"De acordo com a Comissão Europeia, cerca de 20 por cento da população nacional vive abaixo do limiar da pobreza, após receberem as prestações sociais".
"Neste momento cerca de 300 mil portugueses passariam fome se não existissem ajudas perfeitamente aleatórias e discricionárias de iniciativas como a do Banco Alimentar".
"Outro dos factores que leva a que cada vez haja mais pessoas a necessitarem de ajuda prende-se com o facto de um milhão de reformados receberam pensões abaixo dos 220 euros".
"Em 2001, de acordo com o Eurostat, a taxa de pobreza infantil era de 27 por cento e estava a aumentar desde 1995".
Podia continuar por aqui fora a ir buscar números e mais números sobre a miséria em Portugal. Penso no entanto que estes são suficientes para enquadrar esta notícia:
“A Portugal Telecom e a EDP pagaram mais de 17 milhões de euros em indemnizações aos presidentes e administradores que não foram reconduzidos em 2006.O antigo presidente da PT, Miguel Horta e Costa, e outros três administradores, abandonaram a empresa no início do ano passado, recebendo, no conjunto, uma compensação de 10,7 milhões de euros.
Na EDP, a saída de João Talone e dos restantes administradores custou à eléctrica nacional 6,3 milhões de euros, sendo que o antigo presidente da EDP recebeu mais de um milhão”.
Tenham vergonha na cara, meus senhores. A indignidade destes números agride qualquer ser humano e, se um dia a revolta de um povo vos entrar pela porta dentro, lembrem-se que os culpados desse vosso fim são vocês mesmos. Estamos fartos de vos vermos banquetearem-se com a fome dos outros. Não haverá cravos nesse dia.
Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI
Se há quem chore de alegria porque não haveremos de rir de tristeza. Todas as imagens deste blog são montagens fotográficas e os textos não procuram retratar a verdade, mas sim a visão do autor sobre o que se passa neste jardim à beira mar plantado neste mundo, por todos, tão mal tratado. A pastar desde 01 Jan 2006 ao abrigo da Liberdade de Expressão.
sexta-feira, março 30, 2007
A Orgia dos Porcos
sexta-feira, janeiro 06, 2012
O Pentelho que faltava
Confesso que quando o vi todo aprumado na cerimónia a única ideia que me veio à cabeça foram velhas imagens de outras cerimónias em que, ao fundo estava sempre o Dias Loureiro. É o gajo lá ao fundo. Mas neste caso a coisa é bem mais simples e clara, estava lá porque fazia parte do pacote de venda da EDP e que mesmo assim os chineses consideraram um bom negócio.
sábado, outubro 02, 2010
O Sr. Professor de renováveis
Segundo parece são 3 milhões que a EDP vai pagar para o Manuel Pinho ir dar aulas aos americanos. Com a crise que por aí anda, por ouvir os nossos empresários como o Mexia a falararem da baixa qualificação dos portugeses parecia mais acertatado que utilizassem esse dinheiro em faculdades cá do burgo? Afinal os milhares de milhões de lucros da EDP ao longo destes anos foram todos conseguidos com a venda em monopólio de uma, senão da, electicidade mais cara da Europa.
sábado, março 10, 2012
A Garganta funda dos mercados
O Estado vai receber menos 180 milhões de euros em dividendos este ano com a remuneração accionista que será paga pela EDP e pela REN.
Só podem estar a gozar com a nossa cara. Aos portugueses pedem-se todos os sacrifícios ao ponto da fome, pobreza e miséria e depois desbaratam todo esse esforço sabendo que brevemente nos vão exigir ainda mais e mais. Privatizam o que dá lucro e até a própria água está nos seus planos. Até quando vamos ver e calar este saque aos nossos direitos e às nossas vidas? Até quando vamos ficar parados? Nós somos os 99% e por isso o mundo é nosso.
terça-feira, junho 17, 2008
Apito Rosa
«Os custos com as dívidas incobráveis da electricidade vão passar a ser pagos por todos os consumidores. Hoje, é a EDP Serviço Universal que assume os encargos totais dessas dívidas. Mas a proposta da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) para o próximo período regulatório de 2009/11 prevê que os encargos com esses compromissos passem a ser partilhados com os consumidores de electricidade a partir do próximo ano, nas tarifas de electricidade.»
in [Diário de Notícias]
Quando é a própria entidade reguladora que vem dizer às empresas como terem mais lucros à custa dos clientes, ou seja de todos nós a coisa vai mal.
Muitos defendem que é na liberdade do mercado, na livre concorrência que estão todas as virtudes e a melhor forma de pagarmos o preço justo pelos produtos que consumimos. Deixem o mercado funcionar, dizem. Claro que todos sabemos que a ganância, a febre do dinheiro e a falta de escrúpulos são coisas que não faltam por aí, pelo que quando passaram a dar-lhes para as mãos bens essenciais à nossa sobrevivência, tínhamos um problema. Como controlar estes ladrões? Inventaram então aquilo a que chamam “Entidades Reguladoras, mais uns tachos para uns quantos que teriam como obrigação garantir que o estado não perdia todo o controlo sobre áreas essenciais. Combustíveis, energia, água, transportes, Banca, etc. Esta gente devia garantir que os cidadãos e o estado estariam protegidos da especulação e dos monopólios. Deviam, mas pelos vistos não o fazem. A responsável pelos combustíveis não sabia nada dos preços da gasolina e demorou semanas para fazer um relatório que dizia estar tudo bem. Basta ver este exemplo, que retirei do “Publico” para ver como estão atentos:
«Assim, um camião que seja carregado com
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos ainda vem ensinar a EDP como nos pode roubar ainda mais e só espero pelo dia em que também o Banco de Portugal proponha aos bancos que retirem das nossas contas os créditos mal parados que têm. Afinal, estes “árbitros” que deveriam ser o garante de haver um jogo limpo também têm uma apito colorido, só faltando saber é qual a fruta que preferem.
Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17
sábado, julho 28, 2012
Lista de Luz Negra
segunda-feira, março 31, 2008
Desculpas e esquecimentos
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, negou este domingo alguma vez ter exigido um pedido de desculpas a António Borges sobre as acusações que fez sobre a EDP e disse não se lembrar de ter falado com o economista após o congresso do PSD de 2005.
António Borges acusou Manuel Pinho de "exigir a apresentação de um pedido de desculpas" pela sua crítica à forma como foi conduzida a mudança de presidência na EDP, "caso contrário nunca mais haveria trabalho para o [banco] Goldman Sachs em Portugal. Aliás, como nunca mais houve", acrescentou António Borges, que na altura era vice-presidente daquele banco norte-americano.»
in [Portugal Diário]
Talvez, se o Ministro Manuel Pinho não andasse tanto a pensar no seu Allgarve , no golfe e em vender a mão de obra barata de Portugal pudesse puxar um bocadinho pela memória. Esta amnésia tinha-se evitado se, este D. Sebastião que aqui aparece de tempos a tempos saído do nevoeiro Londrino, para dar uma entrevista e mostrar que está vivo, sempre na esperança que alguém o convide para líder do PSD, não tivesse esperado três anos para contar a história. O que tudo isto mostra é que esta gente vive num ambiente de favores, de negócios com empresas ou bancos feitas por amizades e compadrios. De quando em vez, lá se zangam as comadres e nós sabemos algumas verdades.
Contributo para o Echelon: spies, IWO, eavesdropping
quinta-feira, março 15, 2012
O poder eléctrico
«O secretário de Estado da Energia é a primeira baixa no Governo de Pedro Passos Coelho. Henrique Gomes - que foi substituído no cargo por Artur Trindade, director da entidade reguladora do sector energético (ERSE) - apostou na reestruturação do sector e no corte de custos que têm um impacto na tarifa energética, mas fê-lo contra os operadores do sector e acabou numa guerra que resultou na sua demissão.
Os verdadeiros motivos para a sua demissão prendem-se com as tensões entre Henrique Gomes e os principais ‘players' do sector, em especial a EDP, que começaram praticamente desde que tomou posse há oito meses. O mais recente caso terá sido o estudo encomendado pelo Governo a uma entidade independente para avaliar o custo das rendas excessivas pagas pelo sistema eléctrico nacional às grandes produtoras de electricidade, e que apontava para um ‘cheque' de 3,9 mil milhões de euros a essas empresas. O objectivo do Governo seria cortar 2,5 mil milhões deste montante, seguindo assim as orientações da ‘troika' que exigem uma forte redução dos custos de interesse económico neste sector.»
Uma renda de quase 4 mil milhões de euros corresponde quase a um BPN por ano para a empresa que num ano pagou 4 milhões ao seu António Mexia de salários e prémios, e que todos os anos bate os recordes de empresa com maiores lucros (este ano acima dos mil e duzentos milhões). Paga e sobra os cortes nos salários e nos subsídios ou no Serviço Nacional de Saúde. É para aí que são canalizados os sacrifícios que nos pedem num país onde pagamos os mais altos preços na conta da electricidade. Oferecem os dividendos da EDP e da REN, aceitam que a lusoponte receba as portagens e a compensação paga pelo estado para não as receberem e descarregam milhares de milhões nas contas dos Senhores do capital.
Será que temos de aceitar um país atirado para a miséria para encher o papo a esta gente?
segunda-feira, dezembro 19, 2011
A Privatização da EDP vai dar à luz
Certo é que as águas já rebentaram e, se a ecografia não enganar, a criança vai-se chamar E.ON.
sexta-feira, abril 02, 2010
O "João Ratão" e o tacho dos milhões
António Mexia ganhou mais de 3 milhões em ordenados e prémios no ano de 2009. A este a crise não incomoda muito.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Compadres e compadrios na toca do Coelho
O Passos Coelho bem disse que com ele no governo iam acabar os cargos de nomeação partidários e o compadrio. Como até agora, desde que é Primeiro-ministro, sempre fez o contrário daquilo que disse em campanha acabou por não ser surpresa para ninguém. Há que pagar favores e nisso o Coelhinho já mostrou ser honesto, coisa que não consegue fazer em tudo o resto.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
A Arma branca
Um anónimo deixou esta história na caixa de comentários de um post anterior.
Este país (dos aeroportos, TGV´s, Luso Pontes e contentores, BPN´s e BPP´s, Felgueiras, Torres, Sá Fernandes e Loureiros, magalhães e popós-eléctricos, Casa Pia (poucos dentro e muitos fora), velhinhas e freiras a serem presas por pequenos delitos enquanto os verdadeiros criminosos são mandados para casa, idosos a morrerem de fome em tugúrios a cair enquanto se distribui apartamentos e dinheiro a rodos por traficantes, drogados e por quem nunca quis e não quer trabalhar, Saúde, Justiça e Educação com os maiores orçamentos da Europa com os resultados que todos sabemos, EDP´s com lucros fabulosos mas que o regulador diz que as tarifas deviam aumentar 30%, Galp´s cujos preços sobem com o aumento do crude mas que quando o mesmo desce o regulador afirma que os preços não baixam porque o que interessa é o preço do produto refinado, BdP´s que a única coisa que vigiam são as suas reformas douradas, etc., etc.,) começa a exalar um fedor superior ao que se sentia nos últimos anos do chamado Estado Novo...
Para a queda do anterior regímen dei algum contributo, pequeno certamente, mas era o que estava ao meu alcance.
Agora que sinto que o actual, de tão podre, com um pequeno empurrão pode ser obrigado a regenerar-se, apetecia-me também fazer alguma coisa.
O quê, não sabia, mas, há uns dias ao ler num blog que o autor sonhava em promover um “golpe-de-estado”, só que para além do medo que tinha da ASAE não sabia como, deu-me o alento de que necessitava.
- Golpe-de-estado, logo armas; armas? Armas? Oh diabo, não tenho!
Lembrei-me então de que em tempos muito distantes tinha possuído uma fisga; vai daí, corri para o sótão e comecei e remexer os baús velhos; depois de muito lixo e memórias já esquecidas, voilá, a fisga! Já estava armado!
No entanto a felicidade que me possuiu, cedo de esfumou; soprado o pó, estico as borrachas e, paf!, de ressequidas, partiram! Desilusão, amargura: estava desarmado novamente...
Infeliz, passei dias a tentar encontrar uma solução; pensei, pensei e nada.
(Eu sei que devido à vida desregrada que levo, nada condicente com a via para o admirável mundo novo que está em curso, já muitos neurónios fundiram; tal não é de estranhar dado que eu fumo, delicio-me com um bom cognac, bebo vinho às refeições e barro o pão com manteiga, devoro queijos da Serra, Serpa e Azeitão, adoro presunto de Chaves e bons enchidos alentejanos, prefiro cerveja a bebidas light , bebo água sem sabores e, heresia das heresias, não fumo charros nem me drogo e não arranco de empurrão. Perdoem-me, tentem compreender este pobre decadente, que eu prometo ficar longe dos vossos filhos.)
Mas voltando à vaca fria; armas, onde as encontrar?
Atentos ao meu desespero (ou se calhar para se verem livres de mim) alguns amigos disseram: - “Eh pá, se queres uma arma vai a uma dessas Quintas das Fontes ou Bairros das Boavistas, que é coisa que lá não falta.”
Felicíssimo, agradecido pela ajuda, comecei a planear a incursão; sim, não se vai a um sítio daqueles sem preparação.
Lembrei-me que há uns tempos atrás, algumas figuras de vulto desta praça, por lá tinham feito uma passeata e tinham regressado vivos e com todos os bens, coisa que nem sempre acontece a outros cidadãos, táxis ou até à polícia. Depois de alguma pesquisa encontrei a solução.
Assim, com uma t-shirt branca na qual tinha pintados dizeres como peace, love, somos todos iguais, black is beautiful (pelo sim pelo não acrescentei também gitanes are very good, too), cravo vermelho na mão, sorriso parvo na cara (tipo António Costa) e assobiando o último rap, destemido por fora mas receoso por dentro, para as ditas Quintas eu fui.
Lá chegado, apesar de estar fardado à maneira, cedo pressenti que algo não estava a correr bem; mimoseado com alguns piropos não muito abonatórios da minha pessoa bem assim como de algumas sugestões do uso que gostariam de fazer de algumas aberturas do meu corpo, apercebi-me então que, levado pelo meu entusiasmo, tinha cometido um erro grave: faltava-me o apoio.
As pessoas gradas e importantes, quando visitam aqueles locais, vão às manadas e com um batalhão de repórteres atrás (aliás só lá vão para aparecer nas TVs e debitar coisas que nem eles acreditam).
Eu estava sozinho, nem uma pequenina Kodak apontada para mim, e a ameaça de passarem das palavras aos actos ia crescendo, sem que ninguém levasse em conta o valor das mensagens que eu orgulhosamente ostentava no peito; com o temor quase pânico, comecei a pensar que isto de querer fazer uma revolução tinha os seus perigos!
Quase já acossado, apavorado, corri para um sítio onde a concentração de BMW e Mercedes topo de gama era maior e junta à qual estava um grupo de nativos que me pareceu ser menos perigoso, gritando: - “Meus, mim querer comprar arma!” (não domino muito bem a língua local)
Iniciadas as negociações rapidamente chegámos ao ponto de ajustar a mercadoria que eles podiam disponibilizar (a oferta ia desde mísseis, passando por shot-guns até à singela ponta-e-mola) à minha disponibilidade financeira; na altura, dado que entidades menos bem comportadas têm tido direito a toda a espécie de subsídios, telefonei ao Teixeira dos Santos, mas, não tendo sido bem sucedido (ele disse-me que os pobrezinhos do BPP lhe tinham levado os últimos tostões), acertámos a compra de uma pequena pistola; enfim, rejubilei, o primeiro passo em direcção ao derrube do poder estava dado!
Antes de pedir o salvo-conduto para me poder retirar sem problemas, ao inspeccionar o trabuco que tinha acabado de comprar, constatei que o mesmo não tinha munições: “Oh meus, o que é isto?”
Depois de me explicarem que eu só tinha pedido por uma arma, lá reiniciámos as negociações para que eu pudesse adquirir algumas balas; ao pretender obter pelo menos um carregador cheio, começaram as dificuldades.
Interrogatório cerrado, todos ao mesmo tempo, gritando: “Para que é que queres tanta munição? Quantos são os membros do teu agregado familiar (incluindo a sogra)? Quantos inimigos tens (excluindo os membros do Governo, oposição e toda a classe política)? Queres fazer-nos concorrência?”
Com muito esforço, depois de muito esbracejar para os tentar calar, lá consegui fazer-me ouvir: “Meus, é para dar início a um golpe-de-estado”!
Ao ouvirem tal, o silêncio que se seguiu gelou toda a Quinta e arredores, parecendo que o tempo tinha parado e a terra deixado de rodar; as faces deles empalideceram para rapidamente enrubescerem (na realidade não vi, mas suponho que foi isto que se passou por debaixo da pele); empertigaram-se, fuzilaram-me com os olhos, e o maior deles, qual Adamastor, vociferou: “Ó desgraçado, escória humana, ser abjecto (as palavras não foram bem estas, foi mais para o vernáculo), tu queres destruir este paraíso?”
Eu minguei, encolhi, as cuecas ficaram um bocadinho húmidas; com voz trémula, tentei argumentar, falar dos escândalos, das esperanças desiludidas, bláblá, bláblá, mas quando pronunciei as palavras socialismo e revolução o rugido que se fez ouvir, quase me siderou:
“Ó filho de uma mula sem cabeça (apercebi-me logo que era comigo, não com o inginheiro) então tu não vês que a revolução já está em marcha, que o socialismo está na sua máxima pujança? Olha à volta, burro capado, vês os carros, vês as caixas de multibanco arrombadas, vê as jóias que tenho ao peito, vai ver ao plasmas que tenho em casa, tudo gamado aos ricos para benefício dos pobres; se isto não é socialismo, se isto não é redistribuição da riqueza o que é então?”
Ia abrir a boca para falar, mas atendendo ao desenrolar dos acontecimentos, achei por bem ficar calado; aliás ele nem deixou, agora mais calmo, continuou a arengar:
“Ó filho de um cachorro que até a sarna despreza, és um ignorante que não mereces a classe política que tens! Tu não entendes nada! Porque é que julgas, por exemplo, que se alterou o código penal? Hã, hã, diz lá?”
“Por razões economicist...”, pretendi retorquir...
“Piolho coxo das partes íntimas, nada disso! Incapazes da implantação do socialismo por causa das forças capitalistas do bloqueio (desconfio que este tipo esteve nalgum congresso do PCP ou BE) a nobre classe política decidiu delegar em nós a tarefa da socialização de Portugal! Para que a revolução avance, não podemos ser presos, temos que estar livres! Roubando eles por um lado, nós por outro, somos o garante de uma futura sociedade igualitária sem classes!
Parecendo-me que as águas estavam mais calmas, menos encolhido, mais húmido, baixinho, atrevi-me: “Mas eles não redistribuem; eles comem tudo e não sobra nada.”
“O quê?”, gritou o matulão... mas ficando logo de seguida pensativo.
“Agora vou ter que pensar sobre isso; dá cá a pistola e desaparece daqui, rato de esgoto com hemorróidas (era comigo, não com Jaime Gama).”
Sem dinheiro, sem pistola, com as cuecas em estado lastimoso, apressei-me a obedecer.
Chegado a casa, olhando-me ao espelho, disse para os meus botões (que por acaso era um fecho eclair): “Falhado, como queres iniciar um golpe-de-estado se nem uma arma consegues adquirir”; juro, algumas lágrimas debitei.
Depois das necessárias abluções, retemperadas as forças, sentei-me em frente ao LCD (é menos tentador para os agentes da socialização do que o plasma) para pensar; como para pensar preciso de estímulos inteligentes, liguei nas novelas da TVI (o canal 2 ou os Contemporâneos também me ajudam).
A palavra armas não me saía da cabeça; como conseguir uma... Num dos intervalos das novelas, ao correr canais, deparo-me com um programa a preto e branco no qual um gadelhudo cabeludo, fardado à militar bêbado, exclamava: o voto é a arma do povo!
Qual Arquimedes, mesmo não estando no banho, gritei: Eureka!
Aqui estava o que me faltava para poder levar os meus desígnios em frente: O VOTO!
O voto... mas se o voto é uma arma, como é que a mesma funciona? A minha cabeça fervilha, as orelhas já fumegam, os dentes já me doem de tanto ranger... Como é que aquilo é uma arma?
Não sendo praticante há mais de duas dezenas de anos, a recordação que eu tenho do Voto, é que o mesmo é um pedacinho de papel com uns bonequinhos e quadradinhos impressos no qual é suposto pormos uma cruzinha e depois enterrá-lo numa urna; como não me lembrava de nenhuma guerra, intentona ou agressão com utilização de votos, fui fazer pesquisas nas enciclopédias e até na net ; nada! Virei-me então para aqueles amigos que não falham uma votação e pedi-lhe que esclarecessem!
Eles lá tentaram, mas eu não percebi nada; contaram-me eles que ao votar em determinada força politica em detrimentos de outras, estavam a apoiar quem mais prometia ajudá-los sendo assim o voto como que uma arma, pois que atirava os oponentes para uma espécie de limbo.
Confuso, perguntei: “assim sendo, e tendo os portugueses disparado o voto em todas as direcções por mais de 34 anos como é que estamos todos pior de vida com excepção das classes ditas dirigentes e parasitas que os gravitam?”
Como ninguém me respondeu, lá voltei eu para o meu sofá e telenovelas; triste, acabrunhado, pois que aquilo que eu pensava pudesse ser a minha última tábua de salvação, mesmo que fosse uma arma parecia disparar na direcção errada.
Milhares de horas depois, muitas lágrimas vertidas assistindo aos dramalhões, insidiosamente, uma ideia começou a germinar; durante as minhas recentes pesquisas sobre o voto reparei que os partidos em que poucas pessoas votavam tinham tendência para desaparecer e com eles os políticos que lá se acolhiam; algumas vezes, para sobreviverem iam pedir asilo a outros mais votados; logo, esperto, cabecinha pensadora, concluí:
Político alimenta-se de voto! E político privado de voto fenece e já não tem força para comer mais nada!
Aleluia, os sinos já repicam, tinha a arma que me faltava: a abstenção ou o voto em branco!
Estou convicto que com uma abstenção elevada e/ou um número significativo de votos em branco alguém vai mandar parar o baile e exigir que as cartas sejam dadas de novo; eu sei, já os estou a ouvir, é uma acção perigosa para a democracia (há maior perigo do que o estado a que ela chegou? Até a vergonha já se perdeu)!
Alternativa? Olho, procuro, e só vejo as mesmas caras, com os mesmos vícios e desprezo pelo chamado povo; certamente há, mas as barrigas inchadas, as ancas mais gordas e os cada vez mais recheados sacos das benesses e contas bancárias não deixam ninguém chegar à frente.
Então porque não iniciar uma campanha, junto dos amigos e conhecidos, apelando à abstenção ou voto em branco?
A ser bem sucedida talvez algumas fendas se abram e gente honesta e com vontade de servir, e não de se servir, possa aparecer.
Se nós, vítimas do voto nada fizermos, nada vai mudar!
Ainda hoje li no blog “O Libertário” a frase de Errico Malatesta “Foi o sufrágio universal que fez com que um certo socialismo encontrasse a oportunidade de se situar no terreno parlamentar e de se corromper e de se aburguesar”.
Eu já votei em Branco mais que uma vez, numa tentativa de fazer o voto de protesto que deslocar-me à secção de voto e votar branco devia representar. Surpresa minha, esse voto de protesto é anunciado como “Brancos e nulos”. É misturado com aqueles que se enganaram, que não acertaram com a cruz no quadrado. Que fazer então com o meu voto? Só ir colocá-lo na urna nada resolve. Assim, só me resta uma solução, ir procurar e juntar-me a outros que passem pelo mesmo que eu. Procurar outros a quem a exposição diária à televisão ainda não tirou a lucidez de pelo menos questionar o que nos é impingido pela comunicação social, a voz de todos os poderes. Se não vemos nenhuma alternativa temos de a ir procurar. Ainda há gente honesta por aí e, teimosa suficiente, para assim se manter. Quem sabe um dia a anarquia seja, não um meio para atingir um fim, mas o próprio fim a atingir.
sábado, janeiro 14, 2012
Um tacho de pentelhos
terça-feira, fevereiro 19, 2013
CDIAP Lava mais branco
terça-feira, junho 11, 2013
Portugal a saldos
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Quando a realidade envergonha
Como vive esta gente? Não me perguntem que nem consigo imaginar, nem como sobrevivem, nem o desespero de verem os seus filhos com fome e despejados na miséria. Que discurso pode fazer um dos nossos politico que não fique logo desacreditado por esta realidade. Um país em que tantos vivem na pobreza extrema e os outros no medo de também lá poderem cair. Vidas sem esperança algumas, vidas precárias de outros.
domingo, janeiro 15, 2012
Novos "comunistas" vieram à luz
terça-feira, dezembro 28, 2010
O dia do "dá cá o meu" dos acionistas da PT
Hoje vão ser pagos os dividendos aos acionistas da PT pela venda da VIVO. Normalmente só seriam pagos no próximo ano, mas como o governo anunciou um aumento dos impostos nada como antecipar os lucros. O governo quando ouviu falar disto, gritou -Malandros, isto não pode ser, mas rapidamente se esqueceu e até o acionista Caixa Geral de Depósitos acabou por votar no "dá cá o meu", enquanto, na Assembleia da República, o PS batia o pé para que nenhuma lei pudesse ser aprovada para o impedir. São muitos, mas mesmo muitos milhões que alguns, poucos, vão embolsar enquanto para os outros ficam os sacrifícios para pagar a crise que a banca e a ganância capitalista criou. Só nós devemos pagar, só a nós nos pedem que contribuamos para salvar o país. Reduzem-nos os salários, mas não pedem às empresas, como por exemplo à EDP, que também contribua reduzindo os seus lucros para nos aliviar um pouco o peso da austeridade nas contas dos consumidores, antes pelo contrário, aumentam os preços em quatro e meio por cento.
O país está de rastos mas o que vemos é pedir a uns, aos que menos têm, que paguem para que os grandes grupos económicos possam continuar a endividar o país a seu belo prazer em busca de maiores lucros. Até quando vão calar a vossa indignação?
segunda-feira, julho 23, 2012
Quanto vale um kwanza
De há uns tempos para cá que não há ministro ou secretário de Estado que não passe por Luanda. (Alguns mais valia tirarem o passe que devia ficar mais barato). Portugal está à venda e ali há uma classe dirigente residente, bem abastada e com a vontade de negócio. Energia, comunicação social, construção, banca, tudo se vende e tudo compram. Sabendo-se que em Portugal cada vez mais governa o dinheiro que os interesses do país é natural que alguns fiquem preocupados por ser a filha de um governante que há mais de 30 anos governa com pulso de ferro, reprime manifestações e onde a corrupção é moeda de troca corrente, quem cada vez mais manda em sectores estratégicos para Portugal.
Longe vão os tempos em que a politica internacional acenava com os direitos humanos, com a liberdade e democracia. Agora, vende-se a EDP e a REN ao Partido Comunista Chinês e Angola é recebida de braços abertos, sem uma palavra, uma critica, sem uma pequena observação. Com o fim da cortina de ferro já não há necessidade de pensar nos povos como forma de impedir o avanço "comunista". Os povos são agora só gado e é o dinheiro que fala cada vez mais alto. Os mesmos que há algum tempo chamavam de ditador, corrupto, assassino e outras coisas do género ao José Eduardo dos Santos são os mesmos que hoje se curvam perante ele no beija mão submisso.
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Negócio da China
Para ter entrada directa e em força no Brasil e nos Estados Unidos o preço foi realmente muito barato. Para quem vai sair caro é para nós, porque perdemos o controlo de mais uma empresa estratégica para o país e é interessante reparar que foi o governo mais de direita, mais liberal e mais capitalista após o 25 de Abril quem vendeu uma empresa pública a um governo chinês e comunista.




