sábado, julho 22, 2006

A liberdade estilhaçada

Inspirado na obra "Um homem no espelho partido", de Mino Ceretti.

O Ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, também conhecido pelo Ministro das Polícias, decidiu reformar compulsivamente dois dirigentes sindicais da PSP. O presidente e um destacado dirigente do Sindicato de Profissionais da Polícia foram notificados pelo Governo da sua aposentação compulsiva, em virtude de declarações à imprensa.
Há pouco tempo publiquei um post sobre a acusação que recai sobre dois dirigentes partidários por "Manifestação ilegal" onde coloquei o poema "indiferença" de Bertolt Brecht. Para não aborrecer quem aqui me visita aqui está só um pequeno estrato:

Primeiro levaram os comunistas,
....
.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Pois é meus amigos, o poema segue o seu inexorável caminho e relembro que acaba assim:

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Estarei a ficar paranóico nesta minha ideia de que a liberdade nos está a escapar por entre os dedos?
De que tem afinal tanto medo este governo?
Não quero deixar de chamar aqui a atenção para aquillo que me preocupa enquanto isso ainda me é permitido, é que o poema não é assim tão comprido.
.
Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI

12 comentários:

  1. Não estás paranóico não, amigo. Antes estivesses.
    Quando ontem ouvi esta notícia senti, tb eu, um aperto no peito. A liberdade está a ser-nos retirada como o veneno em pequenas doses, para que apenas se sintam os efeitos, a longo prazo, talvez quando já seja tarde... como o poema.
    Partilho desse sentimento inquietante.
    Bjinhos

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  2. tb:
    Ainda bem que não estou sózinho nesta inquietação. É preocupante não se ver ninguem a falar disto nos média e nem mesmo os partidos mais à esquerda se manisfestam. Neste momento qualquer funcionário publico ou sindicalista já deve estar a pensar quando fala se isso não o fará perder o emprego. Uma forma diferente de "prisão". Preocupante, muito preocupante aquilo que se passa.
    bjinhos

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  3. mais uma vez parabéns!
    é, verdadeiramente a liberdade que está em causa!
    o rigor da "aplicação da lei" a quem manda o p-m para o quénia ou para quem diz que o director nacional da polícia nem para chefe de escuteiros serve, não se aplica aos membros das forças de segurança que assassinam, repito assassinam, cidadãos porque a arma tinha uma "deficiência" ou para os outros que agridem pesoas, como aconteceu no porto/campo alegre, e que só é conhecido porque foi filmado por um amador...
    para esses os processos disciplinares são bem mais "doces".
    o fascismo está de volta!
    com pézinhos de lã!

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  4. Bem, o calor voltou e a net está a meio gás ( 0 meio é favor... ) mas cá estás tu sempre atento e a chamar a atenção para estes assuntos. Felizmente!

    Sempre achei que a liberdade era sonegada em certas situações... ( não falo da liberdade anárquica ou da suposta liberdade de, por exemplo, deitarmos o lixo no quintal do vizinho... ) Falo da liberdade de expressão. Falo da liberdade de afrontar os poderes instalados, da liberdade de questionar as injustiças, da liberdade de exigir os nossos direitos, da liberdade de dizer que estamos a ser pisados por "uma bota grande", da liberdade de afrontarmos os interesses dos poderosos, da liberdade de dizermos: Não!
    Essa liberdade, preciosa para mim, nunca me parece ter sido total... E esse teu receio é real.
    Eu falei de uma questão parecida nas Rapidinhas, mas parece que o pessoal não concorda comigo. Mas nesse caso também acho que há a tal censura à voz popular, ás vozes de desacordo. E isso é preocupante.

    Quanto à questão das forças de segurança, claro que estas não podem ser um bando de cowboys tipo OK Curral, mas também não nos podemos esquecer que as forças de segurança também são vitímas da criminalidade e que também são agredidos e assassinados. Não conheço o caso especifico a que se refere o Luikki mas, em muitos casos até acho que a policia revela impotência face à criminalidade. Excessos há sempre e são condenáveis. Para mim a própria lei é permissiva para com a criminalidade e muitas vezes que se lixa é o cidadão cumpridor e honesto, enquanto que o criminoso se fica a rir. Casos desses não faltam diariamente.

    abraço.

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  5. luikki:
    Essa é a minha opinião e enquanto não me "vierem buscar a mim" vou falar e manisfertr-me contra a tirania. Õfendem-se com pouco os nossos diregentes, podiamos pensar, ms faz muito mais sentido que seja uma forma simples de correr com alguém que lhes faz frente (independentemente das razões)

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  6. Sá Morais:
    Como disse ao Luikki, nem quero questionar o lado onde reside a razão. Uma coisa eu sei, calar as pessoas à força porque a sua voz incomoda não é forma de resolver os problemas. As liberdades de expressão, reunião, de manifestação e até a da indignação têm de ser garantidas. Este caso é nitidamente politico e tem como função assustar aqueles que ainda têm a coragem de falar. A única resposta que lhes devemos dar é falar ainda mais e mais alto. Calar é mostrar medo e quem ama a liberdade tem de estar sempre diposto a arriscar para a salvar.
    Um abraço nesta blogosfera mais morta que viva.

    PS: Também eu comecei uma semana de férias, mas espero poder cumprir os serviços minimos qui no blog.

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  7. O poema é muito bom e muito actual, infelizmente. E, Kaos, não me parece que estes gajos tnham medo seja do que for. Penso que a questão é que eles se sentem absolutamente livres e impunes para fazerem o que muito bem entenderem. E isso é que é muito mau sinal.beijos

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  8. esteva:
    Eles não têm medo porque se sentem com as costas quentes. Há que apertar com eles para perderem toda essa segurança de impunidade. Há que gritar o mais alto que conseguirmos.
    bjos

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  9. Mas somos sempre os mesmos a gritar, esta indignação a que temos direito e que manifestamos não parece ser contagiosa, pelo contrário, até se afigura por vezes repelente. E isto mói-me.beijos

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  10. Anónimo6/8/06 13:25

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