Se há quem chore de alegria porque não haveremos de rir de tristeza. Todas as imagens deste blog são montagens fotográficas e os textos não procuram retratar a verdade, mas sim a visão do autor sobre o que se passa neste jardim à beira mar plantado neste mundo, por todos, tão mal tratado. A pastar desde 01 Jan 2006 ao abrigo da Liberdade de Expressão.
segunda-feira, novembro 04, 2013
The Lone Sócrates
quinta-feira, abril 16, 2009
David e Golias ou a Caneta contra a espada
Em baixo transcrevo o texto em causa:
JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA (João Miguel Tavares)
Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.
José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.
Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?
À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Sondagem Kaos: Sócrates sobe um ponto


José Sócrates falou ontem pela primeira vez sobre a polémica dos cartoons (que levantaram respostas violentas por parte do mundo islâmico), em defesa das posições públicas assumidas por Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros.
À entrada de uma reunião com o grupo parlamentar socialistas, Sócrates falou com primeiro-ministro para afirmar que “o Islão não é o segundo problema da agenda internacional, é o primeiro”. “O assunto é muito sério”, reforçou. Preferindo o “silêncio” sobre este assunto à “demagogia”, Sócrates apontou ainda a necessidade de se “criar um clima propício à resolução dos conflitos” e “não alinhar em extremismos”. (Diário Económico, 16/02/2006)
domingo, março 29, 2009
A conversa que incrimina Sócrates
«É corrupto». É desta forma que Charles Smith fala de José Sócrates no DVD que é fundamental para a investigação do processo Freeport em Inglaterra. A TVI revelou, no Jornal Nacional desta sexta-feira, o som de uma conversa de 20 minutos em que é mencionado o nome do primeiro-ministro.
Veja aqui o vídeo
A reunião juntou três pessoas: Charles Smith, já arguido em Portugal, João Cabral, ex-funcionário da Smith e Pedro, e Alan Perkins, administrador do Freeport, que sem conhecimento dos outros intervenientes no encontro, fez a gravação.
A conversa que incrimina Sócrates
Alan Perkins: O que desencadeou a acção da polícia? A queixa era sobre corrupção...
Charles Smith: O primeiro-ministro, o ministro do Ambiente é corrupto.
Alan Perkins: Quando tudo estava a ser construído qual era a posição dele?
Charles Smith: Este tipo, Sócrates, no final de Fevereiro, Março de 2002, estava no Governo. Era ministro do Ambiente. Ele é o tipo que aprovou este projecto. Ele aprovou na última semana do mandato, dos quatro anos. Em primeiro lugar, foi suspeito que ele o tenha aprovado no último dia do cargo... E não foi por dinheiro na altura, entende?Isto foi mesmo ser estúpido...
Alan Perkins:Quando foram feitos os pagamentos? Como estava em posição de receber pagamentos se aprovou o projecto no último dia do cargo?
Charles Smith: Foram feitos depois. Ele pediu dinheiro a dada altura, mas não...
Charles Smith: João, foi aprovado e os pagamentos foram posteriormente?
João Cabral: Certamente... Houve um acordo em Janeiro. Eles tinham um acordo com o homem do Sócrates, penso que é em Janeiro.
Charles Smith: Sean (Collidge) reuniu-se com o tipo. Sean reuniu-se com funcionários dele, percebe? Sean e Gary (Russel) reuniram-se com eles.
Alan Perkins: Houve um acordo para pagar?
Charles Smith: Para pagar uma contribuição para o partido deles…..
Charles Smith: Nós fomos o correio. Apenas recebemos o dinheiro deles. Demos o dinheiro a um primo... a um homem...
Alan Perkins: Mas como o Freeport vos fez chegar esse dinheiro?
Charles Smith: Passou pelas nossas contas
Alan Perkins: Facturaram ao Freeport, ok?
Charles Smith: Ao abrigo deste contrato. Era originalmente para ser 500 mil aqui, desacelerámos, parámos a este nível, certo? Isso foi discutido na reunião, lembra-se? Ele disse: «Nós não queremos pagar». Se ler esse contrato, diz aí que recebemos três tranches de 50, 50, 50... Gary disse: «Enviamos o dinheiro para a conta da vossa empresa»….
Alan Perkins: Facturaram profissionalmente...
Charles Smith: Sim!
Alan Perkins: Entrou na vossa conta...
Charles Smith: Entrou e saiu logo a seguir.
Alan Perkins: Como sacou o dinheiro?
Charles Smith: Em numerário. Foi tudo transacção em numerário durante dois anos... Tem de compreender, não sou assim tão estúpido. Posso ter sido estúpido para fazer isto, mas fui esperto o suficiente para em pequenas quantias de 3 mil, 4 mil euros. É por isso que demorou dois anos a pagar isso!
Alan Perkins: Era do género pequenos envelopes castanhos por baixo da mesa.
Charles Smith: Por baixo da mesa, exactamente.
Alan Perkins: A quem? Imagino que o ministro...
Charles Smith: Ele tinha agentes. Ele, o próprio, não está envolvido
João Cabral: Um primo
Alan Perkins: Ele tem um primo?
Charles Smith: Sim …
Alan Perkins: Você só tinha de se encontrar com ele num sítio qualquer e...
Charles Smith: Pois. Mas Gary e Sean encontraram-se inicialmente com eles num hotel de Lisboa e discutiram o assunto. Eles queriam um milhão.
Alan Perkins: Um milhão!
Charles Smith: Compreendo que a Freeport se queira distanciar...
Alan Perkins: 150 mil passaram pela vossa conta... você pagou isso?
Charles Smith: Sim!
Alan Perkins: E agora ficou com a conta dos impostos.
Charles Smith: Exactamente….
Alan Perkins: Pois. E foi este tipo, o Sócrates, não foi?
Charles Smith: Eh... não, não foi... Ele não esteve pessoalmente envolvido nisso. Inicialmente esteve, mas...
Alan Perkins: É ele o ministro?
Charles Smith: Ele agora é o primeiro-ministro!
Alan Perkins: Ele agora é o primeiro-ministro. Portanto, ele recebeu o dinheiro, mas recebeu-o através do primo, ou...
Charles Smith: Sim, sim!...
Alan Perkins: Esses pagamentos foram feitos quando?
Charles Smith: Foi em... deixei-me ver a tabela. João foi em Março de 2002?
João Cabral Foi aprovado.
Alan Perkins: Então, quando foram efectuados os pagamentos?
Charles Smith: Em 2002, 2003…
Alan Perkins: Por que foi necessário pagar se o tipo já estava fora do cargo? Foi só por ter havido um acordo...
Charles Smith: É. Tinha havido um acordo.
Alan Perkins: Mas a aprovação do projecto foi quando ele estava no poder.
João Cabral Sim.
Alan Perkins: Como ministro do Ambiente deu aprovação. Havia um acordo sobre o pagamento e os pagamentos foram depois, embora ele já não estivesse no Governo.
João Cabral: Certo…
Alan Perkins: Esses pagamentos foram honrados, não foram?
João Cabral: O Sócrates tinha grandes ligações. É por isso que a gente tem medo de não pagar... É melhor continuar a pagar.
Charles Smith: O que aconteceu foi na fase em que ele disse: «Eu consigo que vos aprovem isto».
Alan Perkins: Sim...
Charles Smith: «Falem com o meu primo». Então eu e o Sean reunimo-nos com o primo e o primo disse: «Vamos conseguir essa aprovação».
Sem necessidade de mais comentários.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
O Primo, rico Primo
"Ilegítima e inadmissível." É assim que Sócrates considera a atitude alegadamente cometida por Hugo Monteiro, filho de Júlio Monteiro, que terá enviado um e-mail para a administração do Freeport, pedindo contrapartidas pelo encontro promovido pelo seu pai e José Sócrates, na altura ministro do ambiente. 'Se existe, como dizem que existe – eu não conheço – um e-mail de um filho do meu tio para o Freeport, reclamando uma qualquer vantagem para si e invocando o meu nome, considero isso um abuso de confiança. E considero que essa invocação é completamente ilegítima e inadmissível', afirmou o primeiro-ministro, ontem de manhã, num dos dias mais difíceis da sua já longa carreira política.
Ora deixa cá ver, se é o filho do meu tio, então ele é…..é…o teu primo. Pois é Sócrates é o teu Primo. Vê lá a lata do puto que também queria ficar com uma fatia dos quatro milhões que andam desaparecidos pelas off-shores. Ele há cada marmanjo por aí.
– “Ele estava aflito. A empresa de marketing e publicidade que geria – a Neurónio Criativo – não conseguia facturar. Ele deve ter visto no projecto Freeport uma oportunidade para fazer um contrato, para facturar. E achou que falando no nome do primo poderia facilitar”, afirmou o pai do filho do tio do Sócrates, sobre as afirmações do primo do seu sobrinho.
Desculpa-o lá Sócrates, o gajo estava aflito, queria facturar e primo é primo.
segunda-feira, novembro 06, 2006
As cambalhotas de Sócrates
“Em matéria de visão humanista e respeito pelo Direitos Humanos, não encontro melhor exemplo do que os Estados Unidos. A política externa [norte-americana] valoriza estes pontos”José Sócrates na XVI Cimeira Ibero-Americana
A XVI Cimeira Ibero-Americana, realizada no Uruguai, aprovou, por unanimidade, uma declaração sobre migrações, na qual se apela aos Estados Unidos para que reconsiderem a decisão de construir um muro na sua fronteira com o México. Até aqui tudo parecia bem e ali estava Portugal, junto com os outros países a exigir um mundo melhor. O Pior foi depois quando, uma vez mais, a espinha começou a ceder e, na conferência de imprensa que se seguiu, Sócrates quase rastejou com os elogios, na forma de “perdoa-me”. Se Sócrates não encontra neste mundo nenhum país que melhor defenda os Direitos Humanos que os EUA, então anda seguramente cego. Para só falar do presente, esquecendo toda a politica de assassinatos e golpes militares que fez e patrocinou por todo o mundo, mas com especial incidência na América do Sul, no passado, que Direitos Humanos considera Sócrates que foram defendidos em Abu Ghraib, Guantanamo, nos voos da CIA com presos para serem torturados. Como pode um país ser o melhor exemplo de humanismo quando ainda utiliza a aplicação da pena de morte e tem como Presidente um viciado em petróleo como o Bush
Para que fique registado, eu não me revejo nas palavras do Sócrates, demarco-me delas e recuso-me a mostrar subserviência a essa gente. Que ele, se queira baixar tanto que mostre o seu “rabinho”, é lá com ele, agora não o faça nem com o de Portugal nem com o meu.
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Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN
quinta-feira, setembro 28, 2006
O Naufrágio
Hoje, na Assembleia da Republica durante o debate sobre a segurança social ouviu-se:"Verdadeiramente é uma proposta Titanic, a do PSD, porque em primeiro lugar isto significa afundar o barco e pôr em causa o equilíbrio da Segurança Social. Mas é a proposta Titanic por uma outra razão, é que não se trata apenas de afundar o barco, trata-se também de que os únicos que se salvam são os da primeira classe."
José Sócrates
“Eu entendo-o. Tem um congresso à porta, alguma esquerda à perna [José Sócrates] e por isso está refém.
Marques Mendes
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Marques Mendes diz entender o Sócrates, mas eu é que não entendo o Marques Mendes. A primeira questão que coloco é sobre a razão porque andam todos, começando por ele próprio, a insistir que o governo aceite a sua proposta para a segurança social desistindo da sua. Que obrigação tem o Sócrates de fazer isso? O PS ganhou as últimas eleições com maioria absoluta e o PSD perdeu ficando-se pelos 30%. É ao PS que compete decidir qual o caminho que deseja seguir e não ao líder da oposição. Ou será que o tem de aceitar só porque o Sr. Silva resolveu balbuciar que gostava de ver mais um acordo, numa estranha leitura daquilo que deve ser a democracia, sobretudo quando nem ele nem os governos PSD alguma vez fizeram? Não me parece.
A segunda questão é um pouco diferente, mas mostra qual a ideia que Marques Mendes tem de democracia e sobre o uso da mentira como forma de manter o poder. Porque raio haveria o Sócrates de estar refém do congresso do PS? O partido não é dele e a sua obrigação é transportar para o governo as ideias que são aprovadas por esse partido. Se as suas ideias fossem diferentes daquelas que propõe, só teria que as apresentar e esperar pelo veredicto do congresso. Não tem que defender nenhuma posição diferente daquela que realmente tem, não há realmente necessidade de mentir ao seu próprio partido. Afinal, Sócrates tem feito uma política muito mais liberal e de direita que o PSD alguma vez fez e o Partido que se chama socialista nada tem dito.
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segunda-feira, março 27, 2006
É de ficar com cara de tacho!
Bem ou mal, com obstinação e determinação, o PM está empenhado em mudar séculos de burocracia que imperam no país, e de uma forma radical. É preciso reconhecer, com honestidade, que o caminho é certo.
Portugal está velho, desarticulado, enredado em teias obscuras, e as novas medidas para facilitar e acabar com diversos processos administrativos obsoletos é uma decisão invulgar, que muitos Governos de centro direita e direita deveriam orgulhar-se em ter tomado.
É curioso que seja um socialista a fazê-lo, mas isso serve de lição ao PSD e PP. Um dia, se eles continuarem assim, deixam de ter espaço. É o perigo deste PM: ele absorveu tudo o que é bom da direita, e aplica sem dogmas nem problemas ao país. É mais uma razão para o PSD e o PP não perderem muito mais tempo a esclarecer os seus problemas internos.
Sob pena de ficarem sem agenda, nem ideais, nem alternativas para apresentar ao eleitorado. Sócrates sabe-a toda, e aprendeu muito com Clinton e Blair. (Diário Digital, 26-03-2006 )

Luís Delgado, como comentador nitidamente de direita que é, está à beira do desespero. Mais um pouco e referiria o risco da perda do tacho dos partidos da direita e diria: “sob a pena de ficarmos sem agenda, etc. etc.", sem tacho. Com a perda da agenda política, da participação activa no poder, caem por terra os ideais da direita; ou seja os ideais da direita são estar no poder, manobrar o tacho, comer dele. E ainda por cima os que lá estão, estão a fazê-las bem, “sabe-a toda", como diz Luís Delgado, que julga sempre que a sabe toda [!] O cinismo com que diz que Sócrates escreve direito por linhas tortas, aplicando de uma forma radical aquilo que a direita não se pode orgulhar de ter sido ela a fazer. Mas será mesmo que não fez, quando esteve no poder? E as medidas da nossa dama de ferro, Ferreira Leite e do Bagão, norteadas pelo obstinado objectivo de cumprir o défice? Já na altura era admissível [!] que dentro da comunidade uns fossem obrigados a cumprir o défice e outros não serem penalizados por não o cumprir. Em termos comunitários parece uma aberração! Nós éramos dos cumpridores. Se o governo de Durão Barroso já tinha sido o que foi, o de Santana Lopes foi o descalabro. A inconsciência e o desespero apoderaram-se da imagem da direita. Santana Lopes dizia numa entrevista a um jornal ou revista alemã que o país não estava em crise. Ninguém o levou a sério e o Presidente achou melhor acabar com a fantochada diária, sabendo que o país não podia continuar a ser uma piada e que as coisas precisavam de ser levadas mais a sério. Sócrates ganhou a maioria em nome de um PS dividido entre a direita e a esquerda. Constâncio apareceu a dizer que a Economia estava muito pior do que todos imaginavam. Era mais uma vez a estratégia da consciencialização que o país estava em plena crise. Sempre a tragédia da crise, dramatizada por uns e por outros. Tão má era a situação que todos concordaram que o melhor era também eles se apressarem a deitar a mão ao tacho, e a administração aprovou a sua própria independência financeira: grandes ordenados, grandes reformas. Era pois preciso deitar mãos à obra, um governo determinado e teimoso que aplicasse ao país as políticas de direita rumo ao desenvolvimento, à produtividade e ao investimento. Para já vamos na fase das mudanças estruturais, depois hão-de vir outras… as piores [!] A estabilidade conferida pelos resultados presidenciais, o deus com os anjos de Sócrates e Cavaco, assim o permitirá.
Entretanto os problemas dos partidos de direita na oposição é quererem tacho e o tacho estar noutras mãos. Felizmente estão todos bem na vida, têm a empresa do papá, e ninguém tem pena deles, por não estarem no poder. Mas eles não estão contentes, não foram criados para estar na oposição, não sabem nem querem resistir. Por isso vão lutando uns com os outros pelo poder dentro do partido, treinando para lutar pelo poder dentro do poder, pelo mero facto de serem outros que ocupam os cargos, e não eles. Como podem partidos na oposição terem pena de não ser eles a aplicar tais medidas? O estilo de Sócrates consiste precisamente em aplicar mais e melhor as medidas da direita do que as próprias políticas de direita alguma vez o fizeram. Tornam-se medidas difíceis de combater sem morder no próprio rabo. Como se podem neste momento expressar os partidos de direita na oposição? Por despeito? Tipo: “Quem devia estar aí a fazer isso éramos nós, não vocês”?
A luta pelo poder dos partidos de direita actualmente é só uma luta pelo poder, sem outro fundamento para a oposição. A verdadeira oposição ao governo há-de ser, como sempre foi, exercida pelas classes trabalhadoras, pelos jovens no desemprego, pelos que pagam a crise, não pelos que lucram com ela. A oposição às políticas neo-liberais que já começou lá fora, cá no burgo irá inevitavelmente acontecer mais cedo ou mais tarde, face à retirada sistemática dos direitos dos cidadãos preconizada pelas políticas de direita de uns e de outros: quer as do PS de direita, no poder, quer as dos partidos de direita impacientemente em stand by.
sábado, março 08, 2008
Encaixotada
Hoje, certamente a Sinistra Ministra vai sentir-se bem entalada. Diz que não se vai embora, não vai parar, não vai ceder. Pode dizer o que quiser porque ela não decide nada. Bem pode desejar demitir-se que só sai se o Sócrates lhe der autorização, pode querer continuar que leva um piparote do Sócrates se for essa a sua decisão. Claro que ela sabe que o Sócrates rejubilaria se, depois da manifestação de Lisboa, os professores se conformem, ou pelo menos que desanimem e desistam da luta. Adoraria se esvaziasse o gás, que os protestos diminuíssem e deixassem de ser notícia. Cabe-nos a todos nós não deixar que isso aconteça, antes pelo contrário tentar juntar mais gente numa luta mais geral. Claro que ela sabe que poderá ter de engolir um sapo se o Sócrates lhe der ordens para ceder naquilo que jurou não ceder e assim retirar gente das ruas. E, claro que sabe que o Sócrates, se pensar que tudo isto lhe está a sair demasiado caro em votos, pode pura e simplesmente enviá-la para os “excedentários” do governo.
Não sei até que ponto pode ir esta luta, se pára e é derrotada, se faz cedências e …, pariu um rato, se não desiste até à queda da Sinistra ou se cresce numa contestação a muitas outras politicas e injustiças. Uma coisa é certa, hoje é um dia de mudança e um dia importante que vai ficar registado na história do reinado dos Socretinos e até do regime. Vale a pena lutar.
Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO
quinta-feira, março 06, 2008
Ao menino e ao borracho
«Depois do apelo à serenidade do presidente da República, foi a sua conselheira de Estado quem veio em defesa das reformas em curso na Educação Manuela Ferreira Leite foi directa ao explicar que "o sistema não funciona" e que "é preciso alterá-lo". A ex-ministra da Educação do Governo de Cavaco Silva alertou mesmo José Sócrates para a necessidade de não mudar o rumo das reformas neste sector "Acho que vai ser julgado" por essa decisão, disse Ferreira Leite, acrescentando que "daria um voto negativo" a Sócrates caso esse recuo viesse a acontecer.»
in [Jornal de Notícias]
Mas, confessem lá se até não estão a gostar, se não se estão a sentir melhor, mais activas, com mais força, por fazerem parte de algo. Não têm uma sensação de estarem mais vivas? A mim, a esperança deixa-me sempre assim.
Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO
sexta-feira, junho 15, 2007
O Insulto
A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, reafirmou que considera a recondução como sinal de "mérito e interesse" no trabalho que tem desenvolvido. Falta é saber que méritos lhe reconheceu o governo, nomeadamente o Sócrates e a Ministra da Educação. Será que a expressão “fazer queixinhas” tem algo a ver com isso?"Foi um insulto e não tem nada a ver com a licenciatura do primeiro-ministro. É um insulto ao cidadão José Sócrates, que além de cidadão é o primeiro-ministro de Portugal".
Agradeço o aviso dado pela MM, já que a partir de agora ficámos todos a saber que se insultarmos um cidadão podemos levar com um processo disciplinar. Ou será que isto só se aplica ao cidadão José Sócrates? Poderei eu insultar o Marques Mendes? E o arbitro de um jogo de futebol? Fica a duvida.
Quanto á campanha de que é vitima e porque sei que “ Nós temos tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios, em tomadas de posição, em artigos de opinião”, aqui tem mais um post para juntar ao tudo (Espero que não se ande a passear por blogs durante as horas de serviço). Já agora, considerando um insulto à democracia e à liberdade o que fez, também lhe pode ser instaurado um processo disciplinar?
Mais um texto do amigo Jack (Os Infiltrados):
Um funcionário público entra na Secção B e diz todo sorridente, “Eu só sei que nada sei”!
- Mas, afinal, o seu colega apenas disse “Eu só sei que nada sei”, se o funcionário é assim tão fraquinho vai ser penalizado na próxima avaliação.
- Chefe!!! Ele não é fraquinho, ele é de um partido da oposição! A frase só pode ter vindo de uma acção concertada do Minorca, de uma cabala para manchar a honra e o bom-nome do nosso primeiro.
- Não percebo …
- Claro Chefe, por isso é que é Chefe. Mas eu explico: A frase inicialmente foi dita pelo filósofo Sócrates em oposição aos sofistas. Para o Sócrates, o saber era algo que estava fora dele, que ele não possuía, mas que amava. Os sofistas, oposicionistas e antecessores de Marques Mendes, vendiam o conhecimento nas universidades, assumiam-se como sabedores de todas as coisas. Não acha que há aqui coincidências a mais!
- Isso é verdade, mas eu não percebo…, o nosso primeiro é engenheiro!
- Chefe! Também é dos que acreditam nas Novas Oportunidades?
- Está bem! Proceda-se à abertura de um processo disciplinar.
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Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI
sábado, março 31, 2007
Diga lá como é Sr. Engenheiro
Tenho visto por ai um grande burburinho sobre as habilitações académicas do Sócrates. Não dei muita importância ao facto, já que não me parece que é por se ser engenheiro ou Dr. que se é melhor ou pior Primeiro-ministro. (Talvez até necessitássemos era de um que soubesse o que é a vida do dia a dia dos portugueses e soubesse a dificuldade de esticar os salários de miséria até ao fim do mês). Acredito que o Sócrates seria tão mau Primeiro-ministro, tão sacana, tão manipulador e tão mentiroso não sendo engenheiro como tivesse sido. Claro que soa pior bacharel Sócrates que Engenheiro Sócrates, mas que importa isso. O que realmente importa é saber se existem algumas dúvidas sobre como foi conseguido o grau académico do homem. Seria chato se viéssemos a descobrir que houve aldrabices, quem as fez e quem andou por ai a mentir. Até o Sr. Silva poderia considerar isso como um bom argumento para mostrar que tinha argumentos, se o desejasse, para um divórcio litigioso. O Sócrates que se preocupe, o pequeno Mendes que se cuide e a escolhida Manuela se prepare.
Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17
domingo, outubro 08, 2006
A queda de um anjo de pau carunchoso
Li ou ouvi algures por ai que agora é que o governo do Sócrates ia começar a sentir o peso das suas medidas impopulares. Agora é que aquelas sondagens, que não param de lhe dar cada vez maior vantagem sobre o PSD, iam cair por ai abaixo. Agora é que vai ser, com os professores, os funcionários públicos, os médicos e as enfermeiras, os autarcas marchando em frente de populações enraivecidas, as grávidas, os feridos graves, os juízes, os polícias e os bombeiros, mais os militares e as empregadas auxiliares desta gente toda, em manifestações e greves, o vão derrubar. Agora é que o Marques Mendes vai fazer oposição, o CDS vai passar dos quatro por cento nas sondagens, o PC vai voltar a pintar paredes agora com “Sócrates para a rua, já” e o BE vai voltar a fazer teatro de rua.Desculpem que não concorde com nada disto. O que vai mandar o Sócrates abaixo, é algo muito mais simples, muito mais mesquinho. Vai ser uma notícia que apareceu na página de economia de um jornal: “Banca vai pagar mais impostos”. Batem a rebate os sinos de ouro dos banqueiros. Belmiro vai ameaçar que, quando comprar a PT, vai para Espanha e leva a Sonae, o filho, e o Centro Comercial Colombo, o Millenium vai colocar de prevenção a Opus Dei, o BES vai aumentar os gastos em publicidade nos jornais e televisões em troca de notícias sobre o assunto e os restantes banqueiros, ex-ministros das finanças e economistas contratados, vão-se alternar em comentários por todo o lado. Uma comissão de Banqueiros, vai de visita a Belém para apresentar as dificuldades porque passa o sector. Cavaco, que apadrinhou tanta daquela gente, nos seus gloriosos anos de Primeiro-ministro mostrar-se-á sensível ao problema.
Esta sim, vai ser a noticia que vai abater o Sócrates. Lixar toda a população de um país não o matou, mas mexer com um dedo nos fabulosos lucros da Banca será o seu calcanhar de Aquiles.
Não votei, nem tenho qualquer intenção de votar no Sócrates em 2009, mas se chegarmos a essa data e a Banca em Portugal tiver de pagar impostos iguais à de qualquer outra empresa portuguesa, prometo que lhe dou o meu voto.
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Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI
sexta-feira, agosto 11, 2006
SINTA-SE EM CASA MEU CARO SÓCRATES

Já viram este filme?!!! Esse é mesmo o motivo das lágrimas do Cavaco. A “associação virtuosa” entre Brasil e Portugal está dando cabo das esperanças que ele tinha da possibilidade do Sócrates ser sequestrado e nunca mais voltar. Agora os laços que estão se estabelecendo faz com que o PM lusitano esteja totalmente protegido contra qualquer sorte de ataques, seja de bandidos presos nos presídios de segurança máxima ou trabalhadores sem terra acampados nos jardins do Palácio do Planalto.
Neste encontro, “quase romântico”, Lula cita o exemplo do Scolari, e transforma aquele discurso da “invasão colonialista” de 500 anos, em exportação virtuosa de milhares de brasileiros, para ajustar contas com Portugal.
Mas falando sério, pelo menos alguém vai sair ganhando com esta viagem. Depois do acordo de quarta-feira, onde ficaram acordados parcerias culturais (teatro e cinema), e mesmo estando lá nas terras tupiniquins, Sócrates fez votar uma nova lei em que torna “mais simples “ o processo de legalização, já que não eram pouco comuns os casos de autorização de residência que não era concedida por não haver um contrato de trabalho, e um contrato de trabalho que não era concedido, por falta de uma autorização de residência.
Há de se dizer entretanto, que o Sócrates teve uma sorte enorme, pois o Lula mostrou-se muito bem disposto e especialmente carinhoso, não se sabe se é porque fizeram caipirinhas muito boas no jantar em casa do embaixador português Seixas da Costa, ou porque a Rede Globo divulgou uma sondagem que atribui ao actual presidente, pela primeira vez, vantagem sobre o candidato Geraldo Alckiman.
Depois da passagem quase apoteótica pela Mangueira e do encontro romântico com o Lula da Silva, o próximo passo da “Cimeira do Amor”, lá na cidade de São Paulo, onde o crime organizado passa por um momento de reafirmação, Sócrates terá que motivar os empresários brasileiros, pondo em prática seu aprendizado no samba. Terá que “requebrar” para os convencer que Portugal está indo de bem à melhor, que o deficit está controlado, que tem as questões ambientais todas em dia, tem um Plano Tecnológico com poções mágicas de desenvolvimento e uma estrutura governamental competente e funcional. E, reafirmar que mesmo com os portugueses a emigrar para outros países da Europa, ainda vale a pena fazer investimentos em terras lusitanas.
Da nossa correspondente "Pantaneira" no Mato Grosso do Sul
Claudia Girelli.
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Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO
sexta-feira, julho 14, 2006
O pupilo do Sôdoutor
Foram efectivamente más notícias o que ouvimos ontem, porque aquilo que nos foi confirmado, é de que o pior ainda está para vir. O Sócrates está a “aprender” com o Cavaco.
terça-feira, março 14, 2006
Sócrates - Um ano de governo

Se isto só por si já é estranho mais bizarro se torna quando constatamos que a maioria dos comentadores, mesmo os reconhecidamente ligados a outras cores politicas, aplaudem a politica governativa. Uns afirmando que se podia ter feito um pouco mais aqui ou ali, outros contestando a OTA e o TGV, mas no fim todos dão nota positiva a este governo, considerando como grandes virtudes de Sócrates aquilo que normalmente é considerado um defeito, a teimosia e arrogância. Aplaudem a forma como controla o discurso governativo e elogiam a sua perseverança (até mesmo o Luis Delgado).
Ao nível partidário a contestação que tem sido feita passa, à esquerda, pelo PC e BE nos moldes em que sempre o têm feito em relação a todos os governos, reafirmando a sua discordância relativamente à política neo-liberal, e à direita pelo PSD e CDS embora estes, sem saberem muito bem o que dizer. Com problemas de liderança, criados após a eleição de Cavaco Silva, ambos os partidos acabam por fazer uma oposição errónea sem direcção definida ou facilmente compreensível. Gritam contra o desemprego quando à algum tempo defendiam que uma economia só é competitiva com 12% de desempregados, criticam as politicas que diziam querer implementar mas que nunca tiveram coragem de fazer e gritam que se está a perder a oportunidade de fazer aquilo que nunca fizeram quando estavam no poder. Para mais, sem espaço político de manobra com a colagem entre as politicas do governo e o discurso presidencial acabam a rabear sem ideias definidas nem objectivos compreensíveis.
É neste cenário que Sócrates se passeia, aplicando a sua políticazinha neo-liberal, sem oposição que o incomode e perante a indignação resignada dos portugueses, cansados da crise, ansiosos por soluções e conformados com a vida.
segunda-feira, junho 25, 2007
Conjunções
Já aqui tenho referido os textos do amigo "Arrebenta" dos “Braganza Mothers” como um dos escritores fundamentais da Blogosfera. Este pareceu-me merecer a sua difusão pela importância do seu conteúdo.
O nível de Entropia aproxima-se dos seus extremos. Essa figura de Berardo, sobre a qual não teço quaisquer tipo de comentários, falou ontem do "Banco do Benfica". É uma ideia espantosa, e a ser levada "à la limite", como por lá se ouviu, poderia conduzir à criação de Um Clube/Um Banco, ou se, quiserem, "Um-Banco/Um-Clube". É mais um Ovo de Colombo, e, para que a coisa surtisse realmente efeito, deverá ser anunciada, para breve, uma entidade bancária reguladora das actividades destes bancos de bancada e de baliza, o Banco Central de Fátima -- branqueamento de capitais "off-shore" --, para que se cumprissem os três FFF.
Infelizmente os Três FFF são agora quatro: "Fátima, Futebol, Foder-nos e Ficarmo-nos". Como já aqui disse, estou-me altamente nas tintas para as Licenciaturas do Sócrates, por uma razão muito simples: licenciaturas socráticas é o que mais para aí há, e por isso estão todos caladinhos que nem ratos, a começar pela Comunicação Social, que tanto adorou a Páscoa Eufórica de 2007. Por mim, volto a repeti-o, tornei-me completamente alheio ao tema: é matéria, não para a Blogosfera, mas para televisões, jornais e comentadores pagos -- não eram esses as únicas fontes válidas de informação?... Pois se lhe comeram a carne, que lhe roam agora os ossos. Não 'tou nessa -- José Sócrates é como a Felgueiras: só teve azar. Correm por aí uns zunzuns de que o Saco Azul de Felgueiras não era um, mas vários, e destinou-se a fazer desaparecer um fluxo de capitais, que correspondia a comissões recebidas, por ter atribuído a um consórcio francês, o Consórcio "Zazie" (it's a joke), o exclusivo das estações de tratamento de resíduos sólidos, as E.T.A.R.s, então na mão do Ministério do Ambiente, suponho, e cujos titulares já se me varreram da memória, porque 10 anos é demasiado tempo.
Só a Fátima teve azar, e assim se percebe o Beijo de Judas que trocou com Sócrates, mas o pior vem a seguir: há, em Astrologia, ciência que muito pratico, antes de vir aqui escrever qualquer texto, e que, avisadamente, me tem dado sinais contraditórios, uma coisa chamada "Conjunção", que corresponde ao alinhamento sideral de astros, geralmente anunciadora de factos faustos, ou infaustos.
De aqui a uma semana, irá suceder qualquer coisa de absolutamente espantoso: a conjunção política de três figuras do mais sinistro que a Europa até hoje conheceu: Sócrates, que dispensa qualquer tipo de apresentações; José Düraü Barrozo, que ainda dispensa menos, e uma outra, que geralmente vocês tentam não relacionar, e que se chama Sarkozy. Sarkozy já não é, como Blair, um Homem de Bilderberg, mas um homem que incarna tudo o que Bilderberg agora nos reserva. Tudo isto pode parecer aparentemente nada, mas representa um facto extraordinário: nós, intelectuais, artistas, criadores portugueses, que, durante anos, décadas, séculos, alertámos para uma forma errada de estar no Mundo, que, grosseiramente, dataria do Pós-Descobertas -- também podem discutir isso aqui, se quiserem -- subitamente descobrimos que o Facilitismo, o Chico-Espertismo, a Mediania do Justinho-à-Certa, o Abate das Melhores Cabeças, a Cunha, a Trapaça, O-quanto-custa-a-carta-de-condução, o não-te-preocupes-que-eu-conheço-um-gajo-que-te-resolve-já-isso, etc., etc., etc. eram, afinal, as receitas que o Admirável Mundo Novo buscava, avidamente, e, afinal, nós praticáramos com ligeireza, lisura e perícia, ao longo de séculos de História. A Europa, agradecida, coloca, assim, o seu Tratado Constitucional, nas mãos de dois portugueses, de primeira água: um garboso Engenheiro Civil, de notas máximas, e um ex-maoista, que, consta, fez o curso aos gritos, em cima da mesa, no tempo do linchamento dos professores, das notas de braço no ar, e das classificações discutidas no nacional-porreirismo dos cotovelos apoiados na bancada da Secretaria. De um certo ponto de vista, é, desde Vasco da Gama, o nosso ponto mais alto na História Europeia, e, só de pensar nisso, se pudesse não estragar o teclado, vomitava já.
A estratégia de Bilderberg -- e desculpem-me agora o deslize marxista vocabular -- apoiada no Capitalismo Selvagem de teor Neo-Liberal, passa por transportar a América para a Europa, mas num modelo -- lembram-se da diferença entre o "sucedâneo" de chocolate espanhol e o verdadeiro chocolate?... -- "especial". Estava eu longe de pensar que o "toquezinho especial" assentasse no célebre trafulhismo português, mas ele aí vem, e sonha, já, com alargar-se às potências emergentes, aliás, já emersas, a China, a Índia, a Rússia, e aqueles espaços a que vamos ficar, por razões históricas, de pilhagem, desgoverno e destruição, ligados: Brasil e África, por exemplo. O ideal, no fundo, para Bilderberg, era uma solução à chinesa -- um estado pré-democrático, que, a ser imposto à Europa, teria de vir disfarçado de autoritarismo pós-democrático -- Sarkozy --, com criadores amansados -- Os pintores e escultores "Pedrinhos", do "Copy/Paste" das miseráveis tendências americanas, que enxameiam a Comissão de Honra do António Costa, os "Equadores", e quejandos, da não-literatura de sucesso dos escaparates da F.N.A.C. -- a mão de obra semi-escravizada e sem autonomia de pensamento, e com diplomas de papelão na mão, caçados, apressadamente, nas "Independentes" -- já fechou, ou não?... -- nos Centros de Novas Oportunidades, ou, resumindo, a Aldeia Global do Livre Mercado das Novas Oportunidades para Velhíssimas Golpadas. Putin, é obviamente, indispensável: tem séculos de tradição czarista de se livrar, pelo veneno, dos opositores.
A Turquia é o Nó Górdio: a Reunião de Bilderberg, em Istambul, é um sinal disso: quanto à Turquia, tenho duas opiniões, será mau que entre, e mau que não entre. Excluí-la é excluir grande parte da História da Europa, as cidades gregas da Ásia Menor, a maior metrópole sedeada em solo europeu, Santa Sofia e a Mesquita Azul; incluí-la é excluir grande parte da História da Europa, reposicionar o conflito cristianismo/islamismo num patamar pacífico, enfiar, por tratado, o estado mais populoso da hipotética Nova União, ou, e por que não?, certos novos métodos de tratar criminosos, eventualmente ao gosto de Sócrates, Sarkozy e quejandos...
O Tratado da União será uma espécie de "Prova de Inglês Técnico", com duas folhas cheias de erros deliberadamente calibrados e com um cartão de visita anexo. Em todas as frentes, há uma suspeita de que o pior ainda está para vir: a destruição dos Direitos de Cidadania, do Estado, enquanto património social, político e histórico comuns, da Liberdade de Expressão, e uma infinita Menoridade Cultural, como já estava prevista na "Trilogia da Fundação", de Asimov. Quanto a Portugal, já corre, pelo menos há dez anos, nos "Fora" Internacionais, que a estratégia é desmantelar a sua estrutura produtiva e social, de tal modo que volte a estar atrás dos 27 estados da União, e voltar a beneficiar, em pleno, dos Fundos... Estruturais. Entre o boato e a realidade, escolham. Bilderberg, como sempre, foi mais pragmático: será um país exclusivamente de serviços. A avaliar pelo que ouvimos, sabemos e prevemos, suponho que tipo de serviços...
A minha maior dor é que tudo isso tenha vindo a suceder no meu tempo, mas sucedeu, é verdade, sucedeu mesmo.
Arrebenta, pediste que eu desse a minha opinião, o que é sempre perigoso pois há dias em que estou mais azedo. Muito honestamente tenho que dizer que ler os teus textos é sempre um enorme prazer e una experiência única. Podes ter toda a razão, e terás certamente, mas eu quero que o Bilderberg se vá foder, o Durão se babe de prazer à sua vontade e que o Engenheiro se ajoelhe em frente de quem desejar. O que realmente quero é voltar a ver este país com os tomates que já teve, comer boas farinheiras e que o tintol não seja martelado. Puta que os pariu a todos. Vão gozar o capitalismo deles para longe e deixem-nos o nosso sol e o nosso fado. Não tenho vontade nenhuma de ser nem criado nem caralho de aluguer para velhas Bilberguianas. Rua com esta escumalha e que volte o direito a rir-me das anedotas que me contam e o direito a poder indignar-me com falsos moralismos. Quero ser eu, pensar, certo ou errado, mas poder pensar aquilo que me apetecer. Pensar e dizer. Mas, como há a vontade de me tirarem tudo o que quero, há que acabar com o mal pela raiz. Descarregar o Múmia no esgoto municipal, meter a Opus dei e a Maçonaria num aterro sanitário e o Sócrates numa incineradora. Transformar o Parlamento num museu de espantalhos e instaurar uma anarquia primordial, com Adões e Evas a comer maças por todo o lado. Pior do que estamos não ficaríamos certamente e pelo menos gozávamos um bom bocado.
quinta-feira, maio 12, 2011
Dia 6 de Jubho de 2011

quinta-feira, junho 17, 2010
Sócrates - Deus ou diabo?
Engraçado vai ser saber qual a posição do PSD, onde está um Pacheco Pereira que destila veneno contra o Sócrates e onde o líder, Passos Coelho , está pouco interessado em ter de cumprir com a sua promessa de apresentar uma moção de censura se se provasse que o Sócrates tinha mentido no parlamento. (Estranho, porque mentir tem sido a regra e não a excepção na boca do Engenheiro).
Pela boca morre o peixe, seja ele rosa ou laranja.
terça-feira, abril 15, 2008
O Carteiro Sócrates
«Um advogado de um preso em Guantanamo escreveu ao primeiro-ministro português pedindo-lhe que confirmasse que o seu cliente foi transportado num voo que fez escala na Base das Lajes a caminho da prisão norte-americana para evitar a sua condenação à morte.
"Eu não posso comentar uma carta que não conheço e que não me chegou às mãos. Quando chegar responderei naturalmente", "O que tenho a dizer sobre essa matéria é o que disse ao longo dos últimos meses: O Governo português nunca foi contactado pelo governo dos Estados Unidos para autorizar nenhuma passagem de aviões", respondeu José Sócrates»
Esta é uma noticia de dia 12 e, embora não saiba se a carta foi envida em correio expresso, azul ou normal, penso que os nossos serviços postais já teriam mais que tempo para “entregar a carta a Garcia”, ou neste caso ao Sócrates. Se o que está em causa é a vida de um ser humano deveria o Engenheiro dar um pouco mais de atenção e mostrar-se mais preocupado com a tal carta. Se fosse eu, certamente que teria, mal chegasse a casa perguntado por ela e pedido que me fosse entregue mal fosse recebida. Infelizmente, nesta sociedade em que tanto barulho e tanta diplomacia se faz e move para salvar uma vida, quando isso é politicamente conveniente, tenhamos de ouvir este infernal silencio e sentir esta total indiferença para com a vida de um ser humano. Nem podemos usar como argumento de ser um terrorista por não haver disso qualquer prova. Foi torturado, condenado sem direito a defesa e vai ser morto.
José Sócrates, incomodado e sem vontade de ter voltar a colocar nas bocas do mundo os voos ilegais da CIA nos aeroportos portugueses, dá a desculpa nunca ninguém lhe ter pedido ou informado de nada, e nada diz sobre a resposta, que nem sabemos se deu, à carta que lhe pede ajuda para salvar uma vida. A comunicação social, bem comportada deixa morrer o assunto (e um homem) como se a carta nunca tivesse sido entregue. Puta que os pariu a todos.
Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN










