segunda-feira, abril 24, 2006

Retratos de trabalho de uma guerra colonial

Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada!
Extrato do poema "FMI" de José Mário Branco

Contribuição para o Echelon: psyops, infiltration

5 comentários:

  1. Pobrezinho. Então achas que cortar cabeças era privilégio nosso? Eles nunca cortaram nada, pois não?

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  2. Nós eramos supostamente os civilizados e nós é que deviamos ter compreendido muito mais cedo que o sistema colonialista que existia não podia continuar.

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  3. MaquinaZero: Por uns o fazerem não nos dá o direito de também o fazer e na nossa história há muitos factos de que não nos orgulhamos. Isso no entanto não quer dizer que o não tenhamos feito nem que o devemos esquercer. as coisas foram como foram e o que devemos fazer é aprender com os erros para não mais os repetirmos. Desculparmo-nos com os actos dos outros ou fechar os olhos para não ver não são soluções.

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  4. È obvio que ouve excessos de parte a parte. É sempre assim numa guerra.

    O que devia ter sido feito era termos começado a fazer anos antes era uma descolonização faseada, suave, "amigável", sem guerra ou destruições massiças de infraestruturas. Errou a todos os níveis o Estado Novo por não ver o que era inevitável e depois do 25 de Abril a descolonização foi feita apressadamente, sem atender a ameaças que pairavam sobre as nossas colónias ( veja-se o caso de Timor, em que já se adivinhava o que iria acontecer e a guerra civil em Angola, rasgada por jogos de interesses entre americanos, russos e cubanos ). O que ficou da herança portuguesa em África? Ruinas e pouco mais. Podia ter sido bem diferente. Quem errou? Talvez todos...

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  5. A falta de visão do antes 25 de Abril e a inevitabilidade do pós. O que é necessario agora é, sem paternalismos, criarmos uma comunidade, não só de lingua, mas também economica entre todos estes novos paises. Esse sempre foi o nosso destino, Africa, e não uma Europa onde seremos sempre uns outsiders.

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