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sábado, novembro 04, 2006

O Expresso da vergonha

Hoje a grande manchete do Expresso é a demonstração clara de como não se faz jornalismo isento e se fornece informação errónea.
O título, em grandes letras vermelhas, “PSD denuncia caso de manipulação em telejornal da RTP” com uma fotografia de uma marioneta, é do mais sujo possível. Não duvido que este governo tenha uma política de comunicação estudada e aplicada ao pormenor, mas nada no corpo da notícia prova ou mostra ter havido qualquer manipulação de notícias. A afirmação feita por Agostinho Branquinho, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e líder da distrital do Porto, de que um assessor de Sócrates exigiu falar com um pivot da RTP durante um noticiário, alegadamente para alterar uma noticia desagradável para o governo, não é comprovada por ninguém, e o próprio Branquinho se recusa a afirmar datas e nome das pessoas envolvidas. Ou seja, uma notícia que é manchete de um semanário e ocupa toda uma página interior do jornal, não passa de uma insinuação, sem qualquer prova que a confirme.
Que um politico menor atire estar atoardas para o ar, sem apresentar qualquer prova, é já por si triste e mostra quão baixo se pode chegar na luta pelo poder, mas que um jornal aceite publicar isso como o assunto do dia com títulos sensacionalistas já é “sabugisse” e falta de qualquer ética jornalística. Sabemos que o Balsemão é do PSD, mas isso não serve de desculpa para esta vergonhosa maneira de dar a informação. Todos os verdadeiros jornalistas que trabalham no Expresso deviam sentir-se no mínimo envergonhados.
Todos fomos tratados como se pedíssemos uma garrafa de “Barca velha” e aquilo que viesse lá dentro nada mais fosse que uma zurrapa. Como leitores merecíamos mais respeito.
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Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

domingo, janeiro 27, 2008

Novas oportunidades

 Olha para ele

«“Os Portugueses vão perceber a minha politica de saúde
Agarrado à cadeira. Correia de Campos explica em entrevista ao Expresso que não lhe passa pela cabeça sair do Governo e que vê em cada momento de crise, como este, uma oportunidade de explicar aos portugueses o que anda a fazer no ministério.»
Titulo e legenda da fotografia do Jornal Expresso.

Sr. Ministro, oiça bem, nós já percebemos a sua politica de saúde. Já percebemos que está a acabar com o Serviço Nacional de Saúde, que está a fazer uma politica economicista da saúde e que a está a levar no caminho da privatização. Não é assim tão difícil de entender. Já quanto ao ver cada momento de crise, ou seja cada morte que a cada dia aparece nos jornais relacionada com os serviços que tutela, como uma oportunidade é mau. A morte nunca deve ser vista como uma oportunidade, mas como uma consequência. Infelizmente, por este andar, quando tiver acabado as explicações que tem dado, já metade dos portugueses nasceram numa ambulância e a outra metade lá morreu. E, o pior é que nem lhe passa pela cabeça sair do governo.

Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI

quarta-feira, junho 05, 2013

Fábula da semana em que "Miss Fardas" foi a Bilderberg, acompanhada pela sua valise de carton, António José Seguro


O boneco não é novo mas a falta de tempo anda a complicar-me a vida e como foi este o boneco que o grande "Arrebenta" escolheu para ilustrar mais um dos seus fantásticos textos, aqui o deixo para todos poderem ler.

Toda a gente sabe que as teorias da conspiração só são teorias da conspiração até se descobrir que o não são, ou, evitando o trocadilho, quando aquilo que nos parecia um delírio se revela ser a mais concreta das realidades.

Essa história de Bilderberg, que começou por andar pelo anedotário, começou agora a fazer parte do horário, e na escala da descarada. Como defende Estulin -- e a Margarida Rebelo Pinto, honra lhe seja feita... -- não há acasos, ou seja, toda esta porcaria que parece desordem não é mais do que uma fase da Nova Ordem, em formato de pronto a vestir, com direito a toilette de manhã, tarde e noite.

Naquela fase cavernosa em que Portugal andou a votar, através de SMS de valor acrescentado quem era o Maior Português de Sempre, e chegou àquela triste conclusão, devia ter sido imediatamente lançado um debate para se eleger o Português Mais Sinistro de Sempre.

Não vos quero influenciar, mas o meu voto ia para Pinto Balsemão, o político há mais tempo na sombra desta decrepitude, a que chamamos "Democracia".

Contas feitas, se Salazar lá esteve uns quarenta anos, este para lá caminha, e pode ter prolongamento, se o Clube assim o decidir. À sua pobre maneira, é um Kissinger português, uma coisa de aldeia, com algum pedigrée, vindo de D. Pedro IV ter ido à cona a uma sopeira, e deveria ter ficado por aí, não fosse o país estar contaminado por meio século de falta de opinião pública, e o cavalheiro ter encontrado uma receita mágica que era ainda conseguir poupar a esse povo, por mais meio século, o esforço de pensar, inventado o "Expresso", que punha as questões, orientava o debate, abafava os contraditórios, e impunha as conclusões.

Aparentemente, porque já era de família, também o "Expresso", depois, foi à cona a tudo o que estava à mão, e foram nascendo algumas SIC bastardias, umas "Caras", umas "Ativas", uns "Jornais de Letras", umas "Visões", e toda a casta de mobiliário folheante dos cabeleireiros de bairro, que não frequento, nem os cabeleireiros, nem a matéria a folhear, obviamente.

Até aqui tudo bem, porque o papel higiénico, como dizia Gutenberg, divide-se entre o impresso e o não impresso, e eu gosto do branco, ao contrário do pão, que prefiro integral, não fosse o papel higiénico ter tomado uma tal escala que nos começou a impedir de respirar, e, sobretudo, essa sofreguidão de impedir o pensamento livre tivesse tornado um país distorcido num amontoado de gente ainda mais distorcida e esclerosada, tipo Somália, na época dos piratas hibernarem.

No princípio, já que temos sempre de voltar lá, era o secretismo. Na fase em que estamos, é tudo à descarada, desde os olhinhos ávidos da Teresa Guilherme, passando pelo branqueamento de capitais de todos os subterrâneos russos, até desaguar nesta porcaria de Bilderberg, que começou por ser uma anedota, mas acabou numa perigosíssima peregrinação.

Enquanto o Mundo inteiro, o das Sombras, ali se reúne, para retirar o pouco de luz que ainda resta ao Mundo que a tem, o Balsemão vai, penosamente -- tanto quanto lhe permite o furo de coca, pelo qual ainda respira, como os cachalotes -- levar os seus pastorinhos anuais, para ver que tipo de solzinho irá dançar, na próxima "saison", no miserável quintal português. Como dizem os crentes, alguma coisa de importante deve mesmo andar a acontecer por aqui, porque não há a mesma preocupação de muitos outros terreiros, com a escala mínima de Portugal, a levar, ano após ano, os seus beatificados, para que recebam qualquer coisa da mão do próprio Senhor.

Nos últimos anos, a coisa bateu certo: Barroso foi, e Kissinger colocou-o como o supra-sumo da nulidade, para Obama ter tempo de destruir o Euro e a Europa. A seguir, a romaria levou Sócrates e Santana, que logo foram Primeiros Palhaços de Portugal. Houve uns interregnos, com Rui Rio, que deverá ir substituir o lambedor de conas de pretas, como líder do P.S.D., e o Tição, que reinará no Sul Mouro, como António Costa. Pelo meio, Clara Ferreira Alves, a ver se arranjava homem e RTP, mas o Relvas foi-se embora e a Isabel dos Santos resolveu trocar a nacionalidade portuguesa pela russa, porque aquilo vai explodir, e os impostos são mais baixos. E sendo que mais vale uma discoteca em Moscovo do que o bordel da RTP, em Lisboa, a Ferreira Alves preferiu a sua estabilidade de "horizontale", no novo coio do "Canal Q": aparentemente, o seu topo da base já foi pelo cano. Temos pena: houve pernas que, abrindo menos, conseguiram mais.

Agora, vem a parte negra.

Como é sabido, é das regras de Bilderberg que os seus pares interajam interpares, ou seja, um pouco como o Cavaco continuou a apoiar o Duarte Lima e a Beleza, e depois o Relvas recebe, recebeu e recebia, na sua casa, da Rua da Junqueira, já que o Aníbal o não podia fazer diretamente, o escroque, "Conselheiro de Estado (!)", Dias Loureiro.

À margem da Lei, Bilderberg é como as Termas do Vimeiro, depois de lá se banharem, todos perdem os crimes, e passam a meros agentes da Estratégia Global.

Para mim, que sou certeiro nas lotarias negras, pensei que este ano fosse a vez de João Galamba, mas o galambismo fica para depois, como vos irei explicar, ou melhor, aguarda, na retaguarda, que as hostes marchem para as tricheiras, através da Santíssimo Trindade, Vítor, Pai; João, Filho, e a Pombinha do Espírito Galamba, e não pensem que me desviei do assunto, porque, este ano, Balsemão, o Português Mais Sinistro de Sempre, leva, por arrasto, Paulo Portas, uma víbora luminosa, que o demónio dotou com o dom da palavra, e a Vénus Vulgar, com o dom da mamada, e como esta gente não se desloca, nunca, sem criados nem camareiros, enturmaram com o merceeiro António José Seguro, o típico parolo, cara de seminarista, que se percebe que nunca irá muito alto, mas poderá servir de cobertor a quem mais alto queira por ele ascender.

Senil, Balsemão já nem esconde o que procura para Portugal. A morte política de Passos Coelho vai na agenda secreta, e o seu sucessor já está na calha, só que o sucedido só vai perceber, no último instante o que lhe sucedeu. Não percebi -- mas também não chego para tudo -- se Cavaco irá ser empalhado, e exposto, como Lenine, no Mausoléu da Quinta da Coelha, ou se a questão turca se sobreporá ao que fazer com o Cadáver de Boliqueime, embora isso me preocupe pouco, porque a romaria só tem três sentidos: ou é o povinho da Favela PSD que vai enturmar num Governo chefiado pelo Maior Demagogo... bom, maior, não sei, talvez um ex-aequo com o Professor Marcelo, e com o PSD, desvitalizado, a reboque, numa rui risada; ou o povão do Centrão que está preparado para votar, à justinha, no ar, à justinha, do António José Seguras o quê, e segura muita coisa, como as piranhas de extrema-direita, de cariz galambista, que só estão à espera de que lhes abram a porta, como aqueles cães assassinos, que são fechados, semanas, em quartos escuros, para virem cegos de ira e carnificina, ou, se a coisa não funcionar, a velha solução do Tio Soares, um casamento entre pederastas do Largo do Caldas e pedófilos do Largo do Rato.

Creio que seria o governo ideal para Portugal, e, para mim, já teve um efeito profilático e terapêutico: fiquei, hoje, com a absoluta certeza dos sítios onde NÃO irei votar, nas próximas eleições.

Para o ano, se a "branca" ainda o não tiver feito estoirar, talvez Balsemão convide Jerónimo de Sousa. No fundo, este mundo é tão pequeno, e tão escassa a nossa finitude, que nada me espantaria...


domingo, julho 24, 2011

O Estranho caso Bairrão


Este caso do Bernardo Bairrão já era confuso e a cada dia que passa mais confusão é atirada para a fogueira. Até já é dificil de resumir. Primeiro ia ser Secretário de Estado mas acabou por ser retirado em cima da hora por eventualmente o Passos Coelho ter rfecebido um SMS da Manuela Moura Guedes em que o ligava a negócios menos claros em Angola e no Brasil ( O Bairrão foi o administrador da TVI que acabou com o Jornal de Sexta). Depois o Expresso publicu a noticia de que o Passos Coelho teria pedido aos Serviços de Informação do Estado um relatório sobre o Bairrão. Após vários desmentidos de todos os implicados o Ricardo Costa, Director do Expresso continuava a afirmar que tinha informações seguras de que tudo era verdade. Agora sabemos que o ex-director das Secretas, Jorge Silva Carvalho, passou informações para a Ongoing antes de ser contratado como assessor da administração da mesma juntamente com mais dois ex-espiões.
Pelo menos ficámos a saber para que servem as Secretas portuguêsas e quem realmente servem. Esperemos pelos próximos capítulos embora o mais certo é tudo acabar em mais um inquérito daqueles que acaba por desaparecer no esquecimento do tempo onde tantos outros se têm perdido.

quinta-feira, junho 30, 2011

A divulgação eventualmente nociva



7. O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério.

Este é o ponto 7 do novo Estatuto Editorial do Jornal Expresso. Tem lá mais coisas engraçadas, mas este ponto sete é elucidativo e faz-nos pensar até que ponto chegou a comunicação social, quando um jornal de referencia assume não se reger por critérios jornalísticos, condicionando-o ao político.
Felizmente que há muito deixei de comprar este jornal, mas sabemos que um canal de televisão generalista, a SIC, e um canal somente dedicado a noticias, a SIC Noticias, têm o mesmo patrão, e esse patrão é o executivo dos Bilderberg em Portugal. E, quando olhamos à volta não vemos melhor porque sabemos que cada jornal e cada televisão têm uma agenda política própria.
Seja por omissão ou por manipulação aquilo que nos informam não são factos, mas a visão em que querem que acreditemos. A comunicação social engana e há muito que perdeu a sua função de informar para ganhar a de criar verdades e formatar opiniões. O pior é que funciona e o conseguem fazer com relativa facilidade, como a realidade demonstra.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Estreia a 15 Outubro

«O semanário Expresso escreve hoje que o "receio de uma situação explosiva e reivindicações salariais levam Governo a isentar o MAI [Ministério da Administração Interna] dos cortes [orçamentais] previstos para todos os ministérios". O Expresso refere que o MAI deverá, aliás, ter uma verba superior à deste ano, o que explica pelo receio de contestações devido à delicada situação social e com a urgência em pacificar a polícia, resolvendo os problemas remuneratórios da PSP. (...) "Numa situação de contestação social, ter os polícias ao mesmo nível ou na linha da frente da contestação em nada ajuda a repor a ordem pública", comentou Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP).

Quando um governante se começa a "armar" para se defender do seu próprio povo algo vai mal. É da "Rua" que ele tem medo e por isso a luta passa exactamente por a ocuparmos. A rua é nossa e é lá que podemos demonstrar a nossa indignação e exigir a mudança. Em 15 de Outubro vamos todos até à Assemblei da República, a Casa da Democracia, informá-los que chegou a hora da mudança.

domingo, fevereiro 10, 2008

Chamar os bois pelo nomes

 Miguel Sousa Tavares

Como infelizmente a crónica semanal do Miguel Sousa Tavares no Jornal Expresso ainda só está disponível On-line para os assinantes, e me parecer que diz tudo o que há para dizer, aqui reproduzo o texto publicado e que roubei no blog o “Jumento”, sem mais comentários.

«O general Garcia Leandro publicou aqui no Expresso, no sábado passado, uma espécie de protopronunciamento militar deveras interessante. Em substância, o general diz que o país está minado pela corrupção e pelo mau governo dos políticos e que só não avança para encabeçar um 'movimento de indignação', conforme muito solicitado, porque vivemos hoje na União Europeia - onde estas aventuras 'venezuelanas' deixaram há muito de ter viabilidade. Mas essa não é, em boa verdade, a única razão que trava o general nas suas generosas intenções, se é que ele não o sabe: a outra razão é porque o país acolheria hoje com uma gargalhada devastadora qualquer ridícula tentativa de pronunciamento militar. Com a extinção do Conselho da Revolução, algures na década de 80, livrámo-nos de vez da tutela militar e já ninguém, nem a novíssima geração, leva a sério um militar que queira salvar a pátria. Aliás, o próprio texto do general Garcia Leandro - confirmando que os textos de justificação dos pronunciamentos militares jamais ficarão para a história da literatura universal - é, em si mesmo, incapaz de arregimentar até um quartel de bombeiros, tão frouxas e tão confusas são as razões aduzidas.
A corrupção é, de facto, um problema - aqui e em muitos outros lugares. Infelizmente, como o general deve saber, entre nós, nem os militares lhe escapam. Temos um alto oficial da Armada, durante anos responsável técnico pelas compras do material de guerra do ramo, preso sob suspeita de corrupção. E, da compra dos aviões A-7 até à dos submarinos, não há razão alguma para acreditar que, se corrupção houve, os militares envolvidos nos negócios não molharam também a mão na massa. No que toca a gastos de dinheiros públicos injustificados, os militares têm muitas contas a prestar ao país. Todavia, o que diz o general Garcia Leandro é aquilo que muitos pensam, e não apenas 'a rua'. O facto de ser general não o torna mais qualificado do que qualquer outro nos seus julgamentos nem lhe dá o direito a querer encabeçar um 'movimento de indignação', seja isso o que for. Restam as causas de indignação, que, essas sim, são reais e poderosas.
Recentemente, também o novo bastonário dos advogados veio agitar as águas turvas do regime denunciando alto e bom som coisas que todos sabemos serem rigorosamente verdadeiras: que há advogados que fazem política no Parlamento e negócios com coisa pública cá fora; que há ex-governantes que saltam do Estado directamente para empresas com que antes negociaram em nome do interesse público; que há uma justiça para ricos e outra para pobres e por isso é que não há um único poderoso atrás das grades, embora não faltem motivos para tal. Caíram todos em cima do dr. Marinho e Pinto, chamando-lhe demagogo, vendedor de feira e acusando-o de denunciar a corrupção sem apresentar 'provas'. Num gesto inédito de insubordinação estatutária, o presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados veio ameaçar o próprio bastonário com um processo disciplinar se não se calasse.
Todos fingiram entender que ele falava da corrupção - um mal universal, que não afecta apenas Portugal. Piedosa mentira. O que o dr. Marinho e Pinto denunciou foi o descarado tráfico de influências entre o político e o económico, o público e o privado, que, essa sim, é uma imagem de marca nossa. Meia dúzia de ministros de qualquer Governo, de empresários privados, de gestores públicos e de poderosos escritórios de advocacia decidem entre si como é que o Estado vai gastar os milhões que gasta em obras públicas, como é que vai pagar os seus fornecimentos, como é que vai privatizar as suas empresas, em que termos vai negociar contratos de concessão, que excepções vai abrir para conceder direitos de construção em zonas de paisagem protegida.
Desde a gestão privada de hospitais públicos à concessão da exploração de pontes, passando pela construção do que quer que seja ou pela compra de armamento militar, não há orçamento que não derrape largamente, não há negócio que não termine com lucros muito além dos previstos para os privados e total impunidade para os gestores públicos que lhes deram causa. Contratar com o Estado português é sinónimo de lucro disparatado e risco nulo. E isso não significa necessariamente que, algures no circuito, tenha havido alguém a deixar-se corromper para que a factura subisse. Esse tipo de corrupção existe, mas a um nível menor, ao nível autárquico, por exemplo. Aqui, do que se trata é da troca de favores e influências entre uma casta que controla os grandes negócios com o Estado. Hoje, A faz um favor a B - entrega-lhe uma empreitada que vale milhões - e amanhã é a vez de B retribuir, contratando A para os seus quadros ou entregando-lhe por sua vez uma empreitada em que ele esteja interessado. E no meio estão C e D, que funcionam como advogados e jurisconsultos de ambos os lados: tão depressa negoceiam em nome do Estado como em nome de clientes privados com o Estado, tão depressa dão pareceres a um como a outro e, não raras vezes, estão dos dois lados simultaneamente, em processos diferentes. Necessidade obrigando, chegam a produzir doutos pareceres de sentido oposto em casos rigorosamente idênticos, em que só mudou o cliente que servem. Não me admira nada que o dr. Marinho e Pinto tenha vindo desinquietar toda esta gente - ainda por cima se não se esquece de denunciar uma justiça que, pela inércia e pelo facilitismo, pactua com aqueles que têm a possibilidade material de fazer arrastar os processos em tribunal até que eles morram de podridão e esquecimento.
O mal causado não consiste apenas no desperdício de dinheiros públicos ou na instalação de uma cultura de impunidade e batota, que desmoraliza o país são. Uma das maiores causas para o atraso endémico de Portugal é esta chamada iniciativa privada que domina os negócios de milhões mas que não sabe sobreviver sem os seus três factores de êxito: salários baixos, "offshores" para tratar do Fisco e negócios garantidos com o Estado. Temo só de pensar que vem aí o TGV e um novo aeroporto, onde um país pobre e economicamente estagnado, um país a quem tantos sacrifícios têm sido pedidos em nome do combate ao défice vai atirar pela janela milhões e milhões em trabalhos extra, comissões a intermediários, honorários de consultadoria externa e de pareceres e todas as demais alcavalas que sempre acompanham cada empreitada pública. Foi assim com o CCB, a Ponte Vasco da Gama, o Túnel do Marquês, o Hospital Amadora-Sintra, o Casino de Lisboa oferecido ao sr. Stanley Ho (edifício incluído!) e tudo o mais, tudo rigorosamente, a que o Estado deitou mãos.
Farto de assistir a este espectáculo decadente e impune, legitimado pelo exemplo que vem de cima, grande parte do país já percebeu que a regra é exigir do Estado privilégios e dinheiro fácil. A outra parte, se não acredita nem deseja militares salvadores, só lhe resta isto: indignar-se e chamar os bois pelos nomes.»

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sábado, fevereiro 16, 2008

Batota

 Jogo desleal

«Em Agosto de 2004, a Estoril-Sol enviou um extenso documento ao então ministro do Turismo, Telmo Correia, no qual sugeriu uma alteração cirúrgica ao artigo 27 da Lei do Jogo que regulava a reversibilidade obrigatória dos edifícios e equipamentos dos casinos para o Estado. Segundo o documento, a que o Expresso teve acesso a empresa considerou que a tal alteração seria inócua às demais concessões e "também totalmente imperceptível quer pela simultaneidade da sua publicação com as demais alterações de artigos do mesmo Decreto-lei, quer pela sua formulação genérica e abstracta, insusceptível de ser interpretada como relacionável com a clarificação da situação concreta". Ou seja, o Casino de Lisboa. A filosofia da proposta acabou por ser acolhida em Dezembro de 2004, quando o governo de Santana Lopes aprovou uma alteração à Lei do Jogo. Recorde-se que, de acordo com a lei anterior, os edifícios e equipamentos dos casinos revertiam para o Estado no final do contrato, mesmo que tivessem sido adquiridos pelo concessionário.» PDF do documento [AQUI]. In “Expresso

Não fico espantado com a notícia. Pelo lado dos casinos todos ouvimos o Assis Ferreira afirmar em directo na televisão, na presença de uma sala cheia e na cara do fundamentalista Director Geral da Saúde que não ia cumprir a lei do tabaco e que não tinha medo de ninguém. Pelos vistos está habituado a fazer as suas próprias leis da forma que mais lhes convenha. Se falarmos do Governo do Santana Lopes, então nada mais natural, sobretudo quando falamos de ministros da área CDS. Cada tiro cada melro, cada cavadela sua minhoca parece ser o resultados dos meses que passaram sentados nos ministérios. Sob a capa da honestidade, da rectidão, da eficiência, da bondade, dos convictos discursos do Paulo Porta, está uma lama fétida de corrupção, compadrios e negociatas. Fica o recorde, ainda não foi homologado e publicado pelo Livro Guinness dos Recordes, do Partido que, com menos pastas e tempo, conseguiu fazer mais aldrabices, num governo.
Um pouco mais a sério, se propor a redacção para o texto de uma lei para benefício próprio, tendo a lata de explicar as razões pelas quais ninguém vai descobrir as verdadeiras intenção dela, de como o golpe as dissimula na perfeição, não é prova suficiente para condenar alguém por trafico de influencias, o que será?

Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

quinta-feira, maio 04, 2006

Tudo se compra, tudo se vende

Quem não se lembra do escândalo do abate de 2600 sobreiros, autorizado ilegalmente pelo então demissionário Ministro do ambiente Nobre Guedes, ou da acusação de envolvimento do BES no negócio do Mensalão no Brasil. Uma série de casos como os atrás referidos surgiram ao público, há cerca de um ano, e o denominador comum era o Banco Espírito Santo. Expresso e SIC foram órgãos de informação que difundiram muitas dessas notícias.
Imediatamente o BES veio a público ameaçar, o grupo liderado por Pinto Balsemão, de lhe cortar com toda a publicidade nos jornais e televisões. A verdade é que essas notícias desapareceram e actualmente parece que nunca houve tanta publicidade desse banco nesses mesmos órgãos de informação. Ainda há pouco tempo o Expresso trazia três ou quatro páginas, a cores de publicidade a esse banco.
Não posso acusar ou afirmar qual a relação entre as duas coisas, mas que posso pensar e estranhar a coincidência é um direito que me assiste.
Terá sido o BES que entendeu que não devia tentar silenciar os órgãos de informação com ameaças ou terá sido Pinto Balsemão que preferiu deixar de noticiar casos envolvendo o BES em nome do lucro gerado pela publicidade?
Terá o BES comprado o silencio sobre escândalos onde o seu nome aparecesse associado?
Terá Pinto Balsemão vendido a sua isenção como órgãos de comunicação social?
Estaremos nós a ser informados de tudo o que se passa ou existe uma lápis azul da censura na Administração do BES?
Será que só eu acho isto muito estranho?
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Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

quinta-feira, julho 07, 2011

A política do SMS


Ainda não tinha aqui falado do caso do Bernardo Bairrão, o Secretário de Estado que foi remodelado ainda antes de o ser. A primeira causa apresentada foi ter havido uma fuga de informação e o Marcelo Rebelo de Sousa o ter apresentado em primeira mão. Depois a de o Bairrão ter feito declarações contra a privatização da RTP e agora o Expresso noticia que foi um SMS enviado pela Manuela Moura Guedes para o telemóvel de Passos Coelhole que levantava suspeitas antigas sobre alegados negócios de Bernardo Bairrão. Os factos remontam ao tempo em que Bernardo Bairrão e José Eduardo Moniz eram muito próximos, para depois Bairrão vir a ficar na administração que negociou a saída de José Eduardo Moniz da TVI, (hoje vice-presidente da Ongoing, grupo interessado na privatização da RTP) e que afastou Manuela Moura Guedes dos ecrãs nas vésperas das legislativas de 2009.

Trapalhadas e trapalhices, ódios e vinganças e, como sempre negócios e dinheiro.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Do Casino ao Convento das Caldas

 Roubo conventual

«Na madrugada da tomada de posse do Governo de José Sócrates, Telmo Correia, ministro do Turismo em gestão corrente, deu «luz verde» a uma segunda versão de um parecer da Inspecção-Geral de Jogos. O documento permite a não devolução ao Estado do edifício onde está instalado o Casino de Lisboa, propriedade da Estoril Sol, e cuja concessão termina dentro de 30 anos.
O «Expresso» revelou no sábado várias conversas entre Telmo Correia, Paulo Portas e Luís Nobre Guedes que indiciam tentativas de alteração à lei, o que permitiria à Estoril Sol ficar com o edifício da Parque Expo. A posse é contestada por especialistas em direito administrativo. Telmo correia desmentiu categoricamente a notícia.»
In TVI

Que raio de justiça é a nossa que não mete esta escumalha toda na prisão. O CDS do Paulo Portas, sempre com um discurso tão moralista, já provou à saciedade que é governado por gente sem moral e capaz de tudo. Assim se justificam os famosos cheques dos muitos “Jácinto Leite Capelo Rego” que entraram nas contas do partido. Gente que rouba ao estado, a todos nós para dar a meia dúzia de privados em troco de dinheiro. Gente que nos rouba a todos para encher os bolsos. Gente sem moral nem vergonha que não merece qualquer respeito e que devia estar a apodrecer numa qualquer prisão.

Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

segunda-feira, novembro 01, 2010

A foto do acordo orçamental


O Teixeira dos Santo mostrou-se muito desiludido por não havar mais fotografias do momento da assinatura do acordo para aprovação do orçamento entre ele e o Eduardo Catroga, que uma tirada com um telemóvel. Como este blog presta um serviço público aqui lhe deixamos a fotografia que o telemóvel deveria ter registado. O Jornal Expresso também mostrou uma, mas acredito que esta mostra o que foi toda esta palhaçada com maior fidelidade e muito mais realismo

segunda-feira, novembro 12, 2007

Portas Secreta

Porta Secreta

Uma factura revela que Paulo Portas digitalizou 61 893 páginas de documentos enquanto foi ministro da Defesa…Funcionários da empresa de digitalização que afirmam terem visto nos documentos expressões como "Confidencial", "NATO", "Submarinos", "ONU" e "Iraque".
Além de Paulo Portas, também Luís Nobre Guedes, ex-ministro do Ambiente, Telmo Correia, ex-ministro do Turismo e Nuno Morais Sarmento, ex-ministro da Presidência, digitalizaram documentos dos respectivos ministérios.
Segundo disse Paulo Portas, pediu apenas para que fossem digitalizados "despachos e notas de três anos da Defesa e de sete à frente do CDS".
O Expresso questionou a razão por que Paulo Portas nunca foi chamado a prestar declarações no âmbito do processo Portucale sobre a digitalização de documentos. A resposta do DCIAP é que "o apurado quanto à digitalização realizada noutros ministérios permitiu atenuar as suspeitas que recaíam sobre a digitalização realizada no MDN".

É mesmo Portucale no seu melhor. O Portas parece que faz mais notas que o Banco de Portugal e que uma empresa se deve ter fartado de ganhar dinheiro a digitalizar documentos com expressões Confidencial, sumarinos, Iraque,…Quanto ao DCIAP, gosto da lógica, se num caso não encontraram nada para quê ir investigar outros, mesmo que seja num ministério, o da defesa, onde documentos confidenciais não devem faltar.

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domingo, outubro 28, 2012

O gigante Relvas


Miguel Relvas sustentou que, embora se assista a uma «crescente crispação em Portugal» e «a gritaria» tenha ocupado o debate público, não há «alternativa à austeridade e às reformas estruturais» do Governo. «Temos consciência dos custos elevados para as famílias e da coragem com que os desempregados estão a suportar estes tempos difíceis». Mas, mesmo quem contesta a austeridade «sabe que não tem outra saída» e comporta-se como um doente que «vai pensando todo o tempo em evitar aquela medicação» indispensável para a sua cura, que exige «sacrifícios, paciência e disciplina».

“Quero que tudo seja apurado, porque, como disse, fiz de acordo com a lei, de consciência tranquila, de boa-fé. Era assim que estava, é assim que estou e é assim que continuarei a estar”, insistiu o governante, depois de sustentar que prossegue “uma vida aberta, transparente e clara” e que “quem desempenha cargos públicos tem de estar sempre disponível para poder responder sobre todas as dúvidas que existem”.

O relatório da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, noticia o semanário Expresso na sua última edição, mostra que Miguel Relvas foi não só o aluno que recebeu mais equivalências a maior número de cadeiras (32 num total de 36, o que equivale a 160 dos 180 créditos exigidos para a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais) como contou com equivalências a cadeiras que tão-pouco existiam no ano lectivo de 2006/2007, quando esteve matriculado na Universidade Lusófona.

Dois recentes momentos em que o Miguel Relvas fez afirmações, primeiro sobre a austeridade onde exigiu sacrifícios, paciência e disciplina chamando às vozes que a contestam, gritaria. No segundo para mostrar toda a sua beatitude apresentando-se como senhor de uma vida aberta, impoluta e transparente. Só não se viram crescer-lhe asinhas  nas costas porque foi agora conhecido, não que já não se soubesse que era Senhor Doutor por equivalência, mas porque se formou com equivalências até a cadeiras que não existiam na faculdade.
Um governo que tem um Relvas como Ministro não é um governo, é um covil de hienas, é um antro de compadrio e aldrabices, é uma vergonha a que nenhum povo devia ser sujeito. Se lhe juntarmos que é essa gente que está a vender o que resta de público em nebulosas privatizações, então temos a certeza que este país está a ser saqueado. Está o país e estamos todos nós com roubos de salários e reformas. Se pensam que isto é muito mau então juntem-lhe a destruição do emprego, da saúde  e escolas públicas, do estado social, dos direitos laborais e civis e vejam o que restará quando esta gente terminar a pilhagem. Isto não vai acontecer no futuro, está acontecer agora e se o não travamos já não vai restar nada para salvar mais tarde. 
Se todos não percebermos que não podemos ficar sentados à espera que outros resolvam os nossos problemas, temos de ser nós, todos a fazê-lo e já.

terça-feira, agosto 12, 2008

Raças Perigosas XVI

Blog

«A quem possa interessar: há para aí um blogue cujo autor garante ser eu próprio. Não é: como já aqui expliquei, não faço, não alimento e não leio blogues. Terão, certamente, muitas vantagens e utilidades, mas eu não me habituo a viver em territórios onde vivem o anonimato, a calúnia, a usurpação de autorias e a impunidade.»
Miguel Sousa Tavares no Expresso

Quem oiça o nosso Garfield até pode pensar que a comunicação social onde se move é um mar de virtudes e honestidade. Parece que o Miguelito tem algum receio da concorrência e da liberdade da blogosfera. Claro que há o anonimato, a calunia, a usurpação de autoria e até a impunidade. E nos jornais e televisões não há calúnias, mentiras, enganos e manipulação de opinião? Não haverá jornalistas e escritores que plagiam, copiam ideias e opiniões para as publicar em seu nome? Não deveria o Miguelito perguntar-se porque há tantos jornalistas que escrevem em blogs? Será que no anonimato dos blogs podem dizer as verdades que nos seus jornais são proibidos de falar e escrever? Porque será que para se ouvir falar dos Bilderbergs temos de procurar na blogosfera, enquanto os jornais mantêm um silencioso segredo sobre o assunto, mesmo sabendo que políticos e governantes por lá passam todos os anos, mesmo sabendo a monstruosidade daquilo que defendem?
O Miguelito, que tem a sua tribuna para dizer o que bem lhe apetece, onde se dá ao luxo de, por exemplo acusar os professores de não quererem trabalhar, mas receia a critica que outros lhe possam fazer.
Esta é outra raça perigosa, a raça daqueles que gostam de apontar o dedo a quem desejam, que gostam de acusar quem lhes apetece, mas mais do que tudo temem e desejam calar aqueles que o podem criticar. Em tempos, houve uma outra raça que inventou um lápis azul. De que cor gostará o Miguel?

Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI

sábado, março 22, 2008

O Milagre da Santa Cintilante

Olha a anjinha

«São tempos dominados pelo pragmatismo e não por ideais, pela defesa de objectivos e a medição de resultados e não por valores.
Veja-se o Benfica - o clube dos ‘barba-rija’ - que se equipa de cor-de-rosa - a cor das ‘meninas’ - para vender mais camisolas!
São tempos em que se vendem ideias e se compram votos.
São tempos em que o altruísmo e o sentimento são esmagados pelo marketing.
Será que vale a pena?»
in [Expresso ]

Não sei quantas das pessoas que vem aqui a este blog acredita em milagres nem vou perguntar. Eu, agnóstico por nunca ter sido atingido pela seta, não do Cupido mas de uma qualquer fé, ateu por convicção, não acredito. É por isso que não acredito que uma “besta feroz” se torne num anjo cintilante de um dia para o outro. Podem dizer que talvez tenha a visto a luz, tenha sido possuída pelo espírito de Ghandi , mas a mim ninguém me convence disso. Um tal milagre suplantaria o da ressurreição, o de Fátima, o do Luís Filipe Menezes chegar a Primeiro Ministro, do Miguel de Sousa Tavares escrever um livro bom (ou a Margarida Rebelo Pinto uma simples frase), de todos os culpados de pedofilia na Casa Pia serem acusados e condenados, ou desaparecer toda a corrupção e compadrio dos corredores do poder. Seria um milagre fantástico, mas como já disse não acredito em milagres. Manuela Ferreira Leite, a quem muitos chamaram a “Dama de Ferro”, a mulher sem coração, pergunta se vale a pena, em nome do marketing, viver estes tempos sem sentimentos nem altruísmo. Esta personagem, a imagem feminina do Cavaco, a sua Sumo-sacerdote, questionar o “pragmatismo”, a palavra Santa do Cavaquismo e que lhe rendeu 10 anos de poder, em nome dos ideais e de valores. Que até questiona o Benfica cor-de-rosa das meninas, (haverá aqui algum trocadilho com o cor-de-rosa do Sócrates e do PS?). Não sei se este discurso será só uma operação de “marketing” ou se simplesmente estava com alguma indisposição intestinal, mas não me convence. Talvez haja Anjos que possam cair no inferno, agora demónios a subir ao céu já me parece mais difícil.

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

domingo, fevereiro 08, 2009

Partida e de partida

partida e de partida

«O PSD tinha prometido que não iria reagir a sondagens. Mas não resistiu perante a que hoje é publicada pelo Expresso e foi ontem divulgada pela SIC e Rádio Renascença. A queda do PSD para os 29%, enquanto o PS se mantém nos 40%, e uma imagem ainda mais negativa da líder social-democrata levaram o director executivo das campanhas do partido, Agostinho Branquinho, a escrever: "Ou há manipulação ou essas empresas não são de confiança.
[Diário de Notícias]

Quem é o Sr. que se segue? Será o Paços Coelho ou o Bicho da Madeira? Com esta ao leme o PSD já deve ter entendido que não vai lá, mas provavelmente sabem que não vão conseguir derrotar este Sócrates. A fasquia já está colocada muito mais acima, na linha da maioria absoluta e já há portas que se abrem para apanhar as migalhas de um apoio, pontual ou permanente com um governo minoritário do PS. De fora do poder, fica sempre o PSD. Carrancudo estará também o Sr. Silva que do seu sonho de um governo de Bloco central vai ter de aturar o Sócrates por mais quatro anos.

sábado, maio 10, 2008

Angola é gerida por criminosos

A Banca em Angola

«"Angola é gerida por criminosos". O músico e activista Bob Geldof é o autor da frase, que abriu uma polémica imprevista. Anteontem, numa conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, em Lisboa, Geldof disse também que "as casas mais ricas do Mundo estão [a ser construídas] na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane". O Grupo Espírito Santo, que co-organizou a conferência, reagiu prontamente, demarcando-se das afirmações do músico "O Grupo Banco Espírito Santo vem, formal e inequivocamente, declarar que é totalmente alheio e não se identifica com as afirmações injuriosas que Bob Geldof proferiu esta tarde num evento Expresso/BES relativamente ao Estado de Angola", lê-se numa nota tornada pública pelo grupo.»

Haja neste mundo quem tenha coragem de chamar os bois pelos nomes. O Bob Geldof veio dizer aquilo que todos sabem mas têm medo de dizer. Um medo que vêm das negociatas e dos lucros que pensam e querem colher em Angola. Nunca foi a corrupção ou a falta de liberdades e direitos humanos quem travou esta gente. Basta ver a rapidez com que o BES se veio logo ajoelhar em pedido de perdão e arrependimento. Mas não é só este banco, basta fazer uma busca sobre quem condenou as afirmações do músico para ver quem negoceia por terras de José Eduardo dos Santos e Família Lda.

O empresário Joe Berardo considerou hoje que Bob Geldof não sabe do que está a falar quando afirma que "Angola é um país gerido por criminosos". (As ligações de Berardo a Angola têm, hoje, um nome: Millennium bcp, o maior banco privado português, do qual é um accionista de referência, assim como a Sonangol.)
Para o presidente do BIC Portugal, Luís Mira Amaral, as declarações do músico Bob Geldof de que Angola é gerida por criminosos "são irresponsáveis e desconhecedoras da matéria". "Há dois tipos de pessoas: os gestores que sabem do que falam e os artistas de rock e pop que serão competentes na sua área mas, se calhar, noutras não têm competência nem o conhecimento para falar", afirma o responsável durante a apresentação oficial do novo banco, que possui uma estrutura accionista semelhante ao BIC Angola. O ex-ministro Mira Amaral teve no passado responsabilidades no Banco de Fomento de Angola.
Podia ir por aqui fora, passando por comentadores e acabando em governantes, mas nem vale a pena, são sempre os mesmos.

Contributo para o Echelon: spies, IWO, eavesdropping

segunda-feira, outubro 03, 2011

A banana e o martelo


O líder regional do PSD, Alberto João Jardim, manifestou-se hoje contra aquilo que apelida de uma lei para despedir sem justa causa, que o Governo PSD/CDS está "a remoer na Assembleia da República".

Como não estou a ver o Bicho da Madeira como um perigoso comunista que defenda quem trabalhe só posso imaginar que pretendia era evitar o seu próprio despedimento. Esqueceu-se é da, justa causa, que no caso dele se aplica perfeitamente, como prova esta notícia:
Vítor Gaspar diz que o buraco é de 6 mil 328 milhões de euros mas pode ainda ser maior. A auditoria das Finanças conta apenas com os encargos assumidas até ao final de Junho. Segundo o semanário Expresso, este ano, o governo regional da madeira assumiu pagamentos futuros num valor de 357 milhões de euros, com obras lançadas em 2011. O Jornal Público vai mais longe e diz que a dívida poderá chegar aos 8 mil milhões.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

A Solene palavra Honra

A a meaça

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje que já falou «uma vez» sobre o assunto «e é suficiente», questionado pelos jornalistas sobre se mantém a confiança no seu conselheiro de Estado Dias Loureiro. Já quando foram feitas as primeiras revelações sobre o caso BPN, Cavaco Silva disse que Dias Loureiro lhe tinha garantido solenemente que nada tinha a ver com as irregularidades do Banco Português de Negócios.
De acordo com a edição de hoje do jornal Expresso, «Dias Loureiro mentiu à comissão de inquérito» parlamentar sobre a nacionalização do BPN quando negou conhecer a existência do Excellence Assets Fund. «Dias Loureiro assinou dois contratos onde esse fundo é parte». Dias Loureiro, justificou ter negado conhecimento do fundo no Parlamento porque não se lembrava da sua existência.

Tinha-se esquecido de um pequeníssimo pormenor. Para quê colocar em causa a palavra deste Sr. se o Sr. Silva acredita nela. Acreditará realmente? Certamente que sabe muito mais que todos nós sobre o assunto e um facto é que Dias Loureiro continua como Conselheiro de Estado. Será o silêncio cúmplice a solução que escolheram? Vamos deixar?

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