Na abertura da fase de instrução do processo «Apito Dourado», os principais arguidos como Valentim Loureiro, Pinto de Sousa ou José Luís Oliveira não se mostram preocupados nem procuram negar os factos pelos quais são acusados. Esta tranquilidade dos principais arguidos no «Apito Dourado» tem como «escudo protector» a ideia de que a lei de corrupção no desporto é inconstitucional.De acordo com a defesa dos principais arguidos, o crime de corrupção não é aplicado neste caso.Em causa está também um pedido de nulidade das escutas telefónicas feitas pela defesa de José Oliveira e Valentim Loureiro por alegadas ilegalidades na obtenção dessas escutas.In TSF
Não deixa de ser estranho e de um despudor imenso o facto dos acusados, que ocupam cargos e mexem com dinheiros públicos, não procurem demonstrar a sua inocência relativamente aos crimes de que são acusados, mas simplesmente, encontrar subterfúgios legais para evitar ser condenados por eles. Mesmo que o consigam, que moral e com que cara poderão aparecer em frente de quem os elege e de quem os nomeia para cargos públicos, e continuar a pedir a sua confiança. Como pode a gestão dos dinheiros de todos nós continuar a ser confiada a esta gente, que aceita o ónus da culpa procurando simplesmente fugir ao castigo.
Não sei se a lei é inconstitucional ou não, embora estranhe que se possa considerar sequer que a corrupção quando efectuada no desporto não possa ser punida, não sei se as escutas foram todas legais ou não, mas que no fim tudo aponta para a sua culpabilidade, parece evidente.
Se, virão a ser condenados ou não, ainda se está para ver, mas a culpa já lhes está colada à pele. Só mesmo a falta de vergonha, lhes vai permitir que continuem a armarem-se em virgens ofendidas e a “mandar postas de pescada” para o ar. Haja vergonha e sobretudo coragem para retirar esta gente da vida pública deste país.
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