Esta semana, resolvi comprar o semanário “Sol”. Há já algum tempo que não o fazia, e infelizmente acabei por ver que não havia melhorias relativamente ao que já conhecia. Continuava a ser a miscelânea entre um Expresso e um Correio da Manhã, mas sem as virtudes de um ou de outro (se é que existem).
Chamou-me a atenção o artigo, do auto proclamado Nobel injustamente não atribuido, José António Saraiva, intitulado “A esquerda ainda existe?”
Um artigo interessante, em que começa por fazer a história do fim da esquerda após a queda do muro de Berlim, a mostrar-nos que a única solução encontrada pelos partidos da esquerda democrática foi o de gerir eficazmente o modelo capitalista de direita, para concluir depois, que com o chegar à direita dos partidos de esquerda isso veio tirar o espaço politico aos partidos da direita, como é o caso do PSD, O “nacional-porreirismo passou definitivamente à história”, para terminar com a frase “É a vida”.
Olhando com um pouco mais de atenção podemos tirar várias conclusões:
“O que em ultima analise distinguia a esquerda era a recusa do Statu quo em nome da utopia – em nome da ideia de uma sociedade mais justa, onde a exploração do homem pelo homem não tivesse lugar”. Concordo com o JAS, era realmente isso, e por ser tão importante e tão justo tem de continuar a ser um objectivo de todo o homem que não seja um grande filho da mãe.
Depois, caiu o muro, o capitalismo ficou sozinho e triunfante, blá, blá, blá.
“a esquerda ficou reduzida à tarefa de gerir o melhor que soubesse – ou seja da forma mais pragmática, mais rentável e mais lucrativa possível – a sociedade capitalista. Sendo o capitalismo o único horizonte, que alternativa restava à esquerda senão mostrar-se capaz de o gerir bem?” Aqui começam as minhas divergência com o Sr., JAS, já que, essa esquerda de que fala, ao aceitar governar nos modelos económicos e na filosofia capitalista, deixou de ser esquerda e passou a ser direita. Evidente. Aliás, ele próprio acaba por perguntar: "Sendo que a esquerda ficou sem doutrina nem objectivo e se aproximou da direita, que espaço resta hoje à direita? Se a esquerda deixou para trás o sonho e se rendeu à realidade, para que é necessária a direita?"
Pois é, aquilo de que se esqueceu, é que quem se chega à direita e ocupa o seu espaço passa a ser direita. Quem abandona a sua doutrina, o seu sonho de fazer uma sociedade mais justa passa a ser de direita, isto é, quem abandona a ideia de uma sociedade mais justa onde a exploração do homem pelo homem não tenha lugar, passa a ser de direita ou como foi dito lá mais atrás um filho da mãe.
Mas, para que tudo isto não seja só um rol de desgraças, acredito que a história não é imutável, não é estática, e que esse sonho e essa doutrina não vão morrer na aspiração de muita gente. A esquerda vai renascer e este mundo ainda se poderá tornar-se num local bom para viver. É, que de tanto esticar a corda, o capitalismo esquece-se que ela um dia vai rebentar. Quando as multidões de pobres e famintos que estão a criar se revoltar então serei eu a dizer. É a vida.
Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN