terça-feira, outubro 30, 2007

Jogos de bastidores

Aldrabices

Mal acordei, ouvi logo a noticia de um estudo encomendado pelo governo, feito pela Universidade Católica e coordenado pelo ex-ministro Roberto Carneiro, onde 57% dos portugueses dizem que o sector público funciona pior que o privado e 55% que há trabalhadores a mais na função pública. Um estudo é um estudo, mas pasme-se, este estudo é baseado numa sondagem de opinião a 300 portugueses. Estou mesmo a ver alguém a perguntar: - Diga-me, pensa que os serviços públicos funcionam pior que os privados? Só falta saber se as entrevistas foram feitas numa sala de espera de um hospital ou na bicha de uma qualquer repartição de finanças. Chamar estudo a isto e ter intenção de pomposamente o apresentar no V Congresso da Administração Pública é um atentado à inteligência de todos nós. Todos já podemos imaginar quais as conclusões a que querem chegar e quais as medidas correctivas que vão propor. Vivemos numa Republica das bananas em que cada macaco quer enganar todos os outros. Será que não chega de mentiras, de nos atirarem areia para os olhos? Sejam honestos, não tenham medo de dizer o que pensam sem se esconderam atrás de falsidades. Depois estranham que os mandemos à merda a todos.

PS: Encontrei um bom texto sobre o assunto no blog “O País do Burro”. Quem desejar lê-lo, está [AQUI]

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

11 comentários:

  1. Meu amigo
    Tenho andado tão arredada da net...mas devagarinho cá estou a regressar.
    Isto é uma imoralidade de país e pessoas...a todos os níveis.
    Quero escrever mas ando sem qualquer tipo de inspiração. Acho que tanta imoralidade me afoga.
    Dá gosto sempre vir aqui ver as tuas obras de arte.
    Beijinhos

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  2. Uma flexi desnudada de segurança

    É caso para se dizer que a estupidez subiu ao poder. Numa sociedade capitalista, o Estado desempenha um papel fundamental. As empresas privadas, tendo como único objectivo o lucro -- de preferência , o imediato -- procuram externalizar o mais possível certos custos, em particular custos sociais, ecológicos, de educação, formação e saúde dos seus trabalhadores, etc.

    Veja-se, como exemplo, a tão propalada flexigurança. Planeia-se que o Estado se transforme numa espécie de agência de trabalho temporário, assegurando todas as despesas com salários, saúde e qualificação profissional quando o trabalhador está temporariamente sem emprego.
    Os especialistas são unânimes em afirmar que esta flexisegurança ficará exorbitantemente dispendiosa para o Estado. Ora os privados não quererão, mais tarde, receber a conta em impostos. Se fôr para terem a flexi acompanhada de grande rombo contributivo, então para eles será preferível ficar tudo como está, que do mal o menos. Por isso, e como a classe média esgotou a sua capacidade de pagar mais impostos, o Estado ver-se-á forçado a implementar uma flexi desnudada de segurança...

    Como se vê, o Estado e os seus serviços são fundamentais para a saúde de uma sociedade capitalista. Dizem os historiadores que, com o "New Deal", Franklin D. Roosevelt salvou o capitalismo de si próprio. Mas eles odeiam este seu Salvador, de toda a maneira. Os privados nunca neste mundo e no outro se vão oferecer para pagar ou desempenhar os serviços que externalizam, pela simples razão de andam no mundo só para fazer lucro! O investidor eficaz só se desvia do lucro se a tal fôr forçosamente obrigado.

    Ao mesmo tempo que a externalização dos custos sociais e ecológicos prossegue, o capitalismo globalizado procura a todo o custo demantelar os estados-nação sem a criação de alternativas credíveis aos serviços providenciados por esses estados. Ou seja, o capitalismo globalizado vai continuar a externalizar cada vez mais os custos sociais e ecológicos da sua actividade, ao mesmo tempo que vai reduzindo ou eliminando as estruturas públicas desenhadas para reparar os danos que essa externalização causa. Se tiverem sucesso neste plano verdadeiramente diabólico (e suicida!), sobrevirá o caos social e a revolta. Depois não se chorem, quando perceberem que não terão onde se esconder, no mundo globalizado que ajudaram a criar.

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  3. O quê ? Uma sondagem de opinião a 300 portugueses ? Tantos ?

    ... Essa sondagem, dado o excessivo número de inquiridos, durou muitos meses, se calhar anos !

    Isto é uma brincadeira de garotos ... só pode ser !

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  4. Temos sofrido vários "apagões", o Cavaquista (o mais longo, e que criou raízes profundas), o Guterrista, o Barrosista, o Santanista (efémero, mas que anda por aí) e, finalmente, o pior de todos eles, o Socrático.
    Este é um "apagão" diferente, ficamos sem energia mas o contador continua a medir, e nós a pagar.
    E os prazos são sempre apertados, cortados à lâmina, sempre com a coima à espreita.
    Parece que quem sabe de política fugiu e o País ficou entregue a bimbos.

    Hugh

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  5. Acho que quem sabe de política anda por aí, vive nesta sociedade sem lhe ser dada uma hipótese de dar o seu contributo.

    Este regime é uma pseudo-democracia, onde os partidos que se revesam no poder são, na verdade, máfias do tacho. Não deixam qualquer espaço à competência, porque a competência topa-os à légua, ameaçando-lhes o poleiro.

    O Capitalismo, que tanto ama a Darwinia Social, tem azar, a bela donzela não lhe corresponde. E, para sua maior infelicidade, quis a Fortuna que o Capitalismo sofresse o assédio permanente da Princípia de Peter. Esta dama decadente conhece bem as fraquezas do seu amante e usa-as, sem escrúpulos, para penetrar cladestinamente no seu leito. Princípia é a incarnação dos dotes de propagação da cupidez e da ineptitude, o oposto exacto da bela Darwinia por quem ainda chora o seu coração.

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  6. Dariam vontade de rir, estes estudos encomendados, com conclusões prévias, se não fossem pagos com o dinheiro dos nossos impostos.
    Também ouvi isto logo pela manhãzinha e fiquei com vontade de perguntar: 55% acham que temos funcionários públicos a mais, onde, aqui em Portugal, ou na maioria dos países europeus onde eles são uma percentagem bem maior da população activa, que cá?

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  7. Fui lá ao "país do burro" espreitar e aproveitei para deixar este comentário.

    Este estudo apenas tinha uma finalidade!

    Teixeira dos Santos, como se não estivesse a par dele e por milagre a sua vinda a público não coincidisse com o 5.º Congresso Nacional da Administração Pública, onde ele ia botar faladura aproveitou para concluir que o estudo não é mais do que um reforço às medidas do governo!

    Que coincidência!

    Diz ele:

    "Os cidadãos querem mais e melhor e que se gaste menos", afirmou o ministro, dizendo que esta conclusão do estudo "confirma o diagnóstico" que o governo fez para a reforma da administração pública.
    "É isso que pretende com a reforma da administração pública", acrescentou o governante.

    http://www.rtp.pt/index.php?article=304693&visual=16

    O que não deixa de surpreender, para além da miséria da amostra é a sua composição.

    "Do estudo participaram 53 dirigentes intermédios da Administração e 300 cidadãos, com idades entre os 30 e os 39 anos, uma faixa etária que foi seleccionada por ser das que mais contacta com os serviços públicos."

    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=872142

    É esta a faixa etária que mais contacta os serviços públicos?! A que propósito? Não temos todos que contactar os mesmos serviços, tenhamos a idade que tivermos? Não estamos todos sujeitos a ter que nos servir destes serviços?

    1ª Pergunta: não será este o escalão etário em que existem mais "boys", não será este o escalão etário em que se encontra uma geração que encontrou nas empresas a sua fuga ao serviço público e por isso tudo o que vem dele não presta?

    2ª Pergunta: será que o serviço público não funciona porque os funcionários não produzem? ou srá que as chefias não gerem? será que isto não funciona porque de cada vez que há uma mudança governamental, se mudam as chefias todas, para meter os boys amigos, alegando que os cargos são de confiança política? ou será que não funciona porque a cada mudança governamental e consequente mudança de chefias mudam as leis e as regras do jogo, tornando impossível o funcionamento de qualquer sector? ou será, ainda, porque em muitas repartições se funciona à mão, ou quando existem computadores estes são do século passado? ou será porque na maioria das repartições se funciona em condições de trabalho que ninguém do sector privado imagina existir?

    Peço desculpa, a 2ª pergunta são muitas, mas são quase todas parte da mesma... e nem falei da miséria de vencimentos comparados com os do privado...

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  8. Uma coisa é o estudo, outra são as "conclusões". O estudo é, obviamente, uma estupidez destinada a dar um dinheirinho a uns amigos.

    As conclusões não precisavam de estudo nenhum, toda a gente sabe que assim é e, por isso, há até quem prescinda dos serviços públicos gratuitos para pagar serviços privados. Dah!

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  9. Tonibler:
    Mas também há quem não possa prescindir dos serviços públicos porque não tem dinheiro para os privados. Privá-los desses serviços é que seria um crime, com ou sem estudo.

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  10. kaos:

    É relevante qual o privado presta o serviço, desde que ele seja prestado? Entre pagar a uma escola privada ou a um professor privado, qual é a diferença que não seja o valor económico do serviço?
    Eu recordo-te que público é só o objectivo do serviço, quem o presta são sempre privados, sejam eles na forma de funcionários públicos, sejam eles na forma de empresas. Também os funcionários públicos procuram o seu lucro na forma de mais euros por menos tempo.

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  11. Zé Leitão31/10/07 15:28

    Também eu ouvi essa notícia. Imagine-se a lata destes enhores. Sabem que conseguem enganar meio mundo e não se fazem rogados por isso.

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