quarta-feira, outubro 10, 2012

No Centro do desemprego


Segundo parece este também está próximo de se juntar à grande massa de desempregado, mas pelos seus bons serviços ao país talvez lhe arranjem um lugar ao sol numa qualquer empresas a privatizar em breve. O desemprego com cada vez menos protecção e até protecção nenhuma é para os piegas e cigarras do nosso país. Afinal ainda somos o melhor povo do mundo.
 

9 comentários:

  1. Esta noite sonhei com Mário Lino
    Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-

    feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa.

    Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada

    nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias

    espanhóis.
    Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
    - É sempre assim, esta auto-estrada?
    - Assim, como?
    - Deserta, magnífica, sem trânsito?
    - É, é sempre assim.
    - Todos os dias?
    - Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
    - Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
    - Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
    - E têm mais auto-estradas destas?
    - Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três.
    Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao

    Rio.
    Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. -

    respondi, rindo-me.
    - E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
    - Porque assim não pagam portagem.
    - E porque são quase todos espanhóis?
    - Vêm trazer-nos comida.
    - Mas vocês não têm agricultura?
    - Não: a Europa paga-nos para não ter.
    - E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
    - Mas para os espanhóis é?
    - Pelos vistos...
    - Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
    - Mas porque não investem antes no comboio?
    - Investimos, mas não resultou.
    - Não resultou, como?
    - Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não

    resultou.
    - Mas porquê?
    - Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte.
    - Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de

    'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio.
    - Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
    - E gastaram nisso uma fortuna?
    - Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta

    anos...
    - Estás a brincar comigo!
    - Não, estou a falar a sério!
    - E o que fizeram a esses incompetentes?
    - Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo,

    Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
    - Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
    - Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
    - Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
    - Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
    - Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não

    arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito

    importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa;

    depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
    - Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

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  2. - Isso mesmo.
    - E como entra em Lisboa?
    - Por uma nova ponte que vão fazer.
    - Uma ponte ferroviária?
    - E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
    - Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
    - Pois é.
    - E, então?
    - Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
    - Ela ficou pensativa outra vez.
    - Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
    - E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros?
    - Se a auto-estrada está deserta...
    - Não, não vai ter.
    - Não vai? Então, vai ser uma ruína!
    - Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio

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  3. fantástico!
    - A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem

    encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
    - E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
    - Naaaão! Quem paga são os contribuintes!
    -Aqui a regra é essa!
    - E vocês não despedem o Governo?
    - Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
    - Que país o vosso!
    - Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
    - Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
    - O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
    - A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
    - Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
    - É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
    Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha

    ficado para trás:
    - E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
    - O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
    - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
    - É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
    - Não me pareceu nada...
    - Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000.
    - O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
    - Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e

    chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia?
    -Não têm nenhum disponível?
    - Temos vários.
    - Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do

    Sul para a Europa: um sucesso garantido.
    - E tu acreditas nisso?
    - Eu acredito em tudo e não acredito em nada.
    - Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
    - Um lago enorme! Extraordinário!
    - Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
    - Ena! Deve produzir energia para meio país!
    - Praticamente zero.
    - A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
    - A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
    - Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
    - Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui

    acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
    - Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
    - Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
    Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
    - Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
    - Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos

    ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
    - Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento.
    - E suspirou:
    - Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal!
    - Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!...

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  4. AQUELES QUE DIZIAM QUE OS COMUNISTAS COMIAM CRIANÇINHAS AO PEQUENO-ALMOÇO SÃO OS QUE AGORA ANDAM A COMER OS PEQUENOS-ALMOÇOS

    DE MUITAS CRIANÇINHAS

    AQUELES QUE DIZIAM QUE OS COMUNISTAS MATAVAM OS VELHINHOS COM UMA INJECÇÃO ATRÁS DA ORELHA SÃO OS QUE AGORA POUPAM INJECÇÕES

    QUE PODERIAM DAR MAIS UNS DIAS MESES OU ANOS DE VIDA A ESSES MESMOS VELHINHOS

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  5. Pois e o anonimo qeufoi a Espanha deve ter sido num jipe pago pelos fundos europeus....e não tem um turismosito rural?!?!?

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  6. OH PÁ O QUE FEZ A VIAGEM FOI O FACHOLAS DO SOUSA TAVARES ESQUECI-ME DE REFERIR MAS O TEXTO ESTÁ GENIAL

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  7. Caro anónimo da viagem,

    Por acaso não sonhou com Cavaco Silva (sabe, aquele que destruiu, entre outras coisas, a nossa agricultura, pescas ,etc, enquanto inaugurava a era do asfalto descontrolado)?

    E com Dias Loureiro e João Rendeiro? Também não?

    E com Durão Barroso, Paulo Portas, Luís Nobre Guedes, Jardim Gonçalves, António Mexia, Ferreira do Amaral, Jorge Coelho, Pina Moura, António Nogueira Leite, Eduardo Catroga, Paulo Campos, Marco António Costa, Fernando Gomes, António Borges, Braga de Macedo, Miguel Relvas, Passos Coelho, Vítor Gaspar, etc, etc, etc.??? Não?

    Estranho...

    Faço-lhe um pedido.

    Se por acaso sonhar com alguma das personagens citadas, relate-nos por favor, as experiências vividas nesses sonhos (provavelmente pesadelos).

    Pode ser? Vá lá - relate-nos as suas experiências oníricas!

    Desde já, obrigado.

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  8. OH DAS 10:51 ÉS MESMO BURRO COMO CARALHO!

    EU DISSE QUE QUEM FEZ A VIAGEM FOI O FACHOLAS DO SOUSA TAVARES

    E QUEM COMEÇOU A DESTRUIÇÃO FOI O BOXEXAS O PISA BANDEIRAS!

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  9. Anónimo das 23:05,

    "...BURRO COMO CARALHO!"???

    Are you talking to me?

    Tenha lá calma e modere a linguagem!

    Se por um lado NÃo ME APERCEBI do seu comentário das 22:04, você ESQUECEU-SE de mencionar o autor no comentário inicial - o que é bem mais grave; até porque depois dá origem a estes mal-entendidos!

    Capice?

    Durma bem e bons sonhos!

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