"Solte o revolucionário que há em si" Desta forma o direito à indignação e ao protesto das classes trabalhadoras que têm visto os seus direitos profissionais serem suprimidos, vai sendo pouco mais do que uma notícia banal. Um dia manifestam-se os polícias, noutro os enfermeiros, noutro os agricultores e por aí fora, até que qualquer dia, por este andar se torna apenas uma consequência normal do desenvolvimento do nosso país. Cada vez perdemos mais coisas que tínhamos: são as escolas (basta o caso do liceu D.João de Castro situado em terrenos apetecíveis para nos indignarmos!), são as maternidades (as mães de Elvas podem escolher entre ir para o interior do Alentejo ou ir logo ali ao lado a Badajoz(!), são os centros médicos que querem agora transformar em USFs (Unidades de Saúde Familiares) com trabalho escravo (voluntariado!), intentando-se encerrar urgências em centros que se encontravam a funcionar bem. Só um pai que perde um filho por perder tempo numa situação real de urgência sem saber se tem de ir ao Hospital da Estefânia ou se tem que se dirigir ao Hospital de Santa Maria pode compreender a importância de se perderem coisas todos os dias?
O mundo é dos “indiferentes”. Em Portugal a indiferença é uma instituição, uma fórmula, uma atitude. Vai certamente passar despercebida a indiferença dó ministro António Costa aos problemas da classe que governa. Somos-lhe “completamente indiferentes”. E mesmo se saímos para a rua a nos manifestarmos corremos os risco da nossa atitude ser vista com essa atitude de indiferença! António Costa arranjou uma formúla de ignorar o problema: vê os trabalhadores e os sindicatos com indiferença e depois basta-lhe arranjar um sindicato para bode espiatório e vale a penafalar dele depreciativamente, generalizando o protesto a um bando de indigentes com quem nem vale apena falar. Depois de atitudes como a de Berlusconni com a jornalista "de esquerda" que lhe fez frente, se calhar até há quem ache que ainda bem que temos ministros contidos, que reagem de uma forma indiferente a quem os contraria. O Sócrates deve gostar e apoiar uma atitude destas vinda de um seu ministro. As pessoas organizam-se e manifestam-se, mas que importam as pessoas se aos Antónios Costas deste país lhes basta mostrarem-se … apenas "completamente indiferentes"!
É por isso que só haveria uma forma de combater essa indiferença: comparecer massivamente a todas estas manifestações. Mas falta aos portugueses a solidariedade. Serão alguma vez os portugueses capazes de se mostrar solidários, lutando pelos direitos de outras classes (pois se nem se mexem para defender os seus!)? Caso se participasse massivamente em cada manifestação (se não podiam ir todos os polícias iam também os estudantes e os agricultores e os cidadãos) talvez as manifestações passassem a ter maior significado político. Essa seria uma solução para que os políticos não pudessem continuar “indiferentes”. Quando os operários da Lisnave um dia marcharam contra os fuzileiros, estes perceberam que estavam do mesmo lado e acabaram a marchar com eles, engrossando a manifestação. Mas isso eram outros tempos. Hoje todos os direitos podem estar a ser postos em causa ao mesmo tempo que não há um movimento sindical forte que avance para a Greve Geral. Porquê? Desunião dos sindicatos?Terão medo da indiferença, da fraca adesão?


















