segunda-feira, janeiro 21, 2008

Nacionalizações capitalistas

 Manuel Pinho

O ministro da Economia fez um apelo para que sejam disponibilizados «rapidamente» os terrenos necessários para permitir a expansão da Citröen em Mangualde. A marca francesa ameaça deslocalizar-se para Marrocos caso não consiga as condições para ampliar as actuais instalações da fábrica.
O presidente da autarquia de Mangualde comprometeu-se, há mais de um ano, a expropriar terrenos de modo a que a empresa tivesse possibilidade de se expandir, o que até agora não aconteceu.
Manuel Pinho salientou também que para existir competitividade em Portugal é preciso dar «boas condições às empresas, o que deverá acontecer não só ao nível dos «terrenos para expandirem a produção», mas também da «qualificação da mão-de-obra» e «apoios ao investimento».
in "TSF"

Esta noticia não é nova, depois disto já está garantida a manutenção da fábrica e até a produção de dois novos modelos da marca. Tudo parece estar bem quando acaba bem, mas houve nesta notícia lago que me chamou a atenção. A ideia de “expropriar” terrenos para oferecer à Citroen parece-me ser, no mínimo, abusiva. Pensava eu que eram os “terríveis comunistas” aqueles que nacionalizavam a propriedade privada, mas não, são agora os liberais que expropriam a propriedade privada para oferecer a empresas. Já lá vai o tempo em que as grandes empresas compravam terrenos, construíam fábricas e formavam a sua mão-de-obra. Agora, essas empresas simplesmente escolhem quais são os terrenos que desejam e dizem aos estados para os retirarem aos seus donos e lhos oferecerem numa bandeja. Qualquer um de nós pode perder um terreno ou uma casa se uma grande empresa se lembrar de a pedir. Neste momento os estados estão reféns das empresas que fazem chantagem com as deslocalizações. Sabendo as dificuldades porque passam a grande maioria das pequenas e médias empresas portuguesas, á terrível pressão e justiça cega das nossas finanças sobre elas, custa ver os grandes grupos económicos a terem isenções e até a receberem, sob a capa da formação, dinheiro dos estados.
Estou farto de aqui dizer que não sou economista e que até lhes tenho alguma raiva, mas certamente não me parece que este seja o caminho de um país que quer manter a sua dignidade e a possibilidade de decidir do seu futuro. Será que esta ideia do capitalismo globalizante já há muito não ultrapassou tudo o que é admissível? Não estará na hora de arrepiar caminho? Pergunto-me o que será mais justo, nacionalizar os recursos naturais de um país e colocá-los ao serviço dos cidadãos desse país, ou expropriar terrenos para oferecer a privados.

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

11 comentários:

  1. Tal e qual. Uma pessoa fica pasmada com as coisas que lê e ouve.
    Para onde irá isto caminhar ainda?
    Beijinhos

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  2. Força Kaos, avança, estou contigo!

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  3. Pensava eu que eram os “terríveis comunistas” aqueles que nacionalizavam a propriedade privada, mas não, são agora os liberais que expropriam a propriedade privada para oferecer a empresas.

    Que disparate. Quem expropria e esbulha é o Estado. Se o faz para o "bem comum" ou para o "colectivo" ou para "interesses especiais" é indiferente. Chama-se a isso "colectivização dos meios de produção" - socialismo.

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  4. Proponho que se exproprie o Sr. Ministro e o Sr. Presidente da Câmara dos respectivos tachos...

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  5. Os extremos tocam-se. Grande verdade mais uma vez verificada.

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  6. Infelizmente não nos resta outra alternativa que não esta de satisfazer a vontade das multinacionais para as manter por cá, pois caso contrário lá vão mais uns milhares para o desemprego. É que se não há facilidades para eles cá continuarem há muito quem lhas ofereça por essa Europa fora. Não significa que esteja de acordo com este principio, mas como disse anteriormente não nos resta outra alternativa.

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  7. Os extremos tocam-se (2). Qualquer dia será a população a dar aulas (perdi os professores, mas ganhei a população -MLR).

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  8. Não enchergo népia de economia, mas dá para ver que este amigo anterior fala uma linguagem que não entendo ou então o dito não entendeu o post.

    Colectivizar os meios de produção é, penso, para o bem comum, ou deveria ser.

    Aquilo a que se refere o presente post, é o contrário, ou seja o estado vs privados, expropia o que bem entende, não para o bem de todos mas sim de uns quantos, ou seja, para o bem, neste caso dos franciú. E quando estes estiverem fartos de chupar na teta da mão-de-obra escrava do portuga, vão-se embora (como muitas outras) e cagam em nós. Aliás a auto-europa ainda não se pôs à sola, porque estes tipos, digo, Sócrates, Pinhos e afins, abaixaram-se tanto em benesses que ficaram com o rabo totalmente à mostra. Àh, mas dizem-me, pá, tá bem mas os gajos (AE) "aguantam" uns milhares de postos de trabalho, blá, blá blá,
    e eu pergunto:
    E quanto isso nos custa a todos?
    É assim que o país se se desenvolve?
    A isto (AE) chama-se trabalho temporário, enquanto os governos se vão abrindo que nem flores na primavera, os tipos (patronato estrangeiro) vão sugando o que falta, depois, bem, depois é a fome genelarizada.

    Por falar em auto-europa, nesta última "remodulação", foram para o desemprego cerca de 400 artolas que trabalhavam em fábricas de apoio. Isso ninguém fala, os próprios sidicatos da AE e quejandros, fecham-se em copas, pois tem (legitimamente!!!!) de segurar o tacho e aqueles desgraçados que se fo....am.

    Como dizia o outro "é a vida"

    Abraço

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  9. Colectivizar os meios de produção é, penso, para o bem comum, ou deveria ser.

    A mera noção de colectivização os meios de produção é antagónica de qualquer noção de "bem comum". Quando ninguém pode estar seguro da sua propriedade, não se vive em qualquer sociedade de bem.

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  10. aa,vá para o caralho!!!Já não tenho pachorra para vos aguentar.E eu, que nem era satlinista já sonho coma URSS

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  11. Desculpem o cinismo, mas esta tem piada: "Vice-presidente da Comissão Européia é contra subsídios para atrair empresas" (http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3080972,00.html)
    Octávio Lima (ondas3.blogs.sapo.pt)

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