quarta-feira, maio 17, 2006

Don Quijote de la Moura carrega sobre os novos moinhos eólicos

Já há algum tempo que não via a cara do Pina Moura nos ecrãs da televisão. Veio “pressionar” o governo com uma apresentação do seu projecto que concorre ao concurso público para adjudicações no sector das energias renováveis (pelo menos foi o ângulo pelo qual a SIC noticias tentou pegar no assunto).
Embora o resultado desse concurso só deva ser conhecido daqui a dois meses, ficámos já a saber que vão criar 500 empregos directos e 200 indirectos. Uma sessão de charme para povinho ver, que o governo está careca de saber esses e outros números dos projectos apresentados (é por isso que não acredito muito na “virgindade e pureza” da comunicação social).
Ora ai está uma das áreas onde o grande capital não se importa de investir na produção; a energia. Foi “oferecida” pelo estado aos privados, que avidamente se agarraram à mina de ouro. Basta pensar que a EDP apresentou no ano de 2005 um lucro recorde de 1.071 milhões de euros, e para o ano já foi anunciado que o aumento da energia eléctrica para os consumidores privados, todos nós, será de 4,5% (“Se bem me lembro”, como dizia o Nemésio).
Reli agora aquilo que escrevi e deparei-me com a seguinte pergunta: mas afinal o que há aqui de anormal que justifique que esteja para aqui a escrever isto? Aparentemente, nada, tirando talvez o facto de a empresa ter lucros tão fabulosos e nós pagarmos a electricidade mais cara da Europa.
De pergunta em pergunta lá me perguntei de novo: mas porque razão não ficou o estado, tão carente de dinheiro, com o controlo da energia e dos lucros que gera? Eventualmente poderíamos, nós consumidores, ser beneficiados caso o governo abdicasse de algum lucro em troca de electricidade mais barata e ganhava o estado receitas. Sim, que aquele “chavão neo-liberal” de que a concorrência gera preços mais baixos não pode ser tão levianamente generalizado. Veja-se o caso dos combustíveis, da electricidade e espero que nunca se venha a ver o caso da água (estão-lhe com uma fome e são muitos cães a um osso).
Mas, se calhar devemos todos agradecer ao Primeiro-ministro, não só a este a todos os outros e também a todos os ministros por nos permitirem chegar a 2006, em crise é verdade, mas a podermos ouvir o Pina Moura anunciar que se o deixarmos ganhar nos oferece 500 novos empregos. Já ganhámos o dia.

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Contributo para o Echelon: SIGDASYS, white noise

8 comentários:

  1. mais um taxista a "mamar" à conta do nosso dinheiro...que se há-de fazer???

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  2. cavaleiro:
    Se fosse só um até era de calar e deixar, mas eles são tantos (cardumes deles) que acabam por comer tudo e nem o osso nos deixam para roer.

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  3. sinto-me tão triste e tão pequenino!
    e presumo, que outros cidadão sentirão o mesmo, quando colocados perante este verdadeiro portento, com uma versatilidade fantástica, com uma capacidade de trabalho imensa, com competências em qualquer área e, que ainda por cima é deputado....
    não é para qualquer um!....

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  4. luikki:
    O homem trabalha para a IBERDROLA e o mais grave é se já trbalahava quando foi ministro da economia. Eu cá não sei, mas há vozes no ar que dizem que sim.

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  5. Olaré!
    Eu também fico desconfiado desta pândega toda!
    Mas enfim...

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  6. mitro:
    A cada dia que passa vou sentindao cada vez mais a ideia de um condominio privado de corrupção semi-legalizdo. Uma sensação estranha

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  7. Kaos dá-me um desconto, mas o que são 200 empregos indirectos? São empregos onde as pessoas não se têm de envolver directamente, só receber? :O

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  8. allien:
    É uma boa prespectiva da situação, mas isso nunca seria dito. Aqui trata-se de emprego em empresas da região e que fornecerão produtos para a outra.

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