quinta-feira, janeiro 26, 2006

Em nome de um pragmatismo diferente


Millennium BCP lucra 753 milhões. O BCP bateu as previsões mais optimistas. Os resultados do maior banco privado português foram os melhores de sempre e representam um crescimento de 24,2%.

Valor acrescentado no domínio social: despedir o máximo para aumentar mais os lucros.

O desenvolvimento propagandeado por um marketing político vigente negligencia a reorganização do mundo social e privilegia uma estratégia de sucesso assente no lucro, na glorificação do mercado e na desvalorização do papel do estado.
A relação entre o mercado e as condições sociais de existência é hoje encarada como um exercício estéril – o direito de existir é subjugado pela assimetria de distribuição, apresentada como um dado adquirido, da riqueza criada com base naquilo que colectivamente todos produzem.
Crescimento económico compatibilizado com redução de desigualdades é algo que está fora do horizonte da prática política vigente.

A isto a geração de políticos no poder chama pragmatismo.

É necessário centrar a acção política em critérios de desenvolvimento económico que não se regulam por si, mas valorizam a indispensabilidade da regulação do estado, como condição para o desenvolvimento de mercados e de critérios de eficiência social, com melhores serviços públicos e mecanismos de distribuição de riqueza.
Negligenciar a componente de pertença colectiva inerente ao estado não garante a autonomia individual de cada um de nós na sociedade e conduz-nos a um horizonte societário em que a economia é a legitimação do roubo e a sociedade a selva.

A prática política, dita pragmática, tem-nos afastado desta trajectória.

Cumpre-nos reorganizar a nossa prática política em escolhas de desenvolvimento que se radiquem na reorganização do mundo social reorganizando assim o mundo económico.
É preciso combater a ideia de glorificação do mercado da propaganda mediática e da agenda política corrente, que considera a ideologia como uma relíquia que já não se aplica.
É preciso que o pragmatismo seja algo de diferente e se constitua como uma ferramenta ao serviço do desenvolvimento e não se esgote num objectivo de acção política que legitima a desigualdade e a organização social selvagem.

Texto de B.Matos Imagem: www.geocities.com/ autonomiabvr/princpl.html

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