segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

PACHECO PEREIRA VII

O Einstein da estratégia política mundial

Ribeiro e Castro - O réptil abriu a boca (de novo)

O CDS-PP quer acabar com o mito da gratuitidade dos serviços de saúde públicos em Portugal, porque, segundo declarou ao CM o seu líder, José Ribeiro e Castro, “as coisas têm de ser pagas”. Para o líder democrata-cristão, a gratuitidade consagrada na Constituição “é um mito”. No caso da Saúde, por exemplo, a Constituição diz que é tendencialmente gratuita, mas tem sido interpretada como sendo totalmente gratuita. “As coisas não são gratuitas. Se uma Constituição diz que é gratuito é uma mentira. Aliás, todas as normas que falam em gratuitidade são inconstitucionais pela natureza não gratuita das coisas. Assim a questão é saber como se paga, quando se paga e quem paga”, defendeu Ribeiro e Castro.

Porque foi o ministro da saúde abrir na “Caixa de Pandora “ da gratuitidade dos serviços de saúde públicos. Agora ai estão esses políticos insignificantes e fascizantes como é o anormal do Ribeiro e Castro a abrir a boca para dizer parvoíces. Será que não compreendem que a saúde em Portugal não é gratuita, é paga por todos nós quando pagamos os nossos impostos. Pelo menos, eu que os pago, sinto que estou a pagar os serviços de saúde e é do dinheiro que dou ao estado aquele que considero mais bem gasto. Provavelmente esse animal convive com demasiada gente que foge ao fisco para compreende isso.
Já outro dia tinha o cara de sapo vindo defender a alteração da constituição. Com a aproximação da chegada da “múmia de Boliqueime” à presidência, eis que os répteis aparecem à luz do dia. Gente insignificante e sem qualquer expressão popular fazem ouvir a sua voz, como se alguém tivesse algum interesse no que dizem. O homem que afirmou que a génese do terrorismo é de esquerda e que se mostrou tão preocupado com as imagens de Che Guevara, usadas pela juventude por o considerar como um dos maiores assassinos do século XX, falou de novo. Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca, que é como quem diz não acertas uma. Mas, não te preocupes que não ficamos desiludidos com isso. È algo que já todos esperamos.

Taxas Multibanco! Não obrigado


Há uns dias ouvi a notícia de que um banco da nossa praça, o BES, tinha anunciado que decidira vir a ter aumentos de lucros superiores a 20 por cento nos próximos anos. Duas ou três horas depois ouvi, uma outra noticia, em que vários bancos, entre os quais o BES, estavam de novo com a intenção de cobrar taxas aos clientes quando estes fizessem operações em Caixas Multibanco. Tipo, vou levantar dinheiro, de uma conta minha, a uma CM e o banco aproveita para levantar também, para ele, dinheiro da minha conta.
Esta sofreguidão gananciosa de dinheiro que os bancos demonstram é quase patológica. Que todos queiram ter lucros e ganhar dinheiro é natural, agora esta cegueira, esse quero, posso e mando, esse tanque que tudo esmaga à sua passagem, sem consideração por nada nem por ninguém. São como pragas de gafanhotos que consomem tudo onde passam.
Nesta sociedade, seja ela qual for a nossa profissão é impossível não termos pelo menos uma conta em pelo menos um banco. É quase tão essencial, como a ar que respiramos, faz parte integrante da vida de todos nós. É uma praga que nos lançaram.
Venho aqui propor a todos que iniciemos uma luta cívica contra essa medida. Não é justo, se considerarmos a poupança enorme em pessoal e serviços, que os bancos conseguiram com a existência dos MB, que nos venham agora pedir para lhes pagarmos por um serviço que só lhes traz lucros chorudos.
Proponho que se inicie, desde já, uma cadeia de protesto nos nossos blogs, para contactarmos, desde já o nosso Banco, reclamando contra a noticia e ameaçando com fecho da nossa conta. Se mesmo assim insistirem em levar a medida em frente, que todos nós deixemos de utilizar sempre o MB e nos dirijamos frequentemente ao Banco para fazer as operações bancárias de que tenhamos necessidade. Quando começarem a ver as agências cheias de clientes e os poucos funcionários sem capacidade para os atender, talvez os crânios administrativos da nossa praça compreendam que, também eles, têm limites que não lhes permitiremos que ultrapassem. É que, em todo o seu poder, também eles, têm um “Calcanhar de Aquiles”, também eles, têm uma fraqueza, que é a incapacidade de gastarem um cêntimo que seja se não pensarem que com ele vão ter lucro; São lucrodependentes.

domingo, Fevereiro 26, 2006

PACHECO PEREIRA VI

O Quadro Presidencial perfeito

Boas Noticias...esperemos que sim


O Irão e a Rússia concluíram hoje um acordo preliminar sobre o dossier nuclear iraniano que prevê o enriquecimento de urânio em centrais nucleares russas. Um pacto que visa dissipar os receios da comunidade internacional sobre a aquisição da bomba atómica pelo Irão.

Finalmente uma boa noticia vinda daquela zona do mundo. Após a vitória do Hamas na Palestina e consequente aumento da violência com Israel e com o pré-anuncio de uma guerra civil no Iraque tudo parecia indicar que tempos ainda mais difíceis se aproximavam. A questão nuclear no Irão parecia não ter saída, e com os EUA a colocarem mais este país no eixo do mal, um nova invasão parecia inevitável. Sabendo nós que o Irão é um dos grandes produtores de petróleo podíamos já imaginar Bush a babar-se abundantemente sobre os mapas da guerra.
Este acordo parece vir provar a boa fé do Irão quando afirmava que só desejava, como acontece com muitos outros países, produzir energia eléctrica. Esperemos que o acordo se concretize e que os EUA desistam do seu conceito expansionista evitando assim mais mortes e o alastrar da violência e da insegurança.
Basta olhar para aquilo que se passa no Iraque, em que não há nenhum dias em que a morte não seja noticia, para entender que mais um conflito armado na zona nada resolveria vindo só a agravar a já insustentável situação. Bom agora era que alguém viesse com um plano que possibilitasse a saída dos EUA do Iaque sem deixar aquele pais entregue a uma guerra civil. Embora pareça um cenário quase impossível deveria a comunidade internacional exigir ao presidente Buh que assumisse as suas responsabilidades e que se comprometesse a abandonar o Iraque no momento em que a ONU conseguisse um acordo entre as facções religiosas ai existentes. Enquanto os EUA não entenderem que a sua omnipresença no médio oriente só conduz à existência de mais e maiores conflitos não é possível haver paz na zona.

Se precisam de mais profissionais, contratem-nos!


O PSD quer que os professores desempregados possam ajudar nas escolas, no combate ao insucesso escolar, e junto das comunidades de imigrantes, para integração na sociedade, contando esse trabalho para o tempo de serviço. (Diário Digital, 25/02/2006)

O PSD QUER. Os professores no desemprego, FAZEM! – assim vê as coisas o nosso pequeno iluminado Marques Mendes, de dedinho no ar, pondo-se tremeliques em bicos dos pés para se fazer grande. E vão trabalhar como professores nas escolas, com os alunos mais problemáticos, combatendo heroicamente o malfadado insucesso escolar. Outros professores pertencentes aos quadros da escola poderão sentir-se até mais aliviados com turmas só de alunos de sucesso. Talvez até o governo ache bem estas brilhantes propostas do Marques Mendes e se ofereça para colocar esses professores-missionários-que-recebem-o-subsídio-de-desemprego a dar aulas em escolas consideradas problemáticas. E pode até canalizar alunos com insucesso escolar todos para essas escolas. O que poderá fazer com que as outras escolas sejam cada vez mais as escolas-modelo. “Isto é que é o modelo” - já estou a ver o primeiro-ministro a vender o seu peixe, assegurando-nos que é muito melhor para todos nós se se criar um fosso destes (porque as tuas políticas neo-liberais, ó menino Marques Mendes, lhe convêm a ele também) . Um fosso entre sucesso/insucesso profissional e financeiro: senão vejamos - uns passam a ser professores de primeira, outros passam a ser professores de segunda, os quais tu consideras beneficiários desta tua proposta tão pim-pam-pum.
Um fosso que se abre debaixo dos pés de milhares de professores em situação desesperada de desemprego, que vem adequar a sua insegurança, institucionalizando-a numa contingente semi-escravatura assalariada. Um professor desses, missionário, D.Quixote-em-demanda-pela-sua-vez-de-ser-colocado-nos-quadros-de-uma-escola em vez de passar a ter a digna profissão de professor, vai trabalhar como tal, mas ganhar… o subsídio de desemprego! Enquanto os outros, que trabalham na sala ou lado da sua ou na tal escola-modelo, vão fazer o mesmo que ele e ganhar como... professores! Mas mesmo estes, será que estão em segurança? Será que com tantos desempregados a poder fazer o seu serviço por menos dinheiro (sem custos para o país, como tu dizes) não deixarão eles de ser precisos a ganhar como professores? Já tens os outros a trabalhar, não é? Quantos mais professores desempregados, mais gente tu pões a trabalhar ao preço de um subsidiozito de desemprego (isso é que é ter uma visão economicista, vais ganhar o Nobel, ou ainda te põem como ministro das finanças!). E esses professores desempregados ainda te devem ficar imensamente gratos pela benesse que lhes dás de contarem os anos de serviço, dizes tu, o que faz com que o prolongamento da idade da reforma para os 65 anos só lhes traga mais hipóteses de um dia ainda virem a ser professores como os outros, dirá o Sócrates. Mais a vantagem de se sentirem úteis à sociedade (tu sabes como é importante sentir-se útil ao país, não é meu inútil?)

“Já são milhares os professores que estão no desemprego e portanto recebem subsídio de desemprego.”

Segundo Marques Mendes, estas duas propostas «praticamente não têm um custo financeiro» e iriam beneficiar profissionais qualificados que são úteis à sociedade.

E está tudo dito, ó Marques Mendes, são desta natureza as conclusões a que chegas. Agora é pôr essa malta a trabalhar, não é ó g’anda nóia? E por que não pôr esses malandros dos professores desempregados também a apoiar as comunidades de imigrantes? Mais uma boa ideia tua! São professores no desemprego mas também podem servir para tapar-buracos, não é? Olha, põe-se os gajos a render, já que recebem o subsídio de desemprego, passam a ter a profissão de “desempregados” mas vão fazendo os trabalhinhos que o país precisar. Porque é que não sugeres pôr uns gajos desses na Assembleia da República, a ganhar menos do que tu e assim já se podiam mandar para casa uns quantos deputados insignificantes como tu que saem bem caros ao país? E acabavam-se as reformas para pessoas com rendimentos como os teus e o país poupava e tu poupavas-nos com as tuas soluções abjectas e já escusávamos de te ouvir propor coisas destas. O que nos vale é que os do teu partido estão a tratar-te da saúde e tu para aí a debitar propostas como se tivesses um GRANDE futuro político à tua frente, um meia-leca como tu… (Poasted by Kaótica)

sábado, Fevereiro 25, 2006

PACHECO PEREIRA V

Criada para todo o serviço
do neo-liberalismo cultural português

A Ditadura da Democracia


O líder do PSD, Marques Mendes, quer que os militantes que se candidatem em listas adversárias às do partido sejam expulsos automaticamente. O objectivo é evitar que casos como os de Isaltino Morais e Valentim Loureiro - que se candidataram em listas independentes nas últimas autárquicas - se arrastem durante meses no Conselho de Jurisdição Nacional.
Ao que o Expresso apurou, esta é uma das propostas de alteração aos estatutos que a direcção do PSD vai levar ao Congresso de 17 e 18 de Março. De acordo com o semanário, na sua edição de hoje, a proposta da Comissão Política do PSD, que ainda está a ser finalizada, prevê que militantes do partido nessas circunstâncias sejam imediatamente expulsos.
Actualmente os estatutos admitem a cessação de militância ou a expulsão do partido.

Que o PSD expulse um ou mil militantes a mim não me aquece nem me arrefece. O que me custa ver é partidos ditos democráticos a utilizar tácticas totalitárias no seu interior. Faz pensar qual seria a sua atitude se um dia tivessem a possibilidade de alterar a constituição ao seu gosto e medida. A consciência das pessoas não se compra nem se pode filiar num partido. Numa sociedade realmente livre também a nossa consciência o tem de ser. Não é possível exigir o seguidismo como regra.
Se observarmos bem os partidos, quando atingem o poder ou a ele concorrem, aceitam a ideia de usar independentes nas suas listas. A esses, inevitavelmente, têm de conceder espaço de opinião e aceitar o seu desacordo sempre que ele acontecer. Porque não o poderão fazer os militantes? Qual é, então, a vantagem de se ser militante de um partido se não se pode fazer nada para alterar o que se passa lá dentro?
As respostas a estas perguntas só poderão ser dadas pelos próprios militantes de partidos, (que eu não sou), mas das duas uma; ou desejam alcançar cargos políticos importantes ou simplesmente inscrevem-se nos partidos como o fazem nos clubes de futebol. No futebol, pelo menos, podem contestar as opções do treinador ou das direcções enquanto nos partidos só o “Ámen” é aceite.
Se numa eleição autárquica, ou presidencial, eu discordar da decisão do meu partido quanto à escolha de um candidato isso deveria ser aceite normalmente e não como um acto de indisciplina sujeito à expulsão imediata. Haverá casos em que isso se justificará mas o que me choca é que a ideia de tornar a expulsão automática sem se tentar sequer compreender as razões da escolha feita. O direito à defesa deveria ser sempre permitido. O PS, com todos os seus defeitos, foi capaz de engolir a candidatura do Manuel Alegre, e com maior ou menor dificuldade está a aceitar esse facto. Que viria, Marques Mendes, dizer se o PS tivesse expulso Manuel Alegre?

sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

PACHECO PEREIRA IV

Terrorista Cultural

As perigosas Avozinhas

Vi há dias uma reportagem sobre uma manifestação de avós nos estados unidos e tenho andado à procura de notícias sobre o assunto o que não consegui até ao momento. Vou por isso tentar contar a história como me lembro de a ter visto.
Realizou-se uma manifestação de avozinhas numa cidade dos EUA para protestar contra a guerra no Iraque. A manifestação era composta somente por dez velhinhas, que com cartolinas fizeram alguns cartazes, em forma de coração, pedindo o regresso dos seus netos. A ideia era dirigirem-se a um centro de recrutamento militar onde iriam propor que fosse aceite a troca entre elas e os seus familiares no Iraque. Afirmavam que elas já eram velhas, mas os seus netos eram jovens e mereciam ter uma vida longa e feliz. Queriam vê-los regressar com vida e não dentro de um caixão.
Até aqui a noticia é engraçada, demonstra o estado de espírito existente na América sobre a guerra no Iraque, mas nada mais do que isso. O mais ridículo foi o que aconteceu depois.
Quando chegaram ao centro de recrutamento, este foi fechado para impedir a entradas das idosas senhoras. Não se entendeu muito bem de que tiveram medo os zelosos funcionários, mas a cereja no cimo do bolo ainda estava para chegar. Apareceu a policia que algemou as avozinhas com as mãos atrás das costas, tendo estas simpáticas senhoras, sido posteriormente transportadas num carro prisional. A polícia conseguiu assim, concretizar o grande feito, de deter 10 perigosas velhinhas que ameaçavam a segurança dos EUA. Só espero não vir a ter conhecimento que foram, também elas transportadas para alguma prisão de alta segurança, tipo Guantanamo, sob a acusação de serem perigosas terroristas a soldo da Al Qaeda.

Povos irmãos .... na ignorância

...
...
...
Um estudo dividiu a população dos Estados Unidos em cinco níveis de compreensão de leitura.
Descobriu-se que aproximadamente 90 milhões de adultos ou seja 47 por cento dos Americanos se encontram nos dois níveis mais baixos de ileteracia.
Isto quer dizer que metade da população Americana confia mais nas fotografias que nas palavras porque eles mal sabem ler inglês.
Afinal parece que não é só cá em Portugal. Somos povos irmãos na ignorância, o que talvez justifique a razão de nós elegemos o Cavaco e eles o Bush.

PACHECO PEREIRA III

HUMPTY DUMPTY
Sat on a wall
Humpty Dumpty had a great fall
All the King's horses and all the King's men
couldn't put Humpty Dumpty together again.

quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Para quê adiar?

O Governo promete avançar com novas leis para avaliar o desempenho dos funcionários públicos, mas só a partir de 2007.
Até lá, o Executivo irá aplicar a lei existente, em certos casos com efeitos retroactivos aos funcionários que não foram avaliados, conforme explicou o secretário de Estado da Função Pública, na Assembleia da República.
A actual lei, aprovada pelo Governo de Durão Barroso, prevê que em cada serviço só 20 por cento dos funcionários possam merecer classificação de «muito bom». O «excelente» é uma nota ainda mais selectiva, aplicável a apenas cinco por cento.
O Governo socialista reafirma a necessidade destas quotas como estímulo para o desempenho da Administração Pública, mas admite que, no pacote de leis que vai vigorar a partir do próximo ano, possa haver maior flexibilidade aos critérios de avaliação.

Não sou contra a avaliação seja ela feita aos funcionários públicos ou a qualquer outro profissional (vejam-se os prémios dados a gestores como aconteceu no Metro do Porto). Compreende-se que o mérito deve sobrepor-se à antiguidade. Até aqui tudo bem.
Onde as minhas dúvidas residem maioritariamente é em dois pontos muito concretos. Primeiro, a questão das quotas. Não me parece correcto que num determinado serviço se tenha de dizer que só há um trabalhador excelente. Existem certamente serviços em que não existe um único bom trabalhador e outros onde a grande maioria possa ser excelente. Esta limitação, se por um lado pode criar uma maior motivação para se ser o melhor, também pode funcionar inversamente para alguns por saberem que nunca poderão atingir esse nível.
A segunda questão tem a ver com os critérios de como é feita essa avaliação. Será ela feita de uma forma totalmente objectiva ou ficará ao critério de chefias? Haverá forma de evitar que compadrios, amizades ou inimizades sejam levadas em conta nestas classificações? Poderão aqueles que se sentirem prejudicados recorrer para uma entidade independente? Se sim estarão os trabalhadores representados? É que, se as promoções ficam dependentes destas classificações, estas questões são sem dúvida muito importantes para todos os avaliados.

Onde me parece que o governo está a falhar, nesta questão, é no adiar uma nova regulamentação sobre o assunto para 2007, aplicando até lá a lei “Barrosenta”. Se é admitido que a actual lei não está correctamente formulada, devia ser revista imediatamente e a aplicação da actual suspensa. Não faz sentido continuar a fazer cumprir algo que se sabe não estar correcto. Para quê adiar?

PACHECO PEREIRA II

O Papa da cultura Portuguesa
Que Deus nos ajude.

Não quero jogar na equipa deles

Trinta e quatro dos 98 prisioneiros que morreram nas cadeias norte-americanas no Iraque e no Afeganistão desde Agosto de 2002, segundo a organização Human Rights First (HRF), foram ou são suspeitos de terem sido vítimas de um homicídio, voluntário ou involuntário.
O dossier da HRF indica, igualmente, 11 casos de mortes suspeitas e entre oito a 12 casos de prisioneiros torturados até à morte.
Aquela organização de defesa dos direitos do Homem dá, também, o caso de um prisioneiro que foi atirado de uma ponte sobre o Rio Tigre, no Iraque, e de outro asfixiado num saco cama."Acreditamos na veracidade e na fiabilidade destes factos", afirmou Deborah Pearlstein, responsável pelo relatório."Os documentos baseiam-se em relatórios de inquérito do exército, que conseguimos junto do Governo ou graças à legislação sobre a liberdade de informação nos Estados Unidos", sublinhou Pearlstein.Segundo a HRF, "apesar de a CIA ter estado implicada em várias mortes, nem um só agente da CIA enfrentou um processo criminal".
Nos casos dos oito mortos por tortura, apenas metade resultaram em punições, a mais dura das quais foi uma pena de prisão de cinco meses.A organização conclui que a cadeia de comando tem responsabilidades maiores no fraco índice de condenações pela morte de prisioneiros.
Dezenas de casos referidos no relatório foram alvo de participação, investigação e acompanhamento inadequados, não deixando qualquer explicação sobre os homicídios ou outras mortes não explicadas.
In “JN”

Continuamos a confrontar-nos diariamente com informações e confirmações de maus-tratos, tortura e morte praticada pelos EUA nas prisões sob sua responsabilidade no Iraque e Afeganistão. Parece-me intolerável este tipo de acontecimentos, quando vêm de um país que se arroga de ser o paladino da liberdade, da justiça e dos direitos humanos. Nós, os supostamente pertencentes ao lado das democracias Ocidentais, não podemos de maneira nenhuma aceitar, que no nosso seio, exista quem pratique tais actos. Nós não podemos ser confundidos com aqueles que praticam este tipo de actividades. Não sou americano, não concordo com a sua actuação na política mundial nem com as actividades criminosas que praticam. Derrubes de governos, assassinatos políticos, apoio, declarado ou não, a grupos terroristas (a quem nestes casos chamam de grupos de libertação), invasões, e a disseminação da morte um pouco por todo o lado onde os seus interesses económicos sejam colocados em causa. Não podemos aceitar ser governados pelo dólar e muito menos que a ganância gere a morte a destruição e a tortura.
O mundo, mas sobretudo as verdadeiras democracias ocidentais deviam repudiar firmemente estas atitudes e deixar os EUA isolados quanto à prossecução destas políticas. Quem pratica tais actos não é digno de querer ser o polícia do mundo e muito menos querer dirigi-lo. Está na hora de termos coragem de lhes dizermos “Não”.

Nota: Depois de se saber isto ainda esperam que nós possamos acreditar em Donald Rumsfeld quando nos vem dizer que em Guantánamo “não há torturas nem abusos”? Penso sinceramente que não.

quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

PACHECO PEREIRA I

Associando-nos a uma corrente de protesto, iniciada, no Kombate, "The Braganzzzzza Mothers" irá enviar um pedido aos seus blogues mais lidos, para que se associem ao movimento: o processo é simples: envie, por sua vez, o convite aos seus amigos, e eles que mandem, cada um com o seu sotaque próprio, o Pacheco levar na ventoinha.

Recebi este pedido dos meus amigos "
The Braganzzzzza Mothers". Inicio hoje, e até que o Pacheco desapareça das televisões, jornais, rádios e blogs, ou seja da minha frente, a publicação de algumas imagens sobre o dito cujo.

Morte à Pena de Morte

Los Angeles - A execução do hispânico Michael Morales, que estava prevista para às 0h01 desta terça-feira (horário local), foi adiada depois que os dois anestesistas designados para acompanhar o processo negaram sua participação alegando razões de ética médica, informou o jornal Los Angeles Times.
Os anestesistas se defenderam dizendo que "qualquer intervenção médica no procedimento de uma execução vai contra a ética e o juramento de Hipócrates". Uma passagem do juramento diz que o médico deve "aplicar os tratamentos para ajudar os doentes conforme sua habilidade e sua capacidade, e jamais usá-los para causar dano ou malefício."
Os médicos se negaram a cumprir a ordem do juiz Jeremy Fogel do tribunal federal do distrito, que previa a possível intervenção dos anestesistas caso o réu sentisse dor ou recuperasse a consciência durante o processo de execução.
A ordem do juiz obriga a que pelo menos um anestesista esteja presente na câmara de execuções para comprovar que o réu está inconsciente antes que a mistura mortal faça efeito.

Se todos os médicos do mundo tivessem a coragem e a consciência profissional destes dois anestesistas seria uma profunda machadada na absurda lei que defende a pena de morte. Só quero deixar aqui a minha admiração a estes dois profissionais que não abdicaram da sua consciência em nome de uma justiça desumana.

Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos.
Victor Hugo, 1876, a propósito da abolição da pena de morte em Portugal (o primeiro país europeu a fazê-lo)

terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Luís Delgado, o agoirento

Na sexta-feira, um banco nacional estimou que o PIB de 2006 vai apenas crescer 0,7 por cento, contra os 0,8 por cento do Banco de Portugal, já revistos, e os mais de 1 por cento anunciados pelo Governo. Ainda só estamos em Fevereiro e o ritmo é desanimador. Dias antes também o governador do Banco de Portugal veio alertar para o facto do país ainda ter de levar dois a três anos para chegar à média do crescimento europeu, o que significa que vamos estar quase uma década em divergência com os nossos parceiros. Se nem tudo andar bem, lá mais para a Primavera, os 0,7 por cento podem ser 0,5, e de décima em décima o nosso PIB vai-se esfumando. A pergunta é óbvia: quando é que isto tem fim?
In "Diário Digital"
Hoje portaste-te bem. Escreveste pouco, por isso também disseste menos asneiras, embora as que dizes são de palmatória.
Primeiro pões como referencia um banco privado para procurares argumentos para choramingares (já pareces o Santana Lopes). Melhor seria dizer que esses 0,1 ou mesmo os 0,3 por cento para a previsão do governo se resolviam num instante. Ponha-se esse e os outros bancos nacionais a pagar uma taxa de IRC igual a todas as outras empresas. Com os lucros fabulosos que têm apresentado só essa diferença enchia os cofres do estado em muitos milhões. Este governo completou agora um ano à frente do país. Portanto se esta crise vai durar ainda mais 2 ou 3 anos isso quer dizer que, também nos últimos 6 anos anteriores, quem por lá andou não resolveu nada. Nem os teus amigos Durão Barroso, “o fugitivo” e Santana Lopes “o palhaço”, que tu consideraste tão injustiçado, com as Manuelas Ferreiras Leite e os Bagões Félix, tiveram qualquer sucesso. Antes pelo contrario, enterraram ainda mais o país. Depois entras na tua especialidade; as previsões. Sabendo, como sabemos, que não acertas uma que seja podemos ficar descansados. Quanto à pergunta que fazes, tu já próprio respondeste, o Sócrates. Só tens de esperar os tais 2 ou 3 anos.

Será que a montanha vai parir outro Rato?

Hoje, no Diário de Notícias, uma pequena notícia refere a posição de Vasco Rato em relação à suposta fraca oposição (leia-se PSD) que está a ser feita ao governo. Vasco Rato demitiu-se da Comissão Política do PSD, liderada por Marques Mendes, e já começa a “roer a corda”, preparando o golpe de força que se adivinha estar para acontecer no seio do PSD, o qual certamente visará tirar o tapete a Marques Mendes e abrirá caminho a Borges e companhia. Vasco Rato, apesar de agora se ter demitido, não põe de lado a hipótese de se candidatar ao PSD a par com Marques Mendes. É caso para Marques Mendes cantar a música de Sérgio Godinho: Tem ratos, tem ratos, vivem escondidos nos nossos sapatos!
(Posted by Kaótica)

Produtividade Zombie

Cientistas norte-americanos estão a desenvolver um fármaco sem cafeína para reduzir a necessidade de sono para duas horas diárias, podendo o estado de vigília durar até dois dias, ao produzir um sono mais profundo e retemperante que o habitual.
Os testes já realizados deram bons resultados, de acordo com a revista ‘New Scientist’, que adianta que a investigação é baseada no sucesso de um fármaco, o Modafinil, um estimulante lançado há sete anos que permite às pessoas acordarem retemperadas após quatro horas de sono. “O objectivo dos investigadores é limitar a necessidade de sono a duas horas por dia, sem que tal afecte o rendimento das pessoas”, afirmaram os cientistas.Os responsáveis pelo projecto esperam obter mais informações sobre o funcionamento do relógio biológico humano nos próximos anos, o que aumentará as possibilidades de desenvolver fármacos para superar completamente a necessidade de sono até vários dias.

Já estou a ver muito patrão a esfregar as mãos de contentamento. O “fazer serão” agora pode ser em sessões contínuas. Trabalha-se oito horas e trabalha-se mais 16 até chegar a hora de continuar a trabalhar. Falta agora inventar o fármaco que também evite ter de comer e de fazer necessidades fisiológicas para que a produtividade aumente para níveis que lhes agradem. E, os nossos governantes, sem dormirem a moverem-se na política qual zombies. Que medo.
O homem não aprende mesmo. Continua a brincar com a “natureza das coisa” e isso é muito perigoso. Aquilo que naturalmente pode levar milhares ou milhões de anos a modificar o homem quer fazer em segundos. Muitas vezes estas tentativas de mexer no desconhecido acabam por acarretar problemas muito sérios num prazo mais longo. Primeiro resolvemos criar Deus, a agora queremos ocupar o seu lugar. É o cúmulo do “virtualismo”.

Já não são Bancos, são Tronos

O DN escreve que ao Banco de Portugal "têm chegado reclamações e pedidos de esclarecimento relacionados com recusas de aberturas de contas de depósitos por algumas instituições de crédito". De acordo com o banco central, o facto de alguém não desempenhar uma actividade profissional, nomeadamente donas de casa e desempregados sem direito ao respectivo subsídio, "não deve constituir motivo de recusa de abertura de contas de depósito, bastando que os próprios declarem aquelas situações".
Para as associações de defesa dos consumidores esta atitude constitui "um acto de exclusão bancária", uma situação que muitos países europeus já resolveram com a obrigatoriedade dos serviços mínimos bancários.

A banca continua a ser um dos negócios mais perversos, mas também dos mais protegidos da sociedade moderna. Tal facto só se entende por vivermos num mundo obcecado pelo dinheiro. Quem o tem abusa do poder que ele lhe concede e quem o deseja ter tudo faz para agradar a quem o tem. É assim que se cria a corrupção, o compadrio, o tráfico de influências e se permite a existência de negócios menos claros. Não é por acaso que o nome de algumas entidades financeiras apareça muitas vezes associadas a negócios meio nublosos em alguns casos ou a financiar investimentos e políticos. Também a justiça, muitas vezes, parece incapaz de escapar a este poder, e mesmo quando algumas notícias se tornam públicas envolvendo essas instituições, normalmente dissolvem-se em nada.
A reestruturação da Banca em Portugal e as novas tecnologias contribuíram para o despedimento de milhares de trabalhadores. Com uma taxa de IRC bastante inferior à das restantes empresas, a Banca tem vindo a aumentar os seus lucros de ano para ano em milhões de euros. Basta olhar para os números do último ano para se verem aumentos de lucros na ordem dos 30 e 40 por cento.
Todos os governos, em Portugal, têm mostrado receio de “mexer” com esse poder acabando sempre por aceitar as regras que ele lhe impõe. Com a faca e o queijo nas mãos no tocante à economia, a banca, impõe as suas leis, controla os outros poderes e assim reina omnipresente e omnipotente neste jardim à beira mar plantado. Quase que se pode dizer que já não são bancos, são autênticos tronos.

O homem nunca foi à lua

O historiador britânico David Irving foi sentenciado a três anos deprisão por negar o Holocausto 17 anos atrás, determinou nesta segunda-feira uma corte austríaca. Um painel de oito jurados e três juízes decidiu a sentença com base em declarações feitas por ele durante uma entrevista concedida em 1989 e em discursos proferidos quando ele visitou a Áustria, onde negar o genocídio de judeus é crime.

Realmente é espantoso. Compreendo que negar o Holocausto é no mínimo uma parvoíce. Quem o faz, nada mais faz que uma triste figura. Temos no entanto de admitir que prender alguém por o fazer é outra. Se acreditar naquilo o fazia feliz, deixa-lo estar. Há palhaços em todas as sociedades. Também temos alguns por cá, e até os deixamos fazer comentários na televisão ou mesmo chefiar partidos. Afinal, com que direito se quer entrar na cabeça das pessoas e obrigá-las a acreditar naquilo que nós não admitimos que eles não acreditem. A resposta é nenhum. A minha querida Avó, por exemplo, nunca acreditou que o homem foi à lua. Para ela foi tudo montado, um filme. Se viveu feliz a pensar assim deveria eu tê-la obrigado a dizer-me que, - está bem, eu acredito. Estás contente?

Abre o olho.

A Comissão Europeia (CE) considera que o governo português vai ter de tomar medidas suplementares “substanciais” para tentar corrigir o défice público a partir de 2007, de acordo com um relatório cujos resultados vão ser divulgados esta semana.
Ai, ai, ai. Lá vamos nós de novo. Lá vem a porcaria do défice para nos assombrar outra vez. Logo agora que nos estavam a mostrar que as coisas até estavam a melhorar mais do que se previa, lá nos cai em cima, o malvado. Maldita praga esta que Cavaco nos lançou. É que já não posso ouvir falar de défice, estou mais farto dele que do Souto Moura. Vá de retro Satanás, eu te esconjuro, shoooou, booooo.
Vai começar tudo de novo? A conhecida conversa de que todos temos de fazer sacrifícios, ai! o défice, ui! a Comissão Europeia, blá blá blá.
Paciência, haja paciência. Claro que ainda há a hipótese de o Sócrates estar certo e isto estar a correr exactamente como ele tinha imaginado e que afinal tudo está bem. Se assim não for então vejamos; Impostos? Talvez. Desemprego? Sempre a subir. Poder de Compra? Sempre a descer. Aumento de salários? Nem por isso. Banca? Cada vez mais rica. Cavaco? Brrrre.

segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

TELEVISÃO : O MILAGRE DESEJADO

A transmissão em directo de horas e horas de uma cerimónia religiosa de transladação de uma freira canonizada tornaram a notícia numa ocupação absolutista do espaço televisivo ( com todos os canais em sincronia) e numa penitência para quem, por mais crente que seja, foi seu espectador. Depois deste evento uma certeza emergiu: Só por milagre, o interesse público terá presença no espaço televisivo.
Jorge Matos

Ontem pensei ter voltado alguns anos atrás. Todos os canais generalistas da nossa televisão dedicaram o dia à transmissão televisiva do transporte de um cadáver de um lugar para outro. Pronto, era a transladação de uma ex-pastorinha que depois se recolheu num convento após ter supostamente sido visitada por uma etérea senhora vinda do céu, é verdade, mas foi um exagero. Portugal é um estado laico e eu que não acredito naquelas coisas lá levei com aquela xaropada todo o santo dia. Andamos nós a pagar a televisão pública para isto. Mais valia que tivessem dado a reposição de declarações do Santana Lopes quando era primeiro-ministro, ou da sua ministra da educação ou mesmo comentários do Luis Delgado que ao menos ainda nos podíamos rir um bocado.

SAÚDE TENDENCIALMENTE PAGA

O actual governo anunciou a abolição do sistema de saúde universalmente gratuito justificando a medida com as falácias do critério de justiça social: “não é justo que ricos e pobres paguem o mesmo por serviços públicos indispensáveis”, “não é justo que todos paguem pelo que só alguns utilizam”. A argumentação de suporte desta medida encerra um duplo paradoxo hipócrita:
Se existe um sistema fiscal caracterizado pela progressividade a diferenciação de pagamento já é feita pelos mesmos serviços.

Se esse sistema fiscal funcionar há uma redistribuição que suporta o acesso gratuito de todos em função de uma necessidade que todos podem ter.Se o sistema fiscal funcionar, haverá sempre proporcionalidade entre financiamento da saúde e rendimentos, por um lado, e solidariedade entre saudáveis e doentes ou acidentados, por outro.Se o sistema fiscal não funcionar, a fuga que é conseguida nos impostos será mais exequível na finta ao pagamento das taxas, agudizando a ausência de meios do SNS e a qualidade dos serviços.

A medida proposta pelo Governo tem assim um carácter anti-social, questiona a solidariedade social mas é, igualmente, irracional.

A sua aplicação, em nome da falácia da justiça social, eliminaria o Serviço Nacional de Saúde e os indicadores de saúde que conseguimos conquistar com o universalismo do direito ao SNS (muito à frente da maioria dos países mais abastados).

A trajectória orçamentalista do Governo afasta-se a passos gigantes de critérios sociais
de organização da vida comunitária. Para o Governo a solidariedade social deixou de ser um objectivo e passou a ser uma metáfora literária a utilizar em campanha eleitoral.
Texto cedido por Jorge Matos

Administradores a prazo

Sete em cada 10 novos empregos são precários em Portugal
Em 2005, apenas 29% dos trabalhadores por conta de outrem, com antiguidade até 12 meses no actual emprego, tinha contrato sem termo. Com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Jornal de Negócios de segunda-feira adianta que cerca de 70% do emprego gerado na economia portuguesa no último ano é precário. As empresas nacionais «recorrem cada vez mais a contratos não efectivos no recrutamento de novos trabalhadores», nota o artigo.
Partindo dos números do INE, o artigo refere que 71% dos novos postos de trabalho criados em 2004 e em 2005 eram «temporários ou sob a forma de recibo verde». Mais, o artigo refere que, em média, 40% das pessoas contratadas a prazo acabam por ser dispensadas. No final de 2005, a taxa de desemprego em Portugal situou-se sobre os 7,5% da população activa.
In “Diário digital”
O contrato a prazo foi a forma que o capital encontrou como solução para contornar os contratos colectivos de trabalho. Um trabalhador a prazo é sempre muito mais “manso”, aceita aquilo que lhe dão e não faz ondas. Como os números mostram acaba por não dar bons resultados já que 4 em cada 10 acabam dispensados. O neo-liberalismo defende a inexistência de uma lei do trabalho em que seja cada um a negociar pessoalmente o seu contrato, sem segurança, muitas vezes horário e sempre sujeito aos caprichos patronais. O famigerado D. Sebastião de Londres, António Borges, chegou mesmo a defender em entrevista televisiva o fim do trabalhador. Todos nó passávamos a ser empresários, e a nossa força de trabalho seria contratada como se de uma empresa se tratasse. Assim todos nós passaríamos a ser tarefeiros sob o pomposo nome de empresários.
Com a triste globalização que nos é imposta cada vez menos os estados possuem a liberdade de estabelecer as suas regras de trabalho. Em concorrência directa com quem não dá qualquer direito aos seus trabalhadores é-nos quase imposto que façamos o mesmo. A UE deveria criar uma lei de trabalho “mínima” ao qual todos os estados membros estariam obrigados. Deveria recusar o comércio livre com estados em que exista o trabalho infantil e escravizante. Só assim se poderia garantir que o trabalho serviria o homem e não o contrário.

Estão Loucos

CARACAS (Agência Estado/AP) - Em resposta à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que qualificou a Venezuela de “ameaça para a democracia da região”, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que os líderes dos EUA estão loucos”. Ela (Condoleezza) disse algo muito grave e fez o mundo saber que está telefonando a chanceleres para fazer alertas sobre a Venezuela”, declarou Chávez. Os funcionários americanos estão loucos e estamos preparados para resistir ao atropelo imperialista e aos esforços do governo dos EUA para isolar a Venezuela”, prosseguiu. Condoleezza alertou para o risco que a Venezuela significa para a região durante uma audiência ante a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde disse ter conversado por telefone com os chanceleres de Brasil, Espanha e Áustria “para que haja uma espécie de frente unida contra algumas coisas nas quais a Venezuela está envolvida”. Parece que ela sonha comigo”, continuou Chávez, referindo-se à secretária de Estado, a quem qualificou de “dama imperial”. “Sou capaz de convidá-la para uma reunião para perguntar a ela: ‘O que acontece com você em relação a mim?’” Durante a audiência de quinta-feira, Condoleezza mencionou a “particularmente perigosa aproximação da Venezuela com Cuba” e as restrições às actividades da organização cívica Súmate - que o governo venezuelano acusa de traidora por receber fundos dos EUA. A vice ministra de Relações Exteriores da Venezuela, no entanto, disse que seu governo pedirá esclarecimentos sobre uma declaração de Condoleezza, segundo a qual os EUA pediriam “apoio internacional” para uma greve geral de trabalhadores de transporte venezuelanos. Ela sustentou que para o governo da Venezuela essa intervenção se constitui numa “clara ingerência em assuntos internos do país". As declarações de Condoleezza se deram dois dias depois de uma reunião entre o Secretário-Adjunto de Estado para a América Latina, Thomas Shannon, e o embaixador venezuelano em Washington, Bernardo Álvarez - com o objetivo de aliviar a crescente tensão nas relações entre os dois países nas últimas semanas. “Há dois dias chegou um relatório de nosso embaixador que, eu juro, recebi com optimismo. E agora sai Condoleezza dizendo o que disse”, afirmou Chávez. “Estão loucos. Daí se deduz que o governo de Bush não tem política de relações exteriores. Nos EUA, não manda Bush, mas sim outros fautores. Quando aparece alguém lançando sinais de conciliação em relação à Venezuela, logo se libertam os falcões que destroçam qualquer iniciativa de aproximação”.

Quem não está comigo está contra mim. São já muitos os países da América Latina que começam a preocupar Bush e os seus abutres. Cuba é há muito tempo uma espinha atravessada na garganta norte americana, mas com mais governos da zona a começarem a questionar as suas politicas e a autoridade, o problema torna-se mais sério. Sempre a viverem sem inimigos junto das suas fronteiras, as vitórias eleitorais de diversos partidos de esquerda na América do sul, coloca o inimigo muito perto da sua porta. Habituados a saquear a seu belo prazer os recursos da zona, também economicamente esta viragem é um problema sério. A oposição de Hugo Chavez e a sua ameaça de fechar as refinarias nos EUA, cortando assim o abastecimento do o petróleo venezuelano, já os coloca também a eles como parte ao eixo do mal. Coloca-se agora a hipótese da esquerda assumir também o poder no México o que transformaria esta dor de cabeça da administração americana numa enorme enxaqueca.

domingo, Fevereiro 19, 2006

É mau

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, saiu ontem em defesa da base naval norte-americana de Guantanamo, cujo encerramento imediato tem sido insistentemente pedido pela comunidade internacional, nomeadamente pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
O secretário-geral [da ONU] está “totalmente equivocado” quando afirma que Guantanamo será encerrada “mais tarde ou mais cedo”, afirmou Rumsfeld, segundo o qual naquele centro de detenção dos EUA em território cubano “não há torturas nem abusos”.

Não devemos encerrar Guantanamo, temos ali vários centenas de terroristas que, colocados em liberdade, iriam matar cidadãos norte-americanos”, acrescentou o chefe do Pentágono, concluindo, de forma peremptória, que pretender encerrar a prisão é uma visão “pouco realista”.

Se George Bush ainda pode ter como desculpa para o que diz e faz o facto de ser burro este Donald Rumsfeld não passa de um facínora da pior espécie. Um réptil nojento que, com a cumplicidade dessa “coisa” chamada Condoleezza Rice comandam a politica bélica e desumana dos Estado Unidos. Um país, que não há muito tempo, se vangloriava de ser o paladino da liberdade e da justiça é agora a vergonha da democracia ocidental. Ao recusar o fim de Guantanamo, nada mais faz que confirmar a continuação da politica do “posso quero e faço”, indiferente aos apelos dos seus próprios aliados e ao respeito pelas convenções e tratados internacionais.
Sob a capa da segurança pratica-se a barbárie e em nome da vida de cidadãos norte-americanos, enviam milhares dos seus jovens para morrer longe em guerras insensatas e sem sentido.

Vergonha

O mundo terá 100 milhões de pessoas a mais a passar fome até 2015, prevêem especialistas reunidos no encontro anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência.
As Metas do Milénio, da Organização das Nações Unidas (ONU), de reduzir para metade o número de famintos parecem inatingíveis sem a criação de novas tecnologias e maior investimento financeiro, disseram os cientistas.
Para o professor Per Pinstrup-Anderson, da Universidade Cornell, em Nova York, a agricultura é o ponto-chave.
"Quando se põe dinheiro nas mãos dos agricultores, esse dinheiro é gasto na criação de emprego e na redução da pobreza", disse ele.
"Constatamos na nossa pesquisa que, para cada dólar que se investe em pesquisa na agricultura, gera-se cerca de US$ 6 de renda adicional entre os agricultores e um retorno de US$ 15 de crescimento económico adicional na sociedade como um todo."
Dez crianças em idade pré-escolar morrem a cada minuto de desnutrição, e esse número não mudou desde o início dos anos 80, apesar das promessas feitas em encontros internacionais.











Com todos estas distracções com que somos tele-confrontados no dia a dia, acabamos por esquecer o fundamental; As pessoas.
Ao olhar para este mundo que nos rodeia, compreendemos que apesar de nos considerarmos uma civilização avançada a caminho das estrelas, ainda não possuímos sequer um mínimo de civilidade que impeça as nossas crianças de morrer de fome. Enquanto cada país e cada um de nós não nos assumirmos como cidadãos do mundo e interiorizarmos o sofrimento dos outros como nosso dificilmente a miséria com que convivemos poderá ter fim. Esta deveria ser a verdadeira globalização, em que cada ser vivo deste planeta, fosse no mínimo, um amigo a quem devo ajudar sempre que necessite e não um simples potencial cliente. Quando nos damos ao trabalho de ler, não só dar uma vista de olhos mas ler e pensar, na dimensão da tragédia humana que existe neste mundo compreendemos quão perto estamos ainda do momento em que vivíamos em cavernas e o tanto que nos falta “crescer” ainda, para fazer deste mundo uma casa onde todos vivamos como se de uma só família se tratasse. Fala-se muito de humanismo, mas a ainda é a besta que vive dentro de nós que nos comanda. Se assim não fosse não morreria uma única criança de fome neste mundo, Só nesse momento teremos o direito a chamar-nos de seres humanos.

Milagre ou talvez não

O ESTATUTO do Santuário de Fátima vai ser alterado no próximo mês de Abril pela Conferência Episcopal. A iniciativa resulta de uma imposição vinda directamente do Vaticano, que pretende, desta forma, introduzir uma «maior vigilância teológica» e restringir o santuário ao culto exclusivo de católicos. A Santa Sé poderá mesmo nomear um representante permanente do Vaticano na gestão corrente de Fátima - à semelhança do que já acontece com os santuários italianos. Recorde-se que, nos últimos anos, o santuário recebeu a visita de uma conferência ecuménica, assim como de um grupo de hindus e do próprio Dalai Lama, que rezou junto da Capelinha das Aparições. As visitas foram autorizadas pelo reitor de Fátima, que até agora tinha plenos poderes na gestão pastoral e administrativa do santuário, e motivou diversos pedidos de esclarecimento por parte das autoridades de Roma. Fátima, que, em 2004, gerou 19 milhões de euros de lucros, passará a ser gerida por um conselho de administração que integrará quatro bispos: os arcebispos de Braga, Évora e Lisboa, assim como o prelado de Leiria-Fátima. 2006-02-13

Esperam-se hoje, 250 mil pessoas em Fátima para acompanhar a transladação do corpo da Irmã Lúcia. Embora tenha existido uma boa campanha publicitária a promover este espectáculo, é surpreendente o êxito que conseguem alcançar. Sem duvida um bom negocio.
Os portugueses são realmente extraordinários. São demasiado preguiçosos e comodistas para mexerem um dedo na luta dos seus interesses e depois dão-se ao trabalho para participar nestas surrealistas cerimonias.
Pessoalmente, não acredito em milagres, pois como já me disseram falta-me a fé. Não o posso negar, mas também não me consigo culpar por isso, é um facto. Acredito por isso ter sido o homem a criar Deus e não o oposto do mesmo modo que também foi o homem de criou Fátima e não uma etérea senhora.
A presença destas 250 mil pessoas, esse sim é o verdadeiro Milagre de Fátima.

sábado, Fevereiro 18, 2006

Causas e consequências

Várias pessoas morreram na cidade líbia de Benghazi (norte) em um protesto realizado perto do consulado italiano contra o ministro de Reformas italiano Roberto Calderoli, que anunciou esta semana sua intenção de usar e presentear t-shirts estampadas com a caricatura de Maomé.
A manifestação foi reprimida com disparos pela polícia, segundo depoimentos de testemunhas a meios de comunicação italianos.

Ouvi a gora a noticia da morte de pelo menos 11 pessoas e dezenas de feridos enquanto os conflitos continuavam. Por muito que sejam, e são, criticáveis estas manifestações violentas por parte dos fundamentalistas muçulmanos, estas mortes não nos podem deixar indiferentes a toda a estupidez a que estão associadas. Escrevi neste blog na passada quarta-feira sob o título “Liberdade de expressão o caralho” o seguinte: “Quem julgará e condenará Roberto Calderoli, Ministro Italiano para a Reforma Institucional, pelas mortes e destruição que os seus actos irão certamente gerar. Ou vamos dizer que o filho da puta só estava a exercer o seu direito à liberdade de expressão.
Não sou bruxo nem tenho uma bola de cristal que me permitam ver o futuro, mas também não era muito difícil de prever o que só agora começou a acontecer. As questões que aqui quero deixar a todos são as seguintes:

Este Sr. que agiu premeditadamente, tendo total consciência das consequências dos seus actos, não será responsável, pelo menos moral, da morte destas pessoas?
Poderemos nós dizer que os seus actos não passaram de um mero exercício de liberdade de expressão?
Poderá ele, sair impunemente de toda esta situação come se nada se tivesse passado?

sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Doze C-295 para a FAP

Está assinado o contrato para a compra dos aviões espanhóis que vão substituir os já velhinhos Aviocar da Força Aérea Portuguesa. O contrato prevê a aquisição de 12 aviões C-295, para substituir os 24 Aviocar da Força Aérea, num negócio avaliado em 274 milhões de euros.

O avião C-295 é derivado do CN-235, que é líder em seu segmento e está a operar há vários anos com 33 operadores em 23 países, tendo demonstrado grande operatividade e flexibilidade.

Economia de operação: Manutenção simples e economia no consumo de combustível dos motores PW127G de 2645 cavalos, fazem do C-295 o avião com o LCC mais baixo de sua categoria.

Confiabilidade e disponibilidade: A frota de aviões CN-235 acumulou mais de 700.000 horas de voo com uma disponibilidade global de mais de 90%, não tendo sido retirado até o momento de nenhuma Força Aérea por problemas operacionais. Foram fabricadas mais de 250 unidades que hoje operam em Forças Aéreas como a da França, Turquia, Espanha, Irlanda, Marrocos, Malásia e Chile, entre outros, e recentemente foi seleccionado pelo Governo dos EUA como o avião que fará parte de seu sistema de Patrulha e Vigilância Marítima no Programa “Deep Water”.

Nunca gosto de ver gastar dinheiro em equipamento militar. Eu e material que serve para matar não nos damos muito bem.

Do mal o menos que não são aviões de combate, mas simplesmente de vigilância e transporte. Espero que venham a ser mais utilizados em funções de busca e salvamento que em funções bélicas. O ideal era que a chamadas Força Aérea fosse transformada numa força de protecção civil.

O que o mundo deve saber


O Governo dos EUA negou hoje dois pedidos da ONU e do Parlamento Europeu, para que feche a prisão da base naval americana de Cuba e julgue os presos mantidos ali ou os liberte, com o argumento de que ali estão detidos "terroristas perigosos".
Uma resolução do Parlamento Europeu em favor do encerramento do centro de detenção foi anexada ao relatório da ONU. Segundo o documento da UE, os EUA detêm centenas de suspeitos de terrorismo de forma indefinida e, na maioria dos casos, sem acusações ou direito a um advogado. Além disso, o documento pede que a Washington evite condutas que "equivalem à tortura".
Em declarações à imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou que ali estão terroristas perigosos. "Acho que já falamos antes deste assunto, e nosso ponto de vista não mudou". Segundo McClellan, o relatório elaborado por cinco analistas da ONU, "Parece ser uma adaptação de algumas das alegações apresentadas pelos advogados de alguns dos detidos, e sabemos que os presos da (rede terrorista) Al Qaeda são treinados para tentar disseminar falsas alegações". Disse ainda que os militares encarregados dos prisioneiros os tratam de maneira humana. Além disso, mencionam as alegações sobre o "uso excessivo de violência", que em algumas circunstâncias foi registrado em fotos e vídeos.
Um dos argumentos que utilizados pelo Governo dos EUA para minimizar a importância do relatório é que os cinco analistas não visitaram a prisão, apesar de terem sido convidados. Os autores do documento recusaram o convite quando as autoridades militares deixaram claro que não poderiam falar livremente com os presos.
Os EUA mantêm em Guantánamo, desde a abertura do campo de detenção, em 2001, cerca de 500 homens, que qualifica como "combatentes inimigos". Esta é um termo aplicado para os que enfrentam tropas americanas sem pertencer a um Exército regular, o que, segundo a interpretação dos EUA, os exclui dos direitos que a Convenção de Genebra concede aos prisioneiros de guerra.

Andamos para aqui nós a querer dar lições de Liberdade quando temos no seio da nossa Ocidental civilização exemplos da maior barbárie. Assim, será difícil explicar, seja lá a quem for, que os nossos valores são diferentes e melhores que os deles. Talvez fosse altura, de também nós europeus, fazermos uma lista dos países pertencentes a um novo eixo do mal em que teríamos certamente de incluir o Tio Sam. Será que com tantos séculos de história e agora com as milhares de imagens de morte, miséria, sofrimento e dor que nos entram diariamente pela casa dentro não encontramos um espaço para o humanismo? Será que o poder enlouquece assim tanto que nos torna insensíveis à realidade que nos cerca? Será assim tão impossível?

Um governo de 1ª Página


Um olhar rápido às primeiras páginas dos jornais mostram um governo a trabalhar. Bem para alguns, muito mal para outros. Desde o Big-brother nas estradas, à lei do arrendamento e agora o imposto sobre casas devolutas, passando pelas novas privatizações, a extinção de freguesias são mais alguns dos lodaçais em que o governo está a meter as mãos. Já em guerra com juízes, professores, forças de segurança, funcionários judiciais, inquilinos, pensionistas, funcionários disto e daquilo, mais ……………….. e enfermeiros, há que reconhecer coragem a este governo. Por muito que se discorde do caminho e das decisões tomadas a verdade é que este executivo mostra pelo menos coragem de decidir. Sabendo que não se pode agradar a gregos e troianos não mostram medo de afrontar a inércia em que este país vivia. Sem uma oposição credível e agora mais preocupada com os seus problemas internos reina Sócrates. Mesmo após duas derrotas eleitorais nas autárquicas e nas presidenciais conseguiu manter a ideia de legitimidade para prosseguir no seu caminho de governação. Confiando que as coisas podem melhorar, e que assim sendo politicas mais populares poderão ser assumidas perto do fim da legislatura, se Cavaco Silva não lhe tirar o tapete antes disso, Sócrates arrisca tudo nestes tês primeiros anos. Se no fim do caminho vai poder cantar vitória ou sair enxovalhado pela decisão popular só o tempo o dirá.

Uma fina linha num espaço aberto

O Opus Dei, grupo conservador inserido na Igreja Católica, exige que a produtora Sony faça alterações no filme “O Código Da Vinci”, que tem a estreia mundial marcada para 17 de Maio, na abertura do Festival de Cinema de Cannes.
O filme, baseado no bestseller homónimo de Dan Brown e com o norte-americano Tom Hanks e a francesa Audrey Tatou como protagonistas, parte da premissa de que Jesus e Maria Madalena na realidade se casaram e tiveram filhos e que a Igreja Católica tem passado os últimos 2000 anos a tentar encobrir esses factos.O Opus Dei, que conta com 85 mil membros a nível mundial, e que no livro é apresentado como uma organização tendencialmente secreta e ansiosa por poder, afirmou num comunicado divulgado na terça-feira em Roma que certas referências (não especificadas) deveriam ser retiradas do filme, para que os sentimentos dos católicos não sejam feridos.
As pressões são dirigidas directamente para a Sony, pois o filme está ainda em fase de pós-produção e poderia ainda ser alterado. O comunicado avança que “a novela oferece uma visão deturpada da Igreja Católica” e que um gesto de boa vontade por parte dos responsáveis seria apreciado pelos católicos, “em especial nestes momentos em que todos percebem as dolorosas consequências da intolerância”, numa referência à polémica levantada pelos cartones sobre Maomé publicados na imprensa ocidental.
No entanto, não é adiantada a hipótese de ser pedido um boicote dos católicos a “O Código Da Vinci”, embora, segundo um elemento do gabinete de imprensa do Opus Dei em Roma, possam ser equacionadas outras medidas, se, após a estreia, se verificar que não foram efectuadas as modificações que a organização considera necessárias.
In “Publico”

Voltamos sempre ao mesmo. Uns exigem, outros recusam e chegam as ameaças. Mais bárbaras ou mais civilizadas, quer o acto quer a reacção entrechocam-se sempre naquela fina linha onde coexistem a liberdade de expressão, o direito à indignação e mesmo o abuso e o medo. Como eu já referi em outros momentos, não há aqui respostas simples, mas muito menos pode haver dois pesos e duas medidas consoante o lado da barricada onde nos encontramos. Se os nossos direitos terminam onde começam os do outro também é verdade que os do outro têm de terminar onde começam os nossos, a aqui não nos encontramos sobre a tal fina linha, mas num enorme espaço aberto que ambos desejam conquistar. É aqui que a atenção constante é uma necessidade premente, já que não nos podemos nem deixar coagir por uns nem ser utilizados por interesses obscuros de outros. As religiões foram, desde o momento em que os homens criaram os seus Deuses, para alguns, uma forma de possuir o poder, em muitos caos quase absoluto e assim controlarem o saber, a cultura e a vivência dos seus seguidores. Foi e é sempre pelo medo e pelo castigo que impuseram as suas leis e as suas verdades. Foi sempre em nome desse Deus que impuserem o seu poder. Quando Nietzsche declarou a morte de Deus, neste caso do ocidental, criou-se esse tal espaço aberto, vazio e que ainda hoje é um antro de liberdade e de cobiça. É aqui, nesse espaço, que essa fina linha está a ser marcada todos os dias e é da nossa capacidade de controlar o braço que a desenha que reside a quantidade de liberdade que podemos usar em cada momento.

quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Temos de fazer mais e melhor


O Protocolo de Quioto, em vigor há precisamente um ano, resultou já na criação de um novo mercado, no qual são compradas e vendidas licenças de emissão de dióxido de carbono (C02), o principal gás de efeito de estufa. Em Portugal transaccionaram-se mais de cem mil licenças, no valor de 2,5 milhões de euros, em apenas dois meses. Uma das provas do sucesso do mercado é a evolução do preço das licenças, de oito euros por tonelada de CO2 em Janeiro de 2005, para 25,88 euros, ontem. Os países, em bloco, da União Europeia, ainda a Quinze, estão obrigados a reduzir em oito por cento as emissões de gases de efeito de estufa até 2012, tendo por base de comparação os níveis registados em 1990. Para assegurar o cumprimento desta meta, entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2005 o Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE).
O mercado nasce porque algumas instalações industriais, tendo melhorado os processos de produção, poluíram menos do que lhes fora permitido e outras precisam de emitir mais. “O sector eléctrico é claramente comprador”, afirmou Ricardo Moita, administrador da Ecotrade, o primeiro serviço de comércio de licenças inteiramente português e responsável por cerca de 75 por cento das transacções nesta espécie de “bolsa do carbono”.
O mercado europeu envolve, globalmente, seis mil milhões de licenças de emissão de C02. Neste bolo, 114,5 milhões (1,7 por cento) são de instalações portuguesas. Até ao próximo mês de Junho, o Governo português terá de submeter à Comissão Europeia um novo plano de atribuição de licenças de poluição. Em 2005, primeiro ano de aplicação do comércio de emissões, trocaram-se na União Europeia 260 milhões de toneladas de dióxido de carbono, num montante total de cinco mil milhões de euros.
Portugal é país da União Europeia a 15 que deverá ficar mais longe das metas de Quioto para a redução das emissões de gases poluentes, prevendo-se um aumento de 42,2 por cento entre 2008-2012.
Além das penalizações pecuniárias previstas no protocolo em caso de incumprimento, Bruxelas não descarta a hipótese de abrir um procedimento de infracção contra os Estados incumpri dores.
In “CM”

Vamos a ver se mais esta despesa não vai justificar no futuro mais uma boa desculpa para aumentar o défice e com isso mais aumento nos impostos. Estava talvez na altura de impor regras mais restritivas às empresas poluentes obrigando-as à aplicação de tecnologias que permitissem a redução das emissões de CO2. Pelo menos teria de ficar mais barato às empresas instalarem esses sistemas do que simplesmente comprar mais licenças. O importante é proteger o ambiente e não o negócio.
NOTA: O país mais poluidor do mundo, os Estados Unidos da América, recusaram até hoje assinar o tratado de Quioto.

Sondagem Kaos: Sócrates sobe um ponto



José Sócrates falou ontem pela primeira vez sobre a polémica dos cartoons (que levantaram respostas violentas por parte do mundo islâmico), em defesa das posições públicas assumidas por Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros.
Sócrates relembrou que “Portugal participa em missões de paz em países islâmicos”, logo depois de ter exigido de “todos um comportamento responsável” sobre esta matéria.
À entrada de uma reunião com o grupo parlamentar socialistas, Sócrates falou com primeiro-ministro para afirmar que “o Islão não é o segundo problema da agenda internacional, é o primeiro”. “O assunto é muito sério”, reforçou. Preferindo o “silêncio” sobre este assunto à “demagogia”, Sócrates apontou ainda a necessidade de se “criar um clima propício à resolução dos conflitos” e “não alinhar em extremismos”. (Diário Económico, 16/02/2006)

Sócrates sobe um ponto na nossa consideração ao assumir uma posição pacifista na polémica do conflito gerado pelos cartoons dinamarqueses, ao contrário do que têm feito outros dirigentes europeus que não fazem senão lançar mais achas para a fogueira (veja-se o caso vergonhoso do ministro italiano que anunciou: «Tenho t-shirts com os cartoons que enfureceram o Islão e vou começar a usá-las a partir de hoje» (ministro italiano para as Reformas Institucionais, Roberto Calderoli). Elogiamos Sócrates por esta sua tomada de posição e aproveitamos para actualizar os números do indíce de popularidade do 1º. Ministro no nosso blog: agora já só lhe faltam n-1 pontos para que a sua pontuação deixe de ser negativa.


quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Não matem o mensageiro


Os jornalistas Joaquim Eduardo Oliveira e Jorge Van Kriken, autores das notícias sobre os registos telefónicos de figuras do Estado apensos ao processo Casa Pia, foram constituídos arguidos por «acesso indevido a dados pessoais», revelou fonte do 24 Horas agência Lusa, adiantando que o director daquele diário, Pedro Tadeu, foi igualmente constituído arguido no âmbito do mesmo processo. Quatro elementos da Polícia Judiciária (PJ), um procurador do Ministério Público e uma funcionária judicial entraram esta manhã na redacção do jornal na Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde dedicaram particular atenção ao computador de um dos jornalistas autores das notícias sobre os registos telefónicos de várias figuras de Estado. «Tirem já as mãos de cima dos teclados, parem tudo o que estão a fazer e saiam da redacção» foi a ordem dada por um dos elementos da PJ quando entrou na redacção, cerca das 12h45, contou um jornalista à agência Lusa. Segundo outra fonte do jornal, simultaneamente, as autoridades fizeram uma busca à casa, no distrito de Portalegre, do jornalista freelancer Jorge Van Kriken, outro dos autores da notícia que originou a instauração de um inquérito pela Procuradoria-Geral da República. O caso dos registos telefónicos de várias figuras do Estado inseridos no envelope 9 do processo de pedofilia na Casa Pia foi denunciado há um mês pelo jornal 24 Horas. Na altura, o Procurador-geral, José Souto Moura, anunciou a abertura de um inquérito com carácter de urgência para apurar como tinham ido parar ao processo os registos telefónicos, mas até agora não foram divulgadas conclusões.
In "Visão"

Boa solução para o inquérito de urgência. “Mata-se o mensageiro”.
No lugar de assumir as suas responsabilidades neste, como em outros casos, em que o segredo de justiça tem mais buracos que um passador, e a liberdade e a privacidade dos cidadãos são constantemente colocadas em causa, ataca-se os jornalistas que denuncia o caso. Vemos processos mediáticos dar em nada por escutas ilegais sem entendermos muito bem qual a estratégia destas investigações. Se existe o conhecimento de que as provas da acusação estão a ser conseguidas através de processos não legais também se deve saber que essas mesmas provas serão contestadas e anuladas em julgamento. Se não fosse tão escabroso apetece pensar que é feito propositadamente para que os acusados possam depois escapar impunes.
Sob a acusação de “Acesso indevido a dados pessoais” acusam-se os jornalistas, quando o mais grave neste caso é a existência desses mesmos dados. Este branqueamento das responsabilidades é mais uma prova da falta de coerência que tem estado associada ao mandato deste Procurador-geral.

E agora digam lá

Especialistas em direito penal e constitucional da Universidade Católica de Lisboa defenderam hoje que a liberdade de expressão abarca o direito à blasfémia, avança a agência Lusa. O debate foi sobre a perspectiva jurídica da polémica em torno das caricaturas de Maomé.
Rui Medeiros, professor associado, e Jorge Pereira da Silva, Pedro Garcia Marques e Gonçalo Matias, assistentes, promoveram hoje um debate com jornalistas com o objectivo de enquadrar juridicamente a polémica sobre as caricaturas.
Baseando-se na jurisprudência, o penalista Pedro Garcia Marques considerou que a liberdade de expressão deve ser defendida independentemente do conteúdo da mensagem ou da reputação de quem a difunde.
Por outro lado, tratando-se de caricaturas, é preciso ter em conta que a linguagem que lhes é própria é necessariamente satírica e, defendeu o constitucionalista Jorge Pereira da Silva, implica a liberdade de criação cultural, que goza de uma ainda maior amplitude.
Frisando sempre que a avaliação dos limites à liberdade de expressão é relativa e varia de país para país, Pereira da Silva e Rui Medeiros, também constitucionalista, consideraram que a liberdade de expressão é fundamental, enquanto princípio estruturante da democracia, mas não é ilimitada.
Os limites à liberdade de expressão têm de ser sempre definidos para a protecção de outros direitos importantes e constitucionalmente garantidos - direito à identidade, ao bom nome, à vida privada, entre outros -, mas a avaliação do respeito por esses limites, defenderam, deve ser sempre ponderada caso a caso e «contida» para não abrir caminho à censura.
«Neste caso, os limites dificilmente terão sido violados», considerou Rui Medeiros.
Os especialistas sublinharam ainda a necessidade de a liberdade de expressão dispor daquilo a que os norte-americanos chamam «breathing space», ou espaço para respirar, o que significa que ela não pode ser exercida «num clima de pressão que leve à auto-censura».
«A liberdade de expressão tem de ser um direito e não um risco», sintetizou Pereira da Silva.
Pelo que foi dito estou então no direito de publicar "caricaturas" gratuitas como esta. É a minha liberdade de expressão e isso dá-me o direito de fazer aquilo que me der na real gana. Sei que com esta imagem estarei a ofender a susceptibilidade de muita gente e só o faço para demonstrar que é fácil ofender mesmo quando não se tem nada para dizer.

Coitadinha da Fatinha


A presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, recebeu durante 2004, altura em que estava fugida à justiça portuguesa no Brasil, uma pensão mensal de 3.449 euros do Estado.
Apesar de estar a receber a pensãoFátima Felgueiras queixou-se recorrentemente de dificuldades financeiras o que levou o seu advogado a agir junto do tribunal quando em Junho de 2003 lhe foi interrompido o pagamento do salário como presidente da câmara de Felgueiras.
Devemos ainda juntar a isto os 115 mil euros que o estado lhe vai pagar pelos gastos que teve na campanha eleitoral.
Nem vale a pena fazer comentários a esta notícia. Quero só lembrar que o estado português e os grandes economistas nacionais afirmam não estar o país em condições para pagar 300 euros como pensão mínima aos mais idosos. Cada um que tire as suas conclusões.

Liberdade de expressão, o caralho.


“Tenho t-shirts com as caricaturas que enfurecem o Islão e vou começar a usá-las a partir de hoje”, referiu Roberto Calderoli, o ministro italiano para a Reforma Institucional. Alheio a todos os apelos de contenção na chamada “crise das caricaturas”, decidiu imprimir as polémicas caricaturas de profeta Maomé em várias t-shirts que pretende usar e dar a todos aqueles que pretendam fazer o mesmo.
“Não vale a pena pensar que é possível dialogar com esta gente. Eles querem humilhar-nos. Basta. O que queremos ser? A civilização manteiga derretida.”
O ministro italianp, pertence à Liga Norte, um partido de direita que tem matizes racistas. Caderoli foi acusado de “racista, machista e hooligan perturbado” depois que tentou depreciar a repórter israelista Rula Jebreal, num programa de televisão, chamando-lhe “senhora bronzeada”.

Liberdade de expressão o caralho. Isto não é liberdade de expressão, isto é provocação pura e simples. Em nome da defesa de algo que para nós tem um valor insubstituível, a liberdade, provoca-se outros com ataques naquilo que para eles é mais sagrado. Não acredito em Deuses, tenham eles o nome que tiverem, mas respeito, tento compreender e entendo aquilo que devem sentir. Todos nós reagimos quando vemos atacado ou depreciado aquilo que amamos. Qual de nós gosta que lhe chamem “filho de uma puta”. Já no caso das caricaturas o que aconteceu não veio de um simples acto de liberdade de expressão. Foi combinado e decidido fazer, por um jornal de direita, a sua publicação para testar até que ponto os Muçulmanos que viviam na Finlândia iam aguentar. A ideia era simples, provocá-los para testar a sua reacção. Conhecendo-se a inflexibilidade da religião Muçulmana, o fundamentalismo e os regimes quase teocráticos existentes fácil era adivinhar o que poderia acontecer. Entretanto já houve violência, mortes e uma situação de quase impossível resolução. Quem é culpado ou inocente? Com a extrema-direita a aproveitar, como está a acontecer com o ministro italiano, só caminhamos para o conflito a intolerância e para o ódio. Estão a fechar a porta de saída e existe um perigo muito real de brevemente sermos obrigados a escolher um dos lados da barricada, com a “obrigação” de odiar o outro. Teremos de aceitar que a razão está toda do mesmo lado quando no fundo sabemos que nunca é assim. Não há só uma razão e uma verdade e enquanto não aceitarmos isso os outros serão sempre ou os blasfemos ou os fundamentalistas. Quem julgará e condenará Roberto Calderoli, Ministro Italiano para a Reforma Institucional, pelas mortes e destruição que os seus actos irão certamente gerar. Ou vamos dizer que o filho da puta só estava a exercer o seu direito à liberdade de expressão. Liberdade de expressão o caralho.

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