A crise vai obrigar a linha de TGV Lisboa-Madrid a parar no Poceirão, freguesia da Marateca, concelho de Palmela. Eu, para apanhar o TGV vou até à Avenida de Roma apanhar o comboio, o que passa pela Ponte 25 de Abril, para Setúbal onde, apanho um outro comboio que me leva até ao Poceirão para depois apanhar finalmente o TGV. Muito se discutiu a viabilidade económica de cada linha do TGV, mas se obrigam o passageiro a perder três horas só para apanhar o TGV, esta não o será certamente. Não me parece lógico que quem apanhar o TGV em Madrid tenha como destino o Poceirão, uma terra que fica no meio do Deserto do Mário Lino. Devem andar a brincar connosco. Ou constroem tudo ou não constroem nada, que são milhões a mais para fazer uma linha fantasma.
Se há quem chore de alegria porque não haveremos de rir de tristeza. Todas as imagens deste blog são montagens fotográficas e os textos não procuram retratar a verdade, mas sim a visão do autor sobre o que se passa neste jardim à beira mar plantado neste mundo, por todos, tão mal tratado. A pastar desde 01 Jan 2006 ao abrigo da Liberdade de Expressão.
terça-feira, maio 11, 2010
terça-feira, setembro 06, 2011
Brincar aos TGV's
As pressões intensas do Governo de Espanha para a construção da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid levaram o Executivo de Passos Coelho a estudar a hipótese de construir um TGV menos dispendioso do que os 1,7 mil milhões previstos para aquela linha.
Nesse sentido, o secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, já iniciou contactos informais com a empresa Soares da Costa, que lidera o consórcio a quem foi adjudicada a construção da linha, para renegociar o contrato.
O objectivo do Governo passa por retirar parte das obras do contrato adjudicado – documento que, aliás, ainda aguarda o visto prévio do Tribunal de Contas para ser válido.
Eliminar a construção da linha de mercadorias entre Évora e o Caia ou não construir a estação de Évora são alguns dos exemplos de cortes que poderiam ajudar a reduzir significativamente o custo da linha.
Outra questão que está a ser analisada é, ainda, a entrada do TGV em Lisboa ser feita pela ponte de 25 de Abril.
in "I"
Os nossos politicos gostam muito de brincar aos comboios mas todos sabem que é uma brincadeira muito cara e que não é fácil contabilizar as vantagens de forma a justificá-lo económicamente e a curto prazo. Há sempre a potenciação do desenvolvimento nas zonas beneficiadas por ele, coisa que no caso do TGV até é ainda mais difícil de comprovar. O TGV, que pelas paixões que criou, pela polémica que produziu e até pela ajuda que deu na derrocada sócretina, deveria ser um caso arrumado mal os seus detratores colocaram o pé no governo. Mas não, como dizia, os políticos gostam muito de brincar aos comboios e desde há muito tempo que quem está no poder quer construir o TGV e quem é oposição se opôe terminantemente. E veja-se como é rápida a mudança, em poucos meses o PSD já coloca a possibilidade de o construir e o PS a certeza de ser contra. Será porque é quem está no governo que assina os contratos e satisfaz clientelas? Ou será porque estar no governo transforma a visão de um tunel escuro de quando se é oposição numa linha dourada em direcção a um futuro resplandescente?
domingo, maio 08, 2011
O novos passageiros do TGV

sábado, junho 27, 2009
Portugal 2010 - TGV
domingo, agosto 21, 2011
O Carrocel do Super- Alvaro
Mas desta vez temos o Super-Alvaro e por isso pomos o TGV em avaliação e falamos do seu sonho de uma linha de mercadorias, de bitola europeia, que unisse Sines, Madrid, fronteira francesa, Europa, o Mundo. Já vejo longos comboios, com centenas de vagões carregados de contentores que dezenas de barcos vão desembarcando a toda a hora. A mim fica-me a dúvida, porque raio haviam os barcos de descarregar em Sines quando há portos no Norte da Europa bem mais centrais com um custo muito mais baixo?
terça-feira, junho 03, 2008
TGV - Trapalhadas a Grande Velocidade
«A ligação entre Elvas e a fronteira do Caia foi chumbado pela Comissão de Avaliação do projecto, a equipa de técnicos do Estado que avaliou os impactos do traçado.
O Governo não respeitou o parecer técnico desta comissão e decidiu mesmo avançar com a obra que hoje é apresentada. A área estava até proposta pelo próprio Governo para zona de protecção especial.
Documento 1: Parecer da Comissão de Avaliação sobre o troço da Linha Ferroviária de Alta Velocidade entre Elvas e o Caia.
Documento 2: Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável (condicionada, como aconteceu com todos os outros troços) emitida pelo Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa no dia 27 de Maio de 2008, em contradição com o parecer da Comissão de Avaliação.»
Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI
terça-feira, setembro 15, 2009
Parem os Espanhóis
Perante a preocupação manifestada pelo governo espanhol a estas afirmações, a Manelinha, afirmou serem naturais, mas que certamente, se ganhar, irá negociar o fim dos acordos sobre o TGV. Pelo que sei, negociar pressupõe uma troca que interesse a ambos. Que lhes vai ela dar em troca? As dividas do fisco? Não pode ser isso já deu ao City Bank. Estou certo que ela se lembrará de alguma coisa.
Ao Pacheco Pereira até se devem eriçar os pelos da língua quando a ouve falar. Como teria sido fácil ao PSD ganhar estas eleições com outro qualquer líder. Será que só a elegeram por haver no PSD muita gente interessada em que o Sócrates continue a governar?
sexta-feira, abril 08, 2011
Pasajeros TGV con destino a Poceirão embarcarse en la Línea 1

quinta-feira, fevereiro 07, 2013
Velocidade alta a alta velocidade
sexta-feira, junho 04, 2010
O fetiche das hiperescolas
O governo quer fechar as escolas com menos de 20 alunos e li algures uma proposta de alguém, (penso que do PSD), que falava em menos de 100 alunos. Fechar escolas parece ser um fetiche de todos os governos desde o Cavaco Silva, (inclusivé). Não entendo porque não acabam com isso de vez e metem todos os miúdos e os mais graúdos numa única hiperescola. Para garantir que não têm de sair de véspera para chegar a horas à escola até podem justificar um TGV para cada aldeia do interior despovoado. Essa escola estaria no numa espécie de enorme Poceirão, um novo "Entroncamento" para TGV's, com super fenómenos e tudo. Ficava satisfeito o Ministro das Obras publicas que ia ter muitos concursos para lançar, o "Engenheiro" que for Primeiro-ministro na altura que ia ter muita primeira pedra para colocar, o Ministro das Finanças que ia poupar uns euros na educação, a Ministra da Educação que ia ter menos professores para se manifestarem contra ela e os pais das crianças que quase nunca teriam os filhos em casa.
Se realmente o que querem é poupar, pelo menos por uma vez não venham contar tretas que é para o bem dos alunos e poupem em despesas com o supérfluo, o luxuoso, o desnecessário e deixem a escola pública em paz.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
O homem que já era velho quando nasceu
Muito gosta esta gente de falar da juventude nos seus discursos mas nunca se coibindo de depois lhes ir estragar o futuro. Muito gosta esta gente de ir falar em criatividade e iniciativa quando vivem aperreados ao passado e aos velhos e falidos ideais capitalistas. A juventude deste país não são a imagem que nos transmitem pelos “Morangos com açúcar”, mas são muitos milhares de jovens, saídos das nossas escolas e que não encontram emprego e quando o conseguem é precário e com salário mínimo. A juventude deste país quer um futuro e não palavras bonitas de políticos a pensar em popularidade e eleições. O que os jovens necessitam é que lhes deixemos um país decente e onde lhes seja possível viverem condignamente.
PS: Que faz o TGV naquele discurso?
sábado, fevereiro 02, 2008
Estudos por medida
«Um organismo do Governo (a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro - CCDRC) pressionou dois técnicos superiores a mudarem um parecer que chumbava todos os traçados de TGV entre Alcobaça e Pombal. De acordo com o que apurou esta investigação exclusiva da SIC, os técnicos não aceitaram a pressão e foram, por isso, afastados compulsivamente da Comissão de Avaliação do projecto.»
Podem ler toda história toda [AQUI], desde as pressões sobre os técnicos para que mudassem de opinião, o seu “despedimento” por o terem recusado e a nomeação de um chefe de serviço e uma directora para o seu lugar. Isto só vem provar que os estudos, por mais técnicos que sejam, acabam sempre por concluir aquilo que quem os encomenda deseja que provem. Vivemos numa sociedade em que já não podemos acreditar em nada nem
Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN
quarta-feira, junho 04, 2008
TGV Mais um Coelho tirado da Cartola
«Estado vai compensar os consórcios que percam o concurso para o primeiro troço do TGV, entre o Poceirão e Caia, desde que as propostas sejam boas. Ou seja, as empresas que fiquem bem classificadas receberão um valor, ainda indeterminado, pelos custos de participação no concurso que, entre a aquisição de estudos, caderno de encargos, entre outros, deverão ser elevados.
Carlos Fernandes, administrador da RAVE - Rede de Alta Velocidade, explicou que este processo tem como objectivo principal estimular os privados a apresentar as melhores propostas possíveis e que, com este mecanismo, a concorrência vai aumentar e o Estado será favorecido.
Dois consórcios já mostraram interesse neste projecto: um composto pela Mota-Engil, Somague e Teixeira Duarte, e outro pela Brisa, Soares da Costa e Bento Pedroso.»
Vejam lá, e eu a pensar que o estímulo aos privados para apresentar as melhores propostas era ganharem o concurso.
Aqui está mais um coelho tirado da cartola para encontrar maneira de servir toda a clientela e ninguém ficar zangado. Nós, comuns e mortais cidadãos, a ouvir que não há dinheiro para o estado cumprir com as suas obrigações básicas, para atacar o flagelo da fome e da pobreza, para tanta coisa que faz falta, ficamos. Ficamos, mas como sempre esta gentinha está-se bem nas tintas para isso. O que lhes importa é garantirem que as riquezas deste país acabam todas nas mãos de meia dúzia de nababos. Depois vêem falar de crise e pedir sacrifícios a quem já pouco ou nada tem. Puta que os pariu.
Contribuição para o Echelon: NATOA, sneakers, UXO
sábado, agosto 29, 2009
A máquinista do TGV laranja
sábado, janeiro 17, 2009
As Farpas
Uma cómica esta Ferreira Leite. Formar governo este ano. Só falta dizer com maioria absoluta.
Já a ela é o Luís Filipe Menezes que a faz rir. Depois de ele afirmar que a actual direcção deve demitir-se e convocar eleições antecipadas, (“Estes senhores devem fazer o que eu fiz: dar um passo ao lado e dizer - venham escolher alguém que seja capaz de derrotar o engenheiro Sócrates. O país já interiorizou que o PSD não vai ganhar e os actuais dirigentes estão a levar o partido para o suicídio”), foi a vez da Manelinha dizer, “Dá-me vontade de rir que um líder seja convidado a demitir-se com base em sondagens”.
Com tanta gente a rir-se até parece que vivemos no reino da felicidade, mas infelizmente este país resvala rapidamente para um buraco negro de desemprego, pobreza e miséria. Não será certamente com gente como esta que nos salvaremos.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Herois do défice
«O comissário europeu Joaquín Almunia, responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários louvou a actuação do Governo português por ter conseguido reduzir o défice para os 3% em 2007, um ano antes do prazo. Mas Bruxelas advertiu para a necessidade de «medidas suplementares» para o equilíbrio das contas se a economia crescer baixo do esperado.»
In “Agencia Financeira”
Estou certo que todos nós, os portugueses, estamos muito satisfeitos com o défice de 3%. A maioria nem sabe muito bem o que isso quer dizer, estão desempregados, passam fome ou já não têm mais buracos no cinto para apertar, pobres mas honrados. Para atingirmos este sucesso, epopéia que nem um Camões teria engenho e arte para cantar, não vi um poderoso que fosse abdicar de um direito ou de uma regalia, antes pelo contrário, vi-os enriquecer e prosperar como nunca. Ervas daninhas que se dão bem num solo em crise. Já estamos de tanga, mas a UE na voz do Almunia já nos vem avisar que provavelmente teremos de sofrer ainda mais, que teremos de pagar a crise do capitalismo, a crise dos ricos, a crise dos outros. Alegre-se o grande capital que aí vêem mais aeroportos, pontes e TGV's para lhes encher o bolso enquanto nós, faremos os sacrifícios de tudo continuar a pagar.
Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI
sexta-feira, março 15, 2013
Hoje é dia de Teatro
Para não dizerem que aqui neste blog só digo mal aqui está um post para celebrar o facto de ver anunciar um ex-ministro não vai para administrador de uma grande empresa mas para actor de Teatro. E logo o Engenheiro Mário Lino, que não tendo conseguido construir nem uma aeroporto, nem o TGV, nem mesmo sendo no "deserto da Margem Sul", vai fazer o papel de um Engenheiro que constrói uma ponte. Acredito que se vai dar bem, afinal representar para iludir a realidade é aquilo que os nossos governantes sempre fizeram melhor. Talvez ficasse melhor no papel de Camelo, mas não pode ter logo um que lhe valha um Oscar.
terça-feira, novembro 04, 2008
Um ruído chamado Manelinha
Durante meses ninguém a ouviu falar, o mundo ruía, a crise embrenhava-se no planeta e em Portugal e o silêncio era ensurdecedor. Onde estava a afamada economista, onde estava o partido de alterne ao PS? Tanto a chamaram, Manela, Manela, que ela aí está e agora já muitos só desejam que se cale. Não houve canal de televisão, rádio ou jornal onde não tenha dado “grandes” entrevistas, e não houve entrevista onde não tenha metido o pé na poça. Fala durante uma hora e quando acaba o que fica é sempre a bacorada, a hesitação, o gaguejar. Cada vez que abre a coca nunca entra mosca. Tempo perdido e trunfos para o Engenheiro que até já tem tempo para ir vender Magalhães para as cimeiras internacionais. Quanto à Manelinha, se não tem cuidado, mais dia, menos dia, ainda vai agradecer ao Engenheiro pelas obras públicas quando só arranjar emprego, a ganhar o ordenado minimo, junto dos Cabo-verdianos e dos Ucranianos de quem diz serem os únicos beneficiados pela construção de auto-estradas, aeroportos e TGV’s.
Contributo para o Echelon: spies, IWO, eavesdropping
domingo, janeiro 18, 2009
Esta nem pintada vai lá
Manuela Ferreira Leite disse tirar deste episódio "duas ou três conclusões que queria dizer ao engenheiro José Sócrates". "A primeira é que evidentemente já assumiu que vamos ganhar as eleições. Porque se estivesse convencido de que as ganhava tanto lhe fazia o que disséssemos, porque a decisão era dele", afirmou.
É uma acusação grave, falsa e profundamente injusta, que a Direcção de Informação da Lusa rejeita em absoluto. O correspondente da Lusa em Madrid e a residir naquela capital, produziu hoje uma notícia ouvindo as principais forças políticas espanholas (Partido Popular e PSOE) sobre a posição de Manuela Ferreira Leite acerca da ligação Portugal/Espanha em alta velocidade». O PP, partido da mesma família política europeia do PSD, que disse que Ferreira Leite deveria "retratar-se".
In “IOL Diário”
Houve uma altura em que pensei que a Manelinha só tinha falta de jeito para ser líder do PSD, mas são tantas as argoladas, tantos os disparates que já me pergunto se não será antes ignorância ou burrice. Com esta é “cada tiro cada melro, cada cavadela sua minhoca”. O PSD não tem líder, não encontra ninguém que mostre capacidade de atacar o Engenheiro, parecendo até que não há vontade de o fazer. O PSD faz discursos críticos mas, bem lá no fundo, parece gostar daquilo que ele faz. Dêem ao PSD a possibilidade de mamar na teta do estado, de poder fazer os favores aos amigos e de meter as mãos no bolo que se transformarão rapidamente em animais selvagens de circo. Muito barulho mas sempre com as garras encolhidas.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
A Arma branca
Um anónimo deixou esta história na caixa de comentários de um post anterior.
Este país (dos aeroportos, TGV´s, Luso Pontes e contentores, BPN´s e BPP´s, Felgueiras, Torres, Sá Fernandes e Loureiros, magalhães e popós-eléctricos, Casa Pia (poucos dentro e muitos fora), velhinhas e freiras a serem presas por pequenos delitos enquanto os verdadeiros criminosos são mandados para casa, idosos a morrerem de fome em tugúrios a cair enquanto se distribui apartamentos e dinheiro a rodos por traficantes, drogados e por quem nunca quis e não quer trabalhar, Saúde, Justiça e Educação com os maiores orçamentos da Europa com os resultados que todos sabemos, EDP´s com lucros fabulosos mas que o regulador diz que as tarifas deviam aumentar 30%, Galp´s cujos preços sobem com o aumento do crude mas que quando o mesmo desce o regulador afirma que os preços não baixam porque o que interessa é o preço do produto refinado, BdP´s que a única coisa que vigiam são as suas reformas douradas, etc., etc.,) começa a exalar um fedor superior ao que se sentia nos últimos anos do chamado Estado Novo...
Para a queda do anterior regímen dei algum contributo, pequeno certamente, mas era o que estava ao meu alcance.
Agora que sinto que o actual, de tão podre, com um pequeno empurrão pode ser obrigado a regenerar-se, apetecia-me também fazer alguma coisa.
O quê, não sabia, mas, há uns dias ao ler num blog que o autor sonhava em promover um “golpe-de-estado”, só que para além do medo que tinha da ASAE não sabia como, deu-me o alento de que necessitava.
- Golpe-de-estado, logo armas; armas? Armas? Oh diabo, não tenho!
Lembrei-me então de que em tempos muito distantes tinha possuído uma fisga; vai daí, corri para o sótão e comecei e remexer os baús velhos; depois de muito lixo e memórias já esquecidas, voilá, a fisga! Já estava armado!
No entanto a felicidade que me possuiu, cedo de esfumou; soprado o pó, estico as borrachas e, paf!, de ressequidas, partiram! Desilusão, amargura: estava desarmado novamente...
Infeliz, passei dias a tentar encontrar uma solução; pensei, pensei e nada.
(Eu sei que devido à vida desregrada que levo, nada condicente com a via para o admirável mundo novo que está em curso, já muitos neurónios fundiram; tal não é de estranhar dado que eu fumo, delicio-me com um bom cognac, bebo vinho às refeições e barro o pão com manteiga, devoro queijos da Serra, Serpa e Azeitão, adoro presunto de Chaves e bons enchidos alentejanos, prefiro cerveja a bebidas light , bebo água sem sabores e, heresia das heresias, não fumo charros nem me drogo e não arranco de empurrão. Perdoem-me, tentem compreender este pobre decadente, que eu prometo ficar longe dos vossos filhos.)
Mas voltando à vaca fria; armas, onde as encontrar?
Atentos ao meu desespero (ou se calhar para se verem livres de mim) alguns amigos disseram: - “Eh pá, se queres uma arma vai a uma dessas Quintas das Fontes ou Bairros das Boavistas, que é coisa que lá não falta.”
Felicíssimo, agradecido pela ajuda, comecei a planear a incursão; sim, não se vai a um sítio daqueles sem preparação.
Lembrei-me que há uns tempos atrás, algumas figuras de vulto desta praça, por lá tinham feito uma passeata e tinham regressado vivos e com todos os bens, coisa que nem sempre acontece a outros cidadãos, táxis ou até à polícia. Depois de alguma pesquisa encontrei a solução.
Assim, com uma t-shirt branca na qual tinha pintados dizeres como peace, love, somos todos iguais, black is beautiful (pelo sim pelo não acrescentei também gitanes are very good, too), cravo vermelho na mão, sorriso parvo na cara (tipo António Costa) e assobiando o último rap, destemido por fora mas receoso por dentro, para as ditas Quintas eu fui.
Lá chegado, apesar de estar fardado à maneira, cedo pressenti que algo não estava a correr bem; mimoseado com alguns piropos não muito abonatórios da minha pessoa bem assim como de algumas sugestões do uso que gostariam de fazer de algumas aberturas do meu corpo, apercebi-me então que, levado pelo meu entusiasmo, tinha cometido um erro grave: faltava-me o apoio.
As pessoas gradas e importantes, quando visitam aqueles locais, vão às manadas e com um batalhão de repórteres atrás (aliás só lá vão para aparecer nas TVs e debitar coisas que nem eles acreditam).
Eu estava sozinho, nem uma pequenina Kodak apontada para mim, e a ameaça de passarem das palavras aos actos ia crescendo, sem que ninguém levasse em conta o valor das mensagens que eu orgulhosamente ostentava no peito; com o temor quase pânico, comecei a pensar que isto de querer fazer uma revolução tinha os seus perigos!
Quase já acossado, apavorado, corri para um sítio onde a concentração de BMW e Mercedes topo de gama era maior e junta à qual estava um grupo de nativos que me pareceu ser menos perigoso, gritando: - “Meus, mim querer comprar arma!” (não domino muito bem a língua local)
Iniciadas as negociações rapidamente chegámos ao ponto de ajustar a mercadoria que eles podiam disponibilizar (a oferta ia desde mísseis, passando por shot-guns até à singela ponta-e-mola) à minha disponibilidade financeira; na altura, dado que entidades menos bem comportadas têm tido direito a toda a espécie de subsídios, telefonei ao Teixeira dos Santos, mas, não tendo sido bem sucedido (ele disse-me que os pobrezinhos do BPP lhe tinham levado os últimos tostões), acertámos a compra de uma pequena pistola; enfim, rejubilei, o primeiro passo em direcção ao derrube do poder estava dado!
Antes de pedir o salvo-conduto para me poder retirar sem problemas, ao inspeccionar o trabuco que tinha acabado de comprar, constatei que o mesmo não tinha munições: “Oh meus, o que é isto?”
Depois de me explicarem que eu só tinha pedido por uma arma, lá reiniciámos as negociações para que eu pudesse adquirir algumas balas; ao pretender obter pelo menos um carregador cheio, começaram as dificuldades.
Interrogatório cerrado, todos ao mesmo tempo, gritando: “Para que é que queres tanta munição? Quantos são os membros do teu agregado familiar (incluindo a sogra)? Quantos inimigos tens (excluindo os membros do Governo, oposição e toda a classe política)? Queres fazer-nos concorrência?”
Com muito esforço, depois de muito esbracejar para os tentar calar, lá consegui fazer-me ouvir: “Meus, é para dar início a um golpe-de-estado”!
Ao ouvirem tal, o silêncio que se seguiu gelou toda a Quinta e arredores, parecendo que o tempo tinha parado e a terra deixado de rodar; as faces deles empalideceram para rapidamente enrubescerem (na realidade não vi, mas suponho que foi isto que se passou por debaixo da pele); empertigaram-se, fuzilaram-me com os olhos, e o maior deles, qual Adamastor, vociferou: “Ó desgraçado, escória humana, ser abjecto (as palavras não foram bem estas, foi mais para o vernáculo), tu queres destruir este paraíso?”
Eu minguei, encolhi, as cuecas ficaram um bocadinho húmidas; com voz trémula, tentei argumentar, falar dos escândalos, das esperanças desiludidas, bláblá, bláblá, mas quando pronunciei as palavras socialismo e revolução o rugido que se fez ouvir, quase me siderou:
“Ó filho de uma mula sem cabeça (apercebi-me logo que era comigo, não com o inginheiro) então tu não vês que a revolução já está em marcha, que o socialismo está na sua máxima pujança? Olha à volta, burro capado, vês os carros, vês as caixas de multibanco arrombadas, vê as jóias que tenho ao peito, vai ver ao plasmas que tenho em casa, tudo gamado aos ricos para benefício dos pobres; se isto não é socialismo, se isto não é redistribuição da riqueza o que é então?”
Ia abrir a boca para falar, mas atendendo ao desenrolar dos acontecimentos, achei por bem ficar calado; aliás ele nem deixou, agora mais calmo, continuou a arengar:
“Ó filho de um cachorro que até a sarna despreza, és um ignorante que não mereces a classe política que tens! Tu não entendes nada! Porque é que julgas, por exemplo, que se alterou o código penal? Hã, hã, diz lá?”
“Por razões economicist...”, pretendi retorquir...
“Piolho coxo das partes íntimas, nada disso! Incapazes da implantação do socialismo por causa das forças capitalistas do bloqueio (desconfio que este tipo esteve nalgum congresso do PCP ou BE) a nobre classe política decidiu delegar em nós a tarefa da socialização de Portugal! Para que a revolução avance, não podemos ser presos, temos que estar livres! Roubando eles por um lado, nós por outro, somos o garante de uma futura sociedade igualitária sem classes!
Parecendo-me que as águas estavam mais calmas, menos encolhido, mais húmido, baixinho, atrevi-me: “Mas eles não redistribuem; eles comem tudo e não sobra nada.”
“O quê?”, gritou o matulão... mas ficando logo de seguida pensativo.
“Agora vou ter que pensar sobre isso; dá cá a pistola e desaparece daqui, rato de esgoto com hemorróidas (era comigo, não com Jaime Gama).”
Sem dinheiro, sem pistola, com as cuecas em estado lastimoso, apressei-me a obedecer.
Chegado a casa, olhando-me ao espelho, disse para os meus botões (que por acaso era um fecho eclair): “Falhado, como queres iniciar um golpe-de-estado se nem uma arma consegues adquirir”; juro, algumas lágrimas debitei.
Depois das necessárias abluções, retemperadas as forças, sentei-me em frente ao LCD (é menos tentador para os agentes da socialização do que o plasma) para pensar; como para pensar preciso de estímulos inteligentes, liguei nas novelas da TVI (o canal 2 ou os Contemporâneos também me ajudam).
A palavra armas não me saía da cabeça; como conseguir uma... Num dos intervalos das novelas, ao correr canais, deparo-me com um programa a preto e branco no qual um gadelhudo cabeludo, fardado à militar bêbado, exclamava: o voto é a arma do povo!
Qual Arquimedes, mesmo não estando no banho, gritei: Eureka!
Aqui estava o que me faltava para poder levar os meus desígnios em frente: O VOTO!
O voto... mas se o voto é uma arma, como é que a mesma funciona? A minha cabeça fervilha, as orelhas já fumegam, os dentes já me doem de tanto ranger... Como é que aquilo é uma arma?
Não sendo praticante há mais de duas dezenas de anos, a recordação que eu tenho do Voto, é que o mesmo é um pedacinho de papel com uns bonequinhos e quadradinhos impressos no qual é suposto pormos uma cruzinha e depois enterrá-lo numa urna; como não me lembrava de nenhuma guerra, intentona ou agressão com utilização de votos, fui fazer pesquisas nas enciclopédias e até na net ; nada! Virei-me então para aqueles amigos que não falham uma votação e pedi-lhe que esclarecessem!
Eles lá tentaram, mas eu não percebi nada; contaram-me eles que ao votar em determinada força politica em detrimentos de outras, estavam a apoiar quem mais prometia ajudá-los sendo assim o voto como que uma arma, pois que atirava os oponentes para uma espécie de limbo.
Confuso, perguntei: “assim sendo, e tendo os portugueses disparado o voto em todas as direcções por mais de 34 anos como é que estamos todos pior de vida com excepção das classes ditas dirigentes e parasitas que os gravitam?”
Como ninguém me respondeu, lá voltei eu para o meu sofá e telenovelas; triste, acabrunhado, pois que aquilo que eu pensava pudesse ser a minha última tábua de salvação, mesmo que fosse uma arma parecia disparar na direcção errada.
Milhares de horas depois, muitas lágrimas vertidas assistindo aos dramalhões, insidiosamente, uma ideia começou a germinar; durante as minhas recentes pesquisas sobre o voto reparei que os partidos em que poucas pessoas votavam tinham tendência para desaparecer e com eles os políticos que lá se acolhiam; algumas vezes, para sobreviverem iam pedir asilo a outros mais votados; logo, esperto, cabecinha pensadora, concluí:
Político alimenta-se de voto! E político privado de voto fenece e já não tem força para comer mais nada!
Aleluia, os sinos já repicam, tinha a arma que me faltava: a abstenção ou o voto em branco!
Estou convicto que com uma abstenção elevada e/ou um número significativo de votos em branco alguém vai mandar parar o baile e exigir que as cartas sejam dadas de novo; eu sei, já os estou a ouvir, é uma acção perigosa para a democracia (há maior perigo do que o estado a que ela chegou? Até a vergonha já se perdeu)!
Alternativa? Olho, procuro, e só vejo as mesmas caras, com os mesmos vícios e desprezo pelo chamado povo; certamente há, mas as barrigas inchadas, as ancas mais gordas e os cada vez mais recheados sacos das benesses e contas bancárias não deixam ninguém chegar à frente.
Então porque não iniciar uma campanha, junto dos amigos e conhecidos, apelando à abstenção ou voto em branco?
A ser bem sucedida talvez algumas fendas se abram e gente honesta e com vontade de servir, e não de se servir, possa aparecer.
Se nós, vítimas do voto nada fizermos, nada vai mudar!
Ainda hoje li no blog “O Libertário” a frase de Errico Malatesta “Foi o sufrágio universal que fez com que um certo socialismo encontrasse a oportunidade de se situar no terreno parlamentar e de se corromper e de se aburguesar”.
Eu já votei em Branco mais que uma vez, numa tentativa de fazer o voto de protesto que deslocar-me à secção de voto e votar branco devia representar. Surpresa minha, esse voto de protesto é anunciado como “Brancos e nulos”. É misturado com aqueles que se enganaram, que não acertaram com a cruz no quadrado. Que fazer então com o meu voto? Só ir colocá-lo na urna nada resolve. Assim, só me resta uma solução, ir procurar e juntar-me a outros que passem pelo mesmo que eu. Procurar outros a quem a exposição diária à televisão ainda não tirou a lucidez de pelo menos questionar o que nos é impingido pela comunicação social, a voz de todos os poderes. Se não vemos nenhuma alternativa temos de a ir procurar. Ainda há gente honesta por aí e, teimosa suficiente, para assim se manter. Quem sabe um dia a anarquia seja, não um meio para atingir um fim, mas o próprio fim a atingir.
















