quinta-feira, outubro 27, 2011

Até lhe chupam os ossinhos


O primeiro-ministro Passos Coelho justificou hoje a decisão de eliminar os subsídios de férias e de Natal apenas na função pública dizendo que um corte generalizado não seria visto de forma credível na Europa e que deixaria Portugal sem ajuda externa já em Novembro.
O primeiro-ministro afirmou que "Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo - em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso Produto Interno Bruto (PIB) está a cair", e admitiu que Portugal pode fazer tudo em termos internos, mas isso não ser suficiente para assegurar o crescimento económico.

Que espera ele conseguir com este discurso? Que as pessoas se calem e aceitem o seu destino de pobreza sem mesmo lhes darem uma certeza de que este caminho tem uma luz no fim do túnel? Pensa ele mobilizar as pessoas para trabalharem mais e melhor cortando-lhes os salários e os subsídios e não repartindo os sacrifícios por todos para agradar aos senhores da Troika? Quem o ouve hoje e quem o ouvia antes de ser eleito pode aceitar que este "coelho" se considere com legitimidade para continuar no cargo? Rua com esta escumalha, já.

6 comentários:

  1. Nunca se chegou tão longe, a coisa vai piorar, dizem, 2012 vai ser o ano UM do descalabro. Estes salazares vão fazer-nos crer que o "fado, futebol e fátima" é inevitável, é o nosso destino, como se este fosse um desígnio fatalista do Povo.

    Esquecem-se, coitados, que mesmo o filho-de-puta do "botas" e seus seguidores não nos vergaram, não vão ser estes imbecis que o conseguirão.

    ResponderEliminar
  2. O Falcão teve de se contentar durante muito tempo com uma alimentação baseada em madeira - O Pinóquio e o Cavaco Cara de Pau.
    Até que enfim, abriu a caça ao "Coelho"...
    Falcão

    ResponderEliminar
  3. A Troika, promovida a retroescavadora do salazarismo nacional pelos ressabiados do antigamente, é um fraco aliado, especialmente para quem tem que dar o corpo ao manifesto. Quando os seus poleiros estiverem sitiados, não haverá empréstimos da Troika nem reestruturações da dívida feitas à Lagardère que os possam salvar das Fúrias (ou Eríneas) que tão afanosamente andam a invocar.

    Mas, tenham cuidado: as Fúrias portuguesas são tremendas, são de meter medo ao próprio Diabo. Quando invocadas, nada consegue travar a sua sede de vingança.

    ResponderEliminar
  4. Martinho de Zamora, bispo castelhano que ocupava a diocese de Lisboa, em 6 de Dezembro de 1383 recusou-se a tocar os sinos da Sé a rebate, com o fim de convocar o povo de Lisboa à defesa do Mestre de Aviz. Este havia ido ao Paço matar o Conde Andeiro, famoso castelhano amante de Leonor Teles e agente do Rei de Castela em Portugal. E de ser simpatizante dos castelhanos (e do papa cismático apoiado por Castela e França) também era acusado D. Martinho de Zamora, pelo povo de Lisboa.

    O povo, irado por os sinos da Sé terem permanecido mudos, cercou a catedral. Alguns homens bons subiram à torre para conferenciar com o bispo. Mas, como não mostravam vontade de fazer justiça, o povo irado gritava para que o atirassem, senão faziam isso a todos. Assim, o bispo D. Martinho foi defenestrado.

    Morto pela queda no terreiro da Sé, «ali o desnudaram de toda a vestidura, dando-lhe pedradas com muitos e feios doestos, até que se enfadaram dele os homens e os cachopos, e foi roubado de quanto havia. […] E em esse dia logo algumas refeces pessoas lançaram ao bispo, onde jazia nu, um baraço nas pernas, e chamando muitos cachopos que o arrastassem, ia um rústico bradando adiante: "Justiça que manda fazer nosso senhor o Papa Urbano Sexto, neste traidor cismático castelhano, porque não estava com a Santa Igreja." E assim o arrastaram pela cidade, com as vergonhosas partes descobertas e o levaram ao Rossio, onde o começaram a comer os cães, que o não ousava nenhum soterrar. E sendo já dele muito comido, soterraram-no em outro dia ali no Rossio […], por tirarem fedor dentre as suas vistas.» (Fernão Lopes, Crónica de el-rei D. João I, capítulo XII)

    ResponderEliminar
  5. Zé Leitão28/10/11 21:53

    É evidente que vamos empobrecer. Talvez não fosse mal pensado procurar as razões dessa inevitabilidade e providenciar para que não volte a acontecer tão cedo. É melhor tirar o cavalinho da chuva de quem pensa que os problemas mais graves que Portugal tem, se podem resolver em 1 ano ou 3anos. Vai levar mais tempo. E mesmo que as coisas corram bem, como seja a implementação de um Plano para a Educação, de um Plano para a Justiça e novas e rigorosas regras para Bancos e restante Sistema Financeiro, toda a mudança urgentemente necessária vai levar tempo, muito tempo, talvez 10/15 anos. Portanto é bom que a malta se prepare. Avinhem-se, abifem-se e agasalhem-se. Eu tenho Esperança que sejam só 10/15 anos, mas nunca se sabe. Com a incompetência de quem nos governa e com a iliteracia e ignorância dos governados,(caso Português)pode ser que a coisa seja mais dura (doira).

    ResponderEliminar
  6. Caro Zé Leitão: não há inevitabilidades. Na Argentina passaram de -11% de crescimento do PIB em 2002 para 9,8% em 2003, e desde aí tem sido sempre a crescer a 9% ao ano. O que é que mudou num ano? Correram com os políticos que os lixaram, expulsaram o FMI e suspenderam o pagamento da dívida. Têm tido dificuldade em arranjar empréstimos no estrangeiro mas a crescer assim também não precisam muito de se endividar. E escusam de andar de mão estendida, que é a coisa que, hoje, mais me envergonha como português. Desde o "grande empréstimo" do FMI (1977) que andamos assim. Agora, é a derrocada final. Como a dívida cresce exponencialmente, a austeridade não poderá nunca anular esse crescimento. O povo, quando entender isso, há-de resolver isto como no passado soube fazer.

    ResponderEliminar

Ocorreu um erro neste dispositivo