" se aguentou a todo este calor e foi de férias. Já o podemos imaginar, toda esparramada na cama, ainda com o cheiro a after-shave na almofada do lado, a ler livros do Vasco Pulido Valente e a descobrir coisas como a de que "o terror começou com a Revolução francesa". Podemos esperar por mais pérolas de sabedoria, como esta, no inicio da próxima temporada.
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Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

O descanso dos Malvados

O repouso do malvado Sócrates, que nem para nos apresentar um Simplex, ou um aumento da idade da reforma, abandona as suas férias.

Estou farto deste verão, na política e na blogosfera. Os políticos, vão-se esparramar para as praias dos Algaves deste mundo, não falam nem fazem nada. Se, para as nossas vidas de cidadãos que vivem em Portugal, isso é bom, para nós, pobres blogopatas, viciados da blogosfera, só resta o desespero da "ressaca". Não há notícias, não há factos, não há afirmações bombásticas, não há nada. Os outros blogs vão de férias e abandonam-nos aqui num mundo infinitamente vazio.
Não me resta nada mais que a nostalgia de épocas em que o Santana falava, o Cavaco se babava e o Paulinho andava a en-fard’ar lá prós lados do Largo do Caldas e a esperança de que um ainda venha a publicar o seu livro, o outro retome a tradição de comer Bolo-rei e o Portas se abra de novo aos portugueses pelas feiras deste país.
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segunda-feira, agosto 14, 2006

O nosso Medecine man

"Nunca vou a um SAP nem nunca irei"
Correia de Campos, Ministro da Saúde,
explicando que aqueles serviços não têm
condições suficientes.

in"Visão"
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O nosso Grande Chefe dos "Medecine man" portugueses informa-nos que nunca utilizará os SAP (Serviços de Assistência Permanentes), pelos quais é responsável, por considerar que não têm condições suficientes. Eu, e mais a maioria dos cidadãos deste país, que os temos de utilizar, consideramos que quem não tem consideração por nós é você e que com afirmações destas tem menos condições para ocupar o cargo que ocupa que os próprios SAP. Isto, independentemente da falta de condições que muitos destes também têm.
Utilizar esta falta de condições dos SAP, para justificar o seu encerramento também não é correcto nem honesto. A sua tarefa é de dar condições aos serviços que não os têm, já que nem todos têm hipóteses de recorrer à caríssima medicina privada.
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Um Americano Inteligente?

Quem diria que um ex vice-presidente de Bill Clinton ainda me viria a surpreender positivamente até prova em contrário? Ao agir publicamente e favor da causa ambiental, procurando alertar a Humanidade para a ameaça das mudanças climáticas, Al Gore converte-se aos olhos dos media no “profeta ecológico” da nossa era. Propondo alterações e reajustamentos a cada um de nós em geral e aos dirigentes políticos em paricular, Al Gore procura obter o apoio global para a inversão do sentido do actual quadro de esbanjamento desenfreado e inconsequente dos recursos com que se depara a Humanidade. Como fazê-lo - eis o eterno dilema. E como qualquer dilema economicista que se preza, duas vertentes: a crise e a oportunidade: “…todas estas crises abrem oportunidades, e a crise do clima não só é uma das mais perigosas e com a qual nunca nos confrontámos, como também uma das maiores oportunidades que se nos apresenta para uma mudança positiva, que solucione a crise ao mesmo tempo que melhora a nossa vida.”. Al Gore tinha já atrás referido que “o peso de uma mudança deve ser repartido, tal como as oportunidades que se apresentam. Por exemplo, temos a oportunidade de pôr em marcha um grande programa para fabricar combustível a partir do etanol da celulose…” .
Espero sinceramente que este senhor, que tem a possibilidade de lançar a campanha através do filme An Incovenient Truth, no qual se mostra ao mundo a eminência da catástrofe provocada pelas mudanças climáticas, esteja cheio de boas intenções e que disponha de bases científicas para afirmar que ainda há tempo para deter essa catástrofe. Oxalá continue a dar provas do seu empenho em mudar o mundo e que todo este entusiasmo seja real e que não se venha a resumir a uma troca de papéis, num jogo de poderes e interesses entre crise e oportunidade. Em crise estaria então o modelo económico actual do neo-liberalismo imperialista que os nossos dirigentes aqui do burgo apoiam e procuram imitar apesar da crise que eles próprios nos atiram em cara; em ascenção estaria todo um outro mundo de oportunidades que se abriria face à global reestruturação dos recursos, inclusive os financeiros, ou seja todo um novo universo de negócios e investimentos .
Só o tempo nos dirá se Al Gore está realmente a investir na oportunidade que afirma ainda possível de manter o planeta e a Humanidade, ou se, pelo contrário, as suas boas intenções se converterão apenas em novas formas de oportunismo com o propósito de enriquecer outros homens.

(aconselha-se a leitura integral da entrevista de J.M. Martí Font a Al Gore, em exclusivo El País/Visão, Visão de 3 a 9 de Agosto de 2006).

Um Marcelo nuclear

Sendo, Marcelo Rebelo de Sousa, um professor e um político sem grandes registos dignos de nota, até parece que hoje resolvi fazer uma “vendetta” contra ele. No entanto, foi o próprio quem criou a necessidade de escrever posts consecutivos acerca da sua pessoa.
Primeiro tinha feito a sua cara nos “Retratos Assimétricos”, depois li o seu artigo sobre o Marcelo Caetano para, já esta noite, o ouvir em mais uma das suas “conversas em família”. Aí, defendeu a necessidade de todos os países democráticos (onde considerou a Rússia e a China), se unirem às facções Norte Americanas, para apoiar o bombardeamento ao Irão e assim o impedirem de criar armamento nuclear. Bombardeamento esse que até poderia ser realizado com, pasme-se, armamento nuclear.
Quero pensar que, depois de Hiroshima e Nagasaki, não haja quem considere sequer essa possibilidade, muito menos o Marcelo. Mas que o disse, é um facto, e que devia vir retratar-se disso, uma necessidade.
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domingo, agosto 13, 2006

O Padrinho Marcelo

No Expresso desta semana, e evocando os 100 anos do nascimento de Marcelo Caetano, o outro Marcelo, o Rebelo de Sousa, escreve um artigo em que o elogia nas suas vertentes pessoais, profissionais e politicas.
Sendo filho de gente apoiante e colaboradora do regime salazarista e apadrinhado por tal personagem, Marcelo Revelo de Sousa, teria tido um futuro garantido nesse regime, assim como conseguiu ter neste, sobretudo a partir do momento que o 25 de Abril perdeu a sua cor e se confunde cada vez mais com o cinzento marcelista do Caetano. Compreende-se facilmente que, a nível pessoal e de relação entre as famílias, o elogie, já que, deve ter tido todos os empurrões” que necessitou. Se a nível académico já se pode colocar uma maior dúvida, quanto às suas posições como ideólogo do regime e da Mocidade portuguesa, a nível político choca ver defender tal personagem. Houve, na altura, a esperança de uma “Primavera Marcelista”, com um abrandamento do regime fascista, mas a verdade é que isso nunca aconteceu, com a manutenção da guerra colonial, da censura, da polícia política, da prisão e da tortura para os opositores do regime. Marcelo, o Caetano, foi um ditador, e não adianta tentar branquear este facto.

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Caras da mesma cara

Retratos Assimétricos
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A guerra dos hipócritas



“ A FRANÇA E OS ESTADOS UNIDOS CHEGARAM A ACORDO SOBRE CESSAR-FOGO. Este foi o título de vários jornais e estranhamente não se refere a uma guerra entre estes dois países, mas sim da guerra Israel – Hezbollah. Isto depois de, durante quase um mês, os EUA terem andado a “engonhar” para fazer o favor a Israel de lhes dar tempo para destruir todo um país. Esta hipocrisia custou a vida a milhares de civis, mulheres e crianças, em ambos os lados do conflito, embora em percentagens impossíveis de comparar. Entretanto, e apesar deste acordo e da resolução para um cessar-fogo aprovada pela ONU, a guerra, a destruição e as mortes continuam.
De hipocrisia em hipocrisia, é ao fim de 30 dias de horror que veio hoje o Cavaco vomitar a necessidade de parar com a guerra e calar as armas. É ao fim de todo este tempo que vêm agora, aqueles que se mantiveram calados perante a barbárie, mostrar a sua cara de preocupação. Hipócritas de merda que, se tivessem alguma vergonha na cara, rastejavam de volta para o buraco onde estiveram escondidos até agora, e calavam-se. Para saírem teriam que confessar o seu arrependimento e vergonha pelo seu silêncio. Para saírem teriam de pedir desculpa às famílias de todos os mortos neste massacre em que tão culpado é quem premiu o gatilho como quem se calou perante isso.
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